REsp 2058846 - DECISAO
O Tribunal entendeu que não houve omissão ou erro apto a ensejar reforma por violação do art. 1.022 do CPC e, aplicando os precedentes do STJ (Tema 905) e do STF (RE 870.947/SE), concluiu que condenações previdenciárias devem ser corrigidas pelo INPC para o período posterior à Lei 11.430/2006 até junho/2009 e pelo...
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- Parties
- Recorrente: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL; Recorrido: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 February 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento (stj)
- Outcome
- provimento parcial ao recurso especial
- Legal Topics
- Correção Monetária, Juros De Mora, Índices De Atualização, Recursos Repetitivos (tema 905), Repercussão Geral (tema 810)
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Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
Recorrente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento (stj)
Legal Issues
- 1 aplicabilidade do art. 1º-F da Lei 9.494/1997 às condenações da Fazenda Pública
- 2 índices aplicáveis à correção monetária de condenações previdenciárias (INPC, IPCA-E, IGP-DI, TR)
- 3 incidência de juros de mora nas condenações judiciais da Fazenda Pública
Ratio Decidendi
O Tribunal entendeu que não houve omissão ou erro apto a ensejar reforma por violação do art. 1.022 do CPC e, aplicando os precedentes do STJ (Tema 905) e do STF (RE 870.947/SE), concluiu que condenações previdenciárias devem ser corrigidas pelo INPC para o período posterior à Lei 11.430/2006 até junho/2009 e pelo IPCA-E a partir de 30/06/2009, sendo o art. 1º-F da Lei 9.494/1997 inaplicável à correção monetária das condenações da Fazenda Pública (aplicável quanto aos juros de mora), motivo pelo qual deu parcial provimento ao recurso para adequar o acórdão a esses entendimentos.
Court Disposition
provimento parcial ao recurso especial
Orders
- Dar parcial provimento ao recurso especial.
- Modificar parcialmente o acórdão para adequar a aplicação dos índices de correção monetária: INPC para débitos previdenciários posteriores à Lei 11.430/2006 até junho/2009; aplicação do IPCA-E a partir de 30/06/2009, conforme RE 870.947/SE.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea a, da Constituição Federal, no qual se insurge contra o acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO assim ementado (fl. 99): Apelação Auxílio Acidente Interposição pelo INSS Ausência de recolhimento do porte de remessa e retorno Deserção Não Conhecimento. A falta de recolhimento do porte de remessa e retorno constitui inobservância de requisito de admissibilidade recursal que dá ensejo ao reconhecimento da deserção impeditiva do conhecimento do recurso, porquanto não observado o disposto no artigo 511, caput, do Código de Processo Civil, combinado com o previsto na Lei Estadual nº 11.608/03. Apelação do autor Alegação de cerceamento de defesa Não oitiva de testemunhas Laudo que confirma a incapacidade e o nexo na modalidade concausa Desnecessidade de aferição de nexo de causalidade por testemunhas - Cerceamento não caracterizado Preliminar rejeitada. Reexame Necessário - Acidente do trabalho Auxílio-acidente Males na coluna lombar - Necessidade de maior esforço para o labor - Concessão - Presentes nexo e redução da capacidade laborativa, o trabalhador faz jus ao auxílio-acidente de 50% do salário-de-benefício - Abono anual - Termo inicial do benefício a partir do dia seguinte ao da alta médica indevida - Recurso de oficio parcialmente acolhido, com observação. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 134/143). Nas razões do seu recurso especial (fls. 147/153 ), a parte recorrente sustenta violação do art. 1.022 do Código de Processo Civil (CPC), do art. 5º da Lei 11.960/2009 e do art. 1º-F da Lei 9.494/1997, do art. 31 da Lei 10.741/2003 e do art. 41-A da Lei 8.213/1991. Argumenta, para tanto, que: (a) houve negativa de prestação jurisdicional; (b) deve ser utilizado, para a atualização do débito, o INPC a partir do advento da Lei 10.741/2003 até a edição da Lei 11.960/2009; e, (c) a contar da vigência da Lei 11.960/2009, o débito deve ser corrigido pela Taxa Referencial e não pelo IGP-DI e pelo IPCA-E, como foi determinado pelo Tribunal de origem. As contrarrazões não foram apresentadas de acordo com a certidão de fl. 155. Os autos foram devolvidos à Turma julgadora para eventual juízo de retratação considerando o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no julgamento dos Recursos Especiais 1.495.144/RS, 1.495.146/MG e 1.492.221/PR, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, submetidos ao regime de recursos repetitivos - Tema 905 do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O acórdão foi modificado parcialmente, nos termos da ementa ora transcrita (fl. 173): AÇÃO ACIDENTARIA - Autos encaminhados ao relator para reapreciação da matéria, diante de entendimento adotado pelo STJ no sentido de que as condenações judiciais de natureza previdenciária sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de correção monetária (art. 1.040, inciso II, do novo CPC) - Adequação do acórdão para admitir a aplicação do INPC em relação a débito posterior à vigência da Lei nº 11.430106 (Tema nº 905 - STJ), porém até junho/2009, passando então a ser aplicado o decidido pelo STF no julgamento do RE 870.947/SE (repercussão geral Tema nº 810) -Acórdão parcialmente alterado. O recurso especial foi admitido na origem (fls. 178/179). É o relatório. Inexiste a alegada violação do art. 1.022 do C PC, pois a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, consoante se depreende da análise do acórdão recorrido. O Tribunal de origem apreciou fundamentadamente a controvérsia, não padecendo o julgado de nenhum erro, omissão, contradição ou obscuridade. Destaco que julgamento diverso do pretendido, como neste caso, não implica ofensa ao dispositivo de lei invocado. Quanto aos consectários legais da condenação, no julgamento dos Recursos Especiais 1.495.144/RS, 1.495.146/MG e 1.492.221/PR, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, submetidos ao regime de recursos repetitivos (Tema 905/STJ), a Primeira Seção do STJ, observando a repercussão geral firmada pelo Supremo Tribunal Federal no RE 870.947/SE, fixou, entre outras, a tese de que o art. 1º-F da Lei 9.494/1997 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), para fins de correção monetária, não é aplicável às condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza, não havendo que se falar em modulação nos casos em que não ocorreu a expedição ou o pagamento do precatório. Confira-se, por oportuno, a ementa do precedente qualificado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. SUBMISSÃO À REGRA PREVISTA NO ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 02/STJ. DISCUSSÃO SOBRE A APLICAÇÃO DO ART. 1º-F DA LEI 9.494/97 (COM REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.960/2009) ÀS CONDENAÇÕES IMPOSTAS À FAZENDA PÚBLICA. CASO CONCRETO QUE É RELATIVO A CONDENAÇÃO JUDICIAL DE NATUREZA PREVIDENCIÁRIA. TESES JURÍDICAS FIXADAS. 1. Correção monetária: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), para fins de correção monetária, não é aplicável nas condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza. 1.1 Impossibilidade de fixação apriorística da taxa de correção monetária. No presente julgamento, o estabelecimento de índices que devem ser aplicados a título de correção monetária não implica pré-fixação (ou fixação apriorística) de taxa de atualização monetária. Do contrário, a decisão baseia-se em índices que, atualmente, refletem a correção monetária ocorrida no período correspondente. Nesse contexto, em relação às situações futuras, a aplicação dos índices em comento, sobretudo o INPC e o IPCA-E, é legítima enquanto tais índices sejam capazes de captar o fenômeno inflacionário. 1.2 Não cabimento de modulação dos efeitos da decisão. A modulação dos efeitos da decisão que declarou inconstitucional a atualização monetária dos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, objetivou reconhecer a validade dos precatórios expedidos ou pagos até 25 de março de 2015, impedindo, desse modo, a rediscussão do débito baseada na aplicação de índices diversos. Assim, mostra-se descabida a modulação em relação aos casos em que não ocorreu expedição ou pagamento de precatório. 2. Juros de mora: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), na parte em que estabelece a incidência de juros de mora nos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, aplica-se às condenações impostas à Fazenda Pública, excepcionadas as condenações oriundas de relação jurídico-tributária. 3. Índices aplicáveis a depender da natureza da condenação. 3.1 Condenações judiciais de natureza administrativa em geral. As condenações judiciais de natureza administrativa em geral, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até dezembro/2002: juros de mora de 0,5% ao mês; correção monetária de acordo com os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) no período posterior à vigência do CC/2002 e anterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora correspondentes à taxa Selic, vedada a cumulação com qualquer outro índice; (c) período posterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança; correção monetária com base no IPCA-E. 3.1.1 Condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos. As condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até julho/2001: juros de mora: 1% ao mês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora: 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; (c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E. 3.1.2 Condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas. No âmbito das condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas existem regras específicas, no que concerne aos juros moratórios e compensatórios, razão pela qual não se justifica a incidência do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), nem para compensação da mora nem para remuneração do capital. 3.2 Condenações judiciais de natureza previdenciária. As condenações impostas à Fazenda Pública de natureza previdenciária sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/91. Quanto aos juros de mora, incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança (art. 1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009). 3.3 Condenações judiciais de natureza tributária. A correção monetária e a taxa de juros de mora incidentes na repetição de indébitos tributários devem corresponder às utilizadas na cobrança de tributo pago em atraso. Não havendo disposição legal específica, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês (art. 161, § 1º, do CTN). Observada a regra isonômica e havendo previsão na legislação da entidade tributante, é legítima a utilização da taxa Selic, sendo vedada sua cumulação com quaisquer outros índices. 4. Preservação da coisa julgada. Não obstante os índices estabelecidos para atualização monetária e compensação da mora, de acordo com a natureza da condenação imposta à Fazenda Pública, cumpre ressalvar eventual coisa julgada que tenha determinado a aplicação de índices diversos, cuja constitucionalidade/legalidade há de ser aferida no caso concreto. SOLUÇÃO DO CASO CONCRETO. 5. No que se refere à alegada afronta aos arts. 128, 460, 503 e 515 do CPC, verifica-se que houve apenas a indicação genérica de afronta a tais preceitos, sem haver a demonstração clara e precisa do modo pelo qual tais preceitos legais foram violados. Por tal razão, mostra-se deficiente, no ponto, a fundamentação recursal. Aplica-se, por analogia, o disposto na Súmula 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 6. Quanto aos demais pontos, cumpre registrar que o presente caso refere-se a condenação judicial de natureza previdenciária. Em relação aos juros de mora, no período anterior à vigência da Lei 11.960/2009, o Tribunal de origem determinou a aplicação do art. 3º do Decreto-Lei 2.322/87 (1%); após a vigência da lei referida, impôs a aplicação do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009). Quanto à correção monetária, determinou a aplicação do INPC. Assim, o acórdão recorrido está em conformidade com a orientação acima delineada, não havendo justificativa para reforma. 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 1.036 e seguintes do CPC/2015, c/c o art. 256-N e seguintes do RISTJ. (REsp n. 1.492.221/PR, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, julgado em 22/2/2018, DJe de 20/3/2018.) No caso dos autos, o Tribunal de origem assim se manifestou sobre o tema (fl. 174): Primeiramente, quanto aos juros de mora, cumpre anotar que a orientação do acórdão, quanto a esse ponto, está em consonância com os precedentes do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal citados na decisão da Presidência da Seção de Direito Público. No tocante à atualização monetária, não obstante o entendimento deste relator no sentido de que deve ser aplicado o IGP-DI até o cálculo de liquidação, os integrantes desta 16ª Câmara de Direito Público deliberaram conjuntamente alinhar os índices de correção monetária às decisões dos tribunais superiores a respeito dessa matéria. Assim, buscando essa compatibilização, passará a ser adotada a seguinte orientação: 1 - Aplicação do INPC como fator de correção monetária de débito posterior à vigência da Lei nº 11.430/06, em consonância com o entendimento externado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp 1.492.221/PR (recurso repetitivo - Tema nº 905). 2 - Aplicação, a partir de 30 de junho de 2009, do IPCA-E, índice indicado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 870.947/SE (repercussão geral - Tema nº 810 - trânsito em julgado em 03/03/2020, sem modulação). No caso dos autos, considerado o termo inicial do beneficio m (08/05/ 2013), a correção dos valores em atraso será feita com base no que foi á definido no referido RE 870.947/SE, na medida em que a aplicação do INPC alcança débitos previdenciários posteriores à vigência da Lei n011.430/06, porém só até junho/2009. Ante o exposto, pelo meu voto, modifico parcialmente, no particular, o entendimento adotado pelo acórdão proferido. Devolvam-se os autos à Presidência da Seção de Direito Público. Verifico, portanto, que o acórdão recorrido diverge do atual entendimento desta Corte Superior sobre a matéria, uma vez que, por se tratar de condenação judicial de natureza previdenciária, a atualização do débito deve-se dar pelo INPC no que se refere ao período posterior à entrada em vigor da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/1991. No período anterior à vigência da Lei 11.430/2006, devem ser aplicados os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal. Ante o exposto, dou parcial provimento ao recurso especial, nos termos da fundamentação exposta. Publique-se. Intimações necessárias. EMENTA