REsp 2166041 - DECISAO
Conheceu-se parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, deu-se parcial provimento para afastar a preclusão quanto à correção monetária, considerando a orientação jurisprudencial superveniente (Temas do STF e do STJ) que permite a revisão dos critérios de atualização aplicáveis às condenações da Fazenda...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: FRANCISCO OLIVEIRA SAMPAIO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 March 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Conhecimento Parcial E Provimento Parcial
- Outcome
- Conheço parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, dou parcial provimento para afastar a preclusão em relação à correção monetária.
- Legal Topics
- Correção Monetária, Coisa Julgada, Preclusão, Ação Rescisória, Juros De Mora, Execução De Sentença
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
FRANCISCO OLIVEIRA SAMPAIO
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Conhecimento Parcial E Provimento Parcial
Legal Issues
- 1 possibilidade de modificação de sentença transitada em julgado quanto ao índice de correção monetária
- 2 aplicação do art. 1º-F da Lei 9.494/97 na redação da Lei 11.960/2009
- 3 efeitos da declaração de inconstitucionalidade sobre a coisa julgada e preclusão
Ratio Decidendi
Conheceu-se parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, deu-se parcial provimento para afastar a preclusão quanto à correção monetária, considerando a orientação jurisprudencial superveniente (Temas do STF e do STJ) que permite a revisão dos critérios de atualização aplicáveis às condenações da Fazenda Pública, bem como que o entendimento do tribunal de origem divergia da jurisprudência desta Corte.
Court Disposition
Conheço parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, dou parcial provimento para afastar a preclusão em relação à correção monetária.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por FRANCISCO OLIVEIRA SAMPAIO, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea a, da Constituição Federal, no qual se insurge contra o acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS assim ementado (fl. 113): AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. CORREÇÃO MONETÁRIA. ART. 1º- F, DA LEI 9.494/97, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.960/09. INCONSTITUCIONALIDADE POSTERIOR. VIOLAÇÃO DOS LIMITES DA COISA JULGADA. AÇÃO RESCISÓRIA. AGRAVO CONHECIDO E PROVIDO. 1. Na execução, o juiz deverá observar estritamente os limites objetivos da prestação jurisdicional, devendo seu cumprimento dar-se nos exatos termos nela fixados, sendo vedada qualquer inovação ou modificação. 2. No caso sub judice, a sentença está acobertada pelo efeito da preclusão máxima, sendo relevante que no título foi determinada a correção monetária segundo o art. 1º-F, da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei 11.960/09 até a expedição do precatório e tendo transitado em julgado, sem que houvesse qualquer alteração. 3. Mesmo quando a decisão se assenta em norma posteriormente declarada inconstitucional e extirpada da ordem jurídica, a lei processual disciplina a solução ao permitir a formulação de ação rescisória nos dois anos seguintes à decisão proferida pela Suprema Corte. 4. AGRAVO CONHECIDO E PROVIDO. Em suas razões recursais, a parte recorrente afirma haver violação do art. 1.022 do Código de Processo Civil (CPC) porque a Corte de origem não teria apreciado as teses suscitadas em seus embargos de declaração (fl. 140). Afirma, ainda, haver violação dos arts. 322, § 1º, 525, I, 525, §§ 12 a 15, e 927 do CPC porque: (1) " .. os juros e a correção monetária protraem-se no tempo, traduzindo típica hipótese de relação de trato continuado, eis que se renovam mês a mês, o que excepciona a própria preclusão pro judicato e a coisa julgada" (fl. 144); (2) " .. tanto a coisa julgada como a preclusão estão sujeitas à cláusula rebus sic standibus, não podendo elas subsistirem quando houver a superveniente mudança do estado de fato e de direito aplicável à espécie" (fl. 144); (3) " .. a mudança que permite a superação da coisa julgada/preclusão na espécie decorre da declaração pelo STF da inconstitucionalidade da sistemática de correção monetária prevista no art. 1º-F da Lei n. 9.494/1997, com a redação dada pelo art. 5º da Lei n. 11.960/2009, sem qualquer modulação em relação à fase que precede a requisição do pagamento" (fl. 145); (4) " .. é pacífico o entendimento segundo o qual os juros e a correção monetária traduzem questões de ordem pública, de natureza estritamente estatutária e institucional, e que os erros de cálculo decorrentes de sua aplicação podem ser corrigidos até o trânsito em julgado da sentença que extingue a execução pelo pagamento" (fls. 150/151); (5) " .. no caso em comento, erro de cálculo foi tempestivamente apontado, isto é, antes da extinção do processo pela satisfação da obrigação" (fl. 153); e (6) " .. não observou o acórdão recorrido a eficácia vinculante das decisões sobre o controle de constitucionalidade tomado pelo Supremo Tribunal Federal" (fl. 153). A parte adversa apresentou contrarrazões (fls. 204/216). Em juízo de retratação, a Corte de origem manteve o acórdão recorrido nos termos da seguinte ementa (fl. 238): AGRAVO DE INSTRUMENTO. ART. 1.030, INCISO II, CPC/2015. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. CORREÇÃO MONETÁRIA. ART. 1º-F, DA LEI 9.494/97, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.960/09. INCONSTITUCIONALIDADE POSTERIOR. VIOLAÇÃO DOS LIMITES DA COISA JULGADA. TEMA 1.170 - STF. DISTINÇÃO. MANTIDO O PROVIMENTO DO AGRAVO. 1. A questão envolve a definição a possibilidade de modificar sentença transitada em julgado, especificamente no capítulo que fixou o critério de correção do débito fazendário com base no art. 1º-F, da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei 11.960/09, posteriormente declarado parcialmente inconstitucional pela suprema corte. 2. Na execução, o juiz deverá observar estritamente os limites objetivos da prestação jurisdicional, devendo seu cumprimento dar-se nos exatos termos nela fixados, sendo vedada qualquer inovação ou modificação. 3. No caso, o título executivo judicial fixou em definitivo que a correção monetária fosse calculada na forma do art. 1º-F, da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei 11.960/09, que determinava a correção monetária pelos índices oficiais de remuneração básica da caderneta de poupança - TR e até a expedição dos precatórios. 4. Mesmo quando a decisão se assenta em norma posteriormente declarada inconstitucional e extirpada da ordem jurídica, a lei processual disciplina a solução ao permitir a formulação de ação rescisória nos dois anos seguintes à decisão proferida pela Suprema Corte. 5. ACÓRDÃO MANTIDO, nos termos do art. 1.041 do Código de Processo Civil. A decisão de fl. 276 determinou a remessa dos autos ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) considerando a orientação dos Temas 905/STJ e 1.170/STF, bem como a manutenção do acórdão divergente pelo órgão julgador. É o relatório. Nas razões do recurso especial, no que se refere à violação ao art. 1.022, II, do Código de Processo Civil, a parte recorrente alegou o seguinte (fl. 140): Destarte, caso Vossas Excelências entendam que o Tribunal a quo não se manifestou expressamente sobre a tese suscitada, pugna-se pela declaração da nulidade do acórdão que julgou os declaratórios, por afronta ao disposto no art. 1.022, II, do CPC, remetendo-se os autos à instância de origem para que sejam sanados os pontos trazidos nos embargos de declaração, adotando-se, assim, posicionamento expresso sobre os temas, especialmente sobre a alegação de afronta aos arts. 322, §1º, 505, I, 525, §§ 12 a 15, e 927, todos do CPC. Constata-se que foram feitas alegações genéricas, que se deixou de indicar especificamente os pontos sobre os quais o julgador deveria ter se manifestado. O recurso especial é deficiente, o que inviabiliza a compreensão da controvérsia. Incide no caso em questão, por analogia, a Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal (STF). Quanto à atualização monetária do débito, o Tribunal de origem, em juízo de retratação, decidiu por manter o acórdão recorrido, adotando a seguinte fundamentação (fls. 241/248): Com efeito, a controvérsia versa sobre a possibilidade de alteração dos critérios para correção monetária dos débitos da Fazenda Pública, em vista do reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 1º-F, da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei 11.960/09. .. Ressalta-se que, primeiramente, os critérios quanto à atualização monetária e juros de mora foram fixados em sede de apelação e embargos de declaração, cujas ementas foram lavradas nos seguintes termos: .. Releva retratar o trecho do voto condutor do acórdão que proveu os embargos de declaração com efeitos infringentes: "Assim, a atualização monetária nas condenações da Fazenda Pública, até a expedição dos precatórios, sujeita-se, no período da respectiva vigência, ao art. 1º-F da Lei 9494/97, com a redação da Lei 11.960/09. Impõe-se, portanto, emprestar efeitos infringentes aos presentes embargos, para modificar parcialmente o julgamento dos embargos anteriores, exclusivamente quanto ao item 2 da parte dispositiva do voto condutor - "2) o IPCA, como índice de correção monetária a partir desta última data" 28/06/09 . Posto isso, provejo os embargos declaratórios para modificar parcialmente a decisão proferida no julgamento dos embargos anteriores, quanto à correção devida a partir de 28/06/09, a qual deverá observar o disposto na Lei 11.960/09. Quanto ao mais, prevalece o julgamento dos embargos anteriores, interpostos pelo autor." Portanto, o título executivo judicial fixou em definitivo que a correção monetária fosse calculada conforme o mandamento do art. 1º-F, da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei 11.960/09, que determinava a correção monetária pelos índices oficiais de remuneração básica da caderneta de poupança - TR e até a expedição dos precatórios. É importante ressaltar que, na execução, o juiz deverá observar estritamente os limites objetivos da prestação jurisdicional, devendo seu cumprimento se dar nos exatos termos nela fixados, sendo vedado qualquer inovação ou modificação: .. Até mesmo quando a decisão se assenta em norma posteriormente declarada inconstitucional e extirpada da ordem jurídica, a lei processual disciplina a solução, ao permitir a formulação de ação rescisória nos dois anos seguintes à decisão proferida pela Suprema Corte: Nesse sentido, decidiu o Supremo Tribunal Federal por ocasião do julgamento do RE 730462, e relativamente ao Tema 733: .. In casu, a sentença está acobertada pelo efeito da preclusão máxima. Logo, fixado o parâmetro para a correção em sentença transitada em julgado, na qual foi estabelecido o índice de correção monetária, deve-se guiar pelo respectivo parâmetro judicial até que o título seja desconstituído, sob pena de violação dos limites da coisa julgada, ainda que o decisum tenha assento em norma posteriormente declarada inconstitucional. A controvérsia restou superada a partir do julgamento dos R Esp"s 1.495.146/MG, 1.492.221/PR e 1.495.144/RS, Tema 905, quando a Superior Corte de Justiça, após fixar os índices de correção das dívidas judiciais da Fazenda de diversas naturezas, entendeu pela necessidade de se observar, ainda assim, o que restou decidido nas sentenças transitadas em julgado: .. Ante o exposto, com fundamento no artigo 1.041 do Código de Processo Civil e, por não ser o caso de se efetuar o juízo de retratação, mantenho o acórdão registrado sob o ID 39360852, nos exatos termos em que foi prolatado por esta Turma. O Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do RE 1.317.982, de relatoria do Ministro Nunes Marques, fixou a tese correspondente ao Tema 1.170 no sentido de que "é aplicável às condenações da Fazenda Pública envolvendo relações jurídicas não tributárias o índice de juros moratórios estabelecido no art. 1º-F da Lei n. 9.494/1997, na redação dada pela Lei n. 11.960/2009, a partir da vigência da referida legislação, mesmo havendo previsão diversa em título executivo judicial transitado em julgado". Embora o Tema 1.170/STF verse sobre os juros moratórios, sua ratio decidendi é igualmente aplicável à correção monetária. Esclarecendo tal questão, o STF, no julgamento do RE 1.505.031 (Tema 1.361), fixou a seguinte tese: "O trânsito em julgado de decisão de mérito com previsão de índice específico de juros ou de correção monetária não impede a incidência de legislação ou entendimento jurisprudencial do STF supervenientes, nos termos do Tema 1.170/RG." Destaco que, apesar de o acórdão recorrido ter sido expresso quanto à preclusão, a jurisprudência deste Tribunal é estabelecida no sentido de que, em casos como o ora analisado, não há falar em preclusão, pois os juros de mora e a correção monetária seriam meros consectários da condenação, podendo ser revistos sem que isso configure ofensa à coisa julgada. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO DE SENTENÇA. JUROS DE MORA. CORREÇÃO MONETÁRIA. MATÉRIAS DE ORDEM PÚBLICA. NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA AOS PROCESSOS EM CURSO. COISA JULGADA. NÃO VIOLAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022. AUSÊNCIA. 1. Constata-se que não se configurou ofensa ao art. e 1.022 do Código de Processo Civil, uma vez que o Tribunal a quo julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia. Não há vícios de omissão ou contradição, pois a Corte de origem apreciou e decidiu, fundamentadamente, todas as questões postas ao seu crivo, não cabendo falar em negativa de prestação jurisdicional. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firme no sentido de que os juros de mora e a correção monetária são encargos acessórios da obrigação principal, possuindo caráter eminentemente processual e devem ser incluídos na conta de liquidação, ainda que já homologado o cálculo anterior, inexistindo preclusão ou ofensa à coisa julgada em consequência dessa inclusão. Assim, as alterações do art. 1º-F da Lei 9.494/1997, introduzidas pela Medida Provisória 2.180-35/2001 e pela Lei 11.960/2009, têm aplicação imediata a todas as demandas judiciais em trâmite, com base no princípio tempus regit actum. Precedentes. 2. É firme o entendimento nesta Corte de que "a aplicação de juros e correção monetária pode ser alegada na instância ordinária a qualquer tempo, podendo, inclusive, ser conhecida de ofício. A decisão nesse sentido não caracteriza julgamento extra petita, tampouco conduz à interpretação de ocorrência de preclusão consumativa, porquanto tais institutos são meros consectários legais da condenação" (AgInt no REsp 1.353.317/RS, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe 9.8.2017). 3. A Primeira Seção dedo STJ, no julgamento do REsp 1.495.146/MG, reexaminou a questão relativa à aplicação do art. 1º-F da Lei 9.494/1997, com a redação dada pela Lei 11.960/2009, após a decisão do Supremo Tribunal Federal no RE 870.947/SE, submetido ao regime de Repercussão Geral, publicada em 20.11.2017. A Corte Maior estabeleceu que o mencionado dispositivo legal, com o propósito de correção monetária, não é aplicável às condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza; a respeito dos juros de mora, definiu a possibilidade de incidência na mesma hipótese, excepcionadas apenas as condenações oriundas de natureza jurídico-tributária. Em vista disso, no Superior Tribunal de Justiça, consolidou-se o entendimento de que as condenações judiciais referentes a servidores e a empregados públicos se sujeitam aos seguintes encargos: (a) até julho/2001 - juros de mora: 1% ao mês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) agosto/2001 a junho/2009 - juros de mora: 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; e (c) a partir de julho/2009 - juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E. Registre-se que o STF, no julgamento de Embargos de Declaração no Recurso Extraordinário 870.947/SE, rejeitou a possibilidade de modulação dos efeitos do julgado. 4. Agravo Interno não provido. (AgInt no REsp n. 2.073.159/DF, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 13/11/2023, DJe de 18/12/2023, sem destaque no original.) Assim, observo que o entendimento adotado pela Corte de origem destoa da jurisprudência desta Corte quanto ao tema. Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, a ele dou parcial provimento para afastar a preclusão em relação à correção monetária. Publique-se. Intimem-se. EMENTA