REsp 1974257 - DECISAO
O recurso especial foi desprovido porque o acórdão recorrido está em conformidade com a jurisprudência do STJ e do STF no sentido de que índices de correção monetária e juros aplicáveis devem ser os vigentes no tempo da execução, não configurando violação da coisa julgada, razão pela qual a pretensão do INSS de...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 November 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento Do Recurso Especial (decisão Final)
- Outcome
- recurso especial conhecido e desprovido
- Legal Topics
- Correção Monetária, Coisa Julgada, Juros De Mora, Matéria De Ordem Pública, Aplicação Imediata Da Lei Superveniente
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Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento Do Recurso Especial (decisão Final)
Legal Issues
- 1 aplicação do índice de correção monetária na fase de execução
- 2 possível violação da coisa julgada pela adoção de índice diverso daquele constante do título executivo
- 3 incidência do Tema 1.170 do STF sobre juros moratórios
Ratio Decidendi
O recurso especial foi desprovido porque o acórdão recorrido está em conformidade com a jurisprudência do STJ e do STF no sentido de que índices de correção monetária e juros aplicáveis devem ser os vigentes no tempo da execução, não configurando violação da coisa julgada, razão pela qual a pretensão do INSS de aplicação da TR foi rejeitada.
Court Disposition
recurso especial conhecido e desprovido
Orders
- Nego provimento ao recurso especial.
- Deixo de majorar os honorários advocatícios.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL contra acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, no julgamento do Agravo de Instrumento n. 0042061-12.2019.8.26.0000, cuja ementa é a seguir transcrita (fl. 512): ACIDENTE DO TRABALHO - AGRAVO DE INSTRUMENTO - Correção monetária sobre débitos em atraso do INSS - Aplicação da orientação estabelecida no RE nº 870.947/SE (Tema 810 - Repercussão Geral) pelo C. Supremo Tribunal Federal - Pretensão da autarquia à aplicação da TR - Atualização monetária que deve seguir os seguintes parâmetros: IGPD-I de 05/1996 a 03/2006; INPC de 04/2006 a 06/2009; IPCA-E a partir de 30/06/2009 - LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ - Não configuração - Ausência de conduta temerária - Afastamento da multa aplicada - RECURSO PROVIDO. Posteriormente, houve juízo negativo de retratação, em razão do Tema n. 1.170/STF, nestes termos (fl. 591): ACIDENTE DO TRABALHO - JUÍZO DE CONFORMIDADE envolvendo o Tema nº 1170 do STF - Reapreciação da questão envolvendo o índice dos juros moratórios - Observação quanto à aplicação da Lei nº 11.960/09 com enfoque para as teses firmadas no Tema nº 810 do STF - Acórdão mantido. Irresignado, o recorrente interpôs recurso especial, com fulcro no art. 105, inciso III, alíneas a e c, da CF, no qual alega que houve, além de divergência jurisprudencial, violação dos arts . 502, 505, 509, § 4º, e 927, inciso III, do CPC, sob o argumento de que deve ser aplicada a TR como índice de correção monetária, sobretudo ante a existência de coisa julgada. Contrarrazões às fls. 609-616. Decisão de admissibilidade às fls. 617-619. É o relatório. Decido. A irresignação não merece prosperar. O Tribunal de origem, no enfrentamento da matéria, concluiu (fl. 592, sem grifos no original): .. Com efeito, conforme já decidido, não há que se falar em coisa julgada, pois, de acordo com entendimento desta Câmara, os índices e correção monetária são aqueles vigentes ao tempo da execução da obrigação. .. Ao assim decidir, o acórdão recorrido se alinhou à jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que não ofende a coisa julgada a adoção de índice de correção monetária ou juros, em fase de cumprimento de sentença, diverso daquele previsto no título executivo, devendo ser afastado o declarado inconstitucional. Na mesma linha: PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA. COISA JULGADA. TEMA N. 1.170 DO STF. APLICAÇÃO IMEDIATA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. O STF julgou o Tema n. 1.170 da repercussão geral e estipulou ser "aplicável às condenações da Fazenda Pública envolvendo relações jurídicas não tributárias o índice de juros moratórios estabelecido no art. 1º-F da Lei n. 9.494/1997, na redação dada pela Lei n. 11.960/2009, a partir da vigência da referida legislação, mesmo havendo previsão diversa em título executivo judicial transitado em julgado". 2. "A Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.112.746/DF, afirmou que os juros de mora e a correção monetária são obrigações de trato sucessivo, que se renovam mês a mês, devendo, portanto, ser aplicadas no mês de regência a legislação vigente. Por essa razão, fixou-se o entendimento de que a lei nova superveniente que altera o regime dos juros moratórios deve ser aplicada imediatamente a todos os processos, abarcando inclusive aqueles em que já houve o trânsito em julgado e estejam em fase de execução. Não há, pois, nesses casos, que falar em violação da coisa julgada." (EDcl no AgRg no REsp 1.210.516/RS, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 25.9.2015)" (AgInt no REsp 1.967.170/RS, Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 29/6/2022). Precedentes. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp n. 2.186.900/RS, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, julgado em 13/8/2025, DJEN de 19/8/2025.) PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO DE SENTENÇA. JUROS DE MORA. CORREÇÃO MONETÁRIA. MATÉRIAS DE ORDEM PÚBLICA. NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA AOS PROCESSOS EM CURSO. COISA JULGADA. NÃO VIOLAÇÃO. 1. É firme o entendimento nesta Corte, no sentido de que "a aplicação de juros e correção monetária pode ser alegada na instância ordinária a qualquer tempo, podendo, inclusive, ser conhecida de ofício. A decisão nesse sentido não caracteriza julgamento extra petita, tampouco conduz à interpretação de ocorrência de preclusão consumativa, porquanto tais institutos são meros consectários legais da condenação" (AgInt no REsp 1.353.317/RS, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe 9.8.2017). 2. No que diz respeito aos juros de mora, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça assentou a compreensão de que a alteração do art. 1º-F da Lei 9.494/1997, introduzida pela Medida Provisória 2.180-35/2001, tem aplicação imediata aos processos em curso, incidindo o princípio do tempus regit actum. 3. Ainda na linha de nossa jurisprudência, "A Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.112.746/DF, afirmou que os juros de mora e a correção monetária são obrigações de trato sucessivo, que se renovam mês a mês, devendo, portanto, ser aplicadas no mês de regência a legislação vigente. Por essa razão, fixou-se o entendimento de que a lei nova superveniente que altera o regime dos juros moratórios deve ser aplicada imediatamente a todos os processos, abarcando inclusive aqueles em que já houve o trânsito em julgado e estejam em fase de execução. Não há, pois, nesses casos, que falar em violação da coisa julgada." (EDcl no AgRg no REsp 1.210.516/RS, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 25.9.2015). 4. Agravo Interno não provido. (AgInt no REsp n. 1.967.170/RS, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 27/6/2022, DJe de 29/6/2022.) Incide, portanto, sobre a espécie, o verbete sumular n. 83 do STJ: "Não se conhece do recurso esp ecial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". Cumpre anotar que o referido enunciado aplica-se também aos recursos interpostos com base na alínea a do permissivo constitucional (v.g.: AgRg no AREsp n. 354.886/PI, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 26/4/2016, DJe de 11/5/2016; AgInt no AREsp n. 2.453.438/PR, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 9/4/2024, DJe de 7/5/2024; AgInt no AREsp n. 2.354.829/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 3/6/2024, DJe de 6/6/2024). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial. Deixo de majorar os honorários advocatícios por se tratar de acórdão proferido em agravo de instrumento na origem, no qual inexistiu fixação da referida verba. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ACIDENTE DE TRABALHO. CORREÇÃO MONETÁRIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA AOS PROCESSOS EM CURSO. INEXISTÊNCIA DE OFENSA À COISA JULGADA. ACÓRDÃO RECORRIDO EM SINTONIA COM O ENTENDIMENTO DESTA CORTE SUPERIOR. SÚMULA N. 83/STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E DESPROVIDO.