REsp 2238589 - DECISAO
O Tribunal deu provimento ao recurso especial com fundamento na jurisprudência do STJ e do STF que reconhece que juros de mora e correção monetária são consectários processuais da condenação e que as alterações introduzidas no art. 1º-F da Lei 9.494/97 (Lei 11.960/2009) aplicam-se imediatamente aos processos em...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: CELIO MACHADO COELHO; Recorrido: FAZENDA PÚBLICA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 December 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento De Recurso Especial
- Outcome
- Recurso especial provido
- Legal Topics
- Correção Monetária, Juros De Mora, Coisa Julgada, Preclusão, Execução De Sentença, Rpv/requisitório
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
CELIO MACHADO COELHO
Recorrente
FAZENDA PÚBLICA
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 É possível alterar o índice de correção monetária após expedição do requisitório (RPV)?
- 2 A preclusão ou coisa julgada impede a aplicação imediata de alterações legislativas relativas a juros e correção monetária?
- 3 Aplicação do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (redação da Lei 11.960/2009) e do Tema 1.170/STF aos processos em curso
Ratio Decidendi
O Tribunal deu provimento ao recurso especial com fundamento na jurisprudência do STJ e do STF que reconhece que juros de mora e correção monetária são consectários processuais da condenação e que as alterações introduzidas no art. 1º-F da Lei 9.494/97 (Lei 11.960/2009) aplicam-se imediatamente aos processos em curso (princípio tempus regit actum), de modo que a modificação do índice de correção não fica obstada por preclusão ou coisa julgada na hipótese dos autos.
Court Disposition
Recurso especial provido
Orders
- Recurso especial provido
- Deixo de inverter os ônus sucumbenciais pela ausência de condenação ao pagamento de verba honorária pela instância de origem
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Em análise, recurso especial interposto por CELIO MACHADO COELHO, com fundamento no art. 105, III, a, da Constituição da República, contra acórdão proferido pelo TJDFT, assim ementado (fls. 93-94 ): AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. ALTERAÇÃO ÍNDICE DE CORREÇÃO MONETÁRIA APÓS EXPEDIÇÃO DO RPV. RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. 1. Cinge-se a controvérsia em analisar o pedido do agravante para acolher a impugnação e determinar ao juízo quea quo remeta os autos à contadoria judicial para fins de aplicação, a partir de 30/6/2009, do IPCA-E como índice de correção monetária em substituição à TR, e, consequentemente, determine a retificação da expedição dos requisitórios. 2. Todavia, o presente caso, não se amolda ao Tema 1.170, porque já havia sido determinada a expedição do requisitório, e a alteração do índice de correção monetária se trataria de erro de critério de cálculo e não erro de cálculo. 3. Nesse sentido é o entendimento de colendo STJ: (..)Com efeito, o entendimento deste Superior Tribunal firmou-se "no sentido de que tão somente o erro material pode ser corrigido a qualquer tempo, enquanto os erros sobre os critérios do cálculo, inclusive, no que concerne a juros moratórios e correção monetária sujeitam-se à preclusão" (AgInt no R Esp 1.958.481/RS, Relator Ministro Francisco Falcão, D Je 24/3/2022. 2.1. O Tribunal de origem entendeu que, com a homologação dos cálculos e a inexistência de erro material, não poderia o juiz deliberar novamente sobre questões já decididas, em virtude da preclusão. Reverter a conclusão do Tribunal local para acolher a pretensão recursal demandaria o revolvimento do acervo fático-probatório dos autos, o que é vedado ante a natureza excepcional da via eleita, segundo enunciado da Súmula n. 7 do Superior Tribunal de Justiça.3. Agravo interno improvido (AgInt no R Esp n. 2009806 - MT, Terceira Turma, julgado em 23/4/2024). 4. Recurso conhecido e não provido. Os embargos declaratórios opostos foram rejeitados. Nas razões recursais, o recorrente aponta violação aos arts. 322, §1º, 505, I, e 927, II, do Código de Processo Civil, defendendo que "tanto a coisa julgada como a preclusão estão sujeitas à cláusula REBUS SIC STANDIBUS, não podendo elas subsistirem quando houver a superveniente mudança do estado de fato e de direito aplicável à espécie" (fl. 219). Afirma que "a mudança que permite a superação da coisa julgada/preclusão na espécie decorre da declaração pelo STF da inconstitucionalidade da sistemática de correção monetária prevista no art. 1º- F da Lei n. 9.494/97, com a redação dada pelo art. 5º da Lei n. 11.960/09, sem qualquer modulação em relação à fase que precede a requisição do pagamento, o que se de u no julgamento do mérito e dos embargos declaratórios interpostos no RE 870.947/SE" (fl. 220). Pugna, assim, pela retificação dos cálculos para que seja aplicado o IPCA- E como índice de correção monetária. Contrarrazões apresentadas às fls. 268-285. É o relatório. Passo a decidir. O entendimento do Tribunal e origem destoa da jurisprudência do STJ, segundo a qual, "os juros de mora e a correção monetária são encargos acessórios da obrigação principal, possuindo caráter eminentemente processual, e portanto, devem ser incluídos na conta de liquidação, ainda que já homologado o cálculo anterior, inexistindo preclusão ou ofensa à coisa julgada por causa dessa inclusão. Assim, as alterações do art. 1º-F da Lei 9.494/1997, introduzidas pela Medida Provisória 2.180-35/2001 e pela Lei 11.960/2009, têm aplicação imediata a todas as demandas judiciais em trâmite, com base no princípio tempus regit actum" (AgInt no REsp 1.494.054/RS, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 21/6/2021, DJe de 23/6/2021)" (AgInt no REsp n. 1.882.081/RS, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 18/11/2024, DJe de 22/11/2024). A propósito, confiram-se estes julgados: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. ALEGADA VIOLAÇÃO AOS ARTS. 141, 492 e 597, TODOS DO CPC. DISPOSITIVOS QUE NÃO AMPARAM A TESE RECURSAL. FUNDAMENTAÇÃO RECURSAL DEFICIENTE. SÚMULA 284/STF. ALEGADA AFRONTA AO ART. 507 DO CPC. MODIFICAÇÃO DO ÍNDICE DE CORREÇÃO MONETÁRIA. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. CONSECTÁRIO LEGAL DA CONDENAÇÃO. TEMA 1.170/STF. ACÓRDÃO EM CONFORMIDADE COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. A impertinência temática do dispositivo de lei apontado como violado leva à deficiência das razões do recurso especial, fazendo incidir, por analogia, o óbice da Súmula n. 284 do STF, que estabelece que "é inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. "É firme o entendimento nesta Corte de que "a aplicação de juros e correção monetária pode ser alegada na instância ordinária a qualquer tempo, podendo, inclusive, ser conhecida de ofício. A decisão nesse sentido não caracteriza julgamento extra petita, tampouco conduz à interpretação de ocorrência de preclusão consumativa, porquanto tais institutos são meros consectários legais da condenação" (AgInt no REsp 1.353.317/RS, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe 9.8.2017)" (AgInt no REsp n. 2.073.159/DF, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 13/11/2023, DJe de 18/12/2023). 3. Ao analisar a questão, em sede de repercussão geral, o STF definiu que "é aplicável às condenações da F azenda Pública envolvendo relações jurídicas não tributárias o índice de juros moratórios estabelecidos no art. 1º-F da Lei n. 9494/97, na redação dada pela Lei n. 11.960/2009, a partir da vigência da referida legislação, mesmo havendo previsão diversa em título executivo judicial transitado em julgado" (Tema 1.170/STF). 4. Apesar de o Tema n. 1.170/STF se referir, em um primeiro momento, aos juros de mora, o Supremo Tribunal Federal tem entendido que a ratio decidendi inclui a discussão sobre os índices de correção monetária. Precedentes. 5. Agravo interno a que se nega provimento (AgInt no REsp n. 2.173.703/SC, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, julgado em 27/11/2024, DJEN de 2/12/2024.) PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO DE SENTENÇA. JUROS DE MORA. CORREÇÃO MONETÁRIA. MATÉRIAS DE ORDEM PÚBLICA. NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA AOS PROCESSOS EM CURSO. PRECLUSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. 1. Afasta-se a ofensa ao art. 1.022, II, do CPC, na medida em que o Tribunal de origem dirimiu, fundamentadamente, as questões que lhe foram submetidas e apreciou integralmente a controvérsia posta nos autos; não se pode, ademais, confundir julgamento desfavorável ao interesse da parte com negativa ou ausência de prestação jurisdicional. 2. "É firme o entendimento nesta Corte, no sentido de que "a aplicação de juros e correção monetária pode ser alegada na instância ordinária a qualquer tempo, podendo, inclusive, ser conhecida de ofício. A decisão nesse sentido não caracteriza julgamento extra petita, tampouco conduz à interpretação de ocorrência de preclusão consumativa, porquanto tais institutos são meros consectários legais da condenação" (AgInt no REsp 1353317/RS, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 3/8/2017, DJe 9/8/2017)". (AgInt no REsp n. 1.967.170/RS, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 27/6/2022, DJe de 29/6/2022.) 3. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 2.127.450/RS, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 19/8/2024, DJe de 22/8/2024.) Destaque-se, por fim, que a jurisprudência do STF, firmada em sede de repercussão geral, é no sentido de ser " aplicável às condenações da Fazenda Pública envolvendo relações jurídicas não tributárias o índice de juros moratórios estabelecidos no art. 1º-F da Lei n. 9494/97, na redação dada pela Lei n. 11.960/2009, a partir da vigência da referida legislação, mesmo havendo previsão diversa em título executivo judicial transitado em julgado" (Tema 1.170/STF). Isso posto, dou provimento ao recurso especial, nos termos da fundamentação. Deixo de inverter os ônus sucumbenciais em virtude da ausência de condenação ao pagamento da verba honorária pela instância de origem. Intimem-se. EMENTA