AREsp 2574981 - DECISAO
O acórdão do Tribunal de origem examinou e fundamentou as teses defensivas, concluiu pela insuficiência de elementos probatórios para afirmar que a área devastada se tratava de 'floresta' (elementar do art. 39 da Lei 9.605/98) e, por se tratar de questão de fato, a revisão demandada implicaria reexame...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL; Recorrido: Valmir da Silva costa
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 July 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão: Conhecimento Do Agravo E Julgamento Do Mérito (negação De Provimento Ao Recurso Especial)
- Outcome
- Agravo conhecido; conhecido parcialmente o recurso especial e, nessa parte, negado provimento.
- Legal Topics
- Crime Ambiental (art. 39, Lei 9.605/98), Prescindibilidade De Laudo Pericial, Reexame De Matéria Fático Probatória (súmula 7/stj), Omissão Em Acórdão
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
Agravante
Valmir da Silva costa
Recorrido
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão: Conhecimento Do Agravo E Julgamento Do Mérito (negação De Provimento Ao Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 Existência de omissão no acórdão quanto à caracterização da elementar 'floresta' do art. 39 da Lei 9.605/98
- 2 Se é possível, em recurso especial, o reexame de matéria fático-probatória sobre a caracterização da área como floresta
- 3 Prescindibilidade do laudo pericial na comprovação de crimes ambientais
Ratio Decidendi
O acórdão do Tribunal de origem examinou e fundamentou as teses defensivas, concluiu pela insuficiência de elementos probatórios para afirmar que a área devastada se tratava de 'floresta' (elementar do art. 39 da Lei 9.605/98) e, por se tratar de questão de fato, a revisão demandada implicaria reexame fático-probatório vedado em recurso especial (Súmula 7/STJ). Assim, não há omissão a ser suprida e o recurso especial não merece provimento.
Court Disposition
Agravo conhecido; conhecido parcialmente o recurso especial e, nessa parte, negado provimento.
Orders
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto pelo MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL, em adversidade à decisão que inadmitiu recurso especial manejado contra acórdão do Tribunal de Justiça local, cuja ementa é a seguinte (e-STJ fls. 301): APELAÇÃO. ART. 39, DA LEI 9.605/98. FLORESTA. ELEMENTAR DO TIPO PENAL. NÃO COMPROVADA. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. O Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento sobre a prescindibilidade do laudo pericial para a comprovação de crimes ambientais, quando outras provas permitem o seu reconhecimento. Não sendo possível identificar, pelo conteúdo probatório, que a área devastada se tratava de floresta, sobretudo porque, em nenhum momento, os policiais da companhia ambiental identificaram o local como sendo floresta, elementar do tipo penal pelo qual o réu foi condenado, impositiva a absolvição. APELO PROVIDO Interpostos embargos de declaração, esses foram rejeitados (e-STJ fls.408/410). Nas razões do recurso especial (e-STJ fls. 416/426), fundado na alínea "a" do permissivo constitucional, alega a parte recorrente violação do artigo 619 do CPP e do artigo 39 da Lei n. 9.605/98. Sustenta: (i) que o Tribunal a quo foi omisso quanto ao equívoco havido na premissa de julgamento empregada (preenchimento da elementar do tipo penal pelo qual o réu foi condenado) e aos elementos de prova aptos a demonstrar a materialidade delitiva (parecer técnico elaborado pela Unidade de Assessoramento Ambiental, procedimento de ocorrência ambiental, bem como a prova testemunhal angariada durante a instrução judicial); (ii) que a vegetação nativa suprimida pelo recorrido - também chamada mata ciliar - trata-se da vegetação florestal situada às margens de cursos d"água; (iii) a existência de elementos probantes evidenciando a degradação ambiental produzida pelo recorrido: derrubada de árvores em florestas - vegetação nativa situadas às margens de curso d"água, possuindo árvores de 1 a 7 metros -, em área de preservação permanente, sem o devido licenciamento ambiental prévio. Apresentadas contrarrazões (e-STJ fls. 434/449), o Tribunal a quo não admitiu o recurso especial (e-STJ fls. 452/456), tendo sido interposto o presente agravo (e-STJ fls. 464/468). O Ministério Público Federal, instado a se manifestar, opinou pelo não provimento do agravo, conforme ementa abaixo (e-STJ fls. 500/501): AGRAVO. RECURSO ESPECIAL. CRIME AMBIENTAL. RETIRADA. MATA CILIAR. ART. 39 DA LEI 9.605/98. ÁREA DE FLORESTA. IDENTIFICAÇÃO. AUSÊNCIA. NECESSIDADE DE REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO (SÚMULA 7/STJ). - Além de não se aferir omissão no acórdão recorrido, é imprescindível a análise de provas para que seja apreciado o recurso especial. Pretende o recorrente que seja revisto o acórdão atacado sob a assertiva de que caracterizadas todas as elementares do delito do art. 39 da Lei Lei 9.605/98. - Sobre o ponto, restou consignado no acórdão recorrido que (e-STJ, fls. 384): .. Ainda, sobre a materialidade delitiva, tem-se o depoimento do policial militar Giovani da Silva Fonte, registrado na sentença, nos seguintes termos: O policial militar Giovani da Silva Fonte referiu que houve a limpeza de um canal de drenagem, com o que foi causado dano na vegetação nativa do local, sendo que o réu não apresentou a autorização ou licenciamento ambiental para tal limpeza. Referiu que se tratava de uma região de plantio agrícola (arroz) e que, no local dos fatos, havia mata nativa e vegetação ciliar, afirmando, portanto, que era área de preservação. - Da prova existente nos autos, é possível concluir que o local devastado se constituía em área nativa, com vegetação ciliar (tipos de cobertura vegetal nativa, que ficam às margens de rios, igarapés, lagos, olhos d "água e represas), não havendo, entretanto, elementos concretos sobre se tratar de floresta, sobretudo porque, em nenhum momento, os policiais da companhia ambiental identificaram o local como sendo floresta, elementar do tipo penal pelo qual o réu foi condenado. Desse modo, há dúvida sobre a tipificação do delito imputado ao réu pela sentença, importando na sua reforma com a absolvição do acusado, conforme entendimento já manifesto por essa Câmara: .. - Muito embora seja incontroverso que causado dano à vegetação nativa, especificamente da área de mata ciliar, não restou cristalino se a elementar do delito floresta foi observada. - Parecer pelo não provimento do agravo em recurso especial. É o relatório. Decido. Preenchidos os requisitos formais e impugnado o fundamento da decisão agravada, conheço do agravo. O recurso não merece acolhida. De início, ao contrário do que sustenta a parte recorrente, não há falar em omissão, uma vez que o acórdão recorrido apreciou as teses defensivas com base nos fundamentos de fato e de direito que entendeu relevantes e suficientes à compreensão e à solução da controvérsia, o que, na hipótese, revelou-se suficiente ao exercício do direito de defesa. Verifica-se, portanto, que, diferentemente do que alega o recorrente, a Corte local examinou em detalhe todos os argumentos defensivos, apresentando fundamentos suficientes e claros para refutar as alegações deduzidas, razão pela qual foram rejeitados os aclaratórios. Dessarte, não se verifica omissão na prestação jurisdicional, mas mera irresignação da parte com o entendimento apresentado na decisão, situação que não autoriza a oposição de embargos de declaração. Nesse contexto, tem-se que o fato de não ter sido acolhida a irresignação da parte, apresentando a Corte local fundamentação em sentido contrário, por certo não revela violação do art. 619 do Código de Processo Penal. Prosseguindo, o Tribunal a quo, em decisão devidamente motivada, entendeu que, do caderno instrutório, não emergiram elementos suficientemente idôneos de prova, colhidos nas fases inquisitorial e judicial, aptos a manter a condenação do acusado pelo delito do artigo 39 da Lei n. 9.605/98, conforme trecho abaixo (e-STJ fls. 384): O Superior Tribunal de Justiça já consolidou o entendimento da prescindibilidade de laudo pericial para a comprovação dos crimes ambientais, quando é possível a sua constatação por outros meios de prova. O Auto de Constatação de Ocorrência Ambiental realizado pela 1ª Companhia Ambiental, do 2º Batalhão Ambiental(fls.17/20, evento 3, PROJUDIC 1) registrou que réu "vem realizando danos a vegetação nativa e atividades de envaletamento e movimentação de terra em área de preservação permanente proximidades do Rio Piquiri, que ocasionam alagamentos na área onde realiza arrendamento.", concluindo que houve "em tese, indícios de crime ambiental, face à conduta do senhor Valmir da Silva costa, incorrendo portanto, nos artigos 48 e 60 da Lei Federal nº 9.605/98." Ainda, sobre a materialidade delitiva, tem-se o depoimento do policial militar Giovani da Silva Fonte, registrado na sentença, nos seguintes termos: O policial militar Giovani da Silva Fonte referiu que houve a limpeza de um canal de drenagem, com o que foi causado dano na vegetação nativa do local, sendo que o réu não apresentou a autorização ou licenciamento ambiental para tal limpeza. Referiu que se tratava de uma região de plantio agrícola (arroz) e que, no local dos fatos, havia mata nativa e vegetação ciliar, afirmando, portanto, que era área de preservação. Da prova existente nos autos, é possível concluir que o local devastado se constituía em área nativa, com vegetação ciliar (tipos de cobertura vegetal nativa, que ficam às margens de rios, igarapés, lagos, olhos d"água e represas), não havendo, entretanto, elementos concretos sobre se tratar de floresta, sobretudo porque, em nenhum momento, os policiais da companhia ambiental identificaram o local como sendo floresta, elementar do tipo penal pelo qual o réu foi condenado. Desse modo, há dúvida sobre a tipificação do delito imputado ao réu pela sentença, importando na sua reforma com a absolvição do acusado .. Ora, pela leitura do trecho acima, muito embora seja incontroverso que foi causado dano à vegetação nativa, especificamente da área de mata ciliar, não ficou cristalino se a elementar do delito floresta foi observada. Assim, rever os fundamentos utilizados pela Corte de origem, para concluir pela condenação, como requer a acusação, importa revolvimento de matéria fático-probatória, vedado em recurso especial, segundo óbice da Súmula n. 7/STJ. Ante o exposto, com fundamento no art. 932, inciso III, do CPC, c/c o art. 253, parágrafo único, inciso II, alínea "a", parte final, do RISTJ, conheço do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa parte, negar-lhe provimento. Intimem-se. EMENTA