AREsp 1859233 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque, apesar de reconhecer que o acórdão recorrido contém imprecisão técnica sobre a exigência de dolo específico, não há nos autos demonstração evidente do dolo genérico; reformar o julgado exigiria reexame do conjunto fático-probatório, providência...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE GOIÁS; Recorridos: acusados
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 August 2021
- Procedural Posture
- Agravo Contra Inadmissão De Recurso Especial / Agravo Conhecido; Recurso Especial Não Conhecido
- Outcome
- Agravo conhecido; recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Crime Contra a Ordem Tributária, Elemento Subjetivo Do Tipo, Dolo Genérico, Inadmissão De Recurso Especial, Súmula 7/stj
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE GOIÁS
Recorrente
acusados
Recorridos
Procedural Posture
Agravo Contra Inadmissão De Recurso Especial / Agravo Conhecido; Recurso Especial Não Conhecido
Legal Issues
- 1 se o crime de sonegação exige dolo específico ou basta o dolo genérico
- 2 se houve demonstração do dolo genérico nos autos
- 3 possibilidade de reexame do conjunto fático-probatório em recurso especial
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque, apesar de reconhecer que o acórdão recorrido contém imprecisão técnica sobre a exigência de dolo específico, não há nos autos demonstração evidente do dolo genérico; reformar o julgado exigiria reexame do conjunto fático-probatório, providência vedada nesta instância pela Súmula 7/STJ.
Court Disposition
Agravo conhecido; recurso especial não conhecido
Orders
- Conheça-se do agravo.
- Não conhecer do recurso especial.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo contra a decisão que inadmitiu o recurso especial interposto por MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE GOIÁS, com fundamento na alínea "a" do permissivo constitucional, em oposição a acórdão proferido pelo TJ/GO, assim ementado (e-STJ, fls. 1.339-1.355): "APELAÇÃO CRIMINAL DUPLA. CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA (ART. 1º, DA LEI Nº 8.137/90). RECURSO DA DEFESA. PRELIMINARES, NULIDADE DA IMPUGNAÇÃO À RESPOSTA À ACUSAÇÃO. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE PELO PAGAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. 1- A manifestação do Ministério Público acerca do conteúdo alegado na defesa preliminar não implica em nulidade, tampouco acarreta qualquer prejuízo para a defesa, caracterizando, pois, mera irregularidade. 2- Apenas o pagamento integral dos débitos oriundos de tributos, inclusive acessórios, extingue a punibilidade. MÉRITO. ABSOLVIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS JURISD1CIONALIZADAS ACERCA DO DOLO. 1- Verificando que a prova produzida em juízo não foi suficiente para infundir a certeza necessária do dolo, imperiosa a reforma da sentença para absolver os acusados, em observância ao princípio do in dubio pro reo. Prejudicada as demais teses defensivas e o apelo do Ministério Público. 2- Recursos conhecidos e provido o defensivo para absolver os acusados. Prejudicado o recurso do Ministério Público, bem como as demais teses arguidas pela defesa". Em suas razões recursais, a parte recorrente aponta violação do art. 1º, I, II e V, da Lei 8.137/1990, ao argumento de que a tipicidade subjetiva do delito se satisfaria com a demonstração do dolo genérico, sendo prescindível a existência de elemento anímico especial. Com contrarrazões (e-STJ, fls. 1.395-1.403), o apelo nobre foi inadmitido na origem (e-STJ, fls. 1.406-1.407 ), ao que se seguiu a interposição de agravo. Remetidos os autos a esta Corte Superior, o MPF manifestou-se pelo desprovimento do recurso (e-STJ, fls. 1.459-1.462). É o relatório. Decido. O agravo impugna adequadamente os fundamentos da decisão agravada, devendo ser conhecido. Passo, portanto, ao exame do recurso especial propriamente dito. Este, todavia, não ultrapassa a barreira do conhecimento. Sobre o elemento subjetivo do tipo, sabe-se que não é necessária a comprovação de dolo específico no crime de sonegação fiscal, que se satisfaz com o dolo genérico.Neste particular ponto, o acórdão recorrido realmente contém uma imprecisão técnica;isso, entretanto, não é suficiente para levar ao provimento do recurso especial. Afinal, daanálise das provas feitapelo TJ/GO (e-STJ, fls. 1.346-1.347), não exsurge claramente a demonstração do dolo genérico, ao contrário do que aduz a acusação. Para se acolher o pleito recursal, não bastaria revalorar os elementos probatórios reconhecidos no acórdão, justamente porque não há, neles, uma demonstração evidente da presença do dolo na conduta dos réus. Assim, a inversão do julgado, no ponto, demandaria o reexame do conjunto fático-probatório dos autos, providência inviável nesta instância especial, nos termos da Súmula 7/STJ. Ante o exposto, com fundamento no art. 253, parágrafo único, II, "a", do Regimento Interno do STJ,conheçodo agravo paranão conhecerdo recurso especial. Publique-se. Intimem-se.