AREsp 2649071 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque o Tribunal de origem decidiu que o caso estava em condições de imediato julgamento conforme art. 1.013, §3º, IV do CPC, e o acolhimento da pretensão recursal demandaria reexame do acervo fático-probatório, vedado pela Súmula 7/STJ.
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: RENATO FREITAS SOCIEDADE DE ADVOGADOS; Recorrido: COMPANHIA DO METRÔ
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 July 2024
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Sobre Admissão De Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo e não conheço do recurso especial.
- Legal Topics
- Cumprimento De Sentença, Honorários Advocatícios, Desapropriação, Admissibilidade De Recurso Especial, Efeito Devolutivo Da Apelação, Reexame De Prova (súmula 7/stj)
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
RENATO FREITAS SOCIEDADE DE ADVOGADOS
Agravante
COMPANHIA DO METRÔ
Recorrido
Procedural Posture
Agravo / Decisão Sobre Admissão De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 violação do art. 1.013, §3º, IV, do CPC quanto à inexistência de condições para imediato julgamento
- 2 necessidade de produção de prova pericial para apurar cálculo dos honorários
- 3 aplicação da Súmula 7/STJ vedando reexame do conjunto fático-probatório
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque o Tribunal de origem decidiu que o caso estava em condições de imediato julgamento conforme art. 1.013, §3º, IV do CPC, e o acolhimento da pretensão recursal demandaria reexame do acervo fático-probatório, vedado pela Súmula 7/STJ.
Court Disposition
Conheço do agravo e não conheço do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo e não conheço do recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por RENATO FREITAS SOCIEDADE DE ADVOGADOS contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: DESAPROPRIAÇÃO - CUMPRIMENTO DE SENTENÇA - HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS - IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELA COMPANHIA DO METRÔ - PROCEDÊNCIA - AUSÊNCIA DE SALDO DEVEDOR A SER EXIGIDO - DECISÃO ACOLHENDO A IMPUGNAÇÃO MANTIDA. Quanto à controvérsia, a parte recorrente alega violação do art. 1.013, §3º, IV, do CPC, no que concerne à inexistência de condições para o imediato julgamento da causa e a necessidade de julgam ento com produção de provas da questão relativa ao cálculo correto da verba honorária, trazendo a seguinte argumentação: .. é evidente que a decisão em questão, atualmente questionada, não ponderou devidamente a situação, uma vez que é cristalino que o valor incontroverso de R$21.637,28 contrasta manifestamente com a quantia apurada pelo próprio tribunal, que é de R$25.540,43. Fica evidente que, ao impugnar o cumprimento de sentença, os recorridos agiram de maneira astuta e imprudente, apresentando cálculos que induziram o juízo a erro. Eles evitaram conscientemente a real atualização dos valores, buscando benefício próprio, deixando de utilizar a base correta para o cálculo dos honorários de advogado em desapropriação, que é a diferença entre a oferta e a indenização, ambas devidamente corrigidas monetariamente. (fls. 116). .. a conclusão de que o processo está em condições de imediato julgamento, segundo a Corte Estadual, impossibilita a aplicação do mencionado artigo, uma vez que se reconheceu que a decisão monocrática realmente é nula, carente de mínima fundamentação, impedindo inclusive a realização de perícia contábil, afastando a tese de que o processo trata exclusivamente de questão de direito. A apelação, interposta contra a sentença, pode abranger todos ou apenas alguns capítulos da decisão judicial recorrida, conforme a delimitação apresentada pelo recorrente. Isso vincula a atuação do órgão ad quem na solução do mérito recursal. O efeito devolutivo da apelação define o que será analisado pelo órgão recursal, sendo sua extensão e profundidade determinadas pelo pedido do recorrente. O tribunal pode apreciar todas as questões suscitadas e discutidas no processo, desde que relativas ao capítulo impugnado, conforme o §1º do art. 1.013 do CPC. Código de Processo Civil é claro ao estabelecer que a apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada, permitindo ao órgão ad quem apreciar e julgar todas as questões suscitadas e discutidas no processo. O cerne da controvérsia neste recurso reside na definição da extensão do efeito devolutivo da apelação, conforme a interpretação do art. 1.013 do referido diploma legal. A apelação, enquanto instrumento para obter novo pronunciamento sobre a causa, possibilita a discussão de questões de natureza processual, fática ou jurídica. O texto legal confere ao tribunal a competência para julgar tais questões, desde que impugnadas. A teoria dos capítulos da sentença, ganha destaque ao conferir cientificidade a essa abordagem. A sentença, fracionada em capítulos, permite a análise mais precisa e eficiente das questões de mérito ao longo do processo. O efeito devolutivo confere à instância superior a capacidade de explorar argumentos não explicitados na contestação do recorrente, contanto que sejam pertinentes à avaliação da questão em questão. Entretanto, essa oportunidade de considerar aspectos não abordados não se concretizou no presente caso, uma vez que a sentença careceu de fundamentação no que diz respeito ao cálculo discutido, privando assim a oportunidade de impugnar os cálculos apresentados pelo recorrido e pelo juízo ad quem. Dessa forma, a aplicação da teoria da causa madura, mesmo prevista no §3º do art. 1.013 do CPC, deve ser cuidadosa, assegurando a participação qualificada das partes no desenvolvimento do processo. A falta de oportunidade para o contraditório compromete a efetividade do julgamento, sendo necessário respeitar os limites do pedido recursal. Dessa forma, torna-se imperativo acolher a argumentação que aponta a violação ao art. 1.013, §3º, inciso IV do CPC, dado a inexistência do requisito das "condições de imediato julgamento". Isso, por sua vez, demanda uma revisão minuciosa do conjunto probatório presente nos autos. (fls. 117-119). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, o Tribunal de origem se manifestou nos seguintes termos: Os elementos dos autos, todavia, permitem à Turma Julgadora decidir desde logo o mérito, consoante permite o art. 1.013, § 3º, inciso IV do estatuto processual civil, quando é possível verificar que o caso é mesmo de acolhimento da impugnação. A planilha de cálculo de fls. 3, que embasa o cumprimento de sentença, ao apurar a diferença entre a indenização e a oferta para julho de 2015 deixou atualizar esta última desde agosto de 2014, como tem que ser, pois foi quando realizada pela expropriante. Feita esta operação, a oferta passa para R$658.262,53 (seiscentos e cinquenta e oito mil, duzentos e sessenta e dois reais e cinquenta e três centavos) e a diferença para R$882.737,47 (oitocentos e oitenta e dois mil, setecentos e trinta e sete reais e quarenta e sete centavos), que corrigida até março de 2022 atinge R$1.277.021,75 ( um milhão, duzentos e setenta e sete mil, vinte e um reais e setenta e cinco centavos). Honorários de dois por cento correspondem a R$25.540,43 (vinte e cinco mil, quinhentos e quarenta reais e quarenta e três centavos), exatamente o valor incontroverso em julho de 2020 de R$21.637,28 (vinte e um mil, seiscentos e trinta e sete reais e vinte e oito centavos) atualizado até 31 de março de 2022, como também é de rigor. Como visto, a Companhia do Metrô nada deve à sociedade de advogados que atuou em defesa dos interessados dos expropriados. (fls. 109, grifos meus). Assim, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: "O recurso especial não será cabível quando a análise da pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-probatório, sendo vedada a modificação das premissas fáticas firmadas nas instâncias ordinárias na via eleita (Súmula n. 7/STJ)". (AgRg no REsp n. 1.773.075/SP, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 7/3/2019.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 1.679.153/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1/9/2020; AgInt no REsp n. 1.846.908/RJ, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 31/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.581.363/RN, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; e AgInt nos EDcl no REsp n. 1.848.786/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 3/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.311.173/MS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 16/10/2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA