AREsp 1889079 - ACORDAO
Negou‑se provimento ao agravo interno porque o agravo em recurso especial não impugnou de forma específica os fundamentos da decisão que negou seguimento ao recurso (incidência da Súmula nº 83 do STJ), em afronta ao art. 932, III, do NCPC, não havendo demonstração de precedentes contemporâneos ou supervenientes...
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- Parties
- Autor: SIMÃO SARKIS SIMÃO; Agravante: GRUPO OKCONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 October 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgado Pela Terceira Turma Do Superior Tribunal De Justiça (acórdão Colegiado)
- Outcome
- Agravo interno não provido; negado provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Cumprimento De Sentença, Penhora Sobre Faturamento/aluguéis, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 83/stj, Art. 932, III, NCPC, Preclusão
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Parties
SIMÃO SARKIS SIMÃO
Autor
GRUPO OKCONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES LTDA.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgado Pela Terceira Turma Do Superior Tribunal De Justiça (acórdão Colegiado)
Legal Issues
- 1 necessidade de impugnação específica aos fundamentos da decisão denegatória de admissibilidade (art. 932, III, NCPC)
- 2 incidência da Súmula nº 83 do STJ como óbice à admissão do recurso especial
- 3 caráter da penhora sobre aluguéis/faturamento e limitação percentual (arguição do agravante)
Ratio Decidendi
Negou‑se provimento ao agravo interno porque o agravo em recurso especial não impugnou de forma específica os fundamentos da decisão que negou seguimento ao recurso (incidência da Súmula nº 83 do STJ), em afronta ao art. 932, III, do NCPC, não havendo demonstração de precedentes contemporâneos ou supervenientes capazes de afastar o óbice, devendo ser mantida a decisão agravada.
Court Disposition
Agravo interno não provido; negado provimento ao agravo interno
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
- Manter a decisão que não conheceu do agravo em recurso especial.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Paulo de Tarso Sanseverino, Ricardo Villas Bôas Cueva e Marco Aurélio Bellizze votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino.
RELATÓRIO Da leitura da minuta do agravo de instrumento que deu origem ao presente recurso, pode-se aferir que SIMÃO SARKIS SIMÃO (SIMÃO)ingressou com ação de indenização por perdas e danos contra GRUPO OKCONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES LTDA. (GRUPO OK), que foi julgadaprocedente. Na fase decumprimento de sentença, o d. Juízo singular deferiu a penhora de valores locatícios de dois imóveis residenciais da empresa até a quitação do montante da execução, equivalente aR$ 686.418,09 (seiscentos e oitenta e seis mil, quatrocentos e dezoito reais e nove centavos). Contra essa decisão interlocutória, GRUPO OK interpôs agravo de instrumento, que não foi provido pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, nos termos do acórdão assim ementado: AGRAVO DE INSTRUMENTO. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. PENHORA SOBRE O FATURAMENTO DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA. MEDIDA EXCEPCIONAL. CABIMENTO. INVIABILIDADE DA ATIVIDADE EMPRESARIAL. NÃO DEMONSTRAÇÃO. DECISÃO MANTIDA. 1. Autoriza-se o deferimento de penhora sobre o faturamento de empresa devedora como forma de efetivar a prestação jurisdicional há muito reclamada pela parte adversa, máxime quando o executado não apresenta meio menos gravoso de excussão, tampouco demonstra que a constrição inviabilizará a atividade econômica da empresa. Inteligência do artigo 835, X, § 1º, do Código de Processo Civil. 2. Embora o artigo 805 do Código de Processo Civil assegure que a execução seja feita pelo modo menos gravoso para o executado (princípio da menor onerosidade da execução ou da menor gravosidade ao executado), tal preceito não importa desconsiderar o direito do credor à satisfação do débito. 3. Agravo de Instrumento conhecido e não provido (e-STJ, fl. 39). Os embargos de declaração opostos por GRUPO OK foram rejeitados (e-STJ, fls. 67/74). Inconformado, GRUPO OK manejou recurso especial com fundamento no art. 105, III, a e c, da CF alegando, a par de divergência jurisprudencial, a violação doart. 835 do NCPC, ao sustentar que a penhora sobre os aluguéis de imóveis não se equipara à penhora de valores em espécie, mas, sobre o faturamento da empresa executada e, por essarazão, deve serlimitada ao patamar entre 5% e15% de sua renda. Não houve ooferecimento de contrarrazões (e-STJ, fl. 122). O apelo nobre não foi admitido em virtude da a) ausência de negativa da prestação jurisdicional; e b) incidência da Súmula nº 83 do STJ (e-STJ, fls. 124/125). Seguiu-se o agravo em recurso especial interposto pelo GRUPO OK que, em decisão do Ministro Presidente desta Corte, não foi conhecido, com amparo no art. 21-E, V, c/c o art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ, devido a ausência de impugnação da Súmula nº 83 do STJ (e-STJ, fls. 176/177). Nas razões do presente agravo interno, GRUPO OK reiterou a argumentação deduzida no apelo extremo, afirmando ter se insurgido contra os fundamentos do juízo de admissibilidade do especial. Não foi apresentada impugnação (e-STJ, fl. 195). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DENEGATÓRIA DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS PRECONIZADOS PELO ART. 932, III, DO NCPC (ART. 544, § 4º, I, DO CPC/73). DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este julgamento ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. Não se mostra viável o agravo em recurso especial que, apresentado em desacordo com os requisitos preconizados pelo art. 932, III, do NCPC (art. 544, § 4º, I, do CPC/1973), não impugna os fundamentos da respectiva inadmissibilidade (incidência da Súmula nº 83 do STJ). 3. Não sendo a linha argumentativa apresentada capaz de evidenciar a inadequação dos fundamentos invocados pela decisão agravada, o presente agravo não se revela apto a alterar o conteúdo do julgado impugnado, devendo ele ser integralmente mantido em seus próprios termos. 4. Agravo interno não provido. VOTO O recurso não merece provimento. De plano, vale pontuar que o recurso em análise foi interposto contra decisão publicada na vigência do novo Código de Processo Civil, razão pela qual devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma nele prevista, nos termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. O inconformismo agora manejado não merece provimento por não ter trazido nenhum elemento apto a infirmar as conclusões externadas na decisão recorrida. Da análise do presente inconformismo se verifica que, conforme consignado na decisão atacada, o agravo em recurso especial não se dirigiu especificamente contra os fundamentos da decisão que negou seguimento ao apelo nobre, pois GRUPO OK, na ocasião, não refutou, de forma arrazoada, a incidência da Súmula nº 83 do STJ. E isso não fez porque apenas sustentou, nas razões de seu agravo em recurso especial, (1) a ocorrência de ofensa aos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022do NCPC; e (2) queo acórdão recorrido estaria em dissonância com precedentes do TRF da 1ª Região e desta Corte Superior, limitando-se a transcrever o teor de suas ementas, na intenção de afastar o óbice da Súmula nº 83 do STF (e-STJ, fls. 128/138). Assim, não houve a demonstração do adequado confronto do fundamento da decisão agravada no que tange à incidência da Súmula nº 83 desta Corte. Cumpre registrar que, na hipótese em que se pretende impugnar, no agravo em recurso especial, a incidência da Súmula nº 83 do STJ, cabe ao agravante demonstrar que o posicionamento adotado pela Corte local não se encontra alinhado com o entendimento do STJ sobre o tema em debate, indicando precedentes contemporâneos ou supervenientes aos referidos na decisão de inadmissibilidade do apelo nobre, de modo a demonstrar que a matéria não seria pacífica naquele momento ou que estaria superada, o que não ocorreu no caso, tendo em vistaque os arestos colacionados na decisão agravada foram julgados em 2020, e os acórdãos referidos na petição de agravo foram prolatados em 2017(e-STJ, fls. 135/136). A esse fim, também não basta a simples menção de não incidência da aludida súmula, tampouco a mera transcrição de ementas, como ocorreu no caso. A propósito, veja-se que: não basta, para afastar o óbice da Súmula nº 83/STJ, a alegação genérica de que o acórdão recorrido não está em consonância com a jurisprudência desta Corte, devendo a parte recorrente demonstrar que outra é a positivação do direito na jurisprudência desta Corte, com a indicação de precedentes contemporâneos ou supervenientes aos referidos na decisão agravada (AgRg no AREsp nº 238.064/RJ, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, Terceira Turma, DJe 18/8/2014). Desse modo, o agravo em recurso especial não impugnou adequadamente o óbice anteriormente mencionado, e nada trazido neste agravo interno é capaz de contrariar tal entendimento. Conforme já decidiu o STJ: .. à luz do princípio da dialeticidade, que norteia os recursos, deve a parte recorrente impugnar todos os fundamentos suficientes para manter o acórdão recorrido, de maneira a demonstrar que o julgamento proferido pelo Tribunal de origem merece ser modificado, ou seja, não basta que faça alegações genéricas em sentido contrário às afirmações do julgado contra o qual se insurge. (AgRg no Ag 1.056.913/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJe 26/11/2008 - sem destaque no original) Por isso, o agravo em recurso especial não se mostrou viável, uma vez que apresentado em desacordo com os requisitos preconizados pelo art. 932, III, do NCPC (544, § 4º, I, do CPC/1973), devendo ser mantida a decisão agravada. Nesse sentido, seguem os precedentes: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL E MATERIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. NÃO CONHECIMENTO. ART. 932, III, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL/2015. SÚMULA 182/STJ. APLICAÇÃO POR ANALOGIA. NÃO PROVIMENTO. 1. Nos termos do art. 932, III, do Código de Processo Civil/2015, não se conhece de agravo cujas razões não impugnam especificamente todos os fundamentos da decisão agravada. Aplicação, por analogia, do enunciado n. 182 da Súmula do STJ. 2. Em atenção ao princípio da dialeticidade, cumpre à parte recorrente o ônus de evidenciar, nas razões do agravo em recurso especial, o desacerto da decisão recorrida. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1.532.525/SP, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, Quarta Turma, j. 28/9/2020, DJe 1º/10/2020) AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE DO APELO ESPECIAL. ART. 932, III, DO CPC/2015. MAJORAÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CABIMENTO. APLICAÇÃO DO § 11 DO ART. 85 DO CPC/2015. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Cabe ao agravante, nas razões do agravo, trazer argumentos suficientes para contestar a decisão de inadmissibilidade do recurso especial proferida pelo Tribunal de origem. A ausência de impugnação de todos os fundamentos da decisão agravada enseja o não conhecimento do agravo, nos termos do art. 932, III, do CPC de 2015. 2. Quando o inconformismo excepcional não for admitido pela instância ordinária, com fundamento no enunciado n. 83 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça, a impugnação, em tema de agravo em recurso especial, deve indicar precedentes contemporâneos ou supervenientes aos mencionados na decisão combatida, demon strando-se que outro é o entendimento jurisprudencial desta Corte. 3. Nos termos da jurisprudência desta Corte, quando devida a verba honorária recursal, mas, por omissão, o Relator deixar de aplicá-la em decisão monocrática, poderá o colegiado arbitrá-la, inclusive, de ofício. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt nos EDcl no AREsp 1.643.970/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Terceira Turma, j. 24/8/2020, DJe 1º/9/2020) Assim, como GRUPO OKnão demonstrou o equívoco nos fundamentos da decisão agravada, deve ser mantido o não conhecimento do agravo em recurso especial, visto que não é admissível a impugnação de seus fundamentos somente no âmbito do agravo interno, em virtude da preclusão. Não sendo a linha argumentativa apresentada capaz de evidenciar a inadequação dos fundamentos invocados pela decisão agravada, o presente agravo não se revela apto a alterar o conteúdo do julgado impugnado, devendo ele ser integralmente mantido em seus próprios termos. Nessas condições, pelo meu voto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno. Por oportuno, previno as partes de que a interposição de recurso contra este acórdão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar condenação à penalidade fixada no art. 1.026, § 2º, do NCPC.