REsp 1955154 - DECISAO
O recurso especial foi negado provimento porque o Tribunal de origem corretamente qualificou a decisão impugnada como interlocutória na fase de cumprimento de sentença — que não extinguiu a execução — sendo, portanto, cabível o agravo de instrumento e configurando erro grosseiro a interposição de apelação; assim,...
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- Parties
- Recorrente: empresa de telefonia; Órgão Prolator Do Acórdão Recorrido: Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 October 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento De Recurso Especial
- Outcome
- Negado provimento ao recurso especial
- Legal Topics
- Cumprimento De Sentença, Recursos, Agravo De Instrumento, Apelação, Fungibilidade Recursal, Negativa De Prestação Jurisdicional, Embargos De Declaração
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Parties
empresa de telefonia
Recorrente
Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul
Órgão Prolator Do Acórdão Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Cabimento de agravo de instrumento contra decisão que resolve impugnação ao cumprimento de sentença sem extinguir a execução
- 2 Aplicabilidade do princípio da fungibilidade recursal diante de erro na interposição de apelação
- 3 Alegação de negativa de prestação jurisdicional
Ratio Decidendi
O recurso especial foi negado provimento porque o Tribunal de origem corretamente qualificou a decisão impugnada como interlocutória na fase de cumprimento de sentença — que não extinguiu a execução — sendo, portanto, cabível o agravo de instrumento e configurando erro grosseiro a interposição de apelação; assim, não se aplica o princípio da fungibilidade recursal, e não houve negativa de prestação jurisdicional, pois a matéria foi analisada pelo tribunal de origem.
Court Disposition
Negado provimento ao recurso especial
Orders
- Nego provimento ao recurso especial.
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto contra acórdão do TJRS, o qual recebeu a seguinte ementa (e-STJ fl. 735): APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO PRIVADO NÃO ESPECIFICADO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. A decisão que indefere pedido de modificação dos cálculos possui natureza jurídica de decisão interlocutória que desafia o recurso de agravo de instrumento. Assim, a interposição de apelação representa erro injustificável, inviabilizando a aplicação do princípio da fungibilidade recursal. Precedentes deste Tribunal. NÃO CONHECERAM DO RECURSO. UNÂNIME. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (e-STJ fls. 751/757). No recurso especial (e-STJ fls. 763/770), fundamentado no art. 105, III, "a", da CF, a recorrente alega violação dosarts. 203, § 1º, 1.009 e1.022, I e II,do CPC/2015. Sustenta a negativa de prestação jurisdicional, pois "mesmo após provocado o Tribunala quodeixou de prestar tutela jurisdicional sobre a impossibilidade de amortização e liberação de valores" (e-STJ fl. 767). Destaca, ainda, que deve ser aplicado o princípio da fungibilidade recursal à hipótese. Aduz, nesse contexto, a inexistência de erro grosseiro na interposição do recurso de apelação. Argumenta que "deve ser aplicado o princípio da fungibilidade quando, além de inexistir erro grosseiro e má-fé da recorrente, o d. Juízo de primeira instância induziu ao erro, exatamente como no caso dos autos"(e-STJ fl. 768). Não foram oferecidas contrarrazões (e-STJ fls. 775 e 778). É o relatório. Decido. A insurgência não merece prosperar. Inicialmente, não há falar em negativa de prestação jurisdicional, pois o Tribunal de origem pronunciou-se, de forma clara e suficiente, acerca da questão suscitada nos autos. Ao contrário, verifica-se a mera pretensão de reexame do mérito do recurso, o qual foi exaustivamente analisado, circunstância que, de plano, torna imprópria a invocação da violação do art. 1.022 do CPC/2015. A Corte de origem não conheceu da apelação interposta pelarecorrentee entendeu que "a decisão não determinou o arquivamento com baixa de pronto, pois ao indeferir o pedido relativo à correção monetária, matéria que foi objeto do recurso da empresa de telefonia, expressamente referiu que tal baixa somente ocorreria após "decorrido o prazo para recurso voluntário""(e-STJ fl. 755). Confira-se oseguinte trecho do acórdão de julgamento dosembargos de declaração (e-STJ fl. 755): Os fundamentos do decisum quanto ao ponto levantado estão clara e suficientemente expostos na decisão embargada, e se com eles não concorda a parte embargante, deve tentar sua reforma através do manejo do recurso adequado, o que, por óbvio, não se sustenta nesta via. Ademais, cumpre sinalar que a decisão não determinou o arquivamento com baixa de pronto, pois ao indeferir o pedido relativo à correção monetária, matéria que foi objeto do recurso da empresa de telefonia, expressamente referiu que tal baixa somente ocorreria após "decorrido o prazo para recurso voluntário". Nesta linha, resta evidente que o recurso para atacar o indeferimento do pedido acerca de indexador monetário era o agravo de instrumento, visto que não fora determinado o arquivamento com baixa de pronto, mas apenas como consequência do eventual decurso de prazo. Todavia, a empresa de telefonia não manejou a ferramenta correta para atacar o mérito da decisão, não sendo cabível a interposição de apelação para tanto. Com efeito, o entendimento firmado pela Corte de origem está em sintonia com a jurisprudência do colendo STJ, se não, vejamos: RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS. CPC/2015. DECISÃO QUE ENCERRA FASE PROCESSUAL. SENTENÇA, CONTESTADA POR APELAÇÃO. DECISÕES INTERLOCUTÓRIAS PROFERIDAS NA FASE EXECUTIVA, SEM EXTINÇÃO DA EXECUÇÃO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. 1. Dispõe o parágrafo único do art. 1015 do CPC/2015 que caberá agravo de instrumento contra decisões interlocutórias proferidas na fase de liquidação de sentença ou de cumprimento de sentença, no processo de execução e no processo de inventário. Por sua vez, o art. 1.009, do mesmo diploma, informa que caberá apelação em caso de "sentença". 2. Na sistemática processual atual, dois são os critérios para a definição de "sentença": (I) conteúdo equivalente a uma das situações previstas nos arts. 485 ou 489 do CPC/2015; e (II) determinação do encerramento de uma das fases do processo, conhecimento ou execução. 3. Acerca dos meios de satisfação do direito, sabe-se que o processo de execução será o adequado para as situações em que houver título extrajudicial (art. 771, CPC/2015) e, nos demais casos, ocorrerá numa fase posterior à sentença, denominada cumprimento de sentença (art. 513, CPC/2015), no bojo do qual será processada a impugnação oferecida pelo executado. 4. A impugnação ao cumprimento de sentença se resolverá a partir de pronunciamento judicial, que pode ser sentença ou decisão interlocutória, a depender de seu conteúdo e efeito: se extinguir a execução, será sentença, conforme o citado artigo 203, §1º, parte final; caso contrário, será decisão interlocutória, conforme art. 203, §2º, CPC/2015. 5. A execução será extinta sempre que o executado obtiver, por qualquer meio, a supressão total da dívida (art. 924, CPC/2015), que ocorrerá com o reconhecimento de que não há obrigação a ser exigida, seja porque adimplido o débito, seja pelo reconhecimento de que ele não existe ou se extinguiu. 6. No sistema regido pelo NCPC, o recurso cabível da decisão que acolhe impugnação ao cumprimento de sentença e extingue a execução é a apelação. As decisões que acolherem parcialmente a impugnação ou a ela negarem provimento, por não acarretarem a extinção da fase executiva em andamento, tem natureza jurídica de decisão interlocutória, sendo o agravo de instrumento o recurso adequado ao seu enfrentamento. 7. Não evidenciado o caráter protelatório dos embargos de declaração, impõe-se a inaplicabilidade da multa prevista no § 2º do art. 1.026 do CPC/2015. Incidência da Súmula n. 98/STJ. 8. Recurso especial provido. (REsp 1.698.344/MG, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, DJe 01/08/2018 - grifei.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO QUE NÃO EXTINGUE A EXECUÇÃO. RECURSO CABÍVEL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. INCABÍVEL ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO A SÚMULA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Não prospera a alegada ofensa aos arts. 131, 458, I, II e III, e 535, I e II, todos do Código de Processo Civil de 1973, tendo em vista que o v. acórdão recorrido, embora não tenha examinado individualmente cada um dos argumentos suscitados pela parte, adotou fundamentação suficiente, decidindo integralmente a controvérsia. 2. A orientação jurisprudencial desta Corte Superior é de que a decisão que resolve a impugnação sem pôr fim à execução desafia o recurso de agravo de instrumento, caracterizando erro inescusável a interposição de apelação, nos termos do art. 475-M, § 3º, do CPC/73. 3. "Para fins do art. 105, III, a, da Constituição Federal, não é cabível recurso especial fundado em alegada violação de enunciado de súmula" (Súmula 518/STJ). 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 342.728/MG, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA,DJe 18/05/2017 - grifei.) AGRAVO INTERNO EM AGRAVO (ART. 544 DO CPC/73) - AÇÃO DE EXECUÇÃO HIPOTECÁRIA - DECISÃO MONOCRÁTICA NEGANDO PROVIMENTO AO RECLAMO - INSURGÊNCIA RECURSAL DOS DEMANDADOS. 1. O acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência desta Corte, no sentido de que o agravo de instrumento é o recurso cabível contra decisão que resolve impugnação ao cumprimento de sentença, mas não extingue a execução - como na hipótese -, não sendo possível a incidência do princípio da fungibilidade recursal, por se tratar de erro grosseiro. Incidência da Súmula 83 do STJ. 2. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 700.905/PA, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 16/02/2017, DJe 21/02/2017 - grifei.) DIREITO PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. EXECUÇÃO DE ASTREINTES. DECISÃO QUE NÃO PÔS FIM À EXECUÇÃO. RECURSO CABÍVEL. INTERPOSIÇÃO DE APELAÇÃO. ERRO GROSSEIRO. ART. 475-M, § 3º, DO CPC. IMPOSSIBILIDADE, NESSE CASO, DE REDUZIR DE OFÍCIO O VALOR DA MULTA. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO. 1. A decisão que fixa a multa cominatória, consoante reiterados pronunciamentos desta Corte, não faz coisa julgada, podendo ser modificada a qualquer tempo, até mesmo na fase executiva, até de ofício. 2. Cumpre esclarecer, todavia, que o órgão julgador somente estará autorizado a conhecer de ofício o tema em questão e emitir pronunciamento de mérito a seu respeito, quando aberta a sua jurisdição. 3. Dizer que determinada questão pode ser conhecida de ofício significa reconhecer que o juiz pode decidi-la independentemente de pedido, mas em momento processual adequado. Aceitando-se que o momento adequado para a entrega de uma prestação jurisdicional de mérito só se inaugura, no caso dos recursos, quando ultrapassada sua admissibilidade, tem-se de concluir que, no âmbito recursal cível, não cabe pronunciamento meritório de ofício sem que o recurso interposto tenha sido ao menos admitido. Precedentes. 4. No caso dos autos o Tribunal de origem não poderia ter reduzido de ofício o valor das astreintes, porque a questão foi suscitada em recurso de apelação não conhecido. 5. A decisão que julga impugnação ao cumprimento de sentença sem extinguir a fase executiva desafia agravo de instrumento, nos termos do art. 475-M, § 3º, do CPC/73, sendo impossível conhecer a apelação interposta com fundamento no princípio da fungibilidade recursal, tendo em vista a existência de erro inafastável. 6. Recurso especial não provido. (REsp 1.508.929/RN, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 07/03/2017, DJe 21/03/2017 - grifei.) Ante o exposto, NEGOPROVIMENTO ao recurso especial. Publique-se e intimem-se.