AREsp 1550096 - DECISAO
O agravo é provido com decisão denegatória porque o Tribunal a quo examinou a matéria e decidiu conforme jurisprudência consolidada do STJ de que sentença genérica em ação civil pública exige liquidação para definir titularidade e valor, sendo admissível a conversão do cumprimento de sentença em liquidação por força...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 November 2021
- Procedural Posture
- Agravo Nos Próprios Autos (cpc/2015, Art. 1.042) / Impugnação De Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial / Julgamento Do Agravo
- Outcome
- Nego provimento ao agravo.
- Legal Topics
- Cumprimento De Sentença, Liquidação De Sentença, Ação Civil Pública, Negativa De Prestação Jurisdicional, Honorários Advocatícios, Prequestionamento, Súmulas E Jurisprudência Vinculante
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Procedural Posture
Agravo Nos Próprios Autos (cpc/2015, Art. 1.042) / Impugnação De Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial / Julgamento Do Agravo
Legal Issues
- 1 existência de negativa de prestação jurisdicional (omissão) quanto à conversão do cumprimento de sentença em liquidação
- 2 possibilidade de conversão do procedimento de cumprimento de sentença coletiva em liquidação de sentença
- 3 incidência das Súmulas n. 282 e 356 do STF e Súmula n. 83 do STJ sobre a matéria
Ratio Decidendi
O agravo é provido com decisão denegatória porque o Tribunal a quo examinou a matéria e decidiu conforme jurisprudência consolidada do STJ de que sentença genérica em ação civil pública exige liquidação para definir titularidade e valor, sendo admissível a conversão do cumprimento de sentença em liquidação por força do princípio da instrumentalidade das formas; ausente omissão, não há negativa de prestação jurisdicional, e, ainda, matérias não enfrentadas sem embargos de declaração ficam impedidas de prequestionamento, incidindo súmulas aplicáveis.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo.
Orders
- Nego provimento ao agravo.
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo nos próprios autos (CPC/2015, art. 1.042) interposto contra decisão que inadmitiu o recurso especial sob os seguintes fundamentos: (a) ausência de negativa de prestação jurisdicional, e (b) aplicação das Súmulas n. 284 do STF 7 e 83 do STJ (e-STJ fls. 97/103). O acórdão do TJMS traz a seguinte ementa (e-STJ fl. 51): E M E N T A - AGRAVO DE INSTRUMENTO - CUMPRIMENTO DE SENTENÇA - CONVERSÃO EM LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA - EXPURGOS INFLACIONÁRIOS - NECESSIDADE DA LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA - ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA E DO ÓRGÃO ESPECIAL DESTA CORTE - INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS - RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. 01. Conforme entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça, a sentença genérica prolatada no âmbito da ação civil coletiva, por si, não confere ao vencido o atributo de devedor de "quantia certa ou já fixada em liquidação", porquanto, "em caso de procedência do pedido, a condenação será genérica", apenas "fixando a responsabilidade do réu pelos danos causados" (art. 95 do CDC). Desse modo, a condenação não se reveste de liquidez necessária ao cumprimento espontâneo do comando sentencial, sendo necessária a liquidação da sentença genérica proferida em ação civil pública para a definição da titularidade do crédito e do valor devido. 02. O mesmo entendimento foi firmado no Incidente de Uniformização de Jurisprudência (CPC/73), julgado no Órgão Especial deste Sodalício, no sentido de que "Na execução individual de sentença genérica proferida em ação civil pública é necessária a liquidação para definir a titularidade do crédito e do valor devido." 03. Não há qualquer prejuízo em se determinar a conversão do feito ou mesmo o aproveitamento dos atos já praticados, em observância ao princípio da instrumentalidade das formas. 04. Recurso conhecido e desprovido. Os embargos de declaraçãoforam rejeitados (e-STJ fls. 70/74). Nas razões do recurso especial (e-STJ fls. 76/85), fundamentado no art. 105, III, alínea "a", da CF, o recorrente aduziu contrariedade aos arts. 489, 1.022 e 1.025 do CPC/2015, afirmando haver negativa de prestação jurisdicional. Indicou ofensa ao art. 283, caput e parágrafo único, do CPC/2015, por ser descabido converter o cumprimento de sentença coletiva em liquidação de sentença, visto que tal proceder traria prejuízos processuais ao banco, tais quais: (i) o impedimento da declaraçãode prescrição da pretensão de recebimento de expurgos inflacionários de poupança, pertencente à parte recorrida e (ii) o arbitramento de verba honorária em favor dos seus causídicos, devido à extinção da execução sem exame do mérito, após o acolhimento de sua impugnação ao cumprimento de sentença. Acrescentou que "o recorrido laborou em erro grosseiro, para não se dizer que agiu de má-fé, pois, inexistia dúvidas quanto à necessidade de liquidação prévia, que foi apontada de forma clara no dispositivo da decisão exequenda" (e-STJ fl. 81). Não foram apresentadas contrarrazões (e-STJ fl. 95). No agravo (e-STJ fls. 105/111), afirma a presença de todos os requisitos de admissibilidade do especial. Não foi apresentada contraminuta (e-STJ fl. 119). É o relatório. Decido. Não assiste razão ao recorrente quanto à tese de negativa de prestação jurisdicional, uma vez que o Tribunala quo julgou a matéria controvertida, não incorrendo, desse modo, em omissão, contradição ou obscuridade (e-STJ fls. 51/56 e 70/74). Ressalte-se que o fato de o julgamento ser contrário aos interesses do recorrente não configura nenhum dos vícios do art. 458 do CPC/1973 (atual art. 489, § 1º, do CPC/2015), tampouco é o caso de cabimento dos aclaratórios. A Corte local não se manifestou quanto à alegação de que, no caso concreto, a conversão do procedimento de cumprimento de sentença coletiva em liquidação seria inviável, pois tal prática supostamente subtrairia o direito dos advogados do recorrente ao recebimento de honorários advocatícios sucumbenciais. Dessa forma, sem ter sido objeto de debate na decisão recorrida e ante a falta de aclaratórios no ponto, a matéria carece de prequestionamento e sofre, por conseguinte, o empecilho das Súmulas n. 282 e 356 do STF. Além disso, "é possível que as instâncias ordinárias, a fim de regularizar o vício formal, determinem a liquidação de sentença, o que afasta a alegação de inexigibilidade do título executivo e a pretensão de indeferimento da inicial, em observância aos princípios da instrumentalidade das formas e da economia processual, notadamente diante da ausência de prejuízo processual à casa bancária" (AgInt no AREsp n. 1.561.038/MS, Relator Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 22/6/2020, DJe 25/6/2020), o que foi observado pela Corte local (e-STJ fl. 56). Na mesma linha: REsp n. 885.988/ES, Relator Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, QUARTA TURMA, julgado em 9/3/2010, DJe 22/3/2010. Estando o acórdão impugnado conforme jurisprudência assente neste Tribunal Superior, incide a Súmula n. 83/STJ, que se aplica tanto aos recursos interpostos com base na alínea "c" quanto àqueles fundamentados pela alínea "a" do permissivo constitucional. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo. Publique-se e intimem-se