REsp 1964424 - DECISAO
O Tribunal concluiu, à luz de precedentes do STJ, que a Lei 10.404/2002 não estabeleceu distinção entre aposentadoria integral e proporcional quanto à GDATA, de modo que não é cabível a redução da vantagem por aplicação de proporcionalidade quando não há previsão legal em sentido contrário; assim, deu parcial...
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- Parties
- Recorrente: Associação dos Servidores do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas - ASSECAS; Recorrido: Departamento Nacional de Obras Contra as Secas - DNOCS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 December 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão Parcial Provimento
- Outcome
- Recurso especial parcialmente provido
- Legal Topics
- Cumprimento De Sentença, Gratificação De Desempenho (gdata), Aposentadoria Proporcional, Coisa Julgada, Execução De Sentença
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Parties
Associação dos Servidores do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas - ASSECAS
Recorrente
Departamento Nacional de Obras Contra as Secas - DNOCS
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão Parcial Provimento
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade da proporcionalidade das aposentadorias no cálculo da GDATA para aposentados com proventos proporcionais
- 2 Violação da coisa julgada
- 3 Alegação de negativa de prestação jurisdicional e ofensa a dispositivos do CPC/2015
Ratio Decidendi
O Tribunal concluiu, à luz de precedentes do STJ, que a Lei 10.404/2002 não estabeleceu distinção entre aposentadoria integral e proporcional quanto à GDATA, de modo que não é cabível a redução da vantagem por aplicação de proporcionalidade quando não há previsão legal em sentido contrário; assim, deu parcial provimento ao recurso especial na forma da fundamentação.
Court Disposition
Recurso especial parcialmente provido
Orders
- Dou parcial provimento ao recurso especial; publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial manejado pelaAssociação dos Servidores do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas - ASSECAS com fundamento no art. 105, III, a e c, da CF, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região, assim ementado (fl. 133): EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. GRATIFICAÇÃO DE DESEMPENHO DE ATIVIDADE. PAGAMENTO A APOSENTADOS E PENSIONISTAS. REGRA DA PROPORCIONALIDADE. APLICABILIDADE. 1. Agravo de instrumento interposto por particular em face de decisão que, em cumprimento de sentença, determinou que os cálculos de liquidação considerassem a proporcionalidade do pagamento da Gratificação de Desempenho de Atividade Técnico-Administrativa - GDATA em relação aos proventos integrais ou proporcionais dos servidores aposentados ou pensionistas. 2. A orientação jurisprudencial desta Corte Regional é no sentido de que "aplica-se a regra da proporcionalidade para o cálculo da gratificação .. aos servidores aposentados/pensionistas com proventos não integrais, dado que a mesma está inserida na definição de proventos (inclusive, do instituidor da pensão), devendo ser calculada de forma proporcional ao montante efetivamente recebido)" (PROCESSO: 08002582320154058100, APELAÇÃO CÍVEL, DESEMBARGADOR FEDERAL PAULO MACHADO CORDEIRO, 2ª TURMA, JULGAMENTO: 23/03/2021). 3. Descabido falar-se em afronta à legislação que instituiu a gratificação, uma vez que a proporcionalização é procedimento a ser aplicado a toda e qualquer parcela que compõe os proventos de aposentadoria de servidor público. 4. Em se tratando de sentença proferida em ação coletiva fica impossibilitado o exame individualizado da situação específica de cada substituído. Nesses casos, prevalece o entendimento de que, não havendo determinação em sentido contrário no título transitado em julgado, a proporcionalidade deve ser levada em conta na execução, sob pena de enriquecimento sem causa da parte exequente. Inexistência de violação à coisa julgada. 5. Agravo de instrumento não provido. Opostos embargos declaratórios, foram rejeitados (fls. 196/198). A parte recorrente aponta, além de dissídio jurisprudencial, violação aos arts. 489, § 1º, IV e V, 502, 503, 507, 508, 535, VI e 1.022, II, do CPC/2015 e 1º e5º, I e II, da Lei nº 10.404/2002. Sustenta tese de negativa de prestação jurisdicional. Pretende, em síntese, que seja afastada a aplicação da proporcionalidade das aposentadorias não integrais no cálculo da GDATA, "por não ter previsão nos dispositivos legais enem no título exequendo, sob pena de violação à coisa julgada e à lei instituidora da gratificação que asseguraram aos substituídos o pagamento UNIFORME de 60(sessenta) pontos da "GDATA" sem prever qualquer distinção entre proventos integrais e proporcionais" (fl. 237). É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. Verifica-se, inicialmente, não ter ocorrido ofensa aos arts. 489, § 1º, IV e V, e 1.022, II, do CPC/2015, na medida em que o Tribunal de origem dirimiu, fundamentadamente, as questões que lhe foram submetidas, apreciando integralmente a controvérsia posta nos autos, não se podendo, ademais, confundir julgamento desfavorável ao interesse da parte com negativa ou ausência de prestação jurisdicional.No mais, melhor sorte assiste ao recorrente. Quanto à possibilidade de aplicação da proporcionalidade das aposentadorias no cálculo da gratificação GDATA para os instituidores que se aposentaram com proventos proporcionais, colhe-se do aresto regional a seguinte fundamentação (fls. 131/132): Cuida-se de cumprimento de sentença proferida em ação coletiva que condenou o DNOCS ao pagamento das parcelas atrasadas da gratificação denominada GDATA, desde a edição da MP 198/2004 até o início dos efeitos financeiros da GDPGTAS (criada pela MP nº. 304), no valor de 60 (sessenta) pontos, descontando-se o montante já percebido pelos inativos/pensionistas. Discute-se, nos autos, se a decisão agravada, ao determinar que os cálculos devem levar em consideração a proporcionalidade do pagamento da gratificação em relação aos proventos integrais ou proporcionais dos aposentados ou pensionistas, viola ou não a coisa julgada e/ou a legislação que instituiu a GDATA. A orientação jurisprudencial desta Corte Regional é no sentido de que "aplica-se a regra da proporcionalidade para o cálculo da gratificação .. aos servidores aposentados/pensionistas com proventos não integrais, dado que a mesma está inserida na definição de proventos (inclusive, do instituidor da pensão), devendo ser calculada de forma proporcional ao (PROCESSO: 08002582320154058100, APELAÇÃO CÍVEL, DESEMBARGADOR montante efetivamente recebido)" FEDERAL PAULO MACHADO CORDEIRO, 2ª TURMA, JULGAMENTO: 23/03/2021). Portanto, descabido falar-se em afronta à legislação que instituiu a gratificação, uma vez que a proporcionalização é procedimento a ser aplicado a toda e qualquer parcela que compõe os proventos de aposentadoria de servidor público. De outra banda, também não se constata a existência de violação à coisa julgada, mormente quando se trata de sentença proferida em ação coletiva, hipótese em que fica impossibilitado o exame individualizado da situação específica de cada substituído. Nesses casos, prevalece o entendimento de que, não havendo determinação em sentido contrário no título transitado em julgado, a proporcionalidade deve ser levada em conta na execução, sob pena de enriquecimento sem causa da exequente. Corroborando a fundamentação acima exposta, colaciona-se precedente desta Corte: (..) Em conclusão, não merece prosperar a insurgência do agravante quanto à aplicação da proporcionalidade dos proventos de aposentadoria no cálculo das parcelas devidas a título de GDATA ao agravante. Ocorre que, ao assim decidir, o Tribunal de origem se afastou da orientação jurisprudencial deste Superior Tribunal segundo a qual a Lei 10.404/2002, ao estabelecer a forma em que a Gratificação de Desempenho de Atividade Técnico-Administrativa (GDATA) passaria a integrar os proventos dos servidores inativos, não fez qualquer distinção entre os que se aposentaram integral ou proporcionalmente ao tempo de contribuição. Logo, diante da inexistência de previsão legal, não prospera a redução da vantagem pretendida pelo INSS (REsp. 1.714.383/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 2/8/2018). A propósito, confiram-se: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. OFENSA AO ART. 1.022 DO CPC/1973. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. SERVIDOR PÚBLICO. EMBARGOS À EXECUÇÃO. GDASS. APOSENTADORIA PROPORCIONAL E INTEGRAL. DISTINÇÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. PRECEDENTES DO STJ. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REVISÃO EM RECURSO ESPECIAL. EXORBITÂNCIA E IRRISORIEDADE NÃO VERIFICÁVEIS DE PLANO. MAJORAÇÃO DO QUANTUM. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. RECURSO ESPECIAL DA UNIÃO. 1. A parte sustenta que o art. 1.022 do CPC/2015 foi violado, mas deixa de apontar, de forma clara, o vício em que teria incorrido o acórdão impugnado. Assim, é inviável o conhecimento do Recurso Especial nesse ponto, ante o óbice da Súmula 284/STF. 2. As Leis 10.404/2002 e 11.357/2006, ao estabelecerem a forma em que a Gratificação de Desempenho de Atividade da Seguridade Social (GDASS) passaria a integrar os proventos dos servidores inativos, não fizeram qualquer distinção entre os que se aposentaram integral ou proporcionalmente ao tempo de contribuição. Logo, diante da inexistência de previsão legal, não prospera a redução da vantagem pretendida pelo INSS. Precedentes do STJ: AgInt no REsp 1.544.877/RS, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 22.9.2016; AgRg no REsp 1542252/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 16.9.2015. (..). 6. Recursos Especial não providos (REsp. 1.695.279/PB, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 19.12.2017). PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. GDATA. APOSENTADORIA PROPORCIONAL E INTEGRAL. DISTINÇÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. PRECEDENTES DO STJ. ART. 186 DA LEI 8.112/1990. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. 1. A Lei 10.404/2002, ao estabelecer a forma em que a Gratificação de Desempenho de Atividade Técnico-Administrativa (GDATA) passaria a integrar os proventos dos servidores inativos, não fez qualquer distinção entre os que se aposentaram integral ou proporcionalmente ao tempo de contribuição. Logo, diante da inexistência de previsão legal, não prospera a redução da vantagem pretendida pelo INSS. Precedentes do STJ: AgInt no REsp 1.544.877/RS, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 22.9.2016; AgRg no REsp 1.542.252/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 16.9.2015. 2. Observa-se, ainda, que a Corte de origem não analisou o art. 186 da Lei 8.112/1990, mas pautou suas razões de decidir unicamente no fundamento de que a Constituição Federal e a lei instituidora da vantagem não autorizam distinção alguma entre os servidores aposentados com proventos integrais e proporcionais. Incidência da Súmula 211 do STJ. 3. Quanto à correção monetária, o Tribunal a quo não julgou a questão ao afirmar que é "de relegar para a fase de execução a decisão acerca dos critérios de atualização monetária e juros a serem aplicados no período posterior à entrada em vigor da Lei 11.960/2009 (período a partir de julho de 2009, inclusive) (fl. 450, e-STJ)". Assim, não houve sucumbência recursal no ponto, a afastar o interesse de recorrer. 4. Por fim, no tocante à violação ao art. 85, § 4º, do CPC/2015, sob a alegação de que em ações de cunho declaratório é descabida a fixação de verba honorária sobre o valor da condenação, verifica-se que o tema não foi enfrentado pelo acórdão recorrido, o que obsta o conhecimento do Recurso Especial, por falta de prequestionamento, nos termos da Súmula 282 do STF. 5. Recurso Especial não conhecido (REsp. 1.714.383/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 2/8/2018). AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO. GRATIFICAÇÃO DE DESEMPENHO DE ATIVIDADE DOS FISCAIS FEDERAIS AGROPECUÁRIOS (GDFFA). EXTENSÃO AOS INATIVOS. ADOÇÃO DOS MESMOS CRITÉRIOS UTILIZADOS PARA OS SERVIDORES DA ATIVA. APOSENTADORIA PROPORCIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. VALOR INTEGRAL DA GRATIFICAÇÃO. VINCULAÇÃO AOS PROVENTOS. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A lei que instituiu a Gratificação de Desempenho de Atividade dos Fiscais Federais Agropecuários (Lei 11.784/2008) não fez qualquer diferenciação à forma de pagamento da gratificação nos casos de aposentadoria proporcional e integral. Logo, diante da inexistência de previsão legal, não prospera a redução da vantagem pretendida pela União. Precedente: AgRg no REsp. 1.542.252/RS, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 16.9.2015. 2. Agravo Interno da União desprovido (AgInt no REsp. 1.544.877/RS, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 22/9/2016). ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. GRATIFICAÇÃO DE ESTÍMULO À DOCÊNCIA. GED. APOSENTADORIA PROPORCIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. VALOR INTEGRAL DA GRATIFICAÇÃO. VINCULAÇÃO AOS PROVENTOS. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DEBATE DE MATÉRIA CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO STF. 1. A questão central do presente recurso especial diz respeito ao pleito de pagamento da Gratificação de Estímulo à Docência - GED, em sua integralidade, a professores aposentados com proventos proporcionais. 2. A Gratificação de Estímulo à Docência no Magistério Superior - GED foi instituída pela Lei 9.678/98, visando a recompensar os professores do 3º Grau por seu aperfeiçoamento e produção no exercício das atividades de docência, pesquisa e extensão. 3. A Lei 9.678/98 não estabeleceu diferenciação entre o valor da gratificação a ser percebida pelos servidores aposentados com proventos integrais dos que percebem proporcionais, determinando para os servidores inativos e beneficiários de pensão um valor fixo, correspondendo, atualmente, a 115 pontos. 4. Como princípio de hermenêutica, não compete ao intérprete distinguir onde o legislador, podendo, não o fez, sob pena de violação do postulado da separação dos poderes. 5. Por outro lado, o argumento da Fundação Universidade Federal do Rio Grande de que a Lei 9.678/98 gera tratamento anti-isonômico entre os professores, ao tratar os desiguais de modo igual, forçoso reconhecer que essa questão não pode ser analisada perante o STJ, por tratar-se de matéria constitucional reservada ao Pretório Excelso em sede de controle de constitucionalidade. 6. A análise de matéria eminentemente constitucional não compete ao STJ, sob pena de usurpação da competência da Suprema Corte. Agravo regimental improvido (AgRg no REsp. 1.542.252/RS, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 16/9/2015). Destaca-se, ainda, a decisão monocrática proferida no seguinte feito: Agint no REsp 1.806.616/CE, Relatora Ministra REGINA HELENA COSTA, DJe de 17/10/2019. ANTE O EXPOSTO, douparcial provimento ao recurso especial, nos termos dafundamentação supracitada. Publique-se.