REsp 1868124 - DECISAO
Diante da revisão do Tema 677/STJ (REsp 1.820.963/SP), os recursos que versam sobre a mesma controvérsia devem retornar à instância de origem para observância dos arts. 1.039 e 1.040 do CPC, de modo que o tribunal de origem negará seguimento se o acórdão coincidir com a tese vinculante ou procederá ao juízo de...
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- Parties
- Recorrente: BEATRIZ EBLING GUIMARÃES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 February 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Devolução Ao Tribunal De Origem Para Juízo De Retratação (arts. 1.039 E 1.040 Do Cpc)
- Outcome
- autos devolvidos ao Tribunal de origem para observação da disciplina processual dos arts. 1.039 e 1.040 do CPC
- Legal Topics
- Cumprimento De Sentença, Depósito Judicial, Penhora De Ativos Financeiros, Encargos Moratórios, Recursos Repetitivos, Tema 677/stj, Juízo De Retratação
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Summary, issues, holding and outcome
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Parties
BEATRIZ EBLING GUIMARÃES
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Devolução Ao Tribunal De Origem Para Juízo De Retratação (arts. 1.039 E 1.040 Do Cpc)
Legal Issues
- 1 se o depósito judicial isenta o devedor do pagamento dos consectários moratórios previstos no título executivo
- 2 compatibilidade do acórdão recorrido com a tese do Tema 677/STJ
- 3 necessidade de devolução dos autos para juízo de retratação nos termos dos arts. 1.039 e 1.040 do CPC
Ratio Decidendi
Diante da revisão do Tema 677/STJ (REsp 1.820.963/SP), os recursos que versam sobre a mesma controvérsia devem retornar à instância de origem para observância dos arts. 1.039 e 1.040 do CPC, de modo que o tribunal de origem negará seguimento se o acórdão coincidir com a tese vinculante ou procederá ao juízo de retratação se houver divergência local.
Court Disposition
autos devolvidos ao Tribunal de origem para observação da disciplina processual dos arts. 1.039 e 1.040 do CPC
Orders
- I) negar seguimento ao recurso, se o acórdão recorrido coincidir com a tese vinculante do Tribunal Superior.
- II) proceder ao juízo de retratação, na hipótese de ter o Colegiado local divergido da interpretação fixada no precedente qualificado.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de recurso especial interposto por BEATRIZ EBLING GUIMARÃES contra decisão que obstou a subida de recurso especial. Extrai-se dos autos que a agravante interpôs recurso especial, com fundamento no art. 105, III, "a" e "c", da Constituição Federal, contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL cuja ementa guarda os seguintes termos (fl. 1.293): AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROMESSA DE COMPRA E VENDA CUMPRIMENTO DA SENTENÇA. PRELIMINAR CONTRARRECURSAL. Cabimento do recurso. Preliminar rejeitada. DEPÓSITO JUDICIAL. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. A responsabilidade pela aplicação da correção monetária e dos juros após a realização do depósito judicial é da instituição financeira onde os valores foram depositados, e não do devedor. NO CASO CONCRETO, considerando novo cálculo com a inserção de juros e correção após o bloqueio judicial, deve provido em parte o recurso para que seja afastada a exigência de juros e correção monetária pelo devedor após a realização do bloqueio judicial ocorrido no dia 26.10.2010. No entanto, devem incidir os encargos no período compreendido entre o protocolo do pedido de cumprimento de sentença e a efetivação do bloqueio (março a outubro de 2010). PRELIMINAR CONTRARRECURSAL REJEITADA. AGRAVO DE INSTRUMENTO PARCIALMENTE PROVIDO. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 1.339-1.343). Nas razões do recurso especial, a parte recorrente alegou violação dos arts. 203, § 1º, 489, § 1º, incisos IV e VI, 708, 710, 794, 924, 1.009, 1.015, caput, parágrafo único, e 1.022, incisos I e II, do Código de Processo Civil, bem como dos arts. 394, 401, inciso I, e 629 do Código Civil, sob os argumentos de: (a) negativa de prestação jurisdicional; (b) descabimento da interposição de agravo de instrumento na origem; (c) responsabilidade do devedor pelos consectários do título executivo, não obstante o depósito judicial. Aponta divergência jurisprudencial com arestos desta Corte. Sem contrarrazões ao recurso especial. Sobreveio o juízo de admissibilidade positivo na instância de origem (fls . 1.528-1.534). É, no essencial, o relatório. Verifica-se que a matéria versada no apelo foi submetida a revisão em julgamento sob o rito dos recursos repetitivos (REsp n. 1.820.963/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Corte Especial, julgado em 19/10/2022, DJe de 16/12/2022), de modo a resultar na alteração da tese fixada por ocasião do Tema 677/STJ, a qual passou a contar com o seguinte conteúdo: Na execução, o depósito efetuado a título de garantia do juízo ou decorrente da penhora de ativos financeiros não isenta o devedor do pagamento dos consectários de sua mora, conforme previstos no título executivo, devendo-se, quando da efetiva entrega do dinheiro ao credor, deduzir do montante final devido o saldo da conta judicial. A propósito, cito: DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. RECURSO ESPECIAL. PROCEDIMENTO DE REVISÃO DO ENTENDIMENTO FIRMADO NO TEMA 677/STJ. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. PENHORA DE ATIVOS FINANCEIROS. DEPÓSITO JUDICIAL. ENCARGOS MORATÓRIOS PREVISTOS NO TÍTULO EXECUTIVO. INCIDÊNCIA ATÉ A EFETIVA DISPONIBILIZAÇÃO DA QUANTIA EM FAVOR DO CREDOR. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. NATUREZA E FINALIDADE DISTINTAS DOS JUROS REMUNERATÓRIOS E DOS JUROS MORATÓRIOS. NOVA REDAÇÃO DO ENUNCIADO DO TEMA 677/STJ. 1. Cuida-se, na origem, de ação de indenização, em fase de cumprimento de sentença, no bojo do qual houve a penhora online de ativos financeiros pertencentes ao devedor, posteriormente transferidos a conta bancária vinculada ao juízo da execução. 2. O propósito do recurso especial é dizer se o depósito judicial em garantia do Juízo libera o devedor do pagamento dos encargos moratórios previstos no título executivo, ante o dever da instituição financeira depositária de arcar com correção monetária e juros remuneratórios sobre a quantia depositada. 3. Em questão de ordem, a Corte Especial do STJ acolheu proposta de instauração, nos presentes autos, de procedimento de revisão do entendimento firmado no Tema 677/STJ, haja vista a existência de divergência interna no âmbito do Tribunal quanto à interpretação e alcance da tese, assim redigida: "na fase de execução, o depósito judicial do montante (integral ou parcial) da condenação extingue a obrigação do devedor, nos limites da quantia depositada". 4. Nos termos dos arts. 394 e 395 do Código Civil, considera-se em mora o devedor que não efetuar o pagamento na forma e tempos devidos, hipótese em que deverá responder pelos prejuízos a que sua mora der causa, mais juros e atualização dos valores monetários, além de honorários de advogado. A mora persiste até que seja purgada pelo devedor, mediante o efetivo oferecimento ao credor da prestação devida, acrescida dos respectivos consectários (art. 401, I, do CC/02). 5. A purga da mora, na obrigação de pagar quantia certa, assim como ocorre no adimplemento voluntário desse tipo de prestação, não se consuma com a simples perda da posse do valor pelo devedor; é necessário, deveras, que ocorra a entrega da soma de valor ao credor, ou, ao menos, a entrada da quantia na sua esfera de disponibilidade. 6. No plano processual, o Código de Processo Civil de 2015, ao dispor sobre o cumprimento forçado da obrigação, é expresso no sentido de que a satisfação do crédito se dá pela entrega do dinheiro ao credor, ressalvada a possibilidade de adjudicação dos bens penhorados, nos termos do art. 904, I, do CPC. 7. Ainda, o CPC expressamente vincula a declaração de quitação da quantia paga ao momento do recebimento do mandado de levantamento pela parte exequente, ou, alternativamente, pela transferência eletrônica dos valores (art. 906). 8. Dessa maneira, considerando que o depósito judicial em garantia do Juízo - seja efetuado por iniciativa do devedor, seja decorrente de penhora de ativos financeiros - não implica imediata entrega do dinheiro ao credor, tampouco enseja quitação, não se opera a cessação da mora do devedor. Consequentemente, contra ele continuarão a correr os encargos previstos no título executivo, até que haja efetiva liberação em favor do credor. 9. No momento imediatamente anterior à expedição do mandado ou à transferência eletrônica, o saldo da conta bancária judicial em que depositados os valores, já acrescidos da correção monetária e dos juros remuneratórios a cargo da instituição financeira depositária, deve ser deduzido do montante devido pelo devedor, como forma de evitar o enriquecimento sem causa do credor. 10. Não caracteriza bis in idem o pagamento cumulativo dos juros remuneratórios, por parte do Banco depositário, e dos juros moratórios, a cargo do devedor, haja vista que são diversas a natureza e finalidade dessas duas espécies de juros. 11. O Tema 677/STJ passa a ter a seguinte redação: "na execução, o depósito efetuado a título de garantia do juízo ou decorrente da penhora de ativos financeiros não isenta o devedor do pagamento dos consectários de sua mora, conforme previstos no título executivo, devendo-se, quando da efetiva entrega do dinheiro ao credor, deduzir do montante final devido o saldo da conta judicial". 12. Hipótese concreta dos autos em que o montante devido deve ser calculado com a incidência dos juros de mora previstos na sentença transitada em julgado, até o efetivo pagamento da credora, deduzido o saldo do depósito judicial e seus acréscimos pagos pelo Banco depositário. 13. Recurso especial conhecido e provido. (REsp n. 1.820.963/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Corte Especial, julgado em 19/10/2022, DJe de 16/12/2022.) Em tal circunstância, considerando a relevância da matéria e a necessidade de se resguardar a segurança jurídica e a isonomia, princípios que balizam o nosso sistema de Precedentes Qualificados, deve ser prestigiado o escopo perseguido na legislação processual, isto é, a criação de mecanism o que enseje às instâncias de origem o juízo de retratação na forma dos arts. 1.039 a 1.041 do CPC. Logo, por medida de economia processual e para evitar decisões dissonantes entre Cortes integrantes do mesmo sistema de Justiça, os recursos que versam sobre a mesma controvérsia devem retornar à origem, dando ensejo à aplicação uniforme da tese vinculante. Somente depois de realizada tal providência, isto é, com o exaurimento da instância ordinária, os recursos excepcionais deverão ser encaminhados para os Tribunais Superiores para análise dos pontos jurídicos neles suscitados, a menos que estejam prejudicados pelo novo pronunciamento do Tribunal local. Ante o exposto, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem, para observação da disciplina processual dos arts. 1.039 e 1.040 do CPC, devendo-se: I) negar seguimento ao recurso, se o acórdão recorrido coincidir com a tese vinculante do Tribunal Superior; ou II) proceder ao juízo de retratação, na hipótese de ter o Colegiado local divergido da interpretação fixada no precedente qualificado. Publique-se. Intimem-se. EMENTA