AREsp 2542757 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque o Tribunal de origem analisou a controvérsia de forma fundamentada, a decisão atacada não implica reexame de prova (vedado pela Súmula 7 do STJ) e parte das alegações não foram prequestionadas, inviabilizando o conhecimento do recurso; adicionalmente determinou-se...
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- Parties
- Recorrente: CEDAE; Autor: AUTORES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo De Instrumento Em Sede De Cumprimento De Sentença / Recurso Especial
- Outcome
- Recurso especial não conhecido; conhecimento do agravo quanto à matéria que não se enquadra em tema repetitivo
- Legal Topics
- Cumprimento De Sentença, Obrigação De Fazer, Conversão Em Perdas E Danos, Prequestionamento, Súmula 7 Do STJ, Honorários Advocatícios
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Parties
CEDAE
Recorrente
AUTORES
Autor
Procedural Posture
Agravo De Instrumento Em Sede De Cumprimento De Sentença / Recurso Especial
Legal Issues
- 1 possibilidade de conversão de obrigação de fazer em perdas e danos
- 2 supressão de instância/alegação de substituição da concessionária
- 3 necessidade de reexame fático-probatório e vedação pela Súmula 7 do STJ
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque o Tribunal de origem analisou a controvérsia de forma fundamentada, a decisão atacada não implica reexame de prova (vedado pela Súmula 7 do STJ) e parte das alegações não foram prequestionadas, inviabilizando o conhecimento do recurso; adicionalmente determinou-se majoração de honorários em 1% nos termos do art. 85, §11, do CPC/2015.
Court Disposition
Recurso especial não conhecido; conhecimento do agravo quanto à matéria que não se enquadra em tema repetitivo
Orders
- Não conhecer do recurso especial
- Determino a majoração dos honorários advocatícios em desfavor da parte recorrente em 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, §11, do CPC/2015, observados os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º e eventual concessão de gratuidade judiciária
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Na origem, trata-se de agravo de instrumento em sede de cumprimento de sentença. Na decisão, indeferiu-se o pedido de conversão da obrigação de fazer em perdas e danos. No Tribunal a quo, a decisão foi mantida . O recurso especial foi interposto no TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO contra acórdão com o seguinte resumo de ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO. CEDAE. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. CONDENAÇÃO DA CEDAE A REALIZAR REPAROS NA REDE DE ESGOTAMENTE SANITÁRIO NA LOCALIDADE EM QUE RESIDEM OS AUTORES. PEDIDO DE CONVERSÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER EM PERDAS E DANOS. INDEFERIMENTO. RECURSO DA CONCESSIONÁRIA. Cumprimento de sentença iniciado de forma provisória em 2015 objetivando reparos na rede de esgotamento sanitário que serve a rua em que residem os autores. Laudo pericial que confirmou que os problemas subsistem, contribuindo para tanto a insuficiência da rede como um todo e o mal uso desta pela população local. Pedido de conversão em perdas e danos, pelo valor de R$5.000,00 indeferido. Recurso da CEDAE em que tece argumentos com relação à sua substituição pela concessionária Águas do Rio. Alegação não foi deduzida em primeiro grau. Supressão de instância. Recurso que, de todo modo, versa sobre obrigação a que foi a Cedae condenada por sentença há mais de sete anos. Recurso conhecido e não provido. Agravo interno prejudicado. Após interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Decido. O recurso especial não deve ser conhecido. A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: De toda a sorte, cuida-se de obrigação constituída por sentença que, embora tenha transitado em julgado no ano de 2021, vem sendo exigida por meio de execução provisória desde o ano de 2015, ou seja, há oito anos. Não se trata de obrigação inexequível ou que tenha perdido a relevância no decurso do tempo. Pelo contrário. Os autores ainda fazem jus à moradia em logradouro habitável. adequações necessárias, o que, neste caso, parece demandar mais do que intervenções pontuais, insuficientes para que se declare a obrigação cumprida. Não há violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015 (antigo art. 535 do CPC/1973) quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 165 do CPC/73 e do art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. Conforme entendimento pacífico desta Corte, "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. Quanto à matéria de fundo, verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". Relativamente às demais alegações de violação (artigos 422 e 248, do CC; 342, 485, VI, do CPC), esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. Conforme entendimento desta Corte, não há incompatibilidade entre a inexistência de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e a ausência de prequestionamento, com a incidência do enunciado n. 211 da Súmula do STJ, quanto às teses invocadas pela parte recorrente, que, entretanto, não são debatidas pelo tribunal local, por entender suficientes para a solução da controvérsia outros argumentos utilizados pelo colegiado. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.234.093/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 24/4/2018, DJe 3/5/2018; AgInt no AREsp 1.173.531/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 20/3/2018, DJe 26/3/2018. Ademais, verifica-se que o Tribunal de origem decidiu a matéria em conformidade com a jurisprudência desta Corte. Incide, portanto, o disposto no enunciado n. 83 da Súmula do STJ, segundo o qual: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, observados, se aplicáveis: i. os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do já citado dispositivo legal; ii. a concessão de gratuidade judiciária. Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA