AREsp 2607713 - DECISAO
Conheceu-se do agravo; entendeu-se que não houve omissão quanto à aplicação da taxa SELIC porque o acórdão discutiu a questão e manteve a interpretação de que a sentença transitada em julgado fixou correção pelo IGP-M e juros de 1% ao mês; alterar tal entendimento exigiria reexame de fatos e provas e violaria a...
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- Parties
- Agravante: MAURÍCIO DAL AGNOL; Agravada: CARMEN ILSE SCHUCH
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 July 2024
- Procedural Posture
- Ação Indenizatória / Fase De Cumprimento De Sentença
- Outcome
- CONHEÇO do agravo e, com fundamento no art. 932, III, do CPC, NÃO CONHEÇO do recurso especial.
- Legal Topics
- Cumprimento De Sentença, Coisa Julgada, Juros De Mora, Correção Monetária, Súmula 568/stj, Súmula 7/stj, Embargos De Declaração, Recurso Especial, Art. 1.022 Do CPC
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Parties
MAURÍCIO DAL AGNOL
Agravante
CARMEN ILSE SCHUCH
Agravada
Procedural Posture
Ação Indenizatória / Fase De Cumprimento De Sentença
Legal Issues
- 1 Aplicação da taxa SELIC na fase de cumprimento de sentença
- 2 Possível violação do art. 1.022 do CPC
- 3 Vedação ao reexame de fatos e provas em recurso especial (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo; entendeu-se que não houve omissão quanto à aplicação da taxa SELIC porque o acórdão discutiu a questão e manteve a interpretação de que a sentença transitada em julgado fixou correção pelo IGP-M e juros de 1% ao mês; alterar tal entendimento exigiria reexame de fatos e provas e violaria a coisa julgada, aplicando-se, portanto, as Súmulas 7 e 568 do STJ; por isso, com fundamento no art. 932, III, do CPC, não se conheceu do recurso especial.
Court Disposition
CONHEÇO do agravo e, com fundamento no art. 932, III, do CPC, NÃO CONHEÇO do recurso especial.
Orders
- CONHEÇO do agravo
- NÃO CONHEÇO do recurso especial (fundamento: art. 932, III, do CPC)
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Examina-se agravo em recurso especial interposto por MAURÍCIO DAL AGNOL, contra decisão interlocutória que negou seguimento a recurso especial fundamentado, exclusivamente, na alínea "a" do permissivo constitucional. Agravo em recurso especial interposto em: 15/05/2023. Concluso ao gabinete em: 13/06/2024. Ação: indenizatória, em fase de cumprimento de sentença, ajuizada por CARMEN ILSE SCHUCH, em face do agravante. Decisão interlocutória: rejeitou a impugnação ao cumprimento de sentença apresentado pelo agravante. Acórdão: negou provimento ao agravo de instrumento interposto pelo agravante, nos termos da seguinte ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO. MANDATOS. AÇÃO INDENIZATÓRIA EM FASE DE CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. EXCESSO NA EXECUÇÃO NÃO CONFIGURADO. JUROS MORATÓRIOS DE 1% AO MÊS E CORREÇÃO MONETÁRIA PELO IGP-M. DECISÃO MANTIDA. Ao argumento de que a taxa de juros legais a ser aplicada para o cálculo do débito é a SELIC, sustenta o agravante o excesso na execução. Ocorre que não é o que se extrai do título executivo judicial e interpretação diversa se configuraria como violação à coisa julgada. De toda sorte, prevalece o entendimento de aplicação de juros de mora de 1% ao mês. Decisão de improcedência da impugnação ao cumprimento de sentença mantida. AGRAVO DESPROVIDO. Embargos de declaração: opostos pelo agravante, foram rejeitados. Recurso especial: alega violação do art. 406 do CC/02 e dos arts. 505, I e II, e 1.022, II, e parágrafo único, I e II, do CPC. Afirma haver omissão acerca da questão relativa à aplicação da taxa SELIC. Defende a utilização da taxa SELIC para cálculo do débito, bem como que a sua aplicação não implicaria em violação à coisa julgada. É O RELATÓRIO. DECIDO. - Da violação do art. 1.022 do CPC É firme a jurisprudência do STJ no sentido de que não há ofensa ao art. 1.022 do CPC quando o Tribunal de origem, aplicando o direito que entende cabível à hipótese, soluciona integralmente a controvérsia submetida à sua apreciação, ainda que de forma diversa daquela pretendida pela parte. A propósito, confira-se: AgInt nos EDcl no AREsp 1.094.857/SC, 3ª Turma, DJe de 02/02/2018 e AgInt no AREsp 1.089.677/AM, 4ª Turma, DJe de 16/02/2018. No particular, verifica-se que o acórdão recorrido decidiu, fundamentada e expressamente, acerca da questão relativa à aplicação da taxa SELIC (e-STJ, fl. 346), de maneira que os embargos de declaração opostos pelo agravante de fato não comportavam acolhimento. Assim, observado o entendimento dominante desta Corte acerca do tema, não há que se falar em violação do art. 1.022 do CPC, incidindo, quanto ao ponto, a Súmula 568/STJ. - Do reexame de fatos e provas Alterar o decidido no acórdão impugnado, no que se refere à conclusão acerca da impossibilidade de aplicação da taxa SELIC, sob pena de violação à coisa julgada, exige o reexame de fatos e provas, o que é vedado em recurso especial pela Súmula 7/STJ. - Da Súmula 568/STJ Ademais, esta Corte Superior possui entendimento no sentido de que "proceder à alteração dos índices de correção monetária estabelecidos no título judicial, na fase de cumprimento de sentença, configuraria violação à coisa julgada" (AgInt no AREsp n. 2.478.947/RS, 3ª Turma, DJe de 11/4/2024). Ainda nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.914.152/DF, 4ª Turma, DJe de 26/10/2023. Na hipótese, o Tribunal de origem entendeu pela impossibilidade de alteração dos índices determinados de modo expresso na sentença transitada em julgado, sob pena de violação à coisa julgada, nos seguintes termos (e-STJ, fl. 346): Ora, nos termos da decisão vergastada, a sentença transitada em julgado determinou acumulação da correção monetária pelo IGP-M e juros moratórios em 1% ao mês, modo expresso o que, por si, já impede a aplicação da SELIC, tendo em vista que esta abrange ambos consectários e em atenção à coisa julgada. Com efeito, a construção que o agravante faz, no sentido de que, até a mora, incidiria a atualização pelo IGP-M para, após, ser aplicada apenas a taxa SELIC, é uma interpretação que transborda totalmente os limites do dispositivo sentencial. Logo, pretender dar outra interpretação ao dispositivo que encerrou a sentença ora em execução se configura como violação à coisa julgada, o que não merece prosperar. Diante da consonância com o entendimento dominante sobre o tema nesta Corte, aplica-se a Súmula 568/STJ no particular. Forte nessas razões, CONHEÇO do agravo e, com fundamento no art. 932, III, do CPC, NÃO CONHEÇO do recurso especial. Previno as partes que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar sua condenação ao pagamento das penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO INDENIZATÓRIA, EM FASE DE CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INADMISSIBILIDADE. HARMONIA ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SÚMULA 568/STJ. 1. Ação indenizatória, em fase de cumprimento de sentença. 2. Ausentes os vícios do art. 1.022 do CPC, rejeitam-se os embargos de declaração. 3. O reexame de fatos e provas em recurso especial é inadmissível. 4. Proceder à alteração dos índices de correção monetária estabelecidos no título judicial, na fase de cumprimento de sentença, configuraria violação à coisa julgada. Precedentes. Ante o entendimento dominante do tema nesta Corte Superior, aplica-se, no particular, a Súmula 568/STJ. 5. Agravo em recurso especial conhecido. Recurso especial não conhecido.