AREsp 2616612 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque o Tribunal de origem examinou corretamente a controvérsia: o título judicial não se enquadra na hipótese de relativização da coisa julgada prevista no art. 741, par. único, do CPC/73, por não estar fundado em norma ou ato declarado inconstitucional e por haver transitado...
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- Parties
- Executada: instituição pública de ensino superior
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 August 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conhecido
- Outcome
- Conheço do agravo parcialmente e não conheço do recurso especial
- Legal Topics
- Cumprimento De Sentença, Quintos (incorporação), Coisa Julgada, Modulação De Efeitos, Honorários Advocatícios
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Parties
instituição pública de ensino superior
Executada
Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conhecido
Legal Issues
- 1 Inexigibilidade do título executivo relativo à incorporação dos quintos no período de 08/04/1998 a 04/09/2001
- 2 Possibilidade de relativização da coisa julgada com fundamento no art. 741, parágrafo único, do CPC/73 (art. 535, III do CPC/2015)
- 3 Aplicação da modulação de efeitos pelo STF (RE 638.115/Tema 395 e Tema 733) e seus reflexos sobre decisões judiciais com trânsito em julgado e sobre pagamentos de boa-fé
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque o Tribunal de origem examinou corretamente a controvérsia: o título judicial não se enquadra na hipótese de relativização da coisa julgada prevista no art. 741, par. único, do CPC/73, por não estar fundado em norma ou ato declarado inconstitucional e por haver transitado em julgado antes da repercussão geral do STF; além disso, a modulação de efeitos pelo STF protegeu pagamentos de boa-fé, e a decisão do Tribunal a quo observou a jurisprudência desta Corte, autorizando a aplicação da Súmula 83 do STJ.
Court Disposition
Conheço do agravo parcialmente e não conheço do recurso especial
Orders
- Conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo
- Não conheço do recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Na origem, trata-se de embargos à execução individual de título coletivo opostos por instituição pública de ensino superior. Na sentença, julgou-se improcedente o pedido. No Tribunal a quo, a sentença foi reformada apenas para condenar a executada ao pagamento dos honorários advocatícios. O valor da causa foi fixado em R$ 893.802,83. O recurso especial, fundamentado no art. 105, III, a, da Constituição Federal, foi interposto no TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO contra acórdão com o seguinte resumo de ementa: ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA PROFERIDA EM AÇÃO COLETIVA. QUINTOS. RE N.E 638.115. INEXIGIBILIDADE DO TÍTULO EXECUTIVO. ART. 741, PARÁGRAFO ÚNICO, CPC/73. MODULAÇÃO DOS EFEITOS. 1. Não obstante a decisão da Excelsa Corte no que tange à inexistência do direito de incorporação dos quintos no período de 08/04/1998 a 04/09/2001, não cabe a relativização da coisa julgada com fundamento no no art. 741, § único do CPC/1973 (art. 535, III CPC/2015). 2. Aplicação ao caso da tese firmada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Tema 733 no sentido de que a decisão proferida em controle concentrado de constitucionalidade não produz automática reforma ou rescisão de sentença anterior que tenha adotado entendimento diferente, sendo imprescindível para tanto a interposição de recurso próprio, observado o prazo decadencial. 3. A Corte Superior, em razão da segurança jurídica, modulou os efeitos da decisão para obstar a repetição de indébito em relação os servidores que receberam de boa-fé os quintos pagos até a data do julgamento, cessada a ultra-atividade das incorporações em qualquer hipótese. 4. Foram igualmente modulados os efeitos da decisão de mérito do recurso, de forma a garantir que aqueles que continuam recebendo os quintos por força de decisão judicial sem trânsito em julgado ou decisão administrativa tenham o pagamento mantido até sua absorção integral por quaisquer reajustes futuros concedidos aos servidores. Ademais, foi igualmente conferido efeitos infringentes aos embargos de declaração para reconhecer como indevida a cessação imediata do pagamento dos quintos quando fundado em decisão judicial transitada em julgado. Após interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Decido. O recurso especial não deve ser conhecido. A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: No que interessa ao exame lide, importante ressaltar que foi igualmente conferido efeitos infringentes aos embargos de declaração para reconhecer como indevida a cessação imediata do pagamento dos quintos quando fundado em decisão judicial transitada em julgado. Na hipótese, não obstante a decisão da Excelsa Corte no que tange à inexistência do direito de incorporação dos quintos no período de 08/04/1998 a 04/09/2001, entendo ser inadmissível a relativização da coisa julgada com fundamento no no art. 741, § único do CPC/1973 (art. 535, IIICPC/2015). O título judicial não está fundado em lei ou ato normativo declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou interpretação da lei ou ato normativo tidas pelo Supremo Tribunal Federal como incompatíveis com a Constituição Federal, não enquadrando portanto na previsão do parágrafo único do art. 741, inc. II, do art. 741 do CPC/1973. Ademais, o título executivo foi constituído e transitou em julgado em momento anterior ao trânsito em julgado da repercussão geral pelo STF, não se configurando a hipótese prevista pelo art.741, inc. II, parágrafo único, do CPC/1973. .. Não se pode ignorar, igualmente, que foram modulados os efeitos da decisão no âmbito do Recurso Extraordinário 638.115/CE (Tema 395), de forma a garantir que aqueles que continuam recebendo os quintos por força de decisão judicial sem trânsito em julgado ou decisões administrativas tenham o pagamento mantido até sua absorção integral por quaisquer reajustes futuros concedidos aos servidores. Não há violação do art. 1.022 do CPC/2015 (antigo art. 535 do CPC/1973) quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 165 do CPC/73 e do art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. Conforme entendimento pacífico desta Corte, "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. Ademais, verifica-se que o Tribunal de origem decidiu a matéria em conformidade com a jurisprudência desta Corte. Incide, portanto, o disposto no enunciado n. 83 da Súmula do STJ, segundo o qual: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, observados, se aplicáveis: i. os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do já citado dispositivo legal; ii. a concessão de gratuidade judiciária. Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA