AREsp 1976658 - DECISAO
Como a decisão impugnada não extinguiu a execução, teve natureza interlocutória e deveria ser atacada por agravo de instrumento; a interposição de apelação constituiu erro grosseiro, não cabendo a aplicação do princípio da fungibilidade recursal; por estar o acórdão em consonância com a jurisprudência do STJ,...
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- Parties
- Agravante: DIRCEU ZUCHIERI
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Que Não Admitiu O Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Cumprimento De Sentença, Decisão Interlocutória, Erro Grosseiro, Fungibilidade Recursal, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 83/stj
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Parties
DIRCEU ZUCHIERI
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Decisão Que Não Admitiu O Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Se a decisão que acolheu parcialmente impugnação ao cumprimento de sentença extinguiu a execução ou teve natureza interlocutória
- 2 Qual o recurso cabível: apelação ou agravo de instrumento
- 3 Aplicabilidade do princípio da fungibilidade recursal em caso de erro grosseiro
Ratio Decidendi
Como a decisão impugnada não extinguiu a execução, teve natureza interlocutória e deveria ser atacada por agravo de instrumento; a interposição de apelação constituiu erro grosseiro, não cabendo a aplicação do princípio da fungibilidade recursal; por estar o acórdão em consonância com a jurisprudência do STJ, incidiu a Súmula 83/STJ, razão pela qual se conheceu do agravo e se negou provimento ao recurso especial.
Court Disposition
Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
- Publique-se.
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por DIRCEU ZUCHIERI, contra decisão que não admitiu o recurso especial fundamentado nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, o qual foi apresentado em face de acórdão proferido pelo Tribunal do Estado e São Paulo, assim ementado: IMPUGNAÇÃO AO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA Acolhimento parcial para o fim de se determinar o processamento da ação a partir da apelação interposta contra a sentença proferida na fase de conhecimento Decisão que não pôs fim ao processo e, portanto, é caracterizada como decisão interlocutória Hipótese em que o recurso cabível é o agravo de instrumento Erro grosseiro Impossibilidade de se adotar a regra da fungibilidade recursal e o princípio da instrumentalidade das formas, in casu, ante a inexistência de dúvida objetiva Recurso não conhecido. Em suas razões recursais, o recorrente apontou violação dos arts. 203, 485, 487, 1.009, 1.010, 1.015 do Código de Processo Civil de 2015, bem como dissídio jurisprudencial. Sustentou, em síntese, isto: (I) "Não houve equivoco no recurso interposto, e o recurso interposto não constituiu erro grosseiro, mas sim a interposição do recurso cabível contra a sentença que extinguiu a execução (cumprimento de sentença) e contrariamente ao que consta do Acórdão recorrido, a decisão não acolheu "parcialmente" a impugnação, e não se trata de decisão interlocutória pois EXTINGUIU A EXECUÇÃO" (fl. 169); (II) "a decisão proferida não é decisão interlocutória, mas sentença (203 parágrafo 1o. cc 485 do CPC) uma vez que extingue a fase "executiva" ou o cumprimento de sentença iniciado" (fl. 174). É o relatório. Decido. No caso, o acórdão estabeleceu que "o apelante se equivocou quanto ao recurso eleito para se insurgir contra a decisão que acolheu parcialmente sua impugnação ao cumprimento de sentença, a qual, por se tratar de decisão interlocutória uma vez não haver extinguido a execução", em razão disso, o recurso cabível contra a decisão seria o agravo de instrumento, e não a apelação, in verbis (fls. 156-158): A hipótese é de não conhecimento do recurso. Assim é porque, não obstante o argumentado a fls. 139/149, o apelante se equivocou quanto ao recurso eleito para se insurgir contra a decisão que acolheu parcialmente sua impugnação ao cumprimento de sentença, a qual, por se tratar de decisão interlocutória uma vez não haver extinguido a execução , apenas é passível de reforma por meio de agravo de instrumento, consoante disposto nos arts. 203, §§ 1º e 2º, e 1.015, parágrafo único, do CPC. Com efeito, de acordo com o mencionado diploma legal, a decisão, para ser considerada sentença e, por consequência, desafiar o recurso de apelação, deve, necessariamente, cumular duas circunstâncias, quais sejam: conter uma das matérias expressas em seus arts. 485 ou 487 e, ao mesmo tempo, extinguir a fase cognitiva do procedimento comum ou a execução, esta por supressão total da dívida. Claro está, na hipótese, que as circunstâncias acima mencionadas não estão presentes, na medida em que a decisão impugnada, além de não conter matéria elencada nos referidos dispositivos, também não extinguiu a execução, tanto é que reabriu a fase cognitiva do processo, determinando o processamento da apelação interposta contra a sentença proferida naquela ocasião, o que permite concluir que a insurgência do ora recorrente somente poderia ter sido deduzida por meio de agravo de instrumento. (..) Desse modo, a interposição de apelação na hipótese em tela configurou erro grosseiro. (Sem grifo no original). Outrossim, a jurisprudência desta Corte Superior entende que "o agravo de instrumento é o recurso cabível contra decisão que resolve impugnação ao cumprimento de sentença, mas não extingue a execução - como na hipótese -, não sendo possível a incidência do princípio da fungibilidade recursal, por se tratar de erro grosseiro" (AgInt no AREsp n. 2.080.599/SP, relator Ministro MARCO BUZZI, Quarta Turma, julgado em 26/9/2022, DJe de 29/9/2022). Corroboram esse entendimento: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC/2015. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. DECISÃO QUE NÃO EXTINGUE O PROCESSO. RECURSO CABÍVEL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. INTERPOSIÇÃO DE APELAÇÃO. ERRO INESCUSÁVEL. PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE. INAPLICABILIDADE. SÚMULA 83/STJ. REQUERIMENTO DA PARTE AGRAVADA DE APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO § 4º DO ART. 1.021 DO CPC/2015. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Não há ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015, porquanto o Tribunal de origem decidiu a matéria de forma fundamentada. O julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos invocados pelas partes, quando tiver encontrado motivação satisfatória para dirimir o litígio. 2. O entendimento jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que a apelação é o recurso cabível contra decisão que acolhe impugnação do cumprimento de sentença e extingue a execução; enquanto o agravo de instrumento é o concernente às decisões que não promovam a extinção da fase executiva em andamento, possuindo natureza jurídica de decisão interlocutória. A inobservância desta sistemática caracteriza erro grosseiro, vedada a aplicação do princípio da fungibilidade recursal. 3. Tendo o acórdão recorrido decidido em consonância com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, incide na hipótese a Súmula n. 83/STJ, que abrange os recursos especiais interpostos com amparo nas alíneas a e/ou c do permissivo constitucional. 4. A aplicação da multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015 não é automática, porquanto a condenação da parte agravante ao pagamento da aludida multa - a ser analisada em cada caso concreto, em decisão fundamentada - pressupõe que o agravo interno mostre-se manifestamente inadmissível ou que sua improcedência seja de tal forma evidente que a simples interposição do recurso possa ser tida, de plano, como abusiva ou protelatória, o que, contudo, não se verifica na hipótese examinada. 5. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.246.535/RS, relator Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Terceira Turma, julgado em 15/5/2023, DJe de 17/5/2023.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO EM FASE DE CUMPRIMENTO DE SENTENÇA - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA RECURSAL DA PARTE AUTORA. 1. O acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência desta Corte, no sentido de que o agravo de instrumento é o recurso cabível contra decisão que resolve impugnação ao cumprimento de sentença, mas não extingue a execução - como na hipótese -, não sendo possível a incidência do princípio da fungibilidade recursal, por se tratar de erro grosseiro. Incidência da Súmula 83 do STJ. 2. Segundo a orientação jurisprudencial firmada por este Superior Tribunal de Justiça, a Súmula 83 do STJ é aplicável ao recurso especial tanto pela alínea "a" como pela alínea "c" do permissivo constitucional. 3. Agravo interno desprovido." (AgInt no AREsp n. 2.080.599/SP, relator Ministro MARCO BUZZI, Quarta Turma, julgado em 26/9/2022, DJe de 29/9/2022 - sem grifo no original). "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO EM LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. EXECUÇÃO NÃO EXTINTA. RECURSO CABÍVEL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. APELAÇÃO INADMISSÍVEL. DECISÃO MANTIDA. 1. Ao julgar inadmissível a apelação, entendeu o TJSC que a decisão proferida em primeira instância não teria determinado a extinção da execução, de modo que teria natureza interlocutória, impugnável por meio de agravo de instrumento. 2. Esse entendimento está em conformidade com a jurisprudência desta Corte Superior, segundo a qual, "para as decisões interlocutórias proferidas em fases subsequentes à cognitiva - liquidação e cumprimento de sentença -, no processo de execução e na ação de inventário, o legislador optou conscientemente por um regime recursal distinto, prevendo o art. 1.015, parágrafo único, do CPC/2015, que haverá ampla e irrestrita recorribilidade de todas as decisões interlocutórias, quer seja porque a maioria dessas fases ou processos não se findam por sentença e, consequentemente, não haverá a interposição de futura apelação, quer seja em razão de as decisões interlocutórias proferidas nessas fases ou processos possuírem aptidão para atingir, imediata e severamente, a esfera jurídica das partes, sendo absolutamente irrelevante investigar, nessas hipóteses, se o conteúdo da decisão interlocutória se amolda ou não às hipóteses previstas no caput e incisos do art. 1.015 do CPC/2015" (REsp 1.803.925/SP, Relatora Ministra Nancy Andrighi, Corte Especial, julgado em 1º/8/2019, DJe 6/8/2019). 3. Conforme o acórdão recorrido, a decisão proferida pelo Juiz de primeiro grau se deu em fase de liquidação, não tendo havido extinção do procedimento, "desafiando, assim, o recurso de agravo de instrumento, nos termos do art. 1015, parágrafo único, do CPC" (AgInt no REsp 1.694.898/RN, Relator Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 27/9/2021, DJe 29/9/2021). 4. Agravo interno a que se nega provimento." (AgInt no AREsp n. 1.683.815/SC, relator Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, Quarta Turma, julgado em 2/5/2022, DJe de 6/5/2022 - sem grifo no original). "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. EXTINÇÃO PARCIAL DOS EMBARGOS À EXECUÇÃO. DECISÃO INTERLOCUTÓRIA. RECORRÍVEL POR AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONSONÂNCIA DO ACÓRDÃO RECORRIDO COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. SÚMULA 83/STJ. AGRAVO INTERNO PROVIDO. DECISÃO RECONSIDERADA. AGRAVO CONHECIDO PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. 1. A decisão de não conhecimento do agravo em recurso especial deve ser reconsiderada, pois presente a dialeticidade recursal. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, sob a égide do Novo Código de Processo Civil, a apelação é o recurso cabível contra decisão que acolhe impugnação do cumprimento de sentença e extingue a execução. Ainda, o agravo de instrumento é o recurso cabível contra as decisões que acolhem parcialmente a impugnação ou lhe negam provimento, por não acarretarem a extinção da fase executiva em andamento, portanto, com natureza jurídica de decisão interlocutória. A inobservância desta sistemática caracteriza erro grosseiro, vedada a aplicação do princípio da fungibilidade recursal, cabível apenas na hipótese de dúvida objetiva. 3. O entendimento adotado no acórdão recorrido coincide com a jurisprudência assente desta Corte Superior, circunstância que atrai a incidência da Súmula 83/STJ. 4. Agravo interno provido. Decisão reconsiderada. Agravo conhecido para negar provimento ao recurso especial." (AgInt no AREsp n. 1.868.808/PR, relator Ministro RAUL ARAÚJO, Quarta Turma, julgado em 27/9/2021, DJe de 3/11/2021 - sem grifo no original). "AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO. CONCLUSÃO NO SENTIDO DE TRATAR DE INCIDENTE DE LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. ERRO GROSSEIRO NA INTERPOSIÇÃO DE APELAÇÃO. SÚMULA 7/STJ. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE RECURSAL. ACÓRDÃO EM HARMONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE SUPERIOR. VERBETE SUMULAR N. 83/STJ. CARÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. O acórdão concluiu que o ato impugnado se qualificaria como decisão interlocutória, pois não era caso de finalização do processo executivo, razão por que não se conheceria do recurso. Nesse sentido, estendeu o aresto que se tratava de incidente de liquidação de sentença, logo, passível de ataque por meio de agravo de instrumento, e não apelação. As conclusões exaradas no acórdão acerca do conteúdo do julgado questionado foram fundadas com base fático-probatória, sendo aplicável a Súmula 7/STJ por quaisquer das alíneas do permissivo constitucional. 2. A premissa acerca da inviabilidade de conhecimento do recurso, em razão da impossibilidade de aplicação do princípio da fungibilidade recursal, está em sintonia com a jurisprudência desta Corte Superior, atraindo o texto do verbete sumular n. 83 desta Corte. 3. O teor do art. 801 do novo CPC não foi objeto de apreciação no acórdão, sendo certo que, embora opostos e apreciados os embargos de declaração, não foi arguida ofensa ao art. 1.022 do novo CPC no apelo especial - óbice da Súmula 211/STJ. 4. Agravo interno desprovido." (AgInt nos EDcl no REsp n. 1.918.778/TO, relator Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Terceira Turma, julgado em 25/5/2021, DJe de 28/5/2021 - sem grifo no original). Nesse contexto, estando a decisão de acordo com a jurisprudência desta Corte, o recurso encontra óbice na Súmula 83/STJ, que incide pelas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional. Diante do exposto, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Publique-se. EMENTA