AREsp 2673929 - DECISAO
O agravo foi conhecido, mas o recurso especial não foi conhecido porque não houve indicação expressa de omissão, obscuridade ou contradição nas razões recursais (Súmula 284/STF); além disso, a alteração do percentual de penhora exigiria reexame de fatos e provas vedado pela Súmula 7/STJ; por fim, a divergência...
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- Parties
- Agravante: PIQUET CARNEIRO, MAGALDI E GUEDES ADVOGADOS; Agravado: AGRAVADO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 November 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão: Agravo Conhecido; Recurso Especial Não Conhecido (art. 932, Iii, Cpc)
- Outcome
- Agravo conhecido; recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Cumprimento De Sentença, Penhora De Vencimentos, Impenhorabilidade Mitigada, Reexame De Fatos E Provas (súmula 7/stj), Dissídio Jurisprudencial, Súmula 284/stf, Honorários De Sucumbência
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Parties
PIQUET CARNEIRO, MAGALDI E GUEDES ADVOGADOS
Agravante
AGRAVADO
Agravado
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão: Agravo Conhecido; Recurso Especial Não Conhecido (art. 932, Iii, Cpc)
Legal Issues
- 1 violação do art. 1.022 do CPC (ausência de indicação de omissão/obscuridade/contradição)
- 2 vedação ao reexame de fatos e provas em recurso especial (Súmula 7/STJ)
- 3 necessidade de cotejo analítico e similitude fática para demonstrar dissídio jurisprudencial (arts. 1029 §1º CPC e 255 §1º RISTJ)
Ratio Decidendi
O agravo foi conhecido, mas o recurso especial não foi conhecido porque não houve indicação expressa de omissão, obscuridade ou contradição nas razões recursais (Súmula 284/STF); além disso, a alteração do percentual de penhora exigiria reexame de fatos e provas vedado pela Súmula 7/STJ; por fim, a divergência jurisprudencial não foi demonstrada por meio de cotejo analítico e similitude fática exigidos pelos arts. 1029 §1º do CPC e 255 §1º do RISTJ, de modo que não se conheceu a insurgência pela alínea c do art. 105, III, CRFB.
Court Disposition
Agravo conhecido; recurso especial não conhecido
Orders
- Não conhecer do recurso especial com fundamento no art. 932, III, do CPC
- Deixar de majorar os honorários de sucumbência recursal
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Examina-se agravo em recurso especial interposto por PIQUET CARNEIRO, MAGALDI E GUEDES ADVOGADOS, contra decisão que inadmitiu recurso especial fundamentado nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional. Agravo em recurso especial interposto em: 08/05/2024. Concluso ao gabinete em: 09/08/2024. Ação: de conhecimento em fase de cumprimento de sentença, ajuizada pelo agravante, em face do agravado, na qual se insurge contra a decisão que deferiu a penhora de 10% da renda auferida pelo agravado. Decisão interlocutória: indeferiu o pedido de penhora de parte dos vencimentos/proventos do agravado. Acórdão: deu parcial provimento ao agravo de instrumento interposto pela parte agravante, nos termos da seguinte ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. PENHORA DE PARTE DOS PROVENTOS. IMPENHORABILIDADE MITIGADA. POSSIBILIDADE. ART. 833, INCISO IV, CPC/2015. STJ. ANÁLISE DO CASO CONCRETO. DIGNIDADE DO DEVEDOR E DE SUA FAMÍLIA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. PERCENTUAL PENHORA VENCIMENTOS. 10%. CRITÉRIO ESCALONADO. 1. Conforme art. 833, inciso IV, do Novo Código de Processo Civil, são impenhoráveis os vencimentos, os subsídios, os soldos, os salários, as remunerações e os proventos de aposentadoria, dado que se destinam ao sustento do devedor. 2. O Colendo Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem adotado entendimento no sentido de relativizar a impenhorabilidade dos salários, uma vez que tal regra se presta a garantir a dignidade do devedor sem impedir a satisfação do crédito pela parte credora. 3 . Demonstrado que o executado/agravante percebe rendimentos brutos acima do salário da maioria da população brasileira, capaz de ser submetido à penhora parcial sem comprometer o mínimo existencial para a sua sobrevivência e dignidade nem de seus dependentes. 4. Adota-se o critério do escalonamento disposto no art. 85, § 3º, incisos I, II, III, IV e V e §4º, do CPC. Ante as peculiaridades do caso, e o montante dos rendimentos do devedor, é fixado em 10% (dez por cento) o percentual da penhora sobre seu salário líquido 5. Agravo de Instrumento conhecido e parcialmente provido. (e-STJ Fl. 108) Embargos de Declaração: opostos pelo agravante, foram rejeitados. Recurso especial: alega violação dos arts. 85, §§ 3º e 4º, 784, III, 831, 833, IV e § 2º, 836 e 1.022 do CPC, bem como dissídio jurisprudencial. Além de negativa de prestação jurisdicional, insurge -se contra a decisão que autorizou a penhora de 10% da renda auferida pelo devedor, imputando-a irrisória. Afirma que a manutenção do acórdão recorrido acarretará a perpetuação do procedimento executório. RELATADO O PROCESSO, DECIDE-SE. - Da violação do art. 1.022 do CPC A ausência de expressa indicação de obscuridade, omissão ou contradição nas razões recursais enseja o não conhecimento do recurso especial. Aplica-se, na hipótese, a Súmula 284/STF. - Do reexame de fatos e provas Alterar o decidido no acórdão impugnado, no que se refere ao percentual fixado para penhora dos rendimentos auferidos pela parte agravada, exige o reexame de fatos e provas, o que é vedado em recurso especial pela Súmula 7/STJ. - Da divergência jurisprudencial Entre os acórdãos trazidos à colação, não há o necessário cotejo analítico nem a comprovação da similitude fática, elementos indispensáveis à demonstração da divergência. Assim, a análise da existência do dissídio é inviável, porque foram descumpridos os arts. 1029, §1º do CPC e 255, § 1º, do RISTJ. Além disso, a incidência da Súmula 7 desta Corte acerca do tema que se supõe divergente impede o conhecimento da insurgência veiculada pela alínea "c" do art. 105, III, da Constituição da República. Nesse sentido: AgInt no AREsp 821337/SP, 3ª Turma, DJe de 13/03/2017 e AgInt no AREsp 1215736/SP, 4ª Turma, DJe de 15/10/2018. Forte nessas razões, CONHEÇO do agravo e, com fundamento no art. 932, III, do CPC, NÃO CONHEÇO do recurso especial. Deixo de majorar os honorários de sucumbência recursal, visto que não foram arbitrados no julgamento do recurso pelo Tribunal de origem. Previno as partes que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar a condenação às penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE CONHECIMENTO EM FASE DE CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. NÃO INDICAÇÃO. SÚMULA 284/STF. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INADMISSIBILIDADE. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. COTEJO ANALÍTICO E SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. SÚMULA 7 DO STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. PREJUDICADO. 1. Ação de conhecimento em fase de cumprimento de sentença. 2. A ausência de expressa indicação de obscuridade, omissão ou contradição nas razões recursais enseja o não conhecimento do recurso especial. 3. O reexame de fatos e provas em recurso especial é inadmissível. 4. O dissídio jurisprudencial deve ser comprovado mediante o cotejo analítico entre acórdãos que versem sobre situações fáticas idênticas. 5. A incidência da Súmula 7 do STJ prejudica a análise do dissídio jurisprudencial pretendido. Precedentes desta Corte. 6. Agravo conhecido. Recurso especial não conhecido.