AREsp 2677899 - DECISAO
Conheceu-se do agravo apenas para concluir pelo não conhecimento do recurso especial, porquanto as alegações da recorrente implicam reapreciação de matéria fático-probatória e a segunda instância delimitou corretamente a indenização ao que consta do título executivo (Torre Goya); a aplicação da Súmula 7/STJ impede...
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- Parties
- Agravante/recorrente: PSCHICHHOLZ EDIFICAÇÕES INDUSTRIALIZADAS LTDA.; Recorrido: João Gilnei Batista dos Reis; Parte: MPB ATELIER DEPINTURA LTDA ME; Parte: Lucindo Ramos de Souza; Parte: Eri; Parte: Verônica
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 November 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial (agravo De Instrumento No Cumprimento De Sentença) / Decisão Sobre Admissibilidade Do Recurso Especial (conhecido O Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial)
- Outcome
- Agravo conhecido para não conhecer do recurso especial de PSCHICHHOLZ EDIFICAÇÕES INDUSTRIALIZADAS LTDA.
- Legal Topics
- Cumprimento De Sentença, Coisa Julgada, Indenização, Execução, Preclusão Da Reanálise Fático Probatória, Súmula 7/stj
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Parties
PSCHICHHOLZ EDIFICAÇÕES INDUSTRIALIZADAS LTDA.
Agravante/recorrente
João Gilnei Batista dos Reis
Recorrido
MPB ATELIER DEPINTURA LTDA ME
Parte
Lucindo Ramos de Souza
Parte
Eri
Parte
Verônica
Parte
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial (agravo De Instrumento No Cumprimento De Sentença) / Decisão Sobre Admissibilidade Do Recurso Especial (conhecido O Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 respeito aos limites do título executivo/julgamento objeto da execução
- 2 observância da coisa julgada formal e material
- 3 limitação da indenização à Torre Goya
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo apenas para concluir pelo não conhecimento do recurso especial, porquanto as alegações da recorrente implicam reapreciação de matéria fático-probatória e a segunda instância delimitou corretamente a indenização ao que consta do título executivo (Torre Goya); a aplicação da Súmula 7/STJ impede nova revisão desses pontos, não havendo desrespeito à coisa julgada.
Court Disposition
Agravo conhecido para não conhecer do recurso especial de PSCHICHHOLZ EDIFICAÇÕES INDUSTRIALIZADAS LTDA.
Orders
- Fiquem as partes cientificadas de que a interposição de recursos manifestamente inadmissíveis ou protelatórios poderá ensejar aplicação das multas previstas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo contra decisão que não admitiu recurso especial interposto por PSCHICHHOLZ EDIFICAÇÕES INDUSTRIALIZADAS LTDA., com fundamento nas alíneas a e c do permissivo constitucional, no qual se insurgiu contra acórdão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul assim ementado (e-STJ, fl. 90): AGRAVO DE INSTRUMENTO. DIREITO PRIVADO NÃO ESPECIFICADO. DESABAMENTO DE COMPLEXO ESPORTIVO. CUMPRIMENTO PROVISÓRIO DE SENTENÇA. LIMITAÇÃO DO RESSARCIMENTO AOS BOXES DE ESTACIONAMENTO E APARTAMENTO S DA TORRE GOYA. OBSERVÂNCIA DO PONTO PELA DECISÃO. SENTENÇA MANTIDA. As ilações do recorrente não têm outro desiderato senão a alteração não promovida no âmbito da fase de conhecimento. A magistrada observou os limites estabelecidos pelo julgamento dos apelos interpostos por todos os litigantes e delimitou a indenização às rescisões referentes à Torre Goya, exatamente como constou no aresto. Além disso, não há mais espaço para discussões e impugnações de documentos que foram analisados na fase de conhecimento, tampouco importa para o cumprimento de sentença a situação financeira do dono da obra após a venda do terreno onde seria construído o empreendimento, objeto que inclusive extrapola o âmbito desta lide. Decisão de parcial procedência da impugnação promovida pela agravante mantida inalterada quanto a esta ré. RECURSO DESPROVIDO. No recurso especial, a recorrente apontou, além de divergência jurisprudencial, violação dos arts. 494, 502, 503, 505 e 507 do CPC; e 18 , 49-A e 944 do CC. Esclareceu que se opôs ao acórdão por não respeitar a coisa julgada firmada em ação de conhecimento. Sustentou que, publicada a sentença, o juiz não poderá alterá-la, aduzindo que a nova decisão incluindo aos danos passíveis de indenização àqueles que o autor viesse a ter também viola a coisa julgada. Nesse cenário, enfatizou que o acórdão recorrido, acrescentando os danos materiais que o autor "viesse a ter", dentre aqueles passíveis de indenização, inova a lide e contraria o requisito objetivo fixado no título executivo judicial Frisou que, quando o perito refere "valor a ser devolvido" é porque não localizou prova nos autos da efetiva devolução. Afirmou que a comprovação do dano indenizável - quantias que o autor devolveu aos adquirentes das unidades do Edifício Goya - é imprescindível nesta fase, sob pena de derrogar-se o art. 944 do CC. Reiterou que nem a sentença nem o acórdão distinguem os diversos imóveis, incorrendo em erro material ou contradição, pois a indenização deve restringir-se aos apartamentos n. 601 e 602 do Edifício Goya, excluindo todos os imóveis vinculados ao Edifício Dali, quais sejam, os apartamentos identificados com os números 303, 304, 601 e 602; igualmente afastados dos danos materiais boxes de estacionamento, pois nenhum deles está vinculado ao Ed. Goya, conforme inequívoca constatação no contrato juntado aos autos. Ponderou que a inclusão de pessoas jurídicas no cumprimento de sentença não respeita os limites da coisa julgada formal e material; sendo certo que o único legitimado para a execução é o ora recorrido João Gilnei Batista dos Reis. Requereu o provimento do recurso especial (e-STJ, fls. 137-158). Nas razões do agravo, a parte agravante impugna os fundamentos da decisão denegatória do recurso, reiterando, no mais, as razões do mérito recursal (e-STJ, fls. 242--251). Contraminuta apresentada (e-STJ, fls. 260-263). Brevemente relatado, decido. A segunda instância concluiu que a indenização dos danos emergentes e lucros cessantes se limitaria à Torre Goya, conforme o título executivo objeto da execução. Nesse sentido, argumentou-se que não caberia acolhida a alegação da ora insurgente no sentido de que a sentença da impugnação manteria indenizações relativas às rescisões da Torre Dalí. Leia-se (e-STJ, fls. 79-87): Efetivamente, a condenação restou limitada à indenização dos danos emergentes e lucros cessantes da Torre Goya, pois, em relação às outras unidades de apartamentos, muito embora previstas no projeto arquitetônico, as obras não chegaram a iniciar. O título exequendo determinou, objetivamente, como e o que reparar. Nesse aspecto, a sentença das impugnações muito bem afastou as indenizações referentes à Torre Dalí nos seguintes termos, cujo excerto integro e adoto como razões de decidir: .. Portanto, a singela leitura da decisão permite afastar a alegação da PSCHICCHOL Ponderou que, com relação a Lucindo Ramos de Souza, rescisão que está nos autos desde que eram físico, diz respeito inclusive à Torre Goya (e-STJ, fl. 87). O acórdão estabeleceu que não merece reparos o julgamento inicial "quanto à rescisão da MPB ATELIER DEPINTURA LTDA ME, pois, ao contrário do asseverado no recurso, o apartamento 201 era, sim, da Torre Goya" (e-STJ, fl. 88). Também se asseverou que não "assiste à empresa de edificações no sentido de afastar as indenizações de Eri e Verônica. O acórdão está sobejamente claro quanto à condenação a pagar ao autor a título de lucros cessantes e danos emergentes tudo que ele teve de despesa com as rescisões da Torre Goya e o que eventualmente viesse a ter, pois sabidamente ainda estavam em andamento ações indenizatórias contra ele pelo desabamento" (e-STJ, fl. 88); bem como firmou-se a solução dessa questão em outro agravo de instrumento. Leia-se (e-STJ, fls. 88-89): A agravante, por meio de outras palavras, reproduz teses já enfrentadas no julgamento do Agravo de Instrumento n. 5251556-59, que também está pautado para esta sessão de julgamento. Naqueles autos já foi dirimida a questão da incorporadora do autor. A sentença das impugnações, aliás, entre outros motivos, foi parcialmente reproduzida porque a solução adotada a esse respeito é a correta. Os documentos que a ré impugna foram objeto de exame na fase de conhecimento, instruíram a sentença e serviram de base para a condenação. Nessa medida, não há mais espaço para discussões sobre pontos já superados. No mesmo rumo seguem as digressões sobre a capacidade financeira do dono da obra. Este Poder Judiciário não o considerou pessoa pobre na acepção legal, tanto que lhe foi indeferido o benefício da gratuidade. As boas condições financeiras do autor, entretanto, não afastam o dever de indenizar a que foram as rés condenadas. Não bastasse, a venda do terreno foi considerada no julgamento das apelações e teve os reflexos que deveria ter, de modo que essa discussão também está superada. Já encaminhando para o final, descabe novamente enfrentar a rescisão unilateral do contrato de edificação promovida pelo dono da obra, pois esse ponto foi analisado à exaustão na fase de conhecimento e nenhuma relevância tem para o presente cumprimento de sentença. Por fim, transcrevo parcialmente a fundamentação do AI n. 52515565920238217000 que se encaixa perfeitamente aqui: .. O pagamento de substancial quantia - R$ 718.927,00 - num único dia não afasta o dever de reparar exaustivamente determinado e tal referência serve, quando muito, de norteador para o mínimo a ser compensado pelas rés. A fim de evitar a procrastinação da demanda, dou por prequestionada a matéria, sobretudo os dispositivos legais citados pelas partes e previno aos litigantes que a interposição de embargos de declaração com o desiderato de rediscutir a presente decisão acarretará na aplicação de pena por litigância de má-fé. Logo, as conclusões no sentido da carência de desrespeito à coisa julgada formal ou material foram amparadas na análise fático-probatória da causa. Aplicação da Súmula 7/STJ, verbete que incide sobre ambas as alíneas do permissivo constitucional. A insurgente não persegue a mera qualificação jurídica desse quadro fático, mas sua reapreciação, o que é vedado a esta Corte Superior. Ante o exposto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial de Pschichholz Edificações Industrializadas Ltda. Fiquem as partes cientificadas de que a insistência injustificada no prosseguimento do feito, caracterizada pela a presentação de recursos manifestamente inadmissíveis ou protelatórios contra esta decisão, ensejará a imposição, conforme o caso, das multas previstas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC. Deixo de majorar os honorários sucumbenciais de acordo com o decidido nos EDcl no AgInt no REsp 1.573.573/RJ, desta relatoria, julgado em 4/4/2017, DJe de 8/5/2017, haja vista que a verba honorária sucumbencial deve ser devida desde a origem no feito em que interposto o recurso. Publique-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. AUSÊNCIA DE DESRESPEITO À COISA JULGADA FORMAL OU MATERIAL. SÚMULA 7/STJ. OBEDIÊNCIA AO TEOR DO JULGAMENTO OBJETO DE EXECUÇÃO. AGRAVO CONHECIDO PARA NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DE PSCHICHHOLZ EDIFICAÇÕES INDUSTRIALIZADAS LTDA.