AREsp 2755278 - DECISAO
O STJ não conheceu do recurso especial porque a corte de origem analisou adequadamente os fatos e provas e a confrontação diversa demandaria reexame fático-probatório vedado pelo enunciado 7 do STJ; além disso, não houve prequestionamento ou demonstração correta de divergência jurisprudencial nos termos legais, de...
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- Parties
- Exequente: Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI); Executado/agravante: Agravante
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 December 2024
- Procedural Posture
- Cumprimento De Sentença / Recurso Especial / Agravo Em Recurso Especial No Superior Tribunal De Justiça; Recurso Especial Não Conhecido
- Outcome
- Conheço do agravo quanto à matéria que não se enquadra em tema repetitivo; não conheço do recurso especial.
- Legal Topics
- Cumprimento De Sentença, Restituição Ao Erário, Tutela Antecipada, Prescrição, Enriquecimento Sem Causa, Liquidação De Sentença
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Parties
Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI)
Exequente
Agravante
Executado/agravante
Procedural Posture
Cumprimento De Sentença / Recurso Especial / Agravo Em Recurso Especial No Superior Tribunal De Justiça; Recurso Especial Não Conhecido
Legal Issues
- 1 prescrição para a ação de restituição dos valores
- 2 possibilidade de devolução de valores recebidos por força de tutela antecipada posteriormente revogada
- 3 vedação ao reexame fático-probatório no recurso especial (Súmula 7)
Ratio Decidendi
O STJ não conheceu do recurso especial porque a corte de origem analisou adequadamente os fatos e provas e a confrontação diversa demandaria reexame fático-probatório vedado pelo enunciado 7 do STJ; além disso, não houve prequestionamento ou demonstração correta de divergência jurisprudencial nos termos legais, de modo que não se verificam os requisitos de admissibilidade do recurso especial.
Court Disposition
Conheço do agravo quanto à matéria que não se enquadra em tema repetitivo; não conheço do recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Na origem, trata-se de cumprimento de sentença apresentado pelo INPI contra o ora Agravante, para reposição de quantia em dinheiro recebida por força de decisão provisória. Na sentença, acolheu a impugnação para julgar extinta a execução. No Tribunal a quo, a sentença foi reformada, para dar prosseguimento à execução. O valor da causa foi fixado em R$ 390.957,97 (Trezentos e noventa mil, novecentos e cinquenta e sete reais e noventa e sete centavos). O recurso especial foi interposto no TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 2ª REGIÃO contra acórdão com o seguinte resumo de ementa: ADMINISTRATIVO - SERVIDORES DO INPI - RECEBIMENTO DE VALORES POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL POSTERIORMENTE REFORMADA - RESTITUIÇÃO AO ERÁRIO - POSSIBILIDADE. I - RECURSO DE APELAÇÃO INTERPOSTO PELO INSTITUTO NACIONAL DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL (INPI) E REMESSA NECESSÁRIA (TIDA POR INTERPOSTA) DE SENTENÇA QUE JULGOU EXTINTA A EXECUÇÃO, COM RESOLUÇÃO DE MÉRITO, NA FORMA DO ART. 487, II, DO CPC. II - PRESCRIÇÃO BUSCA A PUNIR A INÉRCIA DA PARTE QUE TEM O SEU DIREITO SUBJETIVO VIOLADO, O QUE INEXISTIU NO CASO VERTENTE, TENDO EM VISTA QUE O INPI EXERCEU A SUA PRETENSÃO DENTRO DO PRAZO PRESCRICIONAL, NÃO PODENDO O DESEMEMBRAMENTO FEITO DO EM VIRTUDE DO LITISCONSÓRCIO MULTITUDINÁRIO, DETERMINADO POR CONVENIÊNCIA DO JUDICIÁRIO, PREJUDICAR A AUTARQUIA FEDERAL, MORMENTE PORQUE, IN CASU, JÁ TRAMITAVA PROCEDIMENTO INTERNO PARA COBRANÇA ADMINISTRATIVA DOS VALORES PAGOS INDEVIDAMENTE AOS SERVIDORES. III - QUANTO À POSSIBILIDADE DE DEVOLUÇÃO DE VALORES RECEBIDOS EM VIRTUDE DE TUTELA ANTECIPADA POSTERIORMENTE REVOGADA, O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA TEM FIRME JURISPRUDÊNCIA NO SENTIDO QUE É DE CABÍVEL A RESTITUIÇÃO DE VALORES RECEBIDOS EM RAZÃO DE TUTELA ANTECIPADA POSTERIORMENTE REVOGADA, HAJA VISTA REVERSIBILIDADE DA MEDIDA A ANTECIPATÓRIA E A VEDAÇÃO DO ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA, INDEPENDENTEMENTE DE PROVA DA MÁ-FÉ DO BENEFICIÁRIO OU DA NATUREZA ALIMENTAR DA VERBA. VALE DIZER, MAL SUCEDIDA A DEMANDA, O AUTOR DA AÇÃO RESPONDE PELO QUE RECEBEU INDEVIDAMENTE. IV - RECURSO E REMESSA NECESSÁRIA PROVIDOS. Após interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Decido. O recurso especial não deve ser conhecido. A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: .. O trânsito em julgado ocorreu em 19/03/2010. Após a baixa dos autos, a Fazenda teria cinco anos para buscar a restituição, nos autos ou fora deles. E o INPI o fez, mas foi o juízo que determinou que tudo se fizesse individualmente, em ações próprias. É até duvidosa a razão para impedir a liquidação nos autos, e determinar ações individuais, mas, seja como for, isso apenas transitou em 2020. No julgamento do recurso do INPI contra a decisão que indeferiu a liquidação nos autos, este Tribunal afastou a alegação de prescrição formulada nas contrarrazões, assinalando que "(..) a pretensão de liquidação coletiva foi apresentada em 16/1/2015, menos de 5 (cinco) anos após o trânsito em julgado da ação de conhecimento, em 22/3/2010 (..)". .. Conforme entendimento pacífico desta Corte, "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. Quanto à matéria de fundo, verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". Relativamente às demais alegações de violação (art. 44 da Lei n. 9.784/1.999), esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. O dissídio jurisprudencial viabilizador do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional não foi demonstrado nos moldes legais, pois, além da ausência do cotejo analítico e de não ter apontado qual dispositivo legal recebeu tratamento diverso na jurisprudência pátria, não ficou evidenciada a similitude fática e jurídica entre os casos colacionados que teriam recebido interpretação divergente pela jurisprudência pátria. Ressalte-se ainda que a incidência do enunciado n. 7, quanto à interposição pela alínea a, impede o conhecimento da divergência jurisprudencial, diante da patente impossibilidade de similitude fática entre acórdãos. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.044.194/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 19/10/2017, DJe 27/10/2017. Para a caracterização da divergência, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ, exige-se, além da transcrição de acórdãos tidos por discordantes, a indicação de dispositivo legal supostamente violado, a realização do cotejo analítico do dissídio jurisprudencial invocado, com a necessária demonstração de similitude fática entre o aresto impugnado e os acórdãos paradigmas, assim como a presença de soluções jurídicas diversas para a situação, sendo insuficiente, para tanto, a simples transcrição de ementas, como no caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.235.867/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 17/5/2018, DJe 24/5/2018; AgInt no AREsp 1.109.608/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 13/3/2018, DJe 19/3/2018; REsp 1.717.512/AL, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/4/2018, DJe 23/5/2018. Ademais, verifica-se que o Tribunal de origem decidiu a matéria em conformidade com a jurisprudência desta Corte. Incide, portanto, o disposto no enunciado n. 83 da Súmula do STJ, segundo o qual: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, observados, se aplicáveis: i. os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do já citado dispositivo legal; ii. a concessão de gratuidade judiciária. Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA