AREsp 1648919 - ACORDAO
Conheceu-se parcialmente do agravo para examinar o recurso especial e, em relação ao mérito, negou-se provimento porque o Tribunal de origem fundamentou sua decisão, houve ausência de prequestionamento quanto a determinados dispositivos, as razões recursais estavam dissociadas dos fundamentos do acórdão recorrido e...
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- Parties
- Agravante: VICTOR MESSEDER LANZELOTTE
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Sessão Virtual De Julgamento (12/08/2025 a 18/08/2025)
- Outcome
- Agravo conhecido para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento.
- Legal Topics
- Cumprimento De Sentença, Negativa De Prestação Jurisdicional, Prequestionamento, Coisa Julgada, Enriquecimento Ilícito, Reexame Fático Probatório, Honorários Sucumbenciais, Fundamentação Judicial
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Parties
VICTOR MESSEDER LANZELOTTE
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Sessão Virtual De Julgamento (12/08/2025 a 18/08/2025)
Legal Issues
- 1 negativa de prestação jurisdicional
- 2 ausência de prequestionamento
- 3 razões recursais dissociadas (deficiência de fundamentação)
Ratio Decidendi
Conheceu-se parcialmente do agravo para examinar o recurso especial e, em relação ao mérito, negou-se provimento porque o Tribunal de origem fundamentou sua decisão, houve ausência de prequestionamento quanto a determinados dispositivos, as razões recursais estavam dissociadas dos fundamentos do acórdão recorrido e a modificação pleiteada demandaria reexame do conjunto fático-probatório, vedado na via eleita.
Court Disposition
Agravo conhecido para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento.
Orders
- Conhecer parcialmente do agravo e negar provimento ao recurso especial na extensão conhecida
- Deixar de majorar os honorários sucumbenciais, nos termos do art. 85, §11, do CPC
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 12/08/2025 a 18/08/2025, por unanimidade, conhecer parcialmente do recurso, mas lhe negar provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Humberto Martins, Moura Ribeiro e Daniela Teixeira votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. NAGATIVA DE PRESTAÇÃO JURIDICIONAL. AUSÊNCIA. ENRIQUECIMENTO ILÍCITO. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA Nº 282/STF. NOVOS CÁLCULOS. PARÂMETROS. COISA JULGADA. RAZÕES DISSOCIADAS. SÚ MULA Nº 284/STF. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 7/STJ. 1. Não há falar em negativa de prestação jurisdicional se o tribunal de origem motiva adequadamente sua decisão, ainda que de forma sucinta, solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entende cabível à hipótese, apenas não no sentido pretendido pela parte. 2. Ausente o prequestionamento, até mesmo de modo implícito, dos dispositivos apontados como violados no recurso especial, incide, por analogia, o disposto na Súmula nº 282 do Supremo Tribunal Federal. 3. Estando as razões do recurso dissociadas do que decidido no acórdão recorrido, é inadmissível o inconformismo por deficiência na sua fundamentação. Aplicação da Súmula nº 284 do Supremo Tribunal Federal. 4. É inviável rever o entendimento firmado pelas instâncias ordinárias sem a análise dos fatos e das provas da causa, o que atrai a incidência da Súmula nº 7/STJ. 5. Agravo conhecido para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interposto por VICTOR MESSEDER LANZELOTTE contra a decisão que inadmitiu recurso especial. O apelo extremo, com fundamento no artigo 105, III, alínea "a", da Constituição Federal, insurge-se contra o acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro assim ementado: "Ação de Resolução de Contrato c/c Reintegração de Posse e Indenizatória. Sentença julgando extinta a execução, considerando que inexiste crédito a cobrar pela autora. Recurso de Apelação do autor, ora exequente, para anular a sentença, determinando-se seja a fase de execução decidida de acordo com os limites fixados pelas partes, ou, alternativamente, seja reformada para se determinar que a liquidação da res judicata deverá observar o direito daquele de receber os alugueis vencidos, além dos vincendos. Reforma, pois, como diversos cálculos já foram feitos nesse processo, inclusive com depósitos e levantamentos, sem falar no acolhimento do pedido contraposto, para melhor segurança jurídica, é conveniente que os autos retornem ao Contador, para informar se existe saldo a ser executado, diante da dúvida formada. A própria MM. Juíza a quo chegou a fazer essa determinação, como se vê do index 001097, mas acabou o comando não sendo cumprido. Assim, modifica-se a decisão para que os autos sejam encaminhados ao Contador Judicial, para a finalidade acima, prosseguindo-se a demanda. Provimento do recurso" (e-STJ fls. 1276/1280). Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (e-STJ fls. 1322/1328). No recurso especial, o recorrente alega violação dos seguintes dispositivos legais com as respectivas teses: (i) art. 489, § 1º, inciso IV, do Código de Processo Civil - haja vista a nulidade do acórdão recorrido por deficiência de fundamentação, pois não teria enfrentado as teses sustentadas na apelação interposta na fase de execução; (ii) art. 1.022 do Código de Processo Civil - porque o acórdão combatido teria incorrido em negativa de prestação jurisdicional ao não apreciar aspectos relevantes da demanda suscitados nos embargos declaratórios, como a continuidade do direito de exploração do QC 23 até 2031 e a obrigação da ré de pagar os alugueis vencidos no curso do processo. (iv) art. 191, 492, 501, 504, incisos I e II, do Código de Processo Civil - por não observar a forma como fixada a lide na fase de execução. O recorrente argumenta que a decisão na fase de execução extrapolou os limites da lide ao considerar rescindido o contrato de arrendamento na data de sua celebração, sem que tal questão tenha sido suscitada pelas partes. Pondera que a decisão proferida na execução teria sido extra petita, ao decidir sobre a rescisão do contrato de arrendamento sem que tal pedido tenha sido formulado, violando o princípio da congruência. Sustenta que a decisão ignorou a coisa julgada ao não respeitar a parte dispositiva do acórdão que determinou o pagamento de alugueis vencidos e vincendos, e ao considerar rescindido o contrato de arrendamento na data de sua celebração, contrariando o comando da sentença transitada em julgado (v) art. 884 e 1.043 do Código Civil - por permitir enriquecimento ilícito da parte contrária. Aduz que a decisão permite que a recorrida explore o quiosque sem pagar os alugueis devidos, enriquecendo-se ilicitamente às custas do recorrente, que detém o direito de exploração do quiosque até 2031. Com as contrarrazões (e-STJ fls. 1.436/1.449), o recurso especial foi inadmitido, dando ensejo à interposição do presente agravo. É o relatório. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. NAGATIVA DE PRESTAÇÃO JURIDICIONAL. AUSÊNCIA. ENRIQUECIMENTO ILÍCITO. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA Nº 282/STF. NOVOS CÁLCULOS. PARÂMETROS. COISA JULGADA. RAZÕES DISSOCIADAS. SÚ MULA Nº 284/STF. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 7/STJ. 1. Não há falar em negativa de prestação jurisdicional se o tribunal de origem motiva adequadamente sua decisão, ainda que de forma sucinta, solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entende cabível à hipótese, apenas não no sentido pretendido pela parte. 2. Ausente o prequestionamento, até mesmo de modo implícito, dos dispositivos apontados como violados no recurso especial, incide, por analogia, o disposto na Súmula nº 282 do Supremo Tribunal Federal. 3. Estando as razões do recurso dissociadas do que decidido no acórdão recorrido, é inadmissível o inconformismo por deficiência na sua fundamentação. Aplicação da Súmula nº 284 do Supremo Tribunal Federal. 4. É inviável rever o entendimento firmado pelas instâncias ordinárias sem a análise dos fatos e das provas da causa, o que atrai a incidência da Súmula nº 7/STJ. 5. Agravo conhecido para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento. VOTO Ultrapassados os requisitos de admissibilidade do agravo, passa-se ao exame do recurso especial. A irresignação não merece prosperar. No tocante à negativa de prestação jurisdicional, verifica-se que o Tribunal de origem motivou adequadamente sua decisão, solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entendeu cabível à hipótese. No caso, o Tribunal de Justiça manifestou-se expressamente quanto à existência de decisão transita em julgada, decorrente do julgamento de agravo de instrumento na fase de liquidação de sentença, na qual restou decidido que a obrigação se encerrou em 15.06.2012, conforme se verifica do seguinte trecho do acórdão: "Na fase de liquidação, surgiu uma dúvida acerca do termo do prazo relativo aos alugueres vencidos e vincendos, o que ficou decidido no Agravo de Instrumento nº 0010181- 31.2018.8.19.0000, como sendo os valores devidos até 15/06/2012 (pdf 1240). Cabe acrescentar que houve a interposição de Recurso Especial, não admitido pela E. Terceira Vice-Presidência. O Agravo em face dessa decisão não foi conhecido no STJ e aquele endereçado ao STF teve seu seguimento negado (fl. 1191). Nessas condições, resta dar cumprimento ao que ficou decidido no Agravo de Instrumento acima mencionado, isto é, os valores devidos até 15/06/2012" (e-STJ fls. 1.279). Não há falar, portanto, em existência de omissão apenas pelo fato de o julgado recorrido ter decidido em sentido contrário à pretensão da parte. A esse respeito, os seguintes precedentes: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE. NEGATIVA DE CUSTEIO DE MEDICAMENTO (THIOTEPA). 1. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL NÃO CONFIGURADA. 2. FUNDAMENTO SUFICIENTE NÃO ATACADO. SÚMULA 283/STF. 3. ACÓRDÃO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE SUPERIOR. SÚMULA 83/STJ. 4. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 282/STF E 211/STJ. 5. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Não ficou configurada a violação ao art. 1.022 do CPC/2015, uma vez que o Tribunal de origem se manifestou, de forma fundamentada, sobre todas as questões necessárias para o deslinde da controvérsia. O mero inconformismo da parte com o julgamento contrário à sua pretensão não caracteriza falta de prestação jurisdicional. 2. O acórdão recorrido encontra-se em perfeita harmonia com a jurisprudência desta Corte no sentido de que, "embora se trate de fármaco importado ainda não registrado pela ANVISA, teve a sua importação excepcionalmente autorizada pela referida Agência Nacional, sendo, pois, de cobertura obrigatória pela operadora de plano de saúde" (REsp 1.923.107/SP, relatora ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 10/8/2021, DJe 16/8/2021). 3. Atentando-se aos argumentos trazidos pela recorrente e aos fundamentos adotados pela Corte estadual de que a ANVISA admite a importação do fármaco, verifica-se que estes não foram objeto de impugnação nas razões do recurso especial, e a subsistência de argumento que, por si só, mantém o acórdão recorrido torna inviável o conhecimento do apelo especial, atraindo a aplicação do enunciado n. 283 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 4. A ausência de debate acerca do conteúdo normativo dos arts. 66 da Lei n. 6.360/1976 e 10, V, da Lei n. 6.437/1976, apesar da oposição de embargos de declaração, atrai os óbices das Súmulas 282/STF e 211/STJ. 5. Agravo interno a que se nega provimento." (AgInt no AREsp 2.164.998/RJ, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 13/2/2023, DJe de 16/2/2023 - grifou-se) "AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE REGRESSO - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA RECURSAL DOS DEMANDADOS. 1. Não há se falar em negativa de prestação jurisdicional, na medida em que o órgão julgador dirimiu todas as questões que lhe foram postas à apreciação, de forma clara e sem omissões, embora não tenha acolhido a pretensão da parte. 2. Rever a conclusão do Tribunal de origem com relação à responsabilidade pelo ressarcimento dos valores pagos em reclamação trabalhista demandaria o reexame do conjunto fático-probatório dos autos e a interpretação de cláusulas contratuais, providencias que encontram óbice no disposto nas Súmulas 5 e 7 do STJ. Precedentes. 3. Agravo interno desprovido." (AgInt nos EDcl no AREsp 2.135.800/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 13/2/2023, DJe de 16/2/2023 - grifou-se) Registra-se que, mesmo à luz do art. 489 do CPC, o órgão julgador não estaria obrigado a se pronunciar acerca de todo e qualquer ponto suscitado pelas partes, mas apenas a respeito daqueles capazes de, em tese, de algum modo, infirmar a conclusão adotada pelo órgão julgador (inciso IV). A motivação contrária ao interesse da parte, ou mesmo omissa em relação a pontos considerados irrelevantes pelo julgador, não autoriza o acolhimento dos embargos declaratórios. No que se refere à ofensa aos arts. 884 e 1.043 do Código Civil, verifica-se que as matérias versadas nos dispositivos apontados como violados no recurso especial não foram objeto de debate pelas instâncias ordinárias, sequer de modo implícito, e não foram opostos embargos declaratórios com a finalidade de sanar o referido ponto. Por esse motivo, ausente o requisito do prequestionamento, incide, por analogia, o disposto na Súmula nº 282/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada". A propósito: "EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONHECIDO COMO AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. ALEGADA VIOLAÇÃO AOS ARTS. 26 E 29 DA LEI 10.931 E 789 DO CPC. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OPOSIÇÃO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ATRAÇÃO DO ENUNCIADO 282/STF. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONHECIDOS COMO AGRAVO INTERNO AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO." (EDcl no REsp 1.789.134/RS, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, julgado em 30/11/2020, DJe de 3/12/2020 - grifou-se) "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COMPLEMENTAÇÃO DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. SÚMULA 282/STF. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. ALCANCE DAS PARCELAS VENCIDAS ANTERIORMENTE AO QUINQUÊNIO QUE PRECEDE O AJUIZAMENTO DA AÇÃO. 1. A ausência de decisão acerca dos dispositivos legais indicados como violados impede o conhecimento do recurso especial. 2. O acórdão recorrido que adota a orientação firmada pela jurisprudência do STJ não merece reforma. 3. Agravo interno não provido." (AgInt no AREsp 1.097.857/SP, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJe 10/11/2017 - grifou-se) Nota-se que os argumentos apresentados pelo recorrente para demonstrar a violação dos arts. arts. 191, 492, 501, 504, incisos I e II, do Código de Processo Civil estão dissociados dos fundamentos do aresto combatido. O acórdão recorrido reconheceu que a questão acerca da fixação do termo final da obrigação na data de 15.06.2012 já foi decidida no julgamento de prévio agravo de instrumento, oriundo da fase de liquidação de sentença, oportunidade na qual foi considerada a decisão proferida na fase de conhecimento. Ambas as decisões já transitaram em julgado, de modo que se mostra inviável a rediscussão da questão. Nas razões do apelo nobre, o recorrente defendeu que a decisão da origem foi extra petita, pois decidiu sobre a rescisão do contrato de arrendamento sem que tal pedido tenha sido formulado. Sustentou, ainda, que a decisão ignorou a coisa julgada ao não respeitar a determinação do pagamento de alugueis (vencidos e vincendos) e ao considerar rescindido o contrato de arrendamento na data de sua celebração. Assim, as razões apresentadas no especial deixaram de impugnar especificamente as bases firmadas na Corte local, discutindo questões alheias à reforma do julgado. Desse modo, aplica-se, por analogia, o óbice da Súmula nº 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia." A propósito: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. RAZÕES DISSOCIADAS. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284 DO STF. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. É deficiente o recurso especial quando suas razões estão dissociadas dos fundamentos do acórdão impugnado, o que atrai, por analogia, a incidência da Súmula n. 284 do STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". (..) 5. Agravo interno desprovido." (AgInt no AREsp 2.156.599/SP, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 6/3/2023, DJe de 9/3/2023) "AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO. TÍTULO EXTRAJUDICIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. OFENSA A TESE REPETITIVA. CONVERSÃO DA EXECUÇÃO EM AÇÃO DE CONHECIMENTO. RAZÕES DISSOCIADAS. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO RECURSAL. SÚMULAS 283 E 284/STF. EMENDA À INICIAL. COMPLEMENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO. NÃO ALTERAÇÃO DO PEDIDO OU DA CAUSA DE PEDIR. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. INEXIGIBILIDADE DO TÍTULO. APRECIAÇÃO POSTERGADA. FUNDAMENTO SUFICIENTE. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. SÚMULA N. 283/STF. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADO. COTEJO ANALÍTICO NÃO EFETUADO. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Tendo o Tribunal de origem se manifestado expressamente e com adequada fundamentação, ainda que em sentido oposto ao pretendido pela agravante, sobre a alegada nulidade da execução devido à existência de decisões que impedem qualquer pagamento à autora, não há violação ao art. 1.022 do CPC/2015, nem negativa de prestação jurisdicional. 2. A apresentação de razões recursais dissociadas daquilo que ficou decidido pelo Tribunal de origem configura deficiência da fundamentação recursal e atrai a incidência da Súmula 284/STF. (..) 7. Agravo interno desprovido." (AgInt no REsp 1.844.790/DF, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 14/8/2023, DJe de 16/8/2023 - grifou-se). Ademais, rever a conclusão do tribunal local acerca do parâmetro dos cálculos e a limitação da condenação a data de 15.06.2012 demandaria o revolvimento do acervo fático-probatório dos autos, procedimento inviável ante a natureza excepcional da via eleita, consoante disposto na Súmula nº 7/STJ. Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento. Deixa-se de majorar os honorários sucumbenciais, nos termos do artigo 85, § 11, do CPC, tendo em vista que não fo ram arbitrados na origem e decorrem de decisão interlocutória. É o voto.