REsp 2136298 - DECISAO
Não conhecer do recurso especial por não ser via adequada para reexame de matéria fático-probatória (Súmula 7 STJ) e por não se verificar, no caso, circunstância que autorize a aplicação do Tema 880, sendo prescindíveis as fichas financeiras; ademais, a fixação de honorários deve observar o entendimento do Tema...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 May 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conhecido (art. 255, § 4º, I, Do Ristj)
- Outcome
- Não conheço do recurso especial (art. 255, § 4º, I, do RISTJ).
- Legal Topics
- Cumprimento De Sentença Coletiva, Prescrição Da Execução Contra a Fazenda Pública, Fichas Financeiras, Honorários Advocatícios, Modulação Do Tema 880, Tema 1.076
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Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conhecido (art. 255, § 4º, I, Do Ristj)
Legal Issues
- 1 Aplicação do Tema 880/STJ às execuções decorrentes de sentença coletiva
- 2 Prescrição da ação de execução contra a Fazenda Pública
- 3 Necessidade ou não de juntada de fichas financeiras para acertamento de cálculos
Ratio Decidendi
Não conhecer do recurso especial por não ser via adequada para reexame de matéria fático-probatória (Súmula 7 STJ) e por não se verificar, no caso, circunstância que autorize a aplicação do Tema 880, sendo prescindíveis as fichas financeiras; ademais, a fixação de honorários deve observar o entendimento do Tema 1.076 e os percentuais do art. 85 do CPC, com majoração de 10% prevista no § 11 do mesmo artigo quando aplicável.
Court Disposition
Não conheço do recurso especial (art. 255, § 4º, I, do RISTJ).
Orders
- Não conheço do recurso especial (art. 255, § 4º, I, do RISTJ).
- Caso exista prévia fixação de honorários sucumbenciais pelas instâncias de origem, majoro em desfavor da parte recorrente em 10% o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios assim ementado: APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO ADMINISTRATIVO. CUMPRIMENTO INDIVIDUAL DE SENTENÇA COLETIVA. AÇÃO COLETIVA Nº. 59.888/1996. BENEFÍCIO ALIMENTAÇÃO. NÃO APLICAÇÃO DO TEMA 880/STJ. DESNECESSIDADE DAS FICHAS FINANCEIRAS. AUSENCIA DE OBSTÁCULOS PARA A PROPOSITURA DAS AÇÕES EXECUTIVAS. PRESCRIÇÃO RECONHECIDA. SUCUMBÊNCIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CRITÉRIOS LEGAIS. CONDENAÇÃO. VALOR DA CAUSA. STJ. RECURSO REPETITIVO. TEMA 1.076. SENTENÇA MANTIDA. 1. É pacífico na jurisprudência, consolidada por meio das Súmulas 150 e 383 do STF, no sentindo de que "a ação de execução promovida contra a Fazenda Pública prescreve em cinco anos, contados do transito em julgado da sentença de conhecimento". 1.1. A jurisprudência do STJ ainda, por meio do Recurso Especial Repetitivo nº. 1.336.026/PE (Tema 880), fixou a seguinte tese: "A partir da vigência da Lei n. 10.444/2002, que incluiu o § 1º ao art. 604, dispositivo que foi sucedido, conforme Lei n. 11.232/2005, pelo art. 475-B, §§ 1º e 2º, todos do CPC/1973, não é mais imprescindível, para acertamento de cálculos, a juntada de documentos pela parte executada ou por terceiros, reputando-se correta a conta apresentada pelo exequente, quando a requisição judicial de tais documentos deixar de ser atendida, injustificadamente, depois de transcorrido o prazo legal. Assim, sob a égide do diploma legal citado, incide o lapso prescricional, pelo prazo respectivo da demanda de conhecimento (Súmula 150/STF), sem interrupção ou suspensão, não se podendo invocar qualquer demora na diligência para obtenção de fichas financeiras ou outros documentos perante a administração ou junto a terceiros". 2. O Superior Tribunal de Justiça, quando do julgamento do AgRg no AgRg no REsp n. 1.301.935/DF oriundo de um cumprimento de sentença decorrente da Ação Coletiva nº. 59.888/96 deliberou que a modulação de efeitos realizada no âmbito do Tema 880 não alcança as demandas decorrentes deste título executivo, em razão da prescindibilidade das fichas financeiras dos servidores. 2.1. Reconheceu-se, ainda, naquela assentada, que "a prescrição da pretensão executória da obrigação de pagar quantia certa não decorreu da demora do Executado no fornecimento de fichas financeiras, mas única e exclusivamente da inércia do Sindicato, que deixou de formular o pedido de execução da obrigação de pagar a tempo e modo". 2.2. Transcorrido 22 (vinte e dois) anos entre o transito em julgado da ação de conhecimento e a propositura deste cumprimento de sentença, mostra-se correta a sentença que reconheceu a incidência da prescrição. 3. O Superior Tribunal de Justiça, ao analisar as regras sobre arbitramento de honorários advocatícios por apreciação equitativa do Juiz, no julgamento dos REsp 1850512/SP, REsp 1877883/SP, REsp 1906623/SP e REsp 1906618/SP, submetidos à sistemática do art. 1.036 do CPC (Tema 1.076), definiu o alcance da norma inserta no § 8º do artigo 85 do Código de Processo Civil, nas hipóteses em que o valor da causa ou o proveito econômico da demanda forem elevados. 3.1. Segundo Tema 1.076 do STJ, a fixação dos honorários por apreciação equitativa não é permitida quando os valores da condenação, da causa ou o proveito econômico da demanda forem elevados, sendo obrigatória, nesses casos, a observância dos percentuais previstos nos § §2º ou 3º do art. 85 do CPC, a depender da presença da Fazenda Pública na lide. 4. É obrigatória nesse caso a observância dos percentuais previstos no art. 85, §3º, I do CPC, os quais serão subsequentemente calculados sobre o valor: (a) da condenação; ou (b) do proveito econômico obtido; ou (c) do valor atualizado da causa. 5. Recurso de apelação conhecido, mas desprovido. Rejeitados os aclaratórios. Nas suas razões, a parte recorrente aponta violação dos arts. 85, § 8º, 97, 104 do CDC, 313, V, "a", e 927, III, do CPC/2015, sustentando: (a) ausência de vinculação entre o decidido nos autos da execução coletiva e os presentes; (b) necessidade de aplicação da modulação de efeitos realizada no Tema 880 do STJ ao caso em tela, bem como questiona o precedente invocado pelo aresto hostilizado, uma vez que não transitado em julgado; e (c) a possibilidade da fixação de honorários por apreciação equitativa. Aduz, ainda, violação dos arts. 3º, I e IV, 5º, caput, XXXV, LXXIV e 37, caput, da CF/88. Contrarrazões apresentadas. Passo a decidir. O recurso especial não é remédio processual adequado para conhecer de irresignação fundada em suposta afronta a preceito constitucional, sendo essa atribuição da Suprema Corte, em sede de recurso extraordinário (art. 102, III, da CF). Em outra quadra, i nfirmar o entendimento da Corte de origem de que "a discussão lá tratada é a mesma aqui levantada inclusive decorrente do mesmo título executivo judicial , diferenciando-se tão somente quanto aos sujeitos processuais", a fim de acolher a tese de ausência de vinculação entre o decido nos autos da execução coletiva e os presentes, encontra óbice na Súmula 7 do STJ. Quanto ao mais, o acórdão combatido afastou a aplicação ao caso dos autos do decidido no Tema 880 do STJ, haja vista a não caracterização de demora no fornecimento de documentação requerida ao ente público para apresentação do respectivo cumprimento do título judicial. Assim, verifica-se, no acórdão recorrido, que o Tribunal de origem decidiu a questão ora ventilada com base na realidade que se delineou à luz do suporte fático-probatório constante nos autos, cuja revisão é inviável no âmbito do recurso especial, ante o óbice estampado na Súmula 7 do STJ. No que tange à possibilidade da fixação de honorários por apreciação equitativa, observa-se que o aresto combatido julgou em consonância com a tese firmada no TEMA 1.076: i) A fixação dos honorários por apreciação equitativa não é permitida quando os valores da condenação, da causa ou o proveito econômico da demanda forem elevados. É obrigatória nesses casos a observância dos percentuais previstos nos §§ 2º ou 3º do artigo 85 do CPC - a depender da presença da Fazenda Pública na lide -, os quais serão subsequentemente calculados sobre o valor: (a) da condenação; ou (b) do proveito econômico obtido; ou (c) do valor atualizado da causa. ii) Apenas se admite arbitramento de honorários por equidade quando, havendo ou não condenação: (a) o proveito econômico obtido pelo vencedor for inestimável ou irrisório; ou (b) o valor da causa for muito baixo. Ante o exposto, com base no art. 255, § 4º, I, do RISTJ, NÃO CONHEÇO do recurso especial. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários sucumbenciais pelas instâncias de origem, majoro, em desfavor da parte recorrente, em 10% o valor já arbitrado (na origem), nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, observados, caso aplicáveis os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo, bem como os termos do art. 98, § 3º, do mesmo diploma legal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA