AREsp 2463908 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque o Tribunal de origem examinou a controvérsia de forma fundamentada, aplicando o juízo de proporcionalidade às astreintes e reconhecendo a ausência da demonstração dos requisitos para concessão da medida, de modo que não houve violação dos dispositivos processuais indicados.
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- Parties
- Agravante: Estado do Maranhão; Exequente: exequentes
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 February 2024
- Procedural Posture
- Agravo De Instrumento / Recurso Especial / Recurso Especial Não Conhecido Pelo STJ
- Outcome
- recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Cumprimento De Sentença Coletiva, Astreintes, Proporcionalidade Das Multas, Honorários Advocatícios, Incorporação De URV
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Parties
Estado do Maranhão
Agravante
exequentes
Exequente
Procedural Posture
Agravo De Instrumento / Recurso Especial / Recurso Especial Não Conhecido Pelo STJ
Legal Issues
- 1 possibilidade do direito e perigo de dano para concessão da medida
- 2 proporcionalidade e finalidade das astreintes
- 3 obrigação de fundamentação do julgador (art. 489 CPC/2015)
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque o Tribunal de origem examinou a controvérsia de forma fundamentada, aplicando o juízo de proporcionalidade às astreintes e reconhecendo a ausência da demonstração dos requisitos para concessão da medida, de modo que não houve violação dos dispositivos processuais indicados.
Court Disposition
recurso especial não conhecido
Orders
- conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo
- não conheço do recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo de instrumento contra a decisão que, nos autos da cumprimento de sentença coletiva, determinou a intimação do Estado do Maranhão para proceder à efetiva incorporação do percentual de 1,11%, referente URV, sobre os vencimentos e proventos dos exequentes. No Tribunal a quo o agravo foi parcialmente provido, apenas para reduzir o valor da multa. O valor da causa foi fixado em R$ 1.000,00 (mil reais). O recurso especial, fundamentado no art. 105, III, a, da Constituição Federal, foi interposto no TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO MARANHÃO, contra acórdão com o seguinte resumo de ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO SENTENÇA. DETERMINAÇÃO DE MULTA EM CASO DE DESCUMPRIMENTO DA DECISÃO QUE DETERMINOU A INCORPORAÇÃO DO PERCENTUAL REFERENTE A URV. VERIFICADA A DESPROPORCIONALIDADE. REDUÇÃO. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. I - A fixação em valores excessivos provoca enriquecimento indevido a ensejar, a partir de juízo de equidade, o redimensionamento da multa. Nesse trilhar, conclui-se que a imposição de multa no valor de R$ 500,00, apresenta-se excessiva, fugindo da proporcionalidade. Assim, forçoso concluir pela redução do valor da multa aplicada, que arbitro desde já em R$ 50,00 ao mês, limitada a R$ 10.000,00, por mostra-se, a princípio, proporcional ao caso concreto. Agravo de Instrumento parcialmente provido. Após interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Decido. O recurso especial não deve ser conhecido. A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: Em sede de cognição sumária, penso que a parte agravante não demonstrou a possibilidade do direito e o perigo de dano, requisitos indispensáveis para a concessão da medida pleiteada. A multa cominatória para o caso de descumprimento do comando judicial é mecanismo coercitivo, destinado a promover a efetividade dos provimentos jurisdicionais, deste que razoável e proporcional ao caso concreto. Logo, as astreintes têm como finalidade precípua compelir o devedor ao efetivo cumprimento da obrigação imposta pelo Poder Judiciário, coibindo, por conseguinte, sua procrastinação ad aeternum. Dessa maneira, se por um lado tal multa não pode ser elevada a ponto de gerar locupletamento sem causa do beneficiário, por outro lado não pode ser irrisória, sob pena de não surtir o efeito coercitivo desejado. Na espécie, entende-se que a decisão do magistrado(a) de 1º Grau não merece reparo, não obstante o descumprimento do ora agravado. Não se pode olvidar a finalidade coercitiva, sem efeito remuneratório ou reparatório das astreintes. Assim, a sua fixação em valores excessivos provoca enriquecimento indevido a ensejar, a partir de juízo de equidade, o redimensionamento da multa. Nesse trilhar, conclui-se que a imposição de multa no valor de R$ 500,00, apresenta-se excessiva, fugindo da proporcionalidade. Não há violação do art. 1.022 do CPC/2015 (antigo art. 535 do CPC/1973) quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a fundamentadamente (art. 165 do CPC/73 e do art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. Conforme entendimento pacífico desta Corte, "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". (EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016.) Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, observados, se aplicáveis: i. os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do já citado dispositivo legal; ii. a concessão de gratuidade judiciária. Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA