REsp 2204122 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque a pretensão recorrente impugnava decisão cuja conclusão sobre a base de fixação dos honorários decorre de valoração fático-probatória do acervo, cuja reanálise é vedada em recurso especial pela Súmula 7 do STJ; assim, com fundamento no art. 932 do CPC, o recurso não foi...
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- Parties
- Recorrente: UNIÃO; Recorrida: Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais - FENAPRF
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 June 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conhecido
- Outcome
- recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Cumprimento Individual De Sentença Coletiva, Honorários Advocatícios, Prescrição, Valor Da Causa, Súmula 7 Do STJ
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Parties
UNIÃO
Recorrente
Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais - FENAPRF
Recorrida
Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conhecido
Legal Issues
- 1 fixação de honorários advocatícios nos termos do art. 85, §3º do CPC
- 2 aplicabilidade da apreciação equitativa de honorários (art. 85, §8º do CPC)
- 3 prescrição da pretensão executória
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque a pretensão recorrente impugnava decisão cuja conclusão sobre a base de fixação dos honorários decorre de valoração fático-probatória do acervo, cuja reanálise é vedada em recurso especial pela Súmula 7 do STJ; assim, com fundamento no art. 932 do CPC, o recurso não foi conhecido.
Court Disposition
recurso especial não conhecido
Orders
- Recurso especial não conhecido (art. 932 do CPC)
- Sem honorários recursais
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial manejado pela UNIÃO , com fundamento no art. 105, inciso III, alínea a, da CF, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região, na Apelação Cível n. 0807010-39.2023.4.05.8000, assim ementado (fls.2642-2643): PROCESSUAL CIVIL. CUMPRIMENTO INDIVIDUAL DE SENTENÇA COLETIVA. FENAPRF. PERCENTUAL DE 3,17%. ALEGAÇÃO DE NULIDADE E DE VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA NÃO SURPRESA (ART. 487, CPC). INOCORRÊNCIA. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. AJUIZAMENTO DAS EXECUÇÕES AUTÔNOMAS APÓS DECISÃO DE ARQUIVAMENTO DA EXECUÇÃO PRINCIPAL E DOS RESPECTIVOS EMBARGOS ANTE A PERDA DO SEU OBJETO. INCIDÊNCIA DO ART. 9º DO DECRETO Nº 20.910/32 E DA SÚMULA 383 DO STF. REINÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO PRESCRICIONAL, PELA METADE, APÓS ÚLTIMO ATO PROCESSUAL DA CAUSA INTERRUPTIVA. ACORDO ENTRE AS PARTES QUE APENAS SUSPENDEU O PRAZO DA EXECUÇÃO POR SESSENTA DIAS. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO EXECUTÓRIA. OCORRÊNCIA. APELAÇÃO DA UNIÃO. CORREÇÃO DO VALOR ATRIBUÍDO A CAUSA. CABIMENTO. MAJORAÇÃO DA VERBA HONORÁRIA COM BASE NA EQUIDADE. ART. 85§º DO CPC. PRECEDENTE DO STF NA ACO 2988-DF. NÃO PROVIMENTO AO RECURSO DE APELAÇÃO DA FENAPRF. PARCIAL PROVIMENTO À APELAÇÃO DA UNIÃO FEDERAL. 1. Cuida-se de apelações da Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais - FENAPRF e da União Federal interpostas contra sentença que reconheceu a prescrição da pretensão executória de crédito reconhecido como devido na ação de conhecimento 0003632-22.1997.4.05.8000, ajuizada pelo FENAPRF, na qual restou assegurada a incorporação do índice de 3,17% nos vencimentos dos servidores substituídos. 2. Não há confundir fundamentação sucinta ou concisa com ausência de fundamentação, tampouco se exige que esta seja exaustiva. Ao asseverar que a pretensão executória foi alcançada pela prescrição porque foram decorridos mais de vinte anos do trânsito em julgado do título, o fundamento apresentado possibilita a parte prejudicada o exercício da ampla defesa, competindo-lhe demonstrar as razões pelas quais a pretensão não estaria prescrita. 3. No caso, o cumprimento da sentença coletiva foi proposto em dez/2002 pela FEDERAÇÃO NACIONAL DOS POLICIAIS RODOVIÁRIOS FEDERAIS - FENAPRF através do Processo nº 0008813-28.2002.4.05.8000 execução-mãe , em face do qual a UNIÃO FEDERAL, opôs os embargos à execução 0002542-66.2003.4.05.8000. Contudo, apesar da entidade defender que o presente cumprimento de sentença é um mero prosseguimento da "execução-mãe", a própria FENAPRF expressamente admitiu que as execuções desmembradas possuem efeitos autônomos e que a execução principal foi sucedida pelos grupos ajuizados de forma autônoma, tanto que requereu a extinção da execução principal e dos respectivos embargos pela perda do seu objeto. 4. Portanto, no que tange à fluência do prazo de prescrição para o ajuizamento das execuções autônomas, incide o disposto no art. 9º do Decreto 20.910/32 ("A prescrição interrompida recomeça a correr, pela metade do prazo, da data do ato que a interrompeu ou do último ato ou termo do respectivo processo") e na Súmula 383 do STF ("A prescrição em favor da Fazenda Pública recomeça a correr, por dois anos e meio, a partir do ato interruptivo, mas não fica reduzida aquém de cinco anos, embora o titular do direito a interrompa durante a primeira metade do prazo"), conforme pacifica orientação do STJ segundo a qual o ajuizamento da ação de execução coletiva pelo sindicato interrompe a contagem do prazo prescricional, recomeçando a correr pela metade, isto é, em dois anos e meio, a partir do último ato processual da causa interruptiva. 5. Assim, como o prazo de prescrição para o exercício da pretensão individual do direito reconhecido na sentença coletiva foi interrompido com o ajuizamento da execução coletiva pela FENAPRF em 03/dez/2002, o lapso prescritivo para o ajuizamento das ações autônomas tornou a fluir, pela metade, a partir de 05/12/2018, com a decisão de arquivamento da execução-matriz e dos respectivos embargos ante a perda de seu objeto, nos termos do art. 9º do Decreto 20.910/32 e da Súmula 383 do STF. Caso em que a execução autônoma foi ajuizada apenas em junho de 2023. Prescrição verificada. 6. Cabe notar que a hipótese dos autos nem mesmo é alcançada pela modulação dos efeitos do Tema 880 do STJ, objeto dos Embargos de Declaração do R Esp nº 1.336.026/PE, pois o ajuizamento das execuções individuais não estava na dependência do fornecimento pelo executado de documentos ou fichas financeiras, mas da identificação por parte do sindicato dos substituídos que já estavam executando ou teriam recebido o crédito. 7. No que tange ao valor da causa, em se tratando de feito autônomo, deve o valor atribuído à demanda corresponder à pretensão executada, em conformidade com o disposto no art. 292 do CPC, não assistindo razão o fundamento contrário de que o seu valor já teria sido atribuído à execução-mãe. Portanto, deve ser retificado o valor atribuído à causa e efetivado o complemento das custas correspondentes. 8. Sem embargo do entendimento do STJ no Tema 1076, o Supremo Tribunal Federal (ACO 2988, ACO 637 e ACO 1650) vem compreendendo que, nas lides envolvendo a fazenda pública, onde a matéria discutida é unicamente de direito (percentual de 3,16%), e em que não há discussão sobre os fatos, é possível a fixação de honorários de advogado com lastro no art. 85, §8º, do CPC, quando a incidência da alíquota mínima acarretar a fixação de verba excessiva e desproporcional. A compreensão do STF, por sua vez, é de ser considerada como invocável pelo particular, quando sucumbente. Verba honorária majorada pela R$ 3.000,00. 9. Não provimento à apelação da FENAPRF. Parcial provimento à apelação da União Federal para majorar a verba honorária para R$ 3.000,00 (três mil reais), com base no art. 85, §8º do CPC e corrigir o valor atribuído à causa, devendo a entidade exequente recolher a diferença das custas correspondentes. Os embargos declaratórios opostos foram rejeitados (fls. 3012-3221). A parte recorrente aponta violação do art. 85, § 3º, do CPC, sustentando que a parte autora deveria ter sido condenada ao pagamento de honorários advocatícios de acordo com os percentuais previstos na referida norma, "considerando-se que o valor atribuído à causa encontra-se em desacordo com a previsão legal (arts. 291, 292 e 293 do CPC/2015), não refletindo o real proveito econômico pretendido na ação executiva" (fl. 3457). Afirma que, " p odendo, portanto, ser estimado o proveito econômico do apelante na causa, não há no que se falar em honorários por apreciação equitativa, tendo em vista que esse deve ter apenas aplicação subsidiária" (fl. 3458). Requer, assim, o provimento do recurso para a reformar o aresto recorrido, "a fim de que os honorários advocatícios sejam fixados nos termos do § 3º do art. 85 do CPC" (fl. 2037). Contrarrazões às fls. 3500-3505. O recurso especial foi admitido na origem (fls. 3565-3568). Petição n. 00272449/2025 da parte recorrida reqierendo "a distribuição deste feito por dependência ao Excelentíssimo Ministro Relator Gurgel de Faria - 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, a exemplo do procedimento adotado nos Recursos Especiais nº 2.197.929/AL e 2.197.928/AL" (fls. 3927-3929). Inicialmente distribuído ao em. Ministro Gurgel de Faria, o feito foi a mim redistribuído, por força do despacho de fls. 3932-3934. É o relatório. Decido. De início, em relação ao pedido formulado na petição n. 00272449/2025, o pleito de redistribuição do feito não merece acolhimento. Isso porque o entendimento jurisprudencial desta Corte é no sentido de que a execução individual genérica de sentença condenatória proferida em julgamento de ação coletiva não gera a prevenção do Juízo, devendo o respectivo recurso submeter-se à livre distribuição. Vejam-se: REsp n. 1.474.851/RJ, Rel. Min. Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 04/11/2016; AgRg no REsp n. 1.432.236/SC, Rel. Mininstro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 23/5/2014. Na origem, trata-se de cumprimento de sentença apresentado pela parte ora Recorrida em face da União para execução de sentença de conhecimento proferida na Ação n. 0003632-22.1997.4.05.8000, transitada em julgado em 03 de fevereiro de 2000. O Juízo de primeiro grau reconheceu a ocorrência da prescrição da pretensão executiva, "vez que transcorrido período superior a 5 anos do trânsito em julgado do título executivo (mais de 20 na verdade), sem que os requerentes tenham promovido oportunamente o exercício desta pretensão" (fls. 2034-2035). O Tribunal Regional negou provimento ao apelo do Sindicato e deu parcial provimento ao da União "para majorar a verba honorária para R$ 3.000,00 (três mil reais), com base no art. 85, §8º do CPC e corrigir o valor atribuído à causa, devendo a entidade exequente recolher a diferença das custas correspondentes" (fls. 2633-2644), mantido em sede de embargos declaratórios. Acerca da verba honorária fixada, colho a seguinte fundamentação do acórdão recorrido (fls. 2639-2640 ): No que se refere ao pedido de majoração da verba honorária, pretende-se sua fixação com base nos percentuais do art. 85, §3º do CPC. Na hipótese, o conteúdo econômico da demanda corresponde a aproximadamente R$ 1.916.868,65 , conforme valor atribuído à causa. Sobre o arbitramento de honorários advocatícios, o Superior Tribunal de Justiça, no Tema 1076 dos recursos repetitivos, firmou a seguinte tese: i) A fixação dos honorários por apreciação equitativa não é permitida quando os valores da condenação, da causa ou o proveito econômico da demanda forem elevados. É obrigatória nesses casos a observância dos percentuais previstos nos §§ 2º ou 3º do artigo 85 do CPC - a depender da presença da Fazenda Pública na lide -, os quais serão subsequentemente calculados sobre o valor: (a) da condenação; ou (b) do proveito econômico obtido; ou (c) do valor atualizado da causa. ii) Apenas se admite arbitramento de honorários por equidade quando, havendo ou não condenação: (a) o proveito econômico obtido pelo vencedor for inestimável ou irrisório; ou (b) o valor da causa for muito baixo. Nada obstante, o Supremo Tribunal Federal, de que pode ser exemplo, a apreciação de embargos de declaração na ACO 2988 - DF (Pleno Virtual, unânime, rel. Min. Luiz Roberto Barroso, julgamento em 21-02-2022), entendeu que, nos casos em que, por força do elevado valor da causa, a incidência do percentual indicado pelo art. 85, §3º, ainda que no mínimo, puder resultar numa quantia exorbitante, poderá o magistrado socorrer-se da apreciação equitativa. Isso sucede nas situações onde a matéria for exclusivamente de direito, estando os fatos demonstrados mediante a juntada de documentos, e que tenha tido o seu desenvolvimento processual de forma regular, de sorte a respaldar o emprego da equidade caso se mostre desproporcional e injusto o valor que resultar da verba honorária. No caso, tem-se controvérsia sobre matéria de direito, suscetível inclusive de padronização (incidência do percentual de 3,17%), onde não houve controvérsia fática. Dessa maneira, se aplicáveis as alíquotas legais, mesmo as mínimas, sobre o elevado conteúdo econômico da lide, ter-se-á valor injustificadamente elevado a título de honorários sucumbenciais. Tal compreensão do STF, por sua vez, é de ser considerada como invocável pelo particular, quando sucumbente, como na hipótese dos autos, razão pela qual deve ser majorado o valor da verba honoraria para R$ 3.000,00, com fulcro no art. 85, §8º do CPC. Como se percebe, a Corte a quo, com base no acervo fático-probatório dos autos, adotou fundamento de que a incidência do percentual indicado pelo art. 85, § 3º, do CPC, ainda que no mínimo, resultaria numa quantia exorbitante, motivo pelo qual a verba honorária deve ser por apreciação equitativa. Assim, considerando a fundamentação do acórdão recorrido, os argumentos utilizados pela parte recorrente - no sentido da fixação dos honorários advocatícios de acordo com os percentuais previstos no §3º do art. 85 do CPC - somente poderiam ter a sua procedência verificada mediante necessário reexame de matéria fático-probatório. Todavia, não cabe a esta Corte, a fim de alcançar conclusão diversa, reavaliar todo o conjunto de fatos e provas da causa, conforme preceitua o enunciado da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"). Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CPC/2015. BASE DE CÁLCULO. REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. 1. A determinação da base de cálculo dos honorários advocatícios, sob a égide do CPC/2015, obedece a seguinte ordem de preferência: "(I) primeiro, quando houver condenação, devem ser fixados entre 10% e 20% sobre o montante desta (art. 85, § 2º); (II) segundo, não havendo condenação, serão também fixados entre 10% e 20%, das seguintes bases de cálculo: (II. a) sobre o proveito econômico obtido pelo vencedor (art. 85, § 2º); ou (II. b) não sendo possível mensurar o proveito econômico obtido, sobre o valor atualizado da causa (art. 85, § 2º); por fim, (III) havendo ou não condenação, nas causas em que for inestimável ou irrisório o proveito econômico ou em que o valor da causa for muito baixo, deverão, só então, ser fixados por apreciação equitativa (art. 85, § 8º)" (REsp n. 1.746.072/PR, relatora Ministra Nancy Andrighi, relator para acórdão Ministro Raul Araújo, Segunda Seção, julgado em 13/02/2019, DJe de 29/03/2019.) 2. A revisão do entendimento do aresto hostilizado no tocante à existência de condenação a obrigação de pagar no título objeto de cumprimento esbarra no óbice da Súmula 7 do STJ, uma vez que o Tribunal de origem decidiu a questão com base na realidade fático-probatória dos autos. 3. Não enfrentada no julgado impugnado tese respeitante a artigo de lei federal apontado no recurso especial, há falta do prequestionamento, o que faz incidir o óbice da Súmula 282 do STF. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.549.872/MT, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 7/4/2025, DJEN de 11/4/2025.) Ante o exposto, com fundamento no art. 932 do CPC, NÃO CONHEÇO do recurso especial. Sem honorários recursais, pois ausente condenação em verba de sucumbência, em favor do advogado da parte ora recorrida, nas instâncias ordinárias. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO INDIVIDUAL DE SENTENÇA COLETIVA. VERBA HONORÁRIA. SÚMULA N. 7 DO STJ. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO .