REsp 2122107 - DECISAO
Conheceu-se parcialmente do Recurso Especial apenas quanto à alegada violação do art. 1.022 do CPC e, nessa parte, não se provido o recurso, porquanto a insurgência demandaria reexame do conjunto fático-probatório apreciado pelo Tribunal de origem, providência vedada pela Súmula 7/STJ; assim, manteve-se a decisão...
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- Parties
- Recorrente: UNIÃO - ADVOCACIA GERAL DA UNIÃO; Recorrido: ROBERTO CURI
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 March 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decidido Pelo Superior Tribunal De Justiça
- Legal Topics
- Cumprimento Individual De Título Executivo, PAE (parcela Autônoma De Equivalência), Ilegitimidade Ativa, Prequestionamento (art. 1.022 Cpc), Súmula 7/stj (reexame De Prova), Honorários Advocatícios, Reexame Do Suporte Fático Probatório
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Parties
UNIÃO - ADVOCACIA GERAL DA UNIÃO
Recorrente
ROBERTO CURI
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Decidido Pelo Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 prequestionamento (art. 1.022 do CPC)
- 2 omissão/contradição/ fundamentação (art. 489 do CPC)
- 3 reexame de prova vedado (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
Conheceu-se parcialmente do Recurso Especial apenas quanto à alegada violação do art. 1.022 do CPC e, nessa parte, não se provido o recurso, porquanto a insurgência demandaria reexame do conjunto fático-probatório apreciado pelo Tribunal de origem, providência vedada pela Súmula 7/STJ; assim, manteve-se a decisão recorrida que analisou o suporte probatório e concluiu pela legitimidade do exequente constantemente da lista de substituídos na ação coletiva. Determinou-se, ainda, a majoração dos honorários advocatícios em 10% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do CPC, se houver prévia fixação.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Recurso Especial (art. 105, III, "a", da Constituição da República) interposto contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região assim ementado (fl. 90, e-STJ): AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROCESSUAL CIVIL. CUMPRIMENTO INDIVIDUAL DE TÍTULO EXECUTIVO. PAE. REQUISITOS NÃO PREENCHIDOS. JUIZ CLASSISTA APOSENTADO OU PENSIONISTA. 1. Trata-se de Agravo de Instrumento interposto pela UNIÃO - ADVOCACIA GERAL DA UNIÃO em face de ROBERTO CURI, objetivando cassar a decisão proferida pelo Juízo da 26º Vara Federal do Rio de Janeiro - Seção Judiciária do Rio de Janeiro que rejeitou a sua impugnação. 2. Observa-se que o Agravado objetiva executar o titulo formado nos termos do acórdão da Apelação Cível nº0006306-43.2016.4.01.3400/DF. 3. Ocorre que, consoante o próprio título executivo, faz-se necessário examinar o que o C. Plenário do STF decidiu no RMS 25.841/DF para se aferir se o Agravado preenche os requisitos ali elencados. 4. Portanto, assiste razão à Agravante, uma vez que, apesar do Agravado constar da relação juntada na ação coletiva (Evento 1 - OUT8 pag. 23), o mesmo se mostra ilegítimo para executar o título executivo em epígrafe, por não ser juiz classista aposentado ou pensionista, nem preencher os requisitos para a aposentadoria ou a pensão nos moldes da Lei nº 6.903/1981, conforme se depreende do documento juntado no Evento 1 - OUT15 dos autos originários. 5.Assim, reconhecendo-se a ilegitimidade do ora Agravado, a execução originária deve ser extinta, sem a resolução de mérito, nos termos do artigo 485, VI do CPC. 6. Contudo, o pleito para que o Agravado seja condenado em honorários deve ser indeferido, eis que o Eg. STJ já firmou o entendimento de não ser cabível a aludida condenação em sede de Agravo de Instrumento, consoante se depreende do julgamento do AgInt no RESp 1850535, 4ª Turma, Relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, DJe: 24/04/2020. 7. Recurso conhecido e parcialmente provido. Os Embargos de Declaração foram rejeitados (fl. 139, e-STJ). Aponta a parte recorrente, em Recurso Especial, além de divergência jurisprudencial, violação, em preliminar, dos arts. 489 e 1022 do CPC; e, no mérito, dos arts. art. 489, § 1º, do CPC; 987, § 2º, do CPC; 502, 505 e 508, do CPC; 95, da Lei 8.078/1990; parágrafo único do art. 2º-A, da Lei 9.494/1997; 322, § 2º, do CPC. É o relatório. Decido. Os autos foram recebidos neste Gabinete em 19 de fevereiro de 2024. Preliminarmente, constata-se que não se configurou a ofensa ao art. 1.022 do Código de Processo Civil, uma vez que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia. Não é o órgão julgador obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pelas partes em defesa da tese que apresentaram. Deve apenas enfrentar a demanda, observando as questões relevantes e imprescindíveis à sua resolução. Na hipótese dos autos, a parte insurgente busca a reforma do aresto impugnado, asseverando que o Tribunal a quo não se pronunciou sobre o tema ventilado no recurso de Embargos de Declaração. Todavia, verifica-se que o acórdão controvertido está bem fundamentado, inexistindo omissão ou contradição. Vale destacar que o simples descontentamento da parte com o julgado não tem o condão de tornar cabíveis os Embargos de Declaração, que servem ao aprimoramento da decisão, mas não à sua modificação, que só muito excepcionalmente é admitida. Registre-se, portanto, que da análise dos autos extrai-se ter a Corte de origem examinado e decidido, fundamentadamente, todas as questões postas ao seu crivo, não cabendo falar em negativa de prestação jurisdicional. O Superior Tribunal de Justiça entende ser inadmissível o conhecimento do Recurso Especial quando os artigos tidos por violados não foram apreciados pelo Tribunal a quo, a despeito da oposição de Embargos de Declaração, haja vista a ausência do requisito do prequestionamento. Incide, na espécie, a Súmula 211/STJ. Acrescente-se que não se pode conhecer da irresignação contra a ofensa a dispositivos legais que não foram analisados pela instância de origem, ainda que se trate de matéria de ordem pública, como a prescrição. Ausente, destarte, o requisito do prequestionamento. Além disso, apenas para esclarecer eventuais dúvidas, ressalto que, mesmo nos casos em que a instância ordinária acolhe os Embargos de Declaração "para efeito de prequestionamento", não é satisfeita a exigência de prequestionamento. Isso porque, para que se tenha por atendido esse requisito, não basta que a Corte a quo dê por prequestionado o dispositivo, é indispensável também a emissão de juízo de valor sobre a matéria. No mérito, para melhor compreensão da controvérsia, transcrevo os fundamentos do decisum recorrido (e-STJ, fls. 79-80): Inicialmente, sob o contexto da decisão censurada, impende registrar que o debate sobre o fundamento ora trazido a exame, de que "o título constituído na ação coletiva n.º 0006306-43.2016.4.01.3400 (4ª Vara Federal Cível do Distrito Federal) assegurou o pagamento de diferenças da "parcela autônoma de equivalência" (PAE) somente àqueles abrangidos pelo título formado no precedente mandado de segurança n.º 737165- 73.2001.5.55.5555 (TST), ou seja, aos que tivessem cumprido os requisitos para aposentadoria na vigência da Lei n.º 6.903/1981" sequer foi aventado em sede de impugnação ofertada na origem e, portanto, não houve pronunciamento da Julgadora de piso a esse respeito. Assim, o exame do tema, sob esse enfoque, poderia acarretar indevida situação de supressão de instância, hipótese vedada pelo ordenamento jurídico pátrio. Estabelecida tal premissa, e levando-se em consideração os elementos que guarnecem os autos do processo originário, compete pontuar que a Magistrada de primeira instância, acerca da alegação de ilegitimidade ativa ad causam do exequente, asseverou que "o mesmo consta do rol de substituídos (Evento 1 - OUT8 - fl. 23), e, em consequência, afasto a prejudicial de prescrição, suscitada com base, unicamente, na suposta e já rechaçada ilegitimidade ativa do demandante, não sendo necessárias maiores digressões". Com efeito, a abrangência do título executivo judicial em ação proposta por associação, à exceção do Mandado de Segurança Coletivo, está limitada aos associados que conferiram autorização expressa à entidade, cujos nomes constem de listagem acostada à petição inicial, não se satisfazendo com a previsão genérica do estatuto da associação de representação de seus associados. Na presente hipótese, a ANAJUCLA, associação de classe, cuja legitimidade para substituir seus associados está prevista no art. 5º, LXX, "b", da CRFB/88, ao ajuizar a ação coletiva nº 0006306- 43.2016.4.01.3400, apresentou a lista dos associados, delimitando, portanto, o quadro de beneficiários, dentre os quais, o exequente, ora agravado. Diante do explanado, em consonância com a estreita via cognitiva característica do recurso de agravo de instrumento, inobstante as ponderações tecidas pela ora agravante, não verifico a existência de elementos suficientes a formar convencimento que autorize a reforma da decisão a quo. Desta forma, em princípio, frente aos argumentos coligidos, comungo do entendimento ventilado na decisão agravada, não vislumbrando razões que recomendem a modificação do entendimento externado pelo Juízo de primeiro grau de jurisdição, motivo pelo qual adoto o mesmo posicionamento apresentado pela Nobre Magistrada de piso. Ademais, deve-se frisar que, segundo entendimento desta Egrégia Corte, apenas em casos de decisãoteratológica, com abuso de poder ou em flagrante descompasso com a Constituição, a Lei ou com a orientação consolidada de Tribunal Superior ou deste Tribunal, seria justificável sua reforma pelo órgão ad quem, em agravo de instrumento (AG 2010.02.01.017607-0, Sexta Turma Especializada, Rel. Des. Fed. GUILHERME COUTO, E/DJF2R 14/02/2011; AG 2010.02.01.007779-1 Sétima Turma Especializada, Rel. Des. Fed. José Antônio Lisboa Neiva, E-DJF2R 01/02/2011), o que não parece ter ocorrido no caso concreto. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Nota-se que a instância de origem decidiu a questão com base no suporte fático-probatório dos autos, cujo reexame é inviável no Superior Tribunal de Justiça, ante o óbice da Súmula 7/STJ: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja Recurso Especial." Assim, afasta-se a ideia de simples valoração da prova, concluindo tratar-se de pura análise do conteúdo fático probatório dos autos, o que, como é cediço, é vedado na estreita via do Recurso Especial, por força da Súmula 7 do STJ, conforme já acima mencionado. Logo, o Recurso Especial interposto não merece trânsito, haja vista que os argumentos sub examine implicam reexame do conjunto fático-probatório carreado aos autos, providência que o Recurso Especial não comporta. Por fim, destaco que a análise da divergência jurisprudencial fica prejudicada quando a tese sustentada já foi afastada no exame do Recurso Especial pela alínea "a" do permissivo constitucional. A propósito: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO COMPULSÓRIA PARA A SAÚDE. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAIS. NÃO INTERPOSIÇÃO DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. SÚMULA 126/STJ. ANÁLISE DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL PREJUDICADA ANTE O ÓBICE SUMULAR. (..) 3. Prejudicada a análise da divergência jurisprudencial quando a tese sustentada esbarra em óbice sumular quando do exame do Recurso Especial pela alínea "a" do permissivo constitucional. 4. Agravo Regimental não provido. (AgRg no REsp 1472530/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe 31/10/2014). Por tudo isso, conheço parcialmente do Recurso Especial, apenas com relação à violação do art. 1022 do CPC e, nessa parte, não o provejo. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários de advogado pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 10% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça. Publique-se. Intimem-se. EMENTA