REsp 2120929 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque as razões recursais estavam dissociadas da fundamentação do acórdão recorrido, incorrendo no óbice da Súmula 284 do STF, e porque parte da matéria arguida exigia exame de atos que não se inserem no conceito de lei federal ou reexame fático-probatório. Além disso, o...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: SILVIO MAGALHÃES DA SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 March 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conhecido
- Outcome
- não conheço do recurso especial
- Legal Topics
- Cumprimento Provisório De Sentença, Execução Contra a Fazenda Pública, Precatório E RPV, Trânsito Em Julgado, Pressupostos De Constituição E Desenvolvimento Válido E Regular Do Processo, Prescrição, Súmula 284/stf, Tema 880/stj
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
SILVIO MAGALHÃES DA SILVA
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conhecido
Legal Issues
- 1 violação dos arts. 509, § 2º, 520 e 523 do CPC
- 2 ofensa ao Tema 880 do STJ
- 3 possibilidade de cumprimento provisório de sentença coletiva sem trânsito em julgado
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque as razões recursais estavam dissociadas da fundamentação do acórdão recorrido, incorrendo no óbice da Súmula 284 do STF, e porque parte da matéria arguida exigia exame de atos que não se inserem no conceito de lei federal ou reexame fático-probatório. Além disso, o Tribunal de origem fundamentou a extinção da execução provisória na ausência de título executivo formado para beneficiários fora do Estado de Sergipe, pois não houve trânsito em julgado da Ação Civil Pública, e essa fundamentação não foi impugnada de modo pertinente no recurso.
Court Disposition
não conheço do recurso especial
Orders
- NÃO CONHEÇO do recurso especial (art. 255, §4º, I, do RISTJ)
- Sem honorários recursais sucumbenciais (art. 85, § 11, do CPC/2015)
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por SILVIO MAGALHÃES DA SILVA, com respaldo na alínea "a" do permissivo constitucional, contra acórdão do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 2ª REGIÃO assim ementado (e-STJ fl. 1.393): PREVIDENCIÁRIO. APELAÇÃO CÍVEL. CUMPRIMENTO PROVISÓRIO DE SENTENÇA. ACP Nº 2003.85.00.006907-8/SE. INOCORRÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTO VÁLIDO E REGULAR DO PROCESSO. APELAÇÃO DESPROVIDA. 1. Apelação interposta em face de sentença que julgou extinta a execução provisória relativa à ACP 0006907-21.2003.4.05.8500/SE, em conformidade com o artigo 485, inciso VI, c/c artigo 925, do Código de Processo Civil de 2015 2. Considerando o andamento processual da Ação Civil Pública nº 0006907- 21.2003.4.05.8500/SE, qualquer segurado com benefício concedido/mantido fora do Estado de Sergipe carece, até o presente momento, de título executivo judicial. Precedente da 1ª Turma Especializada. 3. Não tendo sido ainda formado o título judicial objeto da execução, vez que não se operou o trânsito em julgado do acórdão da referida Ação Civil Pública, deve ser reconhecida a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo. Precedente 2ª Turma Especializada. 4. Pendente precisamente a controvérsia acerca da limitação territorial dos seus efeitos. Precedentes da 1ª e 2ª Turmas Especializadas deste Tribunal. 5. Apelação desprovida. Em suas razões, a parte recorrente aponta violação dos arts. 509, § 2º, 520 e 523 do CPC, bem como ofensa ao Tema 880 do STJ, argumentando, em suma, que não ocorreu a prescrição, pois a ação coletiva que se pretende executar transitou em julgado em 21/10/2013, não havendo motivo para entrar com o cumprimento de sentença, visto que a autarquia ainda estava apurando os valores devidos. Afirmou também: "de acordo com o princípio da boa-fé objetiva e do art. 4º do Decreto n. 20.910/1932 resta claro o fato de que enquanto estão sendo apurados valores devidos e não pagos não corre o prazo prescricional" (e-STJ fl. 1.402). Segundo defende, é possível o procedimento de cumprimento provisório de sentença coletiva, dando início ao procedimento de liquidação, aguardando o trânsito em julgado apenas para expedição do precatório ou da RPV. Contrarrazões às e-STJ fls. 1.416/1.419. Juízo positivo de admissibilidade pelo Tribunal de origem à e-STJ fl. 1.425. Passo a decidir. De início, registro que, quanto à violação ao Tema 880 do STJ, o arrazoado tecido na peça recursal remete à necessária interpretação de tema, de modo que a eventual afronta à lei federal ali mencionada é meramente reflexa. Nesse sentido: AgInt no REsp n. 1.797.425/PR, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 20/08/2019, DJe 27/08/2019. Ocorre que o recurso especial não constitui via adequada para a análise de eventual ofensa a temas, a resoluções, a portarias ou a instruções normativas, por não estarem tais atos normativos inseridos no conceito de lei federal, de que trata o art. 105, III, "a", da Constituição Federal. A propósito, cito julgados de ambas as Turmas da Primeira Seção: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AGRAVO INTERNO. NATUREZA INTEGRATIVA. IMPRESTABILIDADE. RESOLUÇÃO DO CONAMA. LEI FEDERAL. NÃO ENQUADRAMENTO. (..) 3. Inviável a análise de eventual ofensa a resoluções, portarias ou instruções normativas, por não estarem tais atos normativos inseridos no conceito de lei federal, de que trata o art. 105, III, "a", da Constituição Federal. 4. Hipótese em que o arrazoado tecido no apelo especial remete ao exame das disposições de resoluções do CONAMA, transcritas na peça recursal, sendo meramente reflexa a vulneração dos dispositivos legais indicados pelo agravante. 5. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp 1635463/SP, de minha relatoria, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/06/2020, DJe 26/06/2020) PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO CONDENATÓRIA. DECISÃO MONOCRÁTICA DA PRESIDÊNCIA DESTA CORTE QUE CONHECEU DO AGRAVO PARA NÃO CONHECER DO RECLAMO. INSURGÊNCIA RECURSAL DO DEMANDADO. INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. INADMISSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 5 e 7/STJ. (..) 3. Ressalte-se que o Recurso Especial não constitui via adequada para análise de eventual ofensa a Resoluções, Princípios Portarias ou Instruções Normativas, por não estarem tais atos normativos inseridos no conceito de lei federal, nos termos do art. 105, III, "a", da Constituição Federal. 4. Para se chegar a conclusão diversa, é necessário reexaminar os elementos fáticos que serviram de base à decisão recorrida, o contexto fático-probatório, o que é vedado pelos enunciados 5 e 7 da Súmula do STJ. 5. Agravo Interno não provido. (AgInt no AREsp 1602125/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/06/2020, DJe 09/06/2020) Além disso, quanto à questão da não ocorrência da prescrição, observo ainda que o apelo nobre apresenta razões dissociadas do que foi decidido pelo acórdão recorrido, circunstância atrativa do óbice contido na Súmula 284 do STF. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. (..) 3. Nas razões do Recurso Especial, a parte deixou de atacar os fundamentos adotados pela Corte regional para decidir a controvérsia no que tange ao arbitramento de honorários advocatícios, limitando-se a sustentar que este deveria ser aplicado sobre o valor da causa, e não sobre o da condenação. Nesse contexto, tendo a parte recorrente se limitado a manifestar seu inconformismo com o resultado que lhe foi desfavorável, apresentando fundamento deficiente, com razões recursais dissociadas da fundamentação do acórdão objurgado, têm incidência, na espécie, por analogia, as Súmulas 283 e 284 do STF. 4. Agravo Interno não provido. (AgInt no REsp 1860013/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 22/06/2020, DJe 21/08/2020) Por fim, em relação à possibilidade de cumprimento provisório de sentença para elaboração dos cálculos devidos, esta Corte de Justiça tem sua jurisprudência assente: em "obrigação de pagar quantia certa, o procedimento executório contra a Fazenda é o estabelecido nos arts. 730 e 731 do CPC que, em se tratando de execução provisória, deve ser aplicado em harmonia com as normas constitucionais, que determinam que a expedição de precatório ou o pagamento de débito de pequeno valor de responsabilidade da Fazenda Pública, decorrentes de decisão judicial, mesmo em se tratando de obrigação de natureza alimentar, pressupõem o trânsito em julgado da respectiva sentença" (REsp n. 1.271.184/PR, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 15/9/2011, DJe de 21/9/2011). O referido acórdão ficou assim ementado: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO PROVISÓRIA EM FACE DA FAZENDA PÚBLICA. AUSÊNCIA DE VALOR INCONTROVERSO. APELAÇÃO. DUPLO EFEITO. DISCUSSÃO DA PRESCRIÇÃO EM EMBARGOS. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 83/STJ. 1. A violação do artigo 535 do CPC não se efetivou no caso dos autos, uma vez que não se vislumbra omissão, obscuridade ou contradição no acórdão recorrido capaz de tornar nula a decisão impugnada no especial. A Corte de origem apreciou a demanda de modo suficiente, havendo se pronunciado acerca de todas as questões relevantes. Saliente-se, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 2. É cediço que na obrigação de pagar quantia certa, o procedimento executório contra a Fazenda é o estabelecido nos arts. 730 e 731 do CPC que, em se tratando de execução provisória, deve ser aplicado em harmonia com as normas constitucionais, que determinam que a expedição de precatório ou o pagamento de débito de pequeno valor de responsabilidade da Fazenda Pública, decorrentes de decisão judicial, mesmo em se tratando de obrigação de natureza alimentar, pressupõem o trânsito em julgado da respectiva sentença. 3. O acórdão recorrido deve ser mantido pelos seus próprios termos por espelhar a jurisprudência desta Corte Superior, segundo a qual mostra-se inviável a execução provisória contra a Fazenda Pública, nos casos de execução de valores incontroversos, pois ainda é objeto de embargos a alegação de prescrição no qual, se procedente, resultará na extinção da execução. 4. Quanto à interposição do apelo pela alínea "c", com base na divergência jurisprudencial, aplicável o disposto na Súmula n. 83 do STJ. 5. Recurso especial não provido. (REsp n. 1.271.184/PR, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 15/9/2011, DJe de 21/9/2011) (Grifos acrescidos). Impende registrar que a Corte Suprema, no julgamento do RE n. 1.205.530/SP (Tema 28), decidiu ser constitucional a expedição de precatório ou a requisição de pequeno valor - RPV para pagamento de parcela incontroversa e autônoma de sentença transitada em julgado, como se lê: Surge constitucional expedição de precatório ou requisição de pequeno valor para pagamento da parte incontroversa e autônoma do pronunciamento judicial transitado em julgado observada a importância total executada para efeitos de dimensionamento como obrigação de pequeno valor. No entanto, o simples início do cumprimento de sentença provisória de obrigação de pagar contra a Fazenda Pública, apenas para adiantar os procedimentos necessários, como elaboração e apuração dos valores devidos, sem determinação de expedição de requisitório antes do trânsito em julgado, não ofende a sistemática de precatórios do art. 100 da CF/1988. Ilustrativamente: PROCESSUAL CIVIL. DIREITO TRIBUTÁRIO, IMPOSTOS. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. I - Na origem, trata-se de cumprimento provisório de sentença contra a União objetivando a atribuição de efeito suspensivo a esta ação incidental, a sua exclusão do polo passivo, a extinção da execução fiscal ou a redução do valor da multa. Na sentença o pedido foi julgado procedente em parte. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. II - Não se vislumbra a alegada violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015 pelo Tribunal a quo quanto à omissão da questão jurídica apresentada pela recorrente, qual seja, em apertada síntese, o trânsito em julgado da sentença para processamento de precatório/RPV, tendo o julgador abordado a questão às fls. 133-134, consignando que: "5. E isso se extrai da análise da fundamentação constante nos votos dos ministros. Vê-se, pois, que as razões utilizadas para, à guisa de obiter dictum, se reconhecer a incompatibilidade da execução provisória de obrigação de pagar quantia certa contra a Fazenda Pública foram: (i) a necessidade de prévia organização orçamentária da Administração Pública; (ii) a submissão dos pagamentos à sistemática dos precatórios após sentença judicial transitada em julgado; (iii) a provisoriedade da decisão na pendência de recurso não recebido em seu efeito suspensivo; (iv) a impenhorabilidade dos bens públicos; e (v) a necessidade de dispensar tratamento isonômico entre os credores da Fazenda Pública. 6. É dizer, nenhuma dessas razões utilizadas para ilustrar a impossibilidade de pagamento antecipado de quantia certa pela Fazenda Pública, que não seja pela prévia e necessária expedição de requisitório de pagamento decorrente de sentença transitada em julgado, na forma do art. 100 da CRFB(após EC nº 30/2000), será infirmada pela mera instauração do cumprimento provisório de sentença de obrigação de pagar, desde que não haja expedição de precatório ou RPV até que se efetive o trânsito em julgado do título . 7. Muito pelo contrário. O simples início do cumprimento de sentença provisório de obrigação de pagar contra a Fazenda Pública apenas para que se adiante o procedimento, sem qualquer determinação de pagamento antecipado ou de prévia expedição de requisitório antes do trânsito em julgado do título executivo judicial, não só não ofenderia a sistemática de precatórios do art. 100 da CF/88, como prestigiaria os princípios constitucionais da razoável duração do processo e dos meios que garantam a celeridade de sua tramitação (art. 5º, LXXVIII) e da efetividade da tutela jurisdicional (art. 5º, XXV). 8. Na verdade, partindo de uma interpretação sistemática, baseada no princípio da máxima efetividade das normas constitucionais, leva-me a conclusão de que a decisão proferida no RE nº573.872-RS não vedou a simples instauração do cumprimento provisório de obrigação de pagar em desfavor da Fazenda Pública, mas apenas a expedição provisória de requisitório de pagamento antes do trânsito em julgado do título executivo judicial." III - Descaracterizada a omissão, tem-se de rigor o afastamento da suposta violação dos referidos dispositivos legais, conforme pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: AgInt no AREsp n. 1.526.177/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 25/5/2020, DJe 29/5/2020. IV - Agravo interno improvido. (AgInt no REsp n. 2.015.725/PE, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 28/11/2022, DJe de 1/12/2022.) (Grifos acrescidos). Contudo, o Tribunal de origem manteve a sentença extintiva pela ausência de pressuposto de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo (legitimidade), visto que a abrangência do título judicial, a beneficiário de fora do Estado de Sergipe, é matéria pendente de apreciação recursal na ação civil pública, conforme se lê dos trechos a seguir (e-STJ fls. 1.389/1.391): Conforme já relatado, trata-se de apelação interposta por SILVIO MAGALHAES DA SILVA em face da sentença do Juízo da 13ª Vara Federal do Rio de Janeiro/RJ, prolatada em 08/02/2023, que julgou extinta a execução provisória relativa à ACP 0006907-21.2003.4.05.8500/SE em conformidade com o artigo 485, inciso VI, c/c artigo 925, do Código de Processo Civil de 2015 Neste sentido, como bem explicitado na fundamentação do voto proferido pelo Exmº Juiz Convocado Rogério Tobias de Carvalho, no julgamento do agravo de instrumento nº 5003002-60.2021.4.02.0000/RJ, pela 1ª Turma Especializada deste Tribunal, em sessão de julgamento de 08/03/2023, considerando o andamento processual da Ação Civil Pública nº 0006907-21.2003.4.05.8500/SE, qualquer segurado com benefício concedido/mantido fora do Estado de Sergipe carece, até o presente momento, de título executivo judicial: .. Esta Segunda Turma Especializada também vem decidindo no sentido de que, não tendo sido ainda formado o título judicial objeto da execução, vez que não se operou o trânsito em julgado do acórdão da referida Ação Civil Pública nº 0006907-21.2003.4.05.8500/SE, deve ser reconhecida a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo. .. Assim, entendo que deve ser mantida a sentença extintiva, tendo em vista que ainda não ocorreu o trânsito em julgado na Ação Civil Pública nº 0006907-21.2003.4.05.8500/SE, estando pendente precisamente a controvérsia acerca da limitação territorial dos seus efeitos. (Grifos acrescidos). Não obstante o aludido fundamento, o recurso especial não expôs argumentação tendente a desconstituí-lo, limitando sua insurgência à possibilidade de prosseguimento de execução provisória mesmo sem trânsito em julgado, desde que não haja expedição de precatório ou de RPV. (fls. 1.400-1.401, 1.405-1.406), a evidenciar, pelo cotejo entre as razões do recurso e do acórdão, o desencontro entre o que foi decidido e a pretensão recursal deduzida. A falta de pertinência entre as razões do recurso especial e a decisão questionada revela-se apta a atrair o óbice contido na Súmula 284 do STF ("É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia"), pois não é possível conhecer de recurso especial que invoca como violado dispositivo de lei federal que não possui comando normativo apto a infirmar a tese adotada pelo acórdão recorrido. Nessa linha: PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. AGRAVO REGIMENTAL. DECISÃO MONOCRÁTICA. INDEFERIMENTO LIMINAR DA AÇÃO. INCOMPETÊNCIA DO STJ PARA CONHECER ORIGINARIAMENTE DO WRIT. VEICULAÇÃO DE RAZÕES DISSOCIADAS. APLICAÇÃO DA SÚMULA 284/STF. PRECEDENTES DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL DO IMPETRANTE NÃO CONHECIDO. 1. Aplica-se o óbice da Súmula 284/STF quando o recurso veicular razões dissociadas dos fundamentos da decisão recorrida. 2. No caso, a decisão agravada apenas reconheceu a incompetência do STJ, por não se configurar a hipótese do art. 105, I, b da CF/88, matéria não recorrida. 3. Agravo Regimental do Impetrante não conhecido. (AgRg no MS 19.557/SP, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/12/2016, DJe 2/2/2017). PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC/1973. NÃO OCORRÊNCIA. FUNDAMENTAÇÃO RECURSAL DEFICIENTE. SÚMULA 284 DO STF. 1. Conforme estabelecido pelo Plenário do STJ, "aos recursos interpostos com fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões publicadas até 17 de março de 2016) devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele prevista, com as interpretações dadas, até então, pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça" (Enunciado Administrativo n. 2). 2. O acolhimento de recurso especial por violação ao art. 535 do CPC/1973 pressupõe a demonstração de que a Corte de origem, mesmo depois de provocada mediante embargos de declaração, deixou de sanar vício de integração contido em seu julgado, o que não ocorreu na espécie. 3. Não é possível conhecer de recurso especial que invoca como violado dispositivo de lei federal que não possui comando normativo apto a infirmar a tese adotada pelo acórdão recorrido. Inteligência da Súmula 284 do STF. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 290.622/MG, de minha relatoria, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/05/2017, DJe 20/06/2017). Além disso, "(..) como a fundamentação supra é apta, por si só, para manter o decisum combatido e não houve contraposição recursal ao ponto, aplica-se na espécie, por analogia, o óbice da Súmula 283/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles."" (REsp 1.666.566/RJ, Rel. Ministro Herman Benjamin , Segunda Turma, julgado em 06/06/2017, DJe 19/06/2017). Ante o exposto, com base no art. 255, §4º, I, do RISTJ, NÃO CONHEÇO do recurso especial. Sem honorários recursais sucumbenciais (art. 85, § 11, do CPC/2015), à vista da não ocorrência de condenação na origem. Publique-se. Intimem-se. EMENTA