AREsp 2368861 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e, na extensão de conhecimento do recurso especial, negou-se provimento, por aplicar o entendimento vinculante do STJ de que a cumulação de auxílio-acidente com aposentadoria só é possível quando tanto a eclosão da lesão incapacitante quanto a concessão da aposentadoria ocorram antes de...
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- Parties
- Agravante: MANUEL SEVERINO JOSÉ; Autarquia Previdenciária/agravado: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno Contra Inadmissão De Recurso Especial / Decisão De Conhecimento E Julgamento
- Outcome
- Conheço do agravo; conheço parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, nego provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Cumulação De Benefícios, Auxílio Acidente, Aposentadoria, Direito Adquirido, Admissibilidade De Recurso, Julgamento Extra Petita
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Parties
MANUEL SEVERINO JOSÉ
Agravante
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
Autarquia Previdenciária/agravado
Procedural Posture
Agravo Interno Contra Inadmissão De Recurso Especial / Decisão De Conhecimento E Julgamento
Legal Issues
- 1 se é possível a cumulação de auxílio-acidente com aposentadoria quando um dos benefícios foi concedido após 11/11/1997
- 2 alegada nulidade do acórdão por julgamento extra petita
- 3 competência do STJ para apreciar matéria constitucional em recurso especial
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e, na extensão de conhecimento do recurso especial, negou-se provimento, por aplicar o entendimento vinculante do STJ de que a cumulação de auxílio-acidente com aposentadoria só é possível quando tanto a eclosão da lesão incapacitante quanto a concessão da aposentadoria ocorram antes de 11/11/1997; no caso concreto a aposentadoria restabelecida data de 20/04/2000, razão pela qual não é possível a cumulação e mantém-se a decisão do Tribunal de origem que autorizou a cessação do auxílio-acidente em face da implementação da aposentadoria.
Court Disposition
Conheço do agravo; conheço parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, nego provimento ao recurso especial.
Orders
- Negado provimento ao recurso especial na extensão em que foi conhecido
- Mantida a decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região que autorizou a cessação do auxílio-acidente e determinou a implementação da aposentadoria
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto da decisão que inadmitiu o recurso especial no qual MANUEL SEVERINO JOSÉ se insurgira, com fundamento no art. 105, inciso III, alíneas a e c, da Constituição Federal, contra o acórdão do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO assim ementado (fls. 617/618): AGRAVO INTERNO. PREVIDENCIÁRIO. INEXISTÊNCIA DE JULGAMENTO EXTRA PETITA. CUMULAÇÃO DE AUXÍLIO-ACIDENTE E APOSENTADORIA. IMPOSSIBILIDADE. LESÃO INCAPACITANTE E APOSENTADORIA ANTERIORES A 11/11/1997. ART. 23 E 86, § 2º, DA LEI 8.213/1991. SÚMULA 507/STJ. DESPROVIMENTO. 1. A decisão ora agravada, prolatada em consonância com o permissivo legal, está amparada também em entendimento deste C. TRF da 3ª Região, inclusive quanto aos pontos impugnados no presente recurso. 2. A reiteração que se faz da essência das afirmações expostas na decisão agravada, suficientes ao deslinde da causa, não configura violação ao art. 1.021, § 3º, do CPC/2015, haja vista que esse dispositivo, interpretado em conjunto com o seu §1º, não impõe ao julgador, em sede de agravo interno, o dever de refazer o texto do decisum com os mesmos fundamentos, porém em palavras distintas, mesmo quando inexistentes novas (e relevantes) teses recursais. Jurisprudência. 3. Agravo interno desprovido. Não foram opostos embargos de declaração. Nas razões de seu recurso, a parte agravante aponta, além do dissídio jurisprudencial, ofensa aos arts. 141, 322, § 1º, e 492 do Código de Processo Civil (CPC) em virtude da nulidade do acórdão recorrido por julgamento extra petita, visto que "o único momento em que foi apontada a existência de benefício acidentário implantado em favor do recorrente, foi no momento de implantar a aposentadoria, em agravo interno" (fl. 639), e ofensa ao art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal e ao art. 6º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) porque possui direito adquirido à percepção do auxílio-acidente juntamente com a aposentadoria por ser tratar de benefício concedido antes da proibição legal de cumulação, que surgiu apenas com a edição da Lei 9.528/1997 (fls. 624/652). Requer que "seja dado provimento ao presente recurso, para anular a decisão no capítulo referente a cessação do auxílio-acidente" (fl. 652). A parte adversa não apresentou contrarrazões. O recurso não foi admitido (fls. 707/710), razão pela qual foi interposto o agravo ora examinado (fls. 714/723). A parte adversa não apresentou contraminuta ao agravo. É o relatório. A decisão de admissibilidade foi devidamente refutada na petição de agravo e, por isso, passo ao exame do recurso especial. De início, quanto à alegada afronta ao art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal (CF), é incabível o recurso especial quanto ao ponto por se tratar de matéria a ser veiculada em recurso extraordinário, cuja apreciação é da competência do Supremo Tribunal Federal; o contrário implicaria usurpação de competência (art. 102, III, da CF). A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC/2015. INCORRÊNCIA. REINTERPRETAÇÃO DO ALCANCE DA TESE FIRMADA EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO STF. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. .. IV - Não compete a este Superior Tribunal a análise de suposta violação a dispositivos constitucionais, ainda que para efeito de prequestionamento, sob pena de usurpação da competência reservada ao Supremo Tribunal Federal. Precedentes. .. VI - Agravo Interno improvido. (AgInt no REsp n. 1.836.774/PR, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 10/8/2020, DJe de 14/8/2020, sem destaques no original.) ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PENSÃO MILITAR. FILHA. REQUISITOS DO ART. 7º DA LEI 3.765/60 C/C LEI 8.216/91. ALEGADA OMISSÃO ACERCA DE VIOLAÇÃO A DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. AFERIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE, EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. ALEGADA OFENSA AO ART. 535 DO CPC/73. NÃO OCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL QUE, EM TESE, TERIA RECEBIDO INTERPRETAÇÃO DIVERGENTE DAQUELA FIRMADA POR OUTROS TRIBUNAIS. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF, APLICADA POR ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE MATÉRIA CONSTITUCIONAL, EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL, SOB PENA DE USURPAÇÃO DA COMPETÊNCIA DO STF. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. .. V. Do exame do julgado combatido e das razões recursais, verifica-se que a solução da controvérsia possui enfoque eminentemente constitucional. Dessa forma, compete ao Supremo Tribunal Federal eventual reforma do acórdão recorrido, no mérito, sob pena de usurpação de competência inserta no art. 102 da Constituição Federal. Precedentes do STJ (AgRg no AREsp 584.240/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, DJe de 03/12/2014; AgRg no REsp 1.473.025/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 03/12/2014). VI. Agravo interno improvido. (AgInt no REsp n. 1.377.313/CE, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 18/4/2017, DJe de 26/4/2017, sem destaques no original.) Em relação à alegada ofensa aos arts. 141, 322, § 1º, e 492 do Código de Processo Civil (CPC), observo no acórdão recorrido que o Tribunal de origem decidiu que "não prospera, ainda, o argumento de que houve julgamento extra petita eis que a impossibilidade de cumulação entre os benefícios previdenciários em tela, além de ter sido constantemente alegada pela Autarquia Previdenciária, consubstancia propriamente um requisito normativo para a respectiva concessão, do qual a parte não pode simplesmente dispor" (fl. 605). Na peça recursal, todavia, a parte recorrente não se insurge contra o segundo fundamento, de que a impossibilidade de cumulação de benefícios consubstancia um requisito normativo para a respectiva concessão, do qual a parte não pode simplesmente dispor, limitando-se a afirmar, em síntese, a nulidade do acórdão recorrido por julgamento extra petita, visto que "o único momento em que foi apontada a existência de benefício acidentário implantado em favor do recorrente, foi no momento de implantar a aposentadoria, em agravo interno" (fl. 639). Por essa razão, incide no presente caso, por analogia, o enunciado 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal (STF), que estabelece: "é inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Quanto à questão de fundo, o Tribunal de origem reformou a decisão de primeiro grau que havia determinado a imediata implementação da aposentadoria por tempo de serviço em favor da parte agravante com os seguintes fundamentos (fls. 603/605, destaques inovados): Quanto ao mérito da demanda, o agravo interno não comporta provimento. A decisão ora agravada, prolatada em consonância com o permissivo legal, está amparada também em entendimento do C. STJ, inclusive quanto aos pontos impugnados no presente recurso: " .. Trata-se de agravo interno interposto pelo INSS contra decisão (ID 220087491) que deu provimento "aos embargos de declaração do impetrante, para determinar ao INSS a imediata implementação da aposentadoria por tempo de serviço em favor da parte autora, sob pena de desobediência." Sustenta o agravante (ID 221310612), em síntese, que "a ordem de reimplantação da aposentadoria (deve ser revista) por absoluta ausência de fundamento legal." Argumenta que a parte autora recebe auxílio acidente desde 1994 e que tal benefício é inacumulável com a aposentadoria concedida. Requer, assim, a reconsideração da decisão agravada, ou que, apresentado ao colegiado, seja o recurso provido. Com contraminuta do autor, subiram os autos a esta Corte. É o relatório. DECIDO. Pleiteia a Autarquia Previdenciária Pleiteia a reconsideração da decisão que determinou o imediato restabelecimento do benefício de aposentadoria da parte autora, ao argumento de que esta teria deixado de informar que já recebe auxílio-acidente e que tais benefício são inacumuláveis por determinação legal. Em contraminuta, a parte autora alega que o benefício do auxílio-acidente lhe foi concedido anteriormente à proibição de cumulação com outro(s) benefício(s), razão pela qual há de ser respeitado o direito adquirido. O benefício de auxílio-acidente foi previsto pelo art. 86, da Lei nº 8.213/91 que, em seu §3º, na redação original, não proibia o recebimento cumulativamente a outro benefício. No entanto, com a edição da Medida Provisória nº 1.596/97, convertida na Lei nº 9.528/97, a redação do artigo 86 da Lei nº 8.213/91 foi alterada e restou expressamente vedada a acumulação com qualquer benefício de aposentadoria. Vejamos: "Art. 86. O auxílio-acidente será concedido, como indenização, ao segurado quando, após consolidação das lesões decorrentes de acidente de qualquer natureza, resultarem sequelas que impliquem redução da capacidade para o trabalho que habitualmente exercia. § 1º O auxílio-acidente mensal corresponderá a cinquenta por cento do salário-de-benefício e será devido, observado o disposto no § 5º, até a véspera do início de qualquer aposentadoria ou até a data do óbito do segurado. § 2º O auxílio-acidente será devido a partir do dia seguinte ao da cessação do auxílio-doença, independentemente de qualquer remuneração ou rendimento auferido pelo acidentado, vedada sua acumulação com qualquer aposentadoria. § 3º O recebimento de salário ou concessão de outro benefício, exceto de aposentadoria, observado o disposto no § 5º, não prejudicará a continuidade do recebimento do auxílio-acidente. §4º A perda da audição, em qualquer grau, somente proporcionará a concessão do auxílio-acidente, quando, além do reconhecimento de causalidade entre o trabalho e a doença, resultar, comprovadamente, na redução ou perda da capacidade para o trabalho que habitualmente exercia" (grifos meus) Em complemento, o artigo 31, da Lei nº 8.213/91, com redação também alterada pela Lei nº 9.528/97, passou a determinar que o valor do auxílio-acidente integrasse o salário-de-contribuição para fins de cálculo do salário-de-benefício da aposentadoria. Na esteira de tal controvérsia, o C. Superior Tribunal de Justiça apreciou, na sistemática de repercussão geral, o RE 1296373/MG e assentou entendimento de que: "A acumulação do auxílio-acidente com proventos de aposentadoria pressupõe que a eclosão da lesão incapacitante, ensejadora do direito ao auxílio-acidente, e o início da aposentadoria sejam anteriores à alteração do art. 86, §§2º e 3º, da Lei 8.213/1991 (..) promovida em 11.11.1997 pela Medida Provisória 1.596-14/1997, que posteriormente foi convertida na Lei 9.528/1997". Consigne-se que a Súmula nº 44 da AGU, a Advocacia-Geral da União, com a redação alterada pela Súmula 65 , passou a vigorar com a seguinte redação: "Para a acumulação do auxílio-acidente com proventos de aposentadoria, a lesão incapacitante e a concessão da aposentadoria devem ser anteriores as alterações inseridas no art. 86 § 2º, da Lei 8.213/91, pela Medida Provisória nº 1.596-14, convertida na Lei nº 9.528/97". Em março de 2014 foi editada a Súmula nº 507/STJ, in verbis: "A acumulação de auxílio-acidente com aposentadoria pressupõe que a lesão incapacitante e a aposentadoria sejam anteriores a 11/11/1997, observado o critério do art. 23 da Lei n. 8.213/1991 para definição do momento da lesão nos casos de doença profissional ou do trabalho". Resta claro, portanto, que só é possível a cumulação de auxílio-acidente e aposentadoria, se ambos benefício forem concedidos anteriormente à referida Lei 9.528/97, o que não é o caso da parte autora, eis que, não obstante o auxílio-acidente date de 1994, a aposentadoria cujo restabelecimento restou determinado é posterior à mencionada legislação (20/04/2000). Não é o caso, no entanto, de cessação do benefício de aposentadoria da parte autora, uma vez que mais vantajoso. Assim, a decisão agravada há de ser reconsiderada para, mantida a determinação de imediata implementação da aposentadoria por tempo de serviço em favor da parte autora, autorizar a cessação do benefício de auxílio-acidente anteriormente concedido na esfera administrativa. Ante o exposto, dou provimento ao agravo do INSS, para reconsiderar a decisão agravada e autorizar a cessação do benefício de auxílio-acidente concedido em favor da parte autora. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, nos autos do Recurso Especial 1.296.673/MG, julgado em 22/8/2012 sob o rito de recursos repetitivos (Tema 555), firmou o entendimento de que "a cumulação do benefício de auxílio-acidente com proventos de aposentadoria só é permitida quando a eclosão da lesão incapacitante e a concessão do benefício de aposentadoria forem anteriores à edição da Lei 9.528/1997". Confira-se a ementa do acórdão do precedente qualificado: RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. MATÉRIA REPETITIVA. ART. 543-C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ 8/2008. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. CUMULAÇÃO DE BENEFÍCIOS. AUXÍLIO-ACIDENTE E APOSENTADORIA. ART. 86, §§ 2º E 3º, DA LEI 8.213/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MEDIDA PROVISÓRIA 1.596-14/1997, POSTERIORMENTE CONVERTIDA NA LEI 9.528/1997. CRITÉRIO PARA RECEBIMENTO CONJUNTO. LESÃO INCAPACITANTE E APOSENTADORIA ANTERIORES À PUBLICAÇÃO DA CITADA MP (11.11.1997). DOENÇA PROFISSIONAL OU DO TRABALHO. DEFINIÇÃO DO MOMENTO DA LESÃO INCAPACITANTE. ART. 23 DA LEI 8.213/1991. CASO CONCRETO. INCAPACIDADE POSTERIOR AO MARCO LEGAL. CONCESSÃO DO AUXÍLIO-ACIDENTE. INVIABILIDADE. 1. Trata-se de Recurso Especial interposto pela autarquia previdenciária com intuito de indeferir a concessão do benefício de auxílio-acidente, pois a manifestação da lesão incapacitante ocorreu depois da alteração imposta pela Lei 9.528/1997 ao art. 86 da Lei de Benefícios, que vedou o recebimento conjunto do mencionado benefício com aposentadoria. .. 3. A acumulação do auxílio-acidente com proventos de aposentadoria pressupõe que a eclosão da lesão incapacitante, ensejadora do direito ao auxílio-acidente, e o início da aposentadoria sejam anteriores à alteração do art. 86, §§ 2º e 3º, da Lei 8.213/1991 ("§ 2º O auxílio-acidente será devido a partir do dia seguinte ao da cessação do auxílio-doença, independentemente de qualquer remuneração ou rendimento auferido pelo acidentado, vedada sua acumulação com qualquer aposentadoria; § 3º O recebimento de salário ou concessão de outro benefício, exceto de aposentadoria, observado o disposto no § 5º, não prejudicará a continuidade do recebimento do auxílio-acidente."), promovida em 11.11.1997 pela Medida Provisória 1.596-14/1997, que posteriormente foi convertida na Lei 9.528/1997. No mesmo sentido: REsp 1.244.257/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 19.3.2012; AgRg no AREsp 163.986/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 27.6.2012; AgRg no AREsp 154.978/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 4.6.2012; AgRg no REsp 1.316.746/MG, Rel. Ministro Cesar Asfor Rocha, Segunda Turma, DJe 28.6.2012; AgRg no AREsp 69.465/RS, Rel. Ministro Cesar Asfor Rocha, Segunda Turma, DJe 6.6.2012; EREsp 487.925/SP, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Terceira Seção, DJe 12.2.2010; AgRg no AgRg no Ag 1375680/MS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, Dje 19.10.2011; AREsp 188.784/SP, Rel. Ministro Humberto Martins (decisão monocrática), Segunda Turma, DJ 29.6.2012; AREsp 177.192/MG, Rel. Ministro Castro Meira (decisão monocrática), Segunda Turma, DJ 20.6.2012; EDcl no Ag 1.423.953/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki (decisão monocrática), Primeira Turma, DJ 26.6.2012; AREsp 124.087/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki (decisão monocrática), Primeira Turma, DJ 21.6.2012; AgRg no Ag 1.326.279/MG, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, DJe 5.4.2011; AREsp 188.887/SP, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho (decisão monocrática), Primeira Turma, DJ 26.6.2012; AREsp 179.233/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão (decisão monocrática), Primeira Turma, DJ 13.8.2012 . 4. Para fins de fixação do momento em que ocorre a lesão incapacitante em casos de doença profissional ou do trabalho, deve ser observada a definição do art. 23 da Lei 8.213/1991, segundo a qual "considera-se como dia do acidente, no caso de doença profissional ou do trabalho, a data do início da incapacidade laborativa para o exercício da atividade habitual, ou o dia da segregação compulsória, ou o dia em que for realizado o diagnóstico, valendo para este efeito o que ocorrer primeiro". Nesse sentido: REsp 537.105/SP, Rel. Ministro Hamilton Carvalhido, Sexta Turma, DJ 17/5/2004, p. 299; AgRg no REsp 1.076.520/SP, Rel. Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe 9/12/2008; AgRg no Resp 686.483/SP, Rel. Ministro Hamilton Carvalhido, Sexta Turma, DJ 6/2/2006; (AR 3.535/SP, Rel. Ministro Hamilton Carvalhido, Terceira Seção, DJe 26/8/2008). 5. No caso concreto, a lesão incapacitante eclodiu após o marco legal fixado (11.11.1997), conforme assentado no acórdão recorrido (fl. 339/STJ), não sendo possível a concessão do auxílio-acidente por ser inacumulável com a aposentadoria concedida e mantida desde 1994. 6. Recurso Especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução 8/2008 do STJ. (REsp 1.296.673/MG, relator Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 22/8/2012, DJe 3/9/2012.) No caso dos autos, o TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO afastou a possibilidade de cumulação dos benefícios ao entendimento de que "só é possível a cumulação de auxílio-acidente e aposentadoria, se ambos benefício forem concedidos anteriormente à referida Lei 9.528/97, o que não é o caso da parte autora, eis que, não obstante o auxílio-acidente date de 1994, a aposentadoria cujo restabelecimento restou determinado é posterior à mencionada legislação (20/04/2000)" (fl. 613), em sintonia com o entendimento deste Tribunal. Por fim, em relação ao dissídio jurisprudencial, é pacífico o entendimento desta Corte Superior de que os mesmos óbices impostos à admissão do recurso pela alínea a do permissivo constitucional impedem a análise recursal pela alínea c; em razão disso fica prejudicada a apreciação do dissídio jurisprudencial referente ao mesmo dispositivo de lei federal apontado como violado ou à tese jurídica. A propósito, confiram-se as decisões proferidas nestes processos: (1) Aglnt no REsp 1.878.337/RS, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 16/12/2020, DJe de 18/12/2020; e (2) Aglnt no REsp 1.503.880/PE, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 27/2/2018, DJe de 8/3/2018. Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, a ele negar provimento. Deixo de majorar a verba honorária, consoante determina o art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, em razão da ausência de fixação prévia. Publique-se. Intimem-se. EMENTA