REsp 2200069 - ACORDAO
A supressão ilícita de vegetação nativa na Floresta Amazônica configura, por sua natureza e pela especial proteção constitucional do bioma (art. 225, § 4º CF), dano imaterial difuso presumido in re ipsa, cabendo ao réu o ônus de infirmar essa presunção; a extensão territorial isolada não é elemento suficiente para afastar a lesão extrapatrimonial, devendo a avaliação ser conjuntural e considerar ações cumulativas e sinérgicas de diversos agentes; todos os contribuintes causais são corresponsáveis, sendo o quantum indenizatório modulável conforme culpabilidade e demais critérios; por reconhecer o dever de indenizar, o processo deve retornar ao tribunal de origem para examinar pedido...
- Parties
- Recorrente: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO; Réu: ROBERTO GUILHERME CORDEIRO LACERDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 May 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial (ação Civil Pública Direito Ambiental) / Acórdão Da Primeira Turma Julgamento Colegiado
- Outcome
- Recurso especial parcialmente provido.
- Legal Topics
- Dano Moral Coletivo, Supressão De Vegetação Nativa, Bioma Amazônia (patrimônio Nacional), Responsabilidade Civil Ambiental, Reparação Integral, Ônus Da Prova (inversão/pro Natura), Quantificação Do Quantum Indenizatório
Case Brief
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Parties
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO
Recorrente
ROBERTO GUILHERME CORDEIRO LACERDA
Réu
Procedural Posture
Recurso Especial (ação Civil Pública Direito Ambiental) / Acórdão Da Primeira Turma Julgamento Colegiado
Legal Issues
- 1 Se a supressão de vegetação nativa na Floresta Amazônica sem autorização enseja indenização por danos morais coletivos
- 2 Se a constatação de dano imaterial ambiental pode ser feita in re ipsa e com inversão do ônus da prova
- 3 Se a extensão da área degradada, por si só, afasta a configuração do dano moral coletivo
Ratio Decidendi
A supressão ilícita de vegetação nativa na Floresta Amazônica configura, por sua natureza e pela especial proteção constitucional do bioma (art. 225, § 4º CF), dano imaterial difuso presumido in re ipsa, cabendo ao réu o ônus de infirmar essa presunção; a extensão territorial isolada não é elemento suficiente para afastar a lesão extrapatrimonial, devendo a avaliação ser conjuntural e considerar ações cumulativas e sinérgicas de diversos agentes; todos os contribuintes causais são corresponsáveis, sendo o quantum indenizatório modulável conforme culpabilidade e demais critérios; por reconhecer o dever de indenizar, o processo deve retornar ao tribunal de origem para examinar pedido...
Court Disposition
Recurso especial parcialmente provido.
Orders
- Dar parcial provimento ao recurso especial.
- Restabelecer a condenação do Réu ao pagamento de indenização por danos morais ambientais.
Full Case Text
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