REsp 1829758 - DECISAO
Conheceu-se do recurso especial e deu-se-lhe provimento para afastar a condenação do Estado do Amazonas ao pagamento de danos morais, por entendimento do Superior Tribunal de Justiça de que não cabe indenização por nomeação tardia de candidatos aprovados em concurso público, e por verificar-se que o Tribunal a quo...
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- Parties
- Recorrente: ESTADO DO AMAZONAS; Recorrido: MINISTÉRIO PÚBLICO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 August 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão De Mérito
- Outcome
- Recurso especial conhecido e provido para afastar a condenação do Estado do Amazonas ao pagamento de danos morais
- Legal Topics
- Dano Moral Coletivo, Nomeação Tardia, Concurso Público, Indenização, Responsabilidade Civil Do Estado
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Summary, issues, holding and outcome
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Parties
ESTADO DO AMAZONAS
Recorrente
MINISTÉRIO PÚBLICO
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão De Mérito
Legal Issues
- 1 violação do art. 489 do CPC (alegada negativa de prestação jurisdicional)
- 2 direito à indenização por nomeação tardia de aprovados em concurso público
- 3 aplicação da jurisprudência do STF (RE 598.099/MS) e do STJ sobre efeitos remuneratórios e indenização
Ratio Decidendi
Conheceu-se do recurso especial e deu-se-lhe provimento para afastar a condenação do Estado do Amazonas ao pagamento de danos morais, por entendimento do Superior Tribunal de Justiça de que não cabe indenização por nomeação tardia de candidatos aprovados em concurso público, e por verificar-se que o Tribunal a quo não incorreu em omissão quanto ao art. 489 do CPC, tendo fundamentado suficientemente sua decisão.
Court Disposition
Recurso especial conhecido e provido para afastar a condenação do Estado do Amazonas ao pagamento de danos morais
Orders
- Afastar a condenação do Estado do Amazonas ao pagamento de danos morais
- Publique-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Em análise, recurso especial interposto pelo ESTADO DO AMAZONAS, com fundamento no art. 105, III, a, da Constituição da República, contra acórdão proferido pelo TJAM, assim ementado, por seu caput (fl. 1.274): APELAÇÕES CÍVEIS. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DANO MORAL COLETIVO PELA DEMORA EM CUMPRIMENTO DE DECISÃO. POSSIBILIDADE. PRETENSÃO DE NOMEAÇÃO IMEDIATA DE CANDIDATOS APROVADOS NO CONCURSO DA SUSAM DE 2014. EXCESSIVAS CONTRATAÇÕES TEMPORÁRIAS. 6.499 SERVIDORES TEMPORÁRIOS. RENOVAÇÕES PARA ALÉM DO PRAZO DE VALIDADE. FLAGRANTE PRETERIÇÃO. CERTAME AINDA EM VALIDADE. DISCRICIONARIEDADE QUANTO AO MOMENTO DAS CONVOCAÇÕES. PRECEDENTES STJ E STF. SENTENÇA PARCIALMENTE REFORMADA. RECURSO RECURSO DO ESTADO DO AMAZONAS DESPROVIDO. RECURSO DO MINISTÉRIO PÚBLICO PARCIALMENTE PROVIDO. O recorrente aponta violação ao art. 489 do CPC, ao fundamento de negativa de prestação jurisdicional e, no mérito, afronta aos arts. 1º do Decreto 20.910/1932 e 186 e 927 do Código Civil, por considerar descabido o pagamento de indenização decorrente da nomeação tardia dos aprovados no concurso público regido pelo Edital n. 001/2005-5EAD/AM. Proferido juízo positivo de admissibilidade pelo TJAM, os autos foram remetidos ao STJ. É o relatório. Passo a decidir. Quanto à alegada violação ao art. 489 do CPC, verifica-se que a Corte de origem dirimiu fundamentadamente a matéria submetida à sua apreciação, manifestando-se acerca dos temas necessários ao integral deslinde da controvérsia, não havendo omissão, contradição, obscuridade ou erro material. Concorde-se ou não com o resultado do julgamento, não é possível alegar negativa de prestação jurisdicional, porque a solução apresentada resolveu suficientemente a questão. Na jurisprudência do STJ: .. não há violação do art. 1.022 do CPC/2015 quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 165 do CPC/1973 e art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida" EDcl no MS n. 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016 (AgInt no AREsp 2.417.452/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 4/12/2023, DJe de 6/12/2023). No mérito, a Corte de origem reconheceu o direito dos servidores ao recebimento de indenização em decorrência de suas nomeações tardias no concurso público, aos seguintes fundamentos (fls. 1.284-1.287): Ocorre que o Ministério Público pleiteou dano moral coletivo, tendo sido tal pedido deferido, sendo o ponto central do apelo apresentado pelo Estado do Amazonas. Pois bem, o Estado do Amazonas aponta que a não seria devida tal condenação pois na época da realização certame de 2005, o STF entendia que o aprovado em concurso público detinha mera expectativa de direito. Além disso, em 2009 fora ajuizado Mandado de Segurança onde se obteve a ordem para nomeação dos aprovados no aludido certame, tendo tal decisão transitado em julgado somente em 18/11/2015, e o Estado cumprido a determinação em 04/01/2016. Ocorre que tais argumentos não merecem prosperar. Ora, antes mesmo da fixação da tese do STF em 2012 com relação ao direito à nomeação dos aprovados dentro do número de vagas de um concurso (RE 598.099/MS), a jurisprudência pátria já vinha adotando tal posicionamento. .. Desta feita, de fato, o Ente estatal descumpriu decisão judicial, no mínimo, de 2012 a 2016, configurando evidente prejuízo coletivo aos aprovados naquele certame. Insta ressaltar, ainda, que o parquet estadual até realizou recomendações ao Estado para cumprimento da decisão, tendo decorrido significativo lapso temporal, o que causou nítido dano moral coletivo, devendo o ser mantida tal condenação. Entretanto, o referido entendimento destoa da jurisprudência do STJ, segundo a qual, "os candidatos aprovados em concurso público, que tiveram suas nomeações tardiamente efetivadas, não têm direito à indenização, tampouco à retroação dos efeitos funcionais" (AgInt no AREsp n. 1.888.773/RJ, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 28/3/2022, DJe de 30/3/2022). No mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONCURSO PÚBLICO. NOMEAÇÃO E POSSE POR ORDEM JUDICIAL. INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. INDENIZAÇÃO DOS VENCIMENTOS E DEMAIS VANTAGENS NO PERÍODO ANTERIOR AO EXERCÍCIO DO CARGO. INDEVIDA. RE Nº 724.347/SP. ACORDÃO COM FUDAMENTO EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO STF. RESPONSABILIDADE DO CANDIDATO EM ACOMPANHAR A PUBLICAÇÃO DE TODOS OS ATOS, EDITAIS E COMUNICADOS REFERENTES AO CONCURSO PÚBLICO. ARGUMENTAÇÃO DISSSOCIADA. SÚMULA 284 DO STF. 1. Tendo o recurso sido interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. 2. É incabível o recurso especial quando a tese recursal é eminentemente constitucional, ainda que se tenha indicada nas razões do recurso especial violação ou interpretação divergente de dispositivos de lei federal, sob pena de usurpar competência do STF. 3. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, em consonância com a orientação emanada do Supremo Tribunal Federal, firmou a compreensão de que "os candidatos aprovados em concurso público, que tiveram suas nomeações tardiamente efetivadas, não têm direito à indenização, tampouco à retroação dos efeitos funcionais" (AgInt no AREsp n. 1.398.544/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 2/3/2020). 4. A apresentação de razões recursais dissociadas da fundamentação adotada pelo acórdão recorrido configura argumentação recursal deficiente, a não permitir a exata compreensão da controvérsia e inviabilizando o conhecimento do recurso especial. Incidência da Súmula 284 do STF. 5. Agravo interno não provido (AgInt no AREsp n. 2.151.204/PR, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 27/3/2023, DJe de 4/4/2023). ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. CONCURSO PÚBLICO. CANDIDATO APROVADO COMO EXCEDENTE. DESISTÊNCIA DE CONCORRENTES. RECLASSIFICAÇÃO E INSERÇÃO DENTRO DO ROL DE VAGAS OFERECIDAS. DIREITO PÚBLICO SUBJETIVO À NOMEAÇÃO EM CARGO PÚBLICO. IMPOSSIBILIDADE DE EFEITOS REMUNERATÓRIOS PRETÉRITOS. 1. A exoneração e a desistência de concorrentes mais bem classificados, ocorridas durante o prazo de validade do concurso, que ensejarem a reclassificação do excedente (cadastro de reserva) para dentro do número de vagas oferecidas inicialmente, fazem surgir em seu favor o direito público subjetivo à nomeação no cargo, observado o teor do RE 598.099/MS, julgado com repercussão geral. Jurisprudência do STJ. 2. Descabe indenização por nomeação tardia, ainda que sob a roupagem de "remuneração atrasada". Inteligência do RE 724.347/DF, rel. Ministro Roberto Barroso. 3. Recurso ordinário em mandado de segurança parcialmente provido (RMS n. 66.903/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 21/6/2022, DJe de 24/6/2022). Isso posto, conheço do recurso especial e dou-lhe provimento, a fim de afastar a condenação do Estado do Amazonas ao pagamento de danos morais. Publique-se. Intimem-se. EMENTA