REsp 1500204 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque a revisão pretendida demandaria revolvimento do conjunto fático-probatório (óbie da Súmula 7/STJ), o acórdão recorrido apresentou fundamentação suficiente (não ocorreu violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015), e o recorrente não indicou com precisão dispositivo legal...
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- Parties
- Recorrente: Augusto Siede - Espólio
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgamento Colegiado
- Outcome
- agravo interno improvido
- Legal Topics
- Decadência Administrativa, Anuênios, Anulação De Ato Administrativo, Devolução De Valores, Reposição Ao Erário, Súmula 7/stj, Súmula 284/stf, Competência Do STJ
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Summary, issues, holding and outcome
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Parties
Augusto Siede - Espólio
Recorrente
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgamento Colegiado
Legal Issues
- 1 violação dos arts. 131, 458, II, e 535, I e II, do CPC/1973 (arts. 371, 489 e 1.022 do CPC/2015)
- 2 incidência da Súmula n. 7 do STJ (vedação ao reexame de fatos e provas)
- 3 decadência do direito da Administração de anular seus atos (art. 54 da Lei 9.784/99)
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque a revisão pretendida demandaria revolvimento do conjunto fático-probatório (óbie da Súmula 7/STJ), o acórdão recorrido apresentou fundamentação suficiente (não ocorreu violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015), e o recorrente não indicou com precisão dispositivo legal federal violado, além de pretender discussão de matéria de natureza constitucional fora da competência do STJ (art. 105, III, a, da CF).
Court Disposition
agravo interno improvido
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Manter a decisão recorrida
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 05/03/2024 a 11/03/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DIREITO ADMINISTRATIVO. AÇÃO ORDINÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO CIVIL. DESCONTOS INDEVIDOS. DEVOLUÇÃO DE VALORES. ANULAÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO. ANUÊNIOS. REPOSIÇÃO AO ERÁRIO. JUROS DE MORA. REPERCUSSÃO GERAL. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO STJ. SÚMULA N. 284 DO STF. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. I - Na origem, trata-se de ação judicial proposta por servidor federal aposentado, que busca a anulação do ato administrativo que determinou a supressão e devolução dos valores pagos a título de 7% de anuênios, no período de janeiro de 1991 a abril de 2003. Na sentença o pedido foi julgado parcialmente procedente. No Tribunal a quo, a sentença foi reformada . Opostos embargos aclaratórios, estes foram parcialmente providos. II - No tocante à suposta violação dos arts. 131, 458, II, e 535, I e II, do CPC/1973 (atualmente arts. 371, 489 e 1.022 do CPC/2015), não assiste razão à parte recorrente. A análise do acórdão recorrido, em conjunto com a sua decisão integrativa, revela que o Tribunal de origem adotou fundamentação necessária e suficiente à solução integral da controvérsia que lhe foi devolvida. Conforme a pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, não ocorre a violação dos arts. 489 e 1.022, todos do CPC/2015, quando as questões discutidas nos autos são analisadas, mesmo que implicitamente, ou ainda afastadas de maneira embasada pela Corte Julgadora originária, posto que a mera insatisfação da parte com o conteúdo da decisão exarada não denota deficiência na fundamentação decisória, nem autoriza a oposição de embargos declaratórios. Ainda de acordo com o entendimento consolidado desta Corte Superior, a violação supramencionada tampouco ocorre quando, suficientemente fundamentado o acórdão impugnado, o Tribunal de origem deixa de enfrentar e rebater, individualmente, cada um dos argumentos apresentados pelas partes, uma vez que não está obrigado a proceder dessa forma. III - Nesse sentido, destaco os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 2.114.904/RS, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 15/12/2022, DJe de 19/12/2022; REsp n. 1.964.457/RJ, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, julgado em 3/5/2022, DJe de 11/5/2022. IV - A pretensão recursal de rever o posicionamento adotado no acórdão recorrido teria necessariamente que passar pela revisão de todo o conjunto fático/probatório apresentado, a qual poderia até mesmo não ser suficiente, demandando outras provas. Ocorre que tal atividade probatória é típica das instâncias ordinárias, sendo vedada nas instâncias extraordinárias. Logo, o recurso é inviável, assim porque chegar a entendimento diverso, in casu, demandaria revolvimento fático-probatório inviável em recurso especial ante o óbice da Súmula n. 7/STJ. V - No que toca à suposta violação do art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal, o recurso especial não comporta conhecimento. Depreende-se do art. 105, III, a, da Constituição Federal, que a competência do Superior Tribunal de Justiça, na via do recurso especial, encontra-se vinculada à interpretação e à uniformização do direito infraconstitucional federal. Dessa forma, não cumpre ao Superior Tribunal de Justiça, na via estreita do recurso especial, analisar a suposta violação de dispositivos constitucionais, nem mesmo para fins de prequestionamento, sob pena de usurpação da competência constitucionalmente atribuída ao Supremo Tribunal Federal para tratar da matéria de índole eminentemente constitucional, por meio do processamento e julgamento de recursos extraordinários, nos termos do art. 102, III, da Constituição Federal. VI - Nesse sentido, destaco os seguintes precedentes: REsp n. 2.356.009/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 5/9/2023, DJe de 11/9/2023; AgInt no AREsp n. 1.851.158/PE, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 28/8/2023, DJe de 1º/9/2023; VII - Por fim, quanto ao afastamento da Lei n. 11.960/2009, depreende-se do art. 105, III, a, da Constituição Federal, que a competência do Superior Tribunal de Justiça, na via estreita do recurso especial, encontra-se vinculada à interpretação e à uniformização do direito infraconstitucional federal. Nesse contexto, impõe-se não apenas a indicação específica e precisa do dispositivo legal federal supostamente contrariado pelo Tribunal de origem no acórdão recorrido, mas também a delimitação da violação da matéria insculpida no regramento indicado, para que, assim, seja viabilizado o necessário confronto interpretativo e, consequentemente, o cumprimento da incumbência constitucional revelada com a uniformização do direito infraconstitucional sob exame. VIII - A análise das razões recursais revela que a parte recorrente não amparou o seu inconformismo na violação de nenhum dispositivo legal federal específico, limitando-se a apresentar seus argumentos e a fazer alusões à legislação infraconstitucional federal. Conclui-se que a requerente não logrou indicar, com as adequadas especificidade e precisão, o dispositivo legal infraconstitucional federal que teria sido violado no acórdão recorrido. Diante da deficiência do pleito recursal acima pronunciada, aplica-se à hipótese em tela, por analogia, o óbice constante do enunciado da Súmula n. 284 do STF, segundo o qual in verbis: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia." IX - Nesse sentido, destaco os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 2.071.388/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 17/10/2022, DJe de 21/11/2022; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.999.138/CE, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 24/10/2022, DJe de 3/11/2022. X - Agravo interno improvido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto contra decisão que julgou recurso especial interposto por Augusto Siede - Espólio com fundamento no art. 105, III, a e c, da Constituição Federal. A decisão recorrida tem o seguinte dispositivo: "Ante o exposto, com fundamento no art. 255, § 4º, I, do RISTJ, não conheço do recurso especial." No agravo interno, a parte recorrente traz, resumidamente, os seguintes argumentos: A decisão, contudo, merece reforma. Daí o presente recurso. .. Como relatado, o Excelentíssimo Ministro Relator entendeu que a questão de fundo defendida no recurso, ou seja, a existência de decadência do direto de a administração anular seus atos, esbarraria no óbice da Súmula 7/STJ. No entanto, não há nenhuma necessidade de reexame do conjunto fático probatório, na medida em que todas as informações pertinentes à apreciação da insurgência recursal estão tratadas no acórdão recorrido. Houve que o entendimento aplicado é diverso do que a jurisprudência desta Corte entende adequado em casos análogos. .. Embora o acórdão recorrido adentre na questão da tramitação do processo administrativo, o que poderia atrair a incidência da Súmula 7/STJ, é de se observar que as razões da parte autora são no sentido de que o acórdão recorrido viola o disposto no art. 54, caput e §2º, da Lei n.º 9.784/99, por afastar a decadência. Assim, não há na argumentação recursal qualquer ponto que demande reanálise do processo administrativo. O recurso, portanto, funda-se em apresentar a violação ao art. 54, da Lei 9.784/99, o que não enseja apreciação de matéria fática. A tese da parte autora é de que, mesmo que seja considerado como termo inicial para a contagem do prazo decadencial, a data de entrada em vigor do referido diploma legal, ou seja, 1º/02/1999, contados 5 anos da data, o prazo para a administração revisar o ato findaria em 1º/02/2004. Dessa forma, está configurada a decadência do direito da administração em de revisar o ato, eis que a notificação da anulação do ato administrativo se deu apenas em 11/01/2005. Cumpre salientar que a data da notificação, ocorrida em 11/01/2005, é fato incontroverso, restando decidir acerca de essa ser ou não o termo adequado para fixação do prazo decadencial. Para o acórdão recorrido, que afastou a decadência nos mesmos termos da sentença, o termo interruptivo da decadência foi o ato que determinou a supressão da rubrica do servidor ocorrido em fevereiro/2003 (data que consta na sentença, conforme trecho acima colacionado). É esta a controvérsia, que, como se vê, não demanda reanálise fática, pois as datas são incontroversas, trata-se de saber da aplicação do direito. Com efeito, a incidência da decadência do direito da Administração de revisar seus atos é matéria estritamente de direito, e muito já analisada por esta Corte Superior. .. Aliás, há precedentes que tratam justamente da redução/supressão do percentual da rubrica anuênios, caso semelhante ao dos autos, que foram apreciados por este Superior Tribunal de Justiça, sem que fosse aventada a incidência da Súmula 7/STJ: .. Nessa perspectiva, é evidente a desnecessidade de reexame de matéria fática, de modo que a pretensão recursal merece ser examinada por esta Corte. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DIREITO ADMINISTRATIVO. AÇÃO ORDINÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO CIVIL. DESCONTOS INDEVIDOS. DEVOLUÇÃO DE VALORES. ANULAÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO. ANUÊNIOS. REPOSIÇÃO AO ERÁRIO. JUROS DE MORA. REPERCUSSÃO GERAL. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO STJ. SÚMULA N. 284 DO STF. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. I - Na origem, trata-se de ação judicial proposta por servidor federal aposentado, que busca a anulação do ato administrativo que determinou a supressão e devolução dos valores pagos a título de 7% de anuênios, no período de janeiro de 1991 a abril de 2003. Na sentença o pedido foi julgado parcialmente procedente. No Tribunal a quo, a sentença foi reformada . Opostos embargos aclaratórios, estes foram parcialmente providos. II - No tocante à suposta violação dos arts. 131, 458, II, e 535, I e II, do CPC/1973 (atualmente arts. 371, 489 e 1.022 do CPC/2015), não assiste razão à parte recorrente. A análise do acórdão recorrido, em conjunto com a sua decisão integrativa, revela que o Tribunal de origem adotou fundamentação necessária e suficiente à solução integral da controvérsia que lhe foi devolvida. Conforme a pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, não ocorre a violação dos arts. 489 e 1.022, todos do CPC/2015, quando as questões discutidas nos autos são analisadas, mesmo que implicitamente, ou ainda afastadas de maneira embasada pela Corte Julgadora originária, posto que a mera insatisfação da parte com o conteúdo da decisão exarada não denota deficiência na fundamentação decisória, nem autoriza a oposição de embargos declaratórios. Ainda de acordo com o entendimento consolidado desta Corte Superior, a violação supramencionada tampouco ocorre quando, suficientemente fundamentado o acórdão impugnado, o Tribunal de origem deixa de enfrentar e rebater, individualmente, cada um dos argumentos apresentados pelas partes, uma vez que não está obrigado a proceder dessa forma. III - Nesse sentido, destaco os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 2.114.904/RS, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 15/12/2022, DJe de 19/12/2022; REsp n. 1.964.457/RJ, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, julgado em 3/5/2022, DJe de 11/5/2022. IV - A pretensão recursal de rever o posicionamento adotado no acórdão recorrido teria necessariamente que passar pela revisão de todo o conjunto fático/probatório apresentado, a qual poderia até mesmo não ser suficiente, demandando outras provas. Ocorre que tal atividade probatória é típica das instâncias ordinárias, sendo vedada nas instâncias extraordinárias. Logo, o recurso é inviável, assim porque chegar a entendimento diverso, in casu, demandaria revolvimento fático-probatório inviável em recurso especial ante o óbice da Súmula n. 7/STJ. V - No que toca à suposta violação do art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal, o recurso especial não comporta conhecimento. Depreende-se do art. 105, III, a, da Constituição Federal, que a competência do Superior Tribunal de Justiça, na via do recurso especial, encontra-se vinculada à interpretação e à uniformização do direito infraconstitucional federal. Dessa forma, não cumpre ao Superior Tribunal de Justiça, na via estreita do recurso especial, analisar a suposta violação de dispositivos constitucionais, nem mesmo para fins de prequestionamento, sob pena de usurpação da competência constitucionalmente atribuída ao Supremo Tribunal Federal para tratar da matéria de índole eminentemente constitucional, por meio do processamento e julgamento de recursos extraordinários, nos termos do art. 102, III, da Constituição Federal. VI - Nesse sentido, destaco os seguintes precedentes: REsp n. 2.356.009/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 5/9/2023, DJe de 11/9/2023; AgInt no AREsp n. 1.851.158/PE, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 28/8/2023, DJe de 1º/9/2023; VII - Por fim, quanto ao afastamento da Lei n. 11.960/2009, depreende-se do art. 105, III, a, da Constituição Federal, que a competência do Superior Tribunal de Justiça, na via estreita do recurso especial, encontra-se vinculada à interpretação e à uniformização do direito infraconstitucional federal. Nesse contexto, impõe-se não apenas a indicação específica e precisa do dispositivo legal federal supostamente contrariado pelo Tribunal de origem no acórdão recorrido, mas também a delimitação da violação da matéria insculpida no regramento indicado, para que, assim, seja viabilizado o necessário confronto interpretativo e, consequentemente, o cumprimento da incumbência constitucional revelada com a uniformização do direito infraconstitucional sob exame. VIII - A análise das razões recursais revela que a parte recorrente não amparou o seu inconformismo na violação de nenhum dispositivo legal federal específico, limitando-se a apresentar seus argumentos e a fazer alusões à legislação infraconstitucional federal. Conclui-se que a requerente não logrou indicar, com as adequadas especificidade e precisão, o dispositivo legal infraconstitucional federal que teria sido violado no acórdão recorrido. Diante da deficiência do pleito recursal acima pronunciada, aplica-se à hipótese em tela, por analogia, o óbice constante do enunciado da Súmula n. 284 do STF, segundo o qual in verbis: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia." IX - Nesse sentido, destaco os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 2.071.388/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 17/10/2022, DJe de 21/11/2022; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.999.138/CE, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 24/10/2022, DJe de 3/11/2022. X - Agravo interno improvido. VOTO O agravo interno não merece provimento. No tocante à suposta violação dos arts. 131, 458, II, e 535, I e II, do CPC/1973 (atualmente arts. 371, 489 e 1.022, do CPC/2015), não assiste razão à parte recorrente. A análise do acórdão recorrido, em conjunto com a sua decisão integrativa, revela que o Tribunal de origem adotou fundamentação necessária e suficiente à solução integral da controvérsia que lhe foi devolvida. Conforme a pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, não ocorre a violação dos arts. 489 e 1.022, todos do CPC/2015, quando as questões discutidas nos autos são analisadas, mesmo que implicitamente, ou ainda afastadas de maneira embasada pela Corte Julgadora originária, posto que a mera insatisfação da parte com o conteúdo da decisão exarada não denota deficiência na fundamentação decisória, nem autoriza a oposição de embargos declaratórios. Ainda de acordo com o entendimento consolidado desta Corte Superior, a violação supramencionada tampouco ocorre quando, suficientemente fundamentado o acórdão impugnado, o Tribunal de origem deixa de enfrentar e rebater, individualmente, cada um dos argumentos apresentados pelas partes, uma vez que não está obrigado a proceder dessa forma. Nesse sentido, destaco os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 2.114.904/RS, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 15/12/2022, DJe de 19/12/2022; REsp n. 1.964.457/RJ, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, julgado em 3/5/2022, DJe de 11/5/2022. Em relação à decadência o Tribunal de origem, assim se pronunciou: Compartilho do entendimento firmado pelo Juízo singular no sentido de que não tendo se operado a decadência do direito de anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, caso dos autos, tem a Administração o dever legal de fazê-lo. A pretensão recursal de rever o posicionamento adotado no acórdão recorrido teria necessariamente que passar pela revisão de todo o conjunto fático/probatório apresentado, a qual poderia até mesmo não ser suficiente, demandando outras provas. Ocorre que tal atividade probatória é típica das instâncias ordinárias, sendo vedada nas instâncias extraordinárias. Logo, o recurso é inviável, assim porque chegar a entendimento diverso, in casu, demandaria revolvimento fático-probatório inviável em recurso especial ante o óbice da Súmula n. 7/STJ. No que toca à suposta violação do art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal, o recurso especial não comporta conhecimento. Depreende-se do art. 105, III, a, da Constituição Federal, que a competência do Superior Tribunal de Justiça, na via do recurso especial, encontra-se vinculada à interpretação e à uniformização do direito infraconstitucional federal. Dessa forma, não cumpre ao Superior Tribunal de Justiça, na via estreita do recurso especial, analisar a suposta violação de dispositivos constitucionais, nem mesmo para fins de prequestionamento, sob pena de usurpação da competência constitucionalmente atribuída ao Supremo Tribunal Federal para tratar da matéria de índole eminentemente constitucional, por meio do processamento e julgamento de recursos extraordinários, nos termos do art. 102, III, da Constituição Federal. Nesse sentido, destaco os seguintes precedentes: REsp n. 2.356.009/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 5/9/2023, DJe de 11/9/2023; AgInt no AREsp n. 1.851.158/PE, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 28/8/2023, DJe de 1º/9/2023; Por fim, quanto ao afastamento da Lei n. 11.960/2009, depreende-se do art. 105, III, a, da Constituição Federal, que a competência do Superior Tribunal de Justiça, na via estreita do recurso especial, encontra-se vinculada à interpretação e à uniformização do direito infraconstitucional federal. Nesse contexto, impõe-se não apenas a indicação específica e precisa do dispositivo legal federal supostamente contrariado pelo Tribunal de origem no acórdão recorrido, mas também a delimitação da violação da matéria insculpida no regramento indicado, para que, assim, seja viabilizado o necessário confronto interpretativo e, consequentemente, o cumprimento da incumbência constitucional revelada com a uniformização do direito infraconstitucional sob exame. A análise das razões recursais revela que a parte recorrente não amparou o seu inconformismo na violação de nenhum dispositivo legal federal específico, limitando-se a apresentar seus argumentos e a fazer alusões à legislação infraconstitucional federal. Conclui-se que a requerente não logrou indicar, com as adequadas especificidade e precisão, o dispositivo legal infraconstitucional federal que teria sido violado no acórdão recorrido. Diante da deficiência do pleito recursal acima pronunciada, aplica-se à hipótese em tela, por analogia, o óbice constante do enunciado da Súmula n. 284 do STF, segundo o qual in verbis: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia." Nesse sentido, destaco os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 2.071.388/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 17/10/2022, DJe de 21/11/2022; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.999.138/CE, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 24/10/2022, DJe de 3/11/2022. Ante o exposto, não havendo razões para modificar a decisão recorrida, nego provimento ao agravo interno. É o voto.