AREsp 2480861 - ACORDAO
O agravo interno foi negado provimento por ser manifestamente intempestivo: a parte foi intimada em 01/06/2023 e interpôs o agravo em 26/06/2023, ultrapassando o prazo de 15 dias úteis previsto no CPC/2015; além disso, não é possível comprovar a tempestividade após a interposição do recurso, salvo a exceção restrita...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Decisão Colegiada
- Outcome
- Agravo interno improvido
- Legal Topics
- Declaração De Inexistência De Débito, Obrigação De Fazer, Danos Morais, Tutela De Urgência, Intempestividade Recursal, Feriado Local (segunda Feira De Carnaval), Comprovação Da Tempestividade
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Procedural Posture
Agravo Interno / Decisão Colegiada
Legal Issues
- 1 prazo recursal e intempestividade
- 2 possibilidade de comprovação de feriado local após a interposição do recurso
- 3 aplicação do Enunciado Administrativo n. 3 da Súmula do STJ
Ratio Decidendi
O agravo interno foi negado provimento por ser manifestamente intempestivo: a parte foi intimada em 01/06/2023 e interpôs o agravo em 26/06/2023, ultrapassando o prazo de 15 dias úteis previsto no CPC/2015; além disso, não é possível comprovar a tempestividade após a interposição do recurso, salvo a exceção restrita ao feriado de segunda-feira de carnaval cujos efeitos foram modulados e não se aplicam ao caso.
Court Disposition
Agravo interno improvido
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 23/04/2024 a 29/04/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. CONSUMIDOR. DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO, C/C OBRIGAÇÃO DE FAZER, DANOS MORAIS E TUTELA DE URGÊNCIA. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO N. 3 DA SÚMULA DO STJ. INTEMPESTIVIDADE. COMPROVAÇÃO. ATO DE INTERPOSIÇÃO DO RECURSO. I - Na origem, trata-se de ação declaratória de inexistência de débito, c/c obrigação de fazer, danos morais e tutela de urgência movida pela agravante, em face da agravada. Na sentença, os pedidos iniciais foram julgados improcedentes, ao passo que foi julgado procedente o pedido convencional para condenar requerida ao pagamento do valor de R$ 32.197,40 (trinta e dois mil, cento e noventa e sete reais e quarenta centavos). No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. II - Aplica-se ao recurso o Enunciado Administrativo n. 3 da Súmula do STJ, segundo o qual: "Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC." III - A parte recorrente foi intimada da decisão agravada em 1º/6/2023, sendo o agravo somente interposto em 26/6/2023. O recurso é, pois, manifestamente intempestivo, porquanto interposto fora do prazo de 15 (quinze) dias úteis, nos termos do art. 994, VIII, c/c os arts. 1.003, § 5º, 1.042, caput, e 219, caput, todos do Código de Processo Civil. A Corte Especial, no julgamento do AREsp 957.821, em 20/11/2017, chegou à conclusão de que, na vigência do Código de Processo Civil de 2015, não é possível a pretensão de comprovação da tempestividade após a interposição do recurso. IV - Recentemente, a Corte Especial decidiu que a regra da impossibilidade de comprovação da tempestividade, posteriormente à interposição do recurso, não deveria ser aplicada no caso em que se trate do feriado de segunda-feira de carnaval. Permite-se assim, que a parte comprove, posteriormente à interposição do recurso, na primeira oportunidade, a ocorrência do feriado local, nessa hipótese. O entendimento foi fixado no REsp 1.813.684/SP e, posteriormente, ratificado no julgamento da questão de ordem no mesmo recurso, quando se explicitou que a mesma interpretação não poderia ser estendida para outros feriados, que não fossem o feriado de segunda-feira de carnaval. Também ficou consignado no julgamento ocorrido, em 2/10/2019, o entendimento segundo o qual "é necessária a comprovação nos autos de feriado local por meio de documento idôneo no ato de interposição do recurso". Contudo, decidiu-se modular os efeitos da decisão, de modo que a tese firmada fosse aplicada tão somente aos recursos interpostos após a publicação do acórdão respectivo. V - Ainda, com relação ao feriado de segunda-feira de carnaval, modularam-se os efeitos do julgado para que somente se aplicasse aos recursos destinados à Corte, interpostos até a data da publicação do acórdão (18/11/2019). Nesse sentido: AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.277.983/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 25/9/2023, DJe de 27/9/2023; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.279.188/PR, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 9/10/2023, DJe de 11/10/2023; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.306.267/MG, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 16/10/2023, DJe de 19/10/2023. Considerando-se que o agravo em recurso especial foi interposto após a referida data, o recurso é intempestivo. VI - Agravo interno improvido.
RELATÓRIO O recurso especial foi interposto contra acórdão com o seguinte resumo de ementa: APELAÇÃO CÍVEL - DIREITO DO CONSUMIDOR CONCESSIONÁRIA DE ENERGIA ELÉTRICA - AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS - SENTENÇA QUE JULGOU A DEMANDA IMPROCEDENTE IRRESIGNA ÇÃ O DA AUTORA - PRELIMINAR DE NULIDADE DA SENTENÇA POR AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO - DECISÃO COERENTEMENTE FUNDAMENTADA REJEIÇÃO PRELIMINAR DE VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE ARGUIDA NAS CONTRARRAZÕES - NÃO ACOLHIMENTO - RAZÕES RECURSAIS QUE COMBATEM A SENTENÇA - MÉRITO RECURSAL INCIDÊNCIA DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR - RESPONSABILIDADE CIVIL - TESE AUTORAL PELA IRREGULARIDADE NO CORTE DE ENERGIA ELÉTRICA EM RAZÃO DA IMPUGNAÇÃO, NA VIA ADMINISTRATIVA, DO CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA APURADO NA FATURA DE DEZEMBRO/2019 PROCEDIMENTO DE APURAÇÃO DE CONSUMO UTILIZAÇAO DE ENERGIA ELÉTRICA SEM A DEVIDA CONTRAPRESTAÇÃO - IRREGULARIDADE NO MEDIDOR COMPROVADA RECUPERAÇÃO DE CONSUMO JUSTIFICADA E APURADA EM LAUDO ACOMPANHADO PELO ITPS - DÉBITO EXISTENTE INEXISTÊNCIA DE FALHA NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO ANTE O EXERCÍCIO REGULAR DO DIREITO DE CREDOR- CULPA EXCLUSIVA DO CONSUMIDOR APLICAÇÃO DO ARTIGO 14, §3º, INCISO II, DO DIPLOMA CONSUMERISTA, E DO ARTIGO 172, INCISO I, DA RESOLUÇÃO 414/2010 DA ANEEL - AUSÊNCIA DOS REQUISITOS DA RESPONSABILIZAÇÃO CIVIL OBJETIVA DA FORNECEDORA DE SERVIÇO PÚBLICO - TRANSFERÊNCIA DA TITULARIDADE DA UNIDADE CONSUMIDORA - ÔNUS DA AUTORA - ASTREINTES FIXADAS NA DECISÃO DE CONCESSÃO DA TUTELA ANTECIPADA QUE NÃO MERECEM INCIDÊNCIA CUMPRIMENTO TEMPESTIVO DA OBRIGAÇÃO DE FAZER FIXADA - RESTABELECIMENTO DA ENERGIA ELÉTRICA DENTRO DO PRAZO - SENTENÇA MANTIDA RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. Não se conheceu do recurso diante da sua intempestividade. Foi interposto agravo interno contra esta decisão. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. CONSUMIDOR. DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO, C/C OBRIGAÇÃO DE FAZER, DANOS MORAIS E TUTELA DE URGÊNCIA. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO N. 3 DA SÚMULA DO STJ. INTEMPESTIVIDADE. COMPROVAÇÃO. ATO DE INTERPOSIÇÃO DO RECURSO. I - Na origem, trata-se de ação declaratória de inexistência de débito, c/c obrigação de fazer, danos morais e tutela de urgência movida pela agravante, em face da agravada. Na sentença, os pedidos iniciais foram julgados improcedentes, ao passo que foi julgado procedente o pedido convencional para condenar requerida ao pagamento do valor de R$ 32.197,40 (trinta e dois mil, cento e noventa e sete reais e quarenta centavos). No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. II - Aplica-se ao recurso o Enunciado Administrativo n. 3 da Súmula do STJ, segundo o qual: "Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC." III - A parte recorrente foi intimada da decisão agravada em 1º/6/2023, sendo o agravo somente interposto em 26/6/2023. O recurso é, pois, manifestamente intempestivo, porquanto interposto fora do prazo de 15 (quinze) dias úteis, nos termos do art. 994, VIII, c/c os arts. 1.003, § 5º, 1.042, caput, e 219, caput, todos do Código de Processo Civil. A Corte Especial, no julgamento do AREsp 957.821, em 20/11/2017, chegou à conclusão de que, na vigência do Código de Processo Civil de 2015, não é possível a pretensão de comprovação da tempestividade após a interposição do recurso. IV - Recentemente, a Corte Especial decidiu que a regra da impossibilidade de comprovação da tempestividade, posteriormente à interposição do recurso, não deveria ser aplicada no caso em que se trate do feriado de segunda-feira de carnaval. Permite-se assim, que a parte comprove, posteriormente à interposição do recurso, na primeira oportunidade, a ocorrência do feriado local, nessa hipótese. O entendimento foi fixado no REsp 1.813.684/SP e, posteriormente, ratificado no julgamento da questão de ordem no mesmo recurso, quando se explicitou que a mesma interpretação não poderia ser estendida para outros feriados, que não fossem o feriado de segunda-feira de carnaval. Também ficou consignado no julgamento ocorrido, em 2/10/2019, o entendimento segundo o qual "é necessária a comprovação nos autos de feriado local por meio de documento idôneo no ato de interposição do recurso". Contudo, decidiu-se modular os efeitos da decisão, de modo que a tese firmada fosse aplicada tão somente aos recursos interpostos após a publicação do acórdão respectivo. V - Ainda, com relação ao feriado de segunda-feira de carnaval, modularam-se os efeitos do julgado para que somente se aplicasse aos recursos destinados à Corte, interpostos até a data da publicação do acórdão (18/11/2019). Nesse sentido: AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.277.983/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 25/9/2023, DJe de 27/9/2023; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.279.188/PR, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 9/10/2023, DJe de 11/10/2023; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.306.267/MG, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 16/10/2023, DJe de 19/10/2023. Considerando-se que o agravo em recurso especial foi interposto após a referida data, o recurso é intempestivo. VI - Agravo interno improvido. VOTO O recurso não merece provimento. A parte recorrente foi intimada da decisão agravada em 1º/6/2023, sendo o agravo somente interposto em 26/6/2023. O recurso é, pois, manifestamente intempestivo, porquanto interposto fora do prazo de 15 (quinze) dias úteis, nos termos do art. 994, VIII, c/c os arts. 1.003, § 5º, 1.042, caput, e 219, caput, todos do Código de Processo Civil. A Corte Especial, no julgamento do AREsp 957.821, em 20/11/2017, chegou à conclusão de que, na vigência do Código de Processo Civil de 2015, não é possível a pretensão de comprovação da tempestividade após a interposição do recurso, conforme se confere da ementa do acórdão: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FERIADO LOCAL. COMPROVAÇÃO. ATO DE INTERPOSIÇÃO DO RECURSO. 1. O propósito recursal é dizer, à luz do CPC/15, sobre a possibilidade de a parte comprovar, em agravo interno, a ocorrência de feriado local, que ensejou a prorrogação do prazo processual para a interposição do agravo em recurso especial. 2. O art. 1.003, § 6º, do CPC/15, diferentemente do CPC/73, é expresso no sentido de que "o recorrente comprovará a ocorrência de feriado local no ato de interposição do recurso". 3. Conquanto se reconheça que o novo Código prioriza a decisão de mérito, autorizando, inclusive, o STF e o STJ a desconsiderarem vício formal, o § 3º do seu art. 1.029 impõe, para tanto, que se trate de "recurso tempestivo". 4. A intempestividade é tida pelo Código atual como vício grave e, portanto, insanável. Daí porque não se aplica à espécie o disposto no parágrafo único do art. 932 do CPC/15, reservado às hipóteses de vícios sanáveis. 5. Seja em função de previsão expressa do atual Código de Processo Civil, seja em atenção à nova orientação do STF, a jurisprudência construída pelo STJ à luz do CPC/73 não subsiste ao CPC/15: ou se comprova o feriado local no ato da interposição do respectivo recurso, ou se considera intempestivo o recurso, operando-se, em consequência, a coisa julgada. 6. Agravo interno desprovido. Recentemente, a mesma Corte Especial decidiu que a regra da impossibilidade de comprovação da tempestividade, posteriormente à interposição do recurso, não deveria ser aplicada no caso em que se trate de feriado de carnaval. O entendimento foi fixado no REsp 1.813.684/SP e, posteriormente, ratificado no julgamento da questão de ordem no mesmo recurso, quando se entendeu que a mesma interpretação não poderia ser estendida para outros feriados, que não fossem o feriado de carnaval. Ainda, com relação ao feriado de segunda-feira de carnaval, modularam-se os efeitos do julgado para que somente se aplicasse aos recursos destinados à Corte, interpostos até a data da publicação do acórdão (18/11/2019). Nesse sentido: AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.277.983/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 25/9/2023, DJe de 27/9/2023; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.279.188/PR, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 9/10/2023, DJe de 11/10/2023; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.306.267/MG, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 16/10/2023, DJe de 19/10/2023. Considerando-se que o agravo em recurso especial foi interposto após a referida data, o recurso é intempestivo. Ante o exposto, não havendo razões para modificar a decisão recorrida, nego provimento ao agravo interno. É o voto.