HC 959366 - DECISAO
Concluiu-se que, com a condenação transitada em julgado, não cabe habeas corpus como substitutivo de revisão criminal quando não inaugurada a competência do STJ; além disso, as questões sobre deficiência da defesa não foram apreciadas pela corte de origem, o que configuraria supressão de instância; por esses...
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- Parties
- Paciente: FELIPE DA FONSECA VECHER; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 November 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida
- Outcome
- liminar indeferida
- Legal Topics
- Deficiência Da Defesa, Lavagem De Capitais, Trânsito Em Julgado, Revisão Criminal, Súmula 523 STF
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Parties
FELIPE DA FONSECA VECHER
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 possibilidade de impetração de habeas corpus contra acórdão com trânsito em julgado
- 2 uso do habeas corpus como substitutivo de revisão criminal
- 3 deficiência de defesa e alegado prejuízo ao réu
Ratio Decidendi
Concluiu-se que, com a condenação transitada em julgado, não cabe habeas corpus como substitutivo de revisão criminal quando não inaugurada a competência do STJ; além disso, as questões sobre deficiência da defesa não foram apreciadas pela corte de origem, o que configuraria supressão de instância; por esses fundamentos foi indeferida a liminar.
Court Disposition
liminar indeferida
Orders
- Indefiro liminarmente o habeas corpus.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus com pedido liminar impetrado em benefício de FELIPE DA FONSECA VECHER no qual se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO (Apelação n. 0005462-47.2014.8.06.0084). Depreende-se dos autos que o ora paciente foi condenado por infração aos arts. 58, caput, do Decreto-lei n. 3.688/1941; 1º da Lei n. 12.683/2012; e 288, caput e parágrafo único, do Código Penal. Interposta apelação, o Tribunal de origem negou provimento ao recurso de apelação da acusação e deu parcial provimento ao recurso da defesa, mantendo a condenação pelo delito de lavagem de capitais, reduzindo a pena para 4 anos de reclusão, em regime fechado. Daí o presente writ, no qual a defesa sustenta a deficiência da anterior defesa, ao argumento de que a então advogada não se utilizou dos recursos e argumentos cabíveis em benefício do acusado. Afirma a possibilidade da incidência da Súmula n. 523 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, tendo em vista o prejuízo do paciente pela deficiência da defesa. É o relatório. Decido. Preliminarmente, deve-se asseverar que a condenação do paciente transitou em julgado. Nesse contexto, não se pode olvidar que o Superior Tribunal de Justiça, de longa data, vem buscando fixar balizas para a racionalização do uso do habeas corpus, visando a garantia não apenas do curso natural das ações ou revisões criminais mas também da efetiva priorização do objeto ínsito ao remédio heroico, qual seja, o de prevenir ou remediar lesão ou ameaça de lesão ao direito de locomoção. Quanto à impossibilidade de impetração de habeas corpus em substituição à revisão criminal, quando já transitada em julgado a condenação do réu, esta Corte, em diversas ocasiões, já se pronunciou no sentido de que " n ão deve ser conhecido o writ que se volta contra acórdão condenatório já transitado em julgado, manejado como substitutivo de revisão criminal, em hipótese na qual não houve inauguração da competência desta Corte" (HC n. 730.555/SC, relator Ministro Olindo Menezes, Desembargador convocado do TRF 1ª Região, Sexta Turma, julgado em 9/8/2022, DJe de 15/8/2022). Nesse mesmo sentido, os seguintes precedentes: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ROUBO DUPLAMENTE MAJORADO TENTADO. INSURGÊNCIA CONTRA ACÓRDÃO TRANSITADO EM JULGADO. MANEJO DO WRIT COMO REVISÃO CRIMINAL. DESCABIMENTO. ILEGALIDADE FLAGRANTE NÃO DEMONSTRADA. REPRIMENDA INFERIOR A QUATRO ANOS. PENA-BASE FIXADA NO MÍNIMO LEGAL. REGIME MAIS GRAVOSO. POSSIBILIDADE. GRAVIDADE CONCRETA DA CONDUTA EVIDENCIADA. REFORMATIO IN PEJUS. NÃO OCORRÊNCIA. EFEITO DEVOLUTIVO AMPLO DO RECURSO DE APELAÇÃO. BIS IN IDEM. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. PETIÇÃO INICIAL LIMINARMENTE INDEFERIDA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Não deve ser conhecido o writ que se volta contra acórdão já transitada em julgado, manejado como substitutivo de revisão criminal, em hipótese na qual não houve inauguração da competência desta Corte. Precedentes da Quinta e Sexta Turmas do Superior Tribunal de Justiça. .. 6. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 751.156/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 9/8/2022, DJe de 18/8/2022, grifei.) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS INDEFERIDO LIMINARMENTE. TRÁFICO DE DROGAS. ACÓRDÃO TRANSITADO EM JULGADO. DOSIMETRIA. SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL. NÃO INAUGURADA A COMPETÊNCIA DO STJ. INADMISSIBILIDADE. AUMENTO DA PENA-BASE. ELEVADA QUANTIDADE DE DROGAS. PROPORCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA 182/STJ. Agravo regimental não conhecido. (AgRg no HC n. 751.137/SP, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 2/8/2022, DJe de 4/8/2022, grifei.) Ademais, as matérias que a defesa pretende ver examinadas, quais sejam, a deficiência de defesa e o consequente prejuízo para o réu, não foram sequer apreciadas pela Corte de origem, o que, por si só, não permitiria o exame da controvérsia, sob pena de indevida supressão de instância. Ante todo o exposto, indefiro liminarmente o habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA