AREsp 2541809 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque o recurso especial não indicou de forma clara e objetiva os dispositivos de lei federal supostamente violados, configurando deficiência de fundamentação e incidindo a Súmula 284/STF, e porque não se pode alegar violação de enunciado de súmula como fundamento para recurso...
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- Parties
- Agravante: FABIO ROBERTO LOTTI; Agravante: MARCO ANTONIO LOTTI
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Decisão Da TERCEIRA TURMA (agravo Interno Improvido)
- Outcome
- Agravo interno improvido
- Legal Topics
- Deficiência De Fundamentação, Não Especificação De Dispositivos Legais, Súmulas Vinculantes E Enunciados De Súmula
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Parties
FABIO ROBERTO LOTTI
Agravante
MARCO ANTONIO LOTTI
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Decisão Da TERCEIRA TURMA (agravo Interno Improvido)
Legal Issues
- 1 ausência de indicação precisa dos dispositivos de lei federal que teriam sido violados
- 2 impossibilidade de conhecimento de recurso especial por deficiência de fundamentação (Súmula 284/STF)
- 3 inadequação de utilizar enunciado de súmula como fundamento de recurso especial perante o STJ (Súmula 518/STJ)
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque o recurso especial não indicou de forma clara e objetiva os dispositivos de lei federal supostamente violados, configurando deficiência de fundamentação e incidindo a Súmula 284/STF, e porque não se pode alegar violação de enunciado de súmula como fundamento para recurso especial perante o STJ, nos termos da Súmula 518/STJ.
Court Disposition
Agravo interno improvido
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 06/08/2024 a 12/08/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Ricardo Villas Bôas Cueva, Marco Aurélio Bellizze e Moura Ribeiro votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. NÃO ESPECIFICAÇÃO DOS DISPOSITIVOS LEGAIS EVENTUALMENTE VIOLADOS. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. APLICAÇÃO DA SÚMULA N. 284/STF. ALEGADA OFENSA DE ENUNCIADO DE SÚMULA. SÚMULA N. 518/STJ. 1. O entendimento deste Superior Tribunal é firme no sentido de que, não sendo apontado de forma clara e objetiva o dispositivo de lei viabilizador do recurso especial, evidencia-se a deficiência na fundamentação, a atrair a incidência da Súmula n. 284/STF. 2 . Não cabe ao Superior Tribunal de Justiça apreciar a violação de enunciado de súmula em recurso especial, visto que o referido normativo não se insere no conceito de lei federal, previsto no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, consoante dispõe a Súmula n. 518 desta Corte. Agravo interno improvido.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO HUMBERTO MARTINS (relator): Cuida-se de agravo interno interposto por FABIO ROBERTO LOTTI e MARCO ANTONIO LOTTI contra decisão da Presidência do STJ por meio da qual não conheceu do agravo em recurso especial (fls. 463-464). Extrai-se dos autos que a parte agravante interpôs recurso especial, com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO cuja ementa guarda os seguintes termos (fl. 406): Execução de verba sucumbencial em incidente de cumprimento de sentença. Extinção pela consumação da prescrição intercorrente, nos termos do art. 924, V, do CPC/15. Irresignação dos exequentes que não comporta acolhida. Autos que ficaram no arquivo por 01 (um) ano, ante a não localização de bens em nome do executado, quando teve início o cômputo da prescrição intercorrente, vindo os exequentes a se manifestar no final do prazo para requerer o desarquivamento, sem nenhum pedido visando a localização de bens do executado e sequer instruído com as custas correlatas. A constrição de bens, ainda que parcial, é indispensável para que tenha o condão de interromper o prazo da prescrição na forma intercorrente, conforme se infere do art. 921, §§ 1º e 4º, do CPC. Busca de bens que não pode se dar de forma indefinida e não foi afetada especificamente pela Pandemia de Covid 19. Configuração do decurso ainda que se considere a suspensão do prazo em razão do disposto no art. 3º da Lei nº 14.010/2020. Prazo quinquenal que não se controverte. Recurso desprovido. Rejeitados os embargos de declaração opostos (fls. 418-422). Nas razões do recurso interno, a agravante aduz que, "ao contrário do que decidido, demonstrou a precisamente o dispositivo em paralelo ao entendimento divergente do dissídio elencado no recurso" e que "indicou que o entendimento do v. acórdão recorrido, estava afrontando a Súmula 106 desse E. STJ e, precipuamente, demonstrou pelo dissídio a divergência de entendimento dada" (fl. 469). Pugna, por fim, pelo provimento do agravo interno. Sem contrarrazões (fl. 479). É, no essencial, o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. NÃO ESPECIFICAÇÃO DOS DISPOSITIVOS LEGAIS EVENTUALMENTE VIOLADOS. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. APLICAÇÃO DA SÚMULA N. 284/STF. ALEGADA OFENSA DE ENUNCIADO DE SÚMULA. SÚMULA N. 518/STJ. 1. O entendimento deste Superior Tribunal é firme no sentido de que, não sendo apontado de forma clara e objetiva o dispositivo de lei viabilizador do recurso especial, evidencia-se a deficiência na fundamentação, a atrair a incidência da Súmula n. 284/STF. 2 . Não cabe ao Superior Tribunal de Justiça apreciar a violação de enunciado de súmula em recurso especial, visto que o referido normativo não se insere no conceito de lei federal, previsto no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, consoante dispõe a Súmula n. 518 desta Corte. Agravo interno improvido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO HUMBERTO MARTINS (relator): A decisão agravada não conheceu do agravo em razão da incidência da Súmula n. 284/STF, nos seguintes termos (fls. 167-168 ): Mediante análise do recurso de NELSON FREIRE DOS SANTOS, verifica-se que incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais federais que teriam sido violados ou quais dispositivos legais seriam objeto de dissídio interpretativo, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. Aplicável, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF". (AgInt no AREsp n. 1.684.101/MA, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 26/8/2020.) Também, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no sentido de que, "uma vez observado, no caso concreto, que nas razões do recurso especial não foram indicados os dispositivos de lei federal acerca dos quais supostamente há dissídio jurisprudencial, a única solução possível será o não conhecimento do recurso por deficiência de fundamentação, nos termos da Súmula 284/STF". (AgRg no REsp 1.346.588/DF, relator Ministro Arnaldo Esteves Lima, Corte Especial, DJe de 17/3/2014.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no ARESP n. 1.611.260/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 26/6/2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.675.932/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 4/5/2020; AgInt no REsp n. 1.860.286/RO, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 14/8/2020; AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.541.707/MS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 29/6/2020; AgRg no AREsp n. 1.433.038/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 14/8/2020; REsp n. 1.114.407/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe de 18/12/2009; e AgRg no EREsp n. 382.756/SC, relatora Ministra Laurita Vaz, Corte Especial, DJe de 17/12/2009. Conforme já consignado em decisão anterior, o recurso encontra óbice na Súmula n. 284/STF, porquanto a ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal. Além disso, na espécie, incide o óbice da Súmula n. 518/STJ, uma vez que a irresignação da agravante teve como espeque verbete da Súmula n. 106/STJ e não cabe a esta Corte Superior apreciar recurso especial com base nesses enunciados, pois não se enquadram no conceito de lei federal. Nesse sentido, confiram-se precedentes : AgInt no AREsp n. 1.728.296/ES, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 12/12/2022, DJe de 27/1/2023, AgRg no AREsp n. 2.079.741/MG, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 23/8/2022, DJe de 26/8/2022, AgInt no AgInt no AREsp n. 2.072.515/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 22/8/2022, DJe de 24/8/2022. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É como penso. É como voto.