AREsp 2826219 - ACORDAO
Não conhecer do agravo regimental porque o recurso especial não indicou com precisão os dispositivos legais federais supostamente violados, configurando deficiência de fundamentação nos termos da Súmula 284/STF, e porque o agravo regimental não impugnou especificamente os fundamentos da decisão agravada, violando o...
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- Parties
- Agravante: GUILHERME ALVES ARAUJO; Agravado: Presidência do Superior Tribunal de Justiça
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 May 2025
- Procedural Posture
- Agravo Regimental / Decisão De Não Conhecimento Proferida Pela Presidência Do STJ
- Outcome
- Agravo regimental não conhecido.
- Legal Topics
- Deficiência De Fundamentação, Princípio Da Dialeticidade, Súmula 284 STF, Súmula 182 STJ, Recurso Especial
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Parties
GUILHERME ALVES ARAUJO
Agravante
Presidência do Superior Tribunal de Justiça
Agravado
Procedural Posture
Agravo Regimental / Decisão De Não Conhecimento Proferida Pela Presidência Do STJ
Legal Issues
- 1 se a ausência de indicação precisa dos dispositivos legais violados no recurso especial inviabiliza seu conhecimento nos termos da Súmula 284 do STF
- 2 se o agravo regimental apresentou impugnação específica e pormenorizada dos fundamentos da decisão agravada, em observância ao princípio da dialeticidade e à Súmula 182 do STJ
Ratio Decidendi
Não conhecer do agravo regimental porque o recurso especial não indicou com precisão os dispositivos legais federais supostamente violados, configurando deficiência de fundamentação nos termos da Súmula 284/STF, e porque o agravo regimental não impugnou especificamente os fundamentos da decisão agravada, violando o princípio da dialeticidade (Súmula 182/STJ).
Court Disposition
Agravo regimental não conhecido.
Orders
- Agravo regimental não conhecido.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, não conhecer do agravo regimental. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca e Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto. Ausentes, justificadamente, os Srs. Ministros Ribeiro Dantas e Joel Ilan Paciornik. EMENTA Direito processual PENAL. Agravo regimental. Recurso especial. Deficiência de fundamentação. Não conhecimento. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão da Presidência do Superior Tribunal de Justiça que não conheceu do recurso especial, com base no art. 21-E, inciso V, do Regimento Interno do STJ, em razão da incidência da Súmula n. 284 do STF, por deficiência de fundamentação. 2. A parte recorrente não indicou precisamente os dispositivos legais federais que teriam sido violados, limitando-se a mencionar artigos de lei sem demonstrar a contestação de forma adequada. II. Questão em discussão 3. A questão em discussão consiste em saber se a ausência de indicação precisa dos dispositivos legais violados no recurso especial inviabiliza o seu conhecimento, conforme a Súmula n. 284 do STF. 4. Outra questão é se o agravo regimental apresentou impugnação específica e pormenorizada dos fundamentos da decisão agravada, em respeito ao princípio da dialeticidade. III. Razões de decidir 5. A ausência de indicação precisa dos dispositivos legais violados no recurso especial configura deficiência de fundamentação, inviabilizando o seu conhecimento, conforme a Súmula n. 284 do STF. 6. O agravo regimental não apresentou impugnação específica e pormenorizada dos fundamentos da decisão agravada, violando o princípio da dialeticidade, o que enseja a aplicação da Súmula n. 182 do STJ. 7. A manutenção da decisão agravada é justificada pela ausência de argumentos aptos a alterar a compreensão anteriormente firmada. IV. Dispositivo e tese 8. Agravo regimental não conhecido. Tese de julgamento: "1. A ausência de indicação precisa dos dispositivos legais violados no recurso especial inviabiliza o seu conhecimento, conforme a Súmula n. 284 do STF. 2. A impugnação no agravo regimental deve ser específica e pormenorizada, sob pena de incidência da Súmula n. 182 do STJ". Dispositivos relevantes citados: RISTJ, art. 21-E, inciso V. Jurisprudência relevante citada: STF, Súmula 284; STJ, Súmula 182; STJ, AgInt no AREsp 1.777.324/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, Sexta Turma, j. 02.02.2021; STJ, AgRg no AREsp 2.087.876/MG, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, j. 16.09.2022.
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto por GUILHERME ALVES ARAUJO contra a decisão da Presidência desta Corte que, fundamentada no art. 21-E, inciso V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheceu do recurso especial, por incidência da Súmula n. 284, STF (fls. 347/348). Nas razões recursais, a Defesa reitera os fundamentos expostos no recurso especial e no agravo em recurso especial, aduzindo que o presente recurso merece provimento. Requer seja o presente agravo regimental conhecido e provido a fim de que seja aplicada a causa de diminuição do tráfico privilegiado, bem como a fixação d o regime aberto para início de cumprimento de pena e a substituição da reprimenda corporal pela restritiva de direitos (fls. 354/358). É o relatório. EMENTA Direito processual PENAL. Agravo regimental. Recurso especial. Deficiência de fundamentação. Não conhecimento. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão da Presidência do Superior Tribunal de Justiça que não conheceu do recurso especial, com base no art. 21-E, inciso V, do Regimento Interno do STJ, em razão da incidência da Súmula n. 284 do STF, por deficiência de fundamentação. 2. A parte recorrente não indicou precisamente os dispositivos legais federais que teriam sido violados, limitando-se a mencionar artigos de lei sem demonstrar a contestação de forma adequada. II. Questão em discussão 3. A questão em discussão consiste em saber se a ausência de indicação precisa dos dispositivos legais violados no recurso especial inviabiliza o seu conhecimento, conforme a Súmula n. 284 do STF. 4. Outra questão é se o agravo regimental apresentou impugnação específica e pormenorizada dos fundamentos da decisão agravada, em respeito ao princípio da dialeticidade. III. Razões de decidir 5. A ausência de indicação precisa dos dispositivos legais violados no recurso especial configura deficiência de fundamentação, inviabilizando o seu conhecimento, conforme a Súmula n. 284 do STF. 6. O agravo regimental não apresentou impugnação específica e pormenorizada dos fundamentos da decisão agravada, violando o princípio da dialeticidade, o que enseja a aplicação da Súmula n. 182 do STJ. 7. A manutenção da decisão agravada é justificada pela ausência de argumentos aptos a alterar a compreensão anteriormente firmada. IV. Dispositivo e tese 8. Agravo regimental não conhecido. Tese de julgamento: "1. A ausência de indicação precisa dos dispositivos legais violados no recurso especial inviabiliza o seu conhecimento, conforme a Súmula n. 284 do STF. 2. A impugnação no agravo regimental deve ser específica e pormenorizada, sob pena de incidência da Súmula n. 182 do STJ". Dispositivos relevantes citados: RISTJ, art. 21-E, inciso V. Jurisprudência relevante citada: STF, Súmula 284; STJ, Súmula 182; STJ, AgInt no AREsp 1.777.324/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, Sexta Turma, j. 02.02.2021; STJ, AgRg no AREsp 2.087.876/MG, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, j. 16.09.2022. VOTO A irresignação não pode sequer ser conhecida. A Presidência desta Corte Superior não conheceu do recuso especial, por incidência do óbice da Súmula n. 284, STF, tendo em vista que a parte se absteve de indicar quais dispositivos de lei federais foram violados, destacando que a simples menção a um artigo de lei não não é suficiente para demonstrar a contestação (fl. 347): "Por meio da análise do recurso de GUILHERME ALVES ARAUJO, verifica- se que incide a Súmula n. 284/STF, porquanto a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais federais que teriam sido violados ou quais dispositivos legais seriam objeto de dissídio interpretativo, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. Aplicável, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF". (AgInt no AR Esp n. 1.684.101/MA, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, D Je de 26.8.2020.) Também, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no sentido de que, "uma vez observado, no caso concreto, que nas razões do recurso especial não foram indicados os dispositivos de lei federal acerca dos quais supostamente há dissídio jurisprudencial, a única solução possível será o não conhecimento do recurso por deficiência de fundamentação, nos termos da Súmula 284/STF". (AgRg no R Esp 1.346.588/DF, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Corte Especial, D Je de 17.3.2014.) (..)." Por essa razão, foi aplicada a regra contida no art. 21-E, inciso V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, ocasionando o não conhecimento do do recurso especial. Caberia, assim, ao agravo regimental, em respeito ao princípio da dialeticidade, apontar o equívoco da decisão agravada, bem como ter esclarecido o rechaço aos pontos esteares da decisão de admissibilidade, como comprovar, por meio da contraposição dos argumentos postos no recurso especial e conclusões do acórdão recorrido, a suficiência e adequação do inconformismo, bem como a indicação dos dispositivos constitucionais violados. O agravo regimental, contudo, não se desincumbiu dessa obrigação, abstendo-se de se manifestar a respeito da incidência da Súmula n. 284, STF (fls. 357/358). Ocorre que, em respeito ao princípio da dialeticidade, a impugnação à decisão monocrática deve ser clara e suficiente a demonstrar o equívoco dos fundamentos utilizados para solucionar a questão em detrimento aos interesses do ora agravante. Ressalto que cabe ao agravante demonstrar o equívoco da decisão em face da qual se insurge, sendo imprescindível a impugnação específica a todos os óbices por ela apontados, obrigação da qual não se desincumbiu. Vislumbro, portanto, manifesta ofensa ao princípio da dialeticidade, por ausência de impugnação específi ca e pormenorizada dos fundamentos da decisão agravada, o que inviabiliza o conhecimento deste regimental e enseja a incidência da Súmula n. 182, STJ, a qual dispõe: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada." Nesse sentido são os precedentes desta Corte: AgRg no AREsp n. 1.777.324/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 2/2/2021, DJe de 17/2/2021 e AgRg no AREsp n. 2.087.876/MG, Quinta Turma, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, DJe de 16/9/2022. Assim, haja vista que a parte não apresentou argumentos aptos a alterar a compreensão anteriormente firmada, a manutenção da decisão agravada é medida que se impõe. Ante o exposto, não conheço do agravo regimental. É o voto.