AREsp 2903718 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo regimental porque o agravante não indicou de forma clara e precisa os dispositivos legais federais supostamente violados, configurando deficiência na fundamentação que impede o conhecimento do recurso especial nos termos da Súmula n. 284/STF.
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: CYRILLO ANTONIO FERNANDES FURTADO; Órgão Julgador: Presidência do Superior Tribunal de Justiça
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 June 2025
- Procedural Posture
- Agravo Regimental / Acórdão
- Outcome
- Agravo regimental não provido.
- Legal Topics
- Deficiência De Fundamentação, Súmula N. 284/stf, Não Conhecimento Do Recurso Especial
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Parties
CYRILLO ANTONIO FERNANDES FURTADO
Agravante
Presidência do Superior Tribunal de Justiça
Órgão Julgador
Procedural Posture
Agravo Regimental / Acórdão
Legal Issues
- 1 se a ausência de indicação precisa dos dispositivos legais violados impede o conhecimento do recurso especial
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo regimental porque o agravante não indicou de forma clara e precisa os dispositivos legais federais supostamente violados, configurando deficiência na fundamentação que impede o conhecimento do recurso especial nos termos da Súmula n. 284/STF.
Court Disposition
Agravo regimental não provido.
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental
- Manter a decisão da Presidência que não conheceu do recurso especial por aplicação da Súmula n. 284/STF
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Sexta Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Og Fernandes, Sebastião Reis Júnior e Antonio Saldanha Palheiro votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Rogerio Schietti Cruz. EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão da Presidência do Superior Tribunal de Justiça que não conheceu do recurso especial, aplicando a Súmula n. 284/STF, por deficiência na fundamentação recursal. 2. A decisão agravada destacou a ausência de indicação clara e precisa dos dispositivos legais federais supostamente violados ou objeto de dissídio interpretativo, o que inviabiliza o conhecimento do recurso. II. Questão em discussão 3. A discussão consiste em saber se a ausência de indicação precisa dos dispositivos legais violados impede o conhecimento do recurso especial, conforme a Súmula n. 284/STF. III. Razões de decidir 4. A ausência de indicação clara e precisa dos dispositivos legais federais supostamente violados impede o conhecimento do recurso especial, por deficiência na fundamentação, conforme a Súmula n. 284/STF. 5. O agravante não apresentou argumentos capazes de infirmar a decisão agravada, mantendo-se a incidência da Súmula n. 284/STF. IV. Dispositivo e tese 6. Agravo regimental não provido. Tese de julgamento: A ausência de indicação clara e precisa dos dispositivos legais federais supostamente violados impede o conhecimento do recurso especial, por deficiência na fundamentação, conforme a Súmula n. 284/STF. Jurisprudência relevante citada: STF, Súmula n. 284; STJ, AgRg no AREsp 2.482.535/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 19/3/2024; STJ, AREsp 2.559.376/RO, Rel. Min. Messod Azulay, Quinta Turma, julgado em 7/5/2024.
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto por CYRILLO ANTONIO FERNANDES FURTADO contra a decisão proferida pela Presidência desta Corte que não conheceu do recurso especial, ante a incidência da Súmula n. 284/STF. Nas razões deste regimental, a parte agravante sustenta que foi devidamente fundamentado o que preceitua o art. 142, II, do Código Penal, que afirma que não constitui injúria ou difamação punível a opinião desfavorável da crítica, a não ser que haja inequívoca intenção de injuriar ou difamar, o que não se configura no caso em tela. Esta percepção é corroborada pela Lei 5.250, Art. 27, VIII, que isenta de abuso a crítica inspirada pelo interesse público, como objetivou o apelante ao abordar práticas de interesse social. A Procuradoria-Geral da República manifestou-se pelo não provimento do agravo regimental, mantendo-se incólume a decisão que não conheceu do agravo em recurso especial ou, caso assim não se entenda, pelo não conhecimento do recurso especial (fls. 276-279). É o relatório. EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão da Presidência do Superior Tribunal de Justiça que não conheceu do recurso especial, aplicando a Súmula n. 284/STF, por deficiência na fundamentação recursal. 2. A decisão agravada destacou a ausência de indicação clara e precisa dos dispositivos legais federais supostamente violados ou objeto de dissídio interpretativo, o que inviabiliza o conhecimento do recurso. II. Questão em discussão 3. A discussão consiste em saber se a ausência de indicação precisa dos dispositivos legais violados impede o conhecimento do recurso especial, conforme a Súmula n. 284/STF. III. Razões de decidir 4. A ausência de indicação clara e precisa dos dispositivos legais federais supostamente violados impede o conhecimento do recurso especial, por deficiência na fundamentação, conforme a Súmula n. 284/STF. 5. O agravante não apresentou argumentos capazes de infirmar a decisão agravada, mantendo-se a incidência da Súmula n. 284/STF. IV. Dispositivo e tese 6. Agravo regimental não provido. Tese de julgamento: A ausência de indicação clara e precisa dos dispositivos legais federais supostamente violados impede o conhecimento do recurso especial, por deficiência na fundamentação, conforme a Súmula n. 284/STF. Jurisprudência relevante citada: STF, Súmula n. 284; STJ, AgRg no AREsp 2.482.535/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 19/3/2024; STJ, AREsp 2.559.376/RO, Rel. Min. Messod Azulay, Quinta Turma, julgado em 7/5/2024. VOTO O agravo regimental é próprio e tempestivo. No mérito, contudo, não merece acolhimento. A decisão da Presidência desta Corte Superior conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial, em aplicação ao óbice contido na Súmula n. 284/STF, fazendo-o sob os seguintes fundamentos (fls. 250-251): Por meio da análise do recurso de CYRILLO ANTONIO FERNANDES , verifica-se que incide a Súmula n. 284/STF, porquanto a parte recorrenteFURTADO deixou de indicar precisamente os dispositivos legais federais que teriam sido violados ou quais dispositivos legais seriam objeto de dissídio interpretativo, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. Aplicável, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia" . (..) Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do recurso. O agravante, contudo, não trouxe argumentos capazes de infirmar o decisum ora agravado. Conforme destacado na decisão monocrática, constata-se que, nas razões recursais, não houve indicação clara, precisa e inequívoca de dispositivo de lei federal supostamente violado ou objeto de interpretação divergente por outro tribunal, como seria necessário. Dessa forma, a fundamentação recursal apresenta-se deficiente, atraindo a incidência, por analogia, da mencionada Súmula n. 284/STF. Nos termos da referida súmula, a ausência de indicação dos dispositivos infraconstitucionais violados e sua particularização impede o conhecimento do recurso, por deficiência de fundamentação. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO MONOCRÁTICA DA PRESIDÊNCIA DO STJ. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DOS DISPOSITIVOS DE LEI FEDERAL SUPOSTAMENTE VIOLADOS. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284 DO STF. TESE DE PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA INOCORRENTE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A ausência de indicação, clara e precisa, dos dispositivos infraconstitucionais que teriam sido violados impede o conhecimento do recurso, por deficiência na sua fundamentação, conforme preceitua a Súmula 284 do STF. 2. Ainda que superado o mencionado óbice, a tese recursal de ocorrência da prescrição da pretensão punitiva não merece prosperar, pois, como fundamentado no acórdão, o processo ficou suspenso em razão da não localização do réu e de sua citação por edital, entre 7/5/2020 e 7/5/2022, data em que foi retomado o curso processual. 3. A orientação jurisprudencial desta Corte é de que o prazo máximo de suspensão do curso do processo e do prazo prescricional é regulado pelo máximo da pena cominada ao delito (art. 366 do Código de Processo Penal) sendo, no caso, de quatro anos o prazo prescricional (art.109, V, do Código Penal), reduzido pela metade diante da menoridade do recorrente na data dos fatos (art. 115 do Código de Processo Penal). 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp n. 2.482.535/SP, rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 19/3/2024, DJe 22/3/2024 - grifamos) EXECUÇÃO PENAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FALTA GRAVE. RECONHECIMENTO DE FALTA GRAVE. PERDA DE ATÉ 1/3 DOS DIAS REMIDOS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. ALEGADA IMPOSSIBILIDADE DA PERDA DOS DIAS REMIDOS. CONSEQUENCIA LEGAL DA FALTA GRAVE. SÚMULA N. 83/STJ. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE COMO O ACÓRDÃO VIOLOU OS DISPOSITIVOS LEGAIS APONTADOS. SÚMULA N. 284/STF. EVENTUAL AFASTAMENTO DA FALTA GRAVE. REVOLVIMENTO DE FATOS E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7/STJ. PRECEDENTES. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. I - A superação da Súmula n. 83, STJ exige a indicação de precedentes contemporâneos ou supervenientes capazes de alterar a modificação do julgado, ou a demonstração de distinguishing, o que não ocorreu no caso dos autos. II - Quanto ao óbice da Súmula n. 284, STF, o agravante deveria demonstrar de que forma os dispositivos legais foram violados, pois não basta deduzir a sua inaplicabilidade. III - A decisão que não admite o recurso especial tem dispositivo único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade. IV - A ausência de impugnação específica e pormenorizada dos fundamentos da decisão agravada inviabiliza o conhecimento do recurso, sendo insuficientes as assertivas de que todos os requisitos foram preenchidos ou a reiteração do mérito da controvérsia. Agravo em recurso especial não conhecido. (AREsp n. 2.559.376/RO, rel. Min. Messod Azulay, Quinta Turma, julgado em 7/5/2024, DJe 15/5/2024, grifamos). Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É o voto.