AREsp 2899594 - ACORDAO
O agravo interno foi desprovido porque o recorrente não indicou quais dispositivos legais federais teriam sido violados, evidenciando deficiência de fundamentação que atrai a Súmula 284/STF; ademais, havia fundamento autônomo e suficiente no acórdão de origem sobre a falta de zelo da instituição financeira quanto à...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: BANCO DO ESTADO DE SERGIPE S/A - BANESE
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 September 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Decisão Da Presidência E Julgamento Pela Quarta Turma (sessão Virtual)
- Outcome
- agravo interno desprovido
- Legal Topics
- Deficiência De Fundamentação, Súmula 284/stf, Súmula 283/stf, Responsabilidade Por Fraudes De Terceiros, Ausência De Indicação Dos Dispositivos Legais Violados
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
BANCO DO ESTADO DE SERGIPE S/A - BANESE
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Decisão Da Presidência E Julgamento Pela Quarta Turma (sessão Virtual)
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade por deficiência de fundamentação (Súmula 284/STF)
- 2 ausência de indicação dos dispositivos legais federais supostamente violados
- 3 responsabilidade civil de instituição financeira por não impedir movimentações atípicas
Ratio Decidendi
O agravo interno foi desprovido porque o recorrente não indicou quais dispositivos legais federais teriam sido violados, evidenciando deficiência de fundamentação que atrai a Súmula 284/STF; ademais, havia fundamento autônomo e suficiente no acórdão de origem sobre a falta de zelo da instituição financeira quanto à segurança das operações, não impugnado nas razões, o que inviabiliza o recurso por força da Súmula 283/STF.
Court Disposition
agravo interno desprovido
Orders
- negar provimento ao agravo interno
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 26/08/2025 a 01/09/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira, Marco Buzzi e João Otávio de Noronha votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA. RESPONSABILIDADE CIVIL. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. DANOS CAUSADOS POR FRAUDES OU DELITOS PRATICADOS POR TERCEIROS. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DOS DISPOSITIVOS LEGAIS VIOLADOS. SÚMULA 284/STF. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. É inadmissível o inconformis mo por deficiência na fundamentação, com a incidência da Súmula 284/STF, quando as razões do recurso estão dissociadas do decidido no acórdão recorrido, assim também quando ausente a indicação do dispositivo de lei eventualmente violado e objeto do dissenso pretoriano ou, ainda, quando há a indicação de dispositivo legal tido por violado ou de interpretação divergente, todavia, sem a demonstração de forma clara e objetiva de como se consubstancia a alegada ofensa. 2. Agravo interno a que se nega provimento.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno, interposto por BANCO DO ESTADO DE SERGIPE S/A - BANESE, contra decisão proferida pelo em. Ministro Presidente do STJ, às fls. 714/715, que não conheceu do recurso especial, em razão da ausência de indicação dos dispositivos legais federais que teriam sido violados ou quais dispositivos legais seriam objeto de dissídio interpretativo. Em suas razões recursais, a parte agravante sustenta, em síntese, que o Recurso Especial, seguido do agravo em análise, respaldou-se na ofensa aos arts. 1.022, II, do CPC, 14 do Código de Defesa do Consumidor e 186, 188, I, e 927, todos do Código Civil, além de entendimento divergente em relação ao REsp 1.633.785/SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma/STJ, julgado em 24/10/2017, DJe de 30/10/2017; e AgInt no AREsp 1.305.380/RJ, Rel. Min. Raul Araújo, Quarta Turma/STJ, julgado em 18/02/2020, DJe de 13/03/2020. Devidamente intimada, a parte agravada apresentou impugnação às fls. 728/732 (e-STJ). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA. RESPONSABILIDADE CIVIL. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. DANOS CAUSADOS POR FRAUDES OU DELITOS PRATICADOS POR TERCEIROS. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DOS DISPOSITIVOS LEGAIS VIOLADOS. SÚMULA 284/STF. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. É inadmissível o inconformis mo por deficiência na fundamentação, com a incidência da Súmula 284/STF, quando as razões do recurso estão dissociadas do decidido no acórdão recorrido, assim também quando ausente a indicação do dispositivo de lei eventualmente violado e objeto do dissenso pretoriano ou, ainda, quando há a indicação de dispositivo legal tido por violado ou de interpretação divergente, todavia, sem a demonstração de forma clara e objetiva de como se consubstancia a alegada ofensa. 2. Agravo interno a que se nega provimento. VOTO A irresignação não merece prosperar. De fato, tem-se que a parte recorrente não indica qual ou quais dispositivos entende violados, tornando patente a falta de fundamentação do apelo especial, circunstância que atrai a incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. A propósito: AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO CONDENATÓRIA - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA RECURSAL DA PARTE AUTORA. (..) 3. A falta de indicação, pela parte recorrente, de quais dispositivos legais teriam sido violados pelo acórdão recorrido no que tange à tese de que não teria ocorrido descumprimento contratual implica em deficiência da fundamentação do recurso especial, incidindo o teor da Súmula 284 do STF, por analogia. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.661.474/RJ, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 17/3/2025, DJEN de 24/3/2025.) Frise-se que, embora a parte recorrente alegue que o Recurso Especial respaldou-se na ofensa aos arts. 1.022, II, do CPC, 14 do Código de Defesa do Consumidor e 186, 188, I, e 927, todos do Código Civil, o recurso especial nem sequer faz menção aos arts. 1.022, II, do CPC, e 186, 188, I, e 927, todos do Código Civil. E mesmo em relação ao art. 14 do Código de Defesa do Consumidor, cabe destacar que não basta a simples menção da norma federal tida por violada, sendo necessária a demonstração clara e precisa da ofensa em que teria incorrido o v. aresto hostilizado, o que não ocorreu no caso dos autos. Nesse sentido: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO RESCISÓRIA - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE CONHECEU DO AGRAVO PARA NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL. IRRESIGNAÇÃO RECURSAL DA AUTORA. 1. Inviável a esta Corte Superior, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal, analisar dispositivo constitucional apontado como violado, ainda que para fins de prequestionamento da matéria. 2. O prazo decadencial da ação rescisória só se inicia quando não for cabível qualquer recurso do último pronunciamento judicial, conforme enunciado da Súmula 401/STJ. Precedentes. 3. Inviável conhecer da tese de afastamento da multa aplicada no desprovimento do agravo interno pelo Tribunal de origem, pois a simples menção de preceito legal, de modo genérico, sem explicitar a forma como ocorreu sua efetiva contrariedade pelo Tribunal de origem, manifesta deficiência na fundamentação do recurso especial a atrair a incidência da Súmula 284 do STF. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.538.417/PR, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 2/9/2024, DJe de 5/9/2024.) AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSO CIVIL. AÇÃO MONITÓRIA. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Na interposição de recurso especial, com fundamento na alínea a do permissivo constitucional, não basta a simples menção da norma federal tida por violada, sendo necessária a demonstração clara e precisa da ofensa em que teria incorrido o v. aresto hostilizado, sob pena de incidência da Súmula 284 do eg. STF. 2. "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo" (Súmula 211/STJ). 3. É pacífico o entendimento desta Corte de que a aplicação do art. 6º, VIII, do CDC depende da análise, pelas instâncias ordinárias, da verossimilhança da alegação e da demonstração de hipossuficiência do consumidor, cujo reexame é vedado na via estreita do recurso especial, nos termos da Súmula 7/STJ. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no AREsp n. 614.529/ES, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 18/6/2015, DJe de 3/8/2015.) De qualquer sorte, ainda que superado tal óbice, verifica-se que a Corte de origem consignou que o recorrente possui responsabilidade, pois, ainda que a parte autora tenha fornecido algum dado bancário, a parte recorrente não atuou para impedir uma série de movimentações totalmente discrepantes das transações diárias dos seus usuários, in verbis: "Independente da conduta da requerida, tendo fornecido algum dado bancário ou não, é notória a ausência de zelo da instituição para com a segurança das suas operações bancárias, posto que permite a movimentação de vultuosos valores, sejam de contratações ou transferências, mesmo que as referidas movimentações sejam totalmente discrepantes com as transações diárias dos seus usuários. É usual que as instituições financeiras ao perceberem movimentações incomuns nas contas dos seus usuários, procedam com o bloqueio transações até a confirmação do consumidor ou ao menos informam a existência das referidas transações ao cliente. Nessa senda, demonstra-se deveras estranho que o requerido não possua nenhum tipo de mecanismo que evite fraudes do referido tipo, uma vez que as mesmas se mostram cada dia mais usuais. Nesta senda, a alegação de que as operações bancárias somente acontecem mediante uso de informações sigilosas, por si só, não é suficiente para caracterizar a ausência de ato ilícito, ensejando a culpa exclusiva do consumidor." (e-STJ, fl. 554) Contudo, tal fundamento, autônomo e suficiente à manutenção do v. acórdão recorrido, não foi impugnado nas razões do recurso especial, convocando, na hipótese, a incidência da Súmula 283/STF, segundo a qual "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". Nesse sentido: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RAZÕES QUE NÃO ENFRENTAM O FUNDAMENTO DA DECISÃO AGRAVADA. NÃO IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DAS RAZÕES DO ACÓRDÃO ESTADUAL. INCIDÊNCIA DO VERBETE Nº 283/STF.EXECUÇÃO. CÉDULA RURAL. ARGUIÇÃO DE EXCESSO DE COBRANÇA. ANÁLISE. SÚMULAS 5 E 7/STJ. 1. Ante a deficiência na motivação e a ausência de impugnação de fundamento autônomo, aplica-se, por analogia, o óbice da Súmula nº 283, do STF. 2. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fático-probatória e a interpretação de cláusulas contratuais (Súmulas 5 e 7/STJ). 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 687.997/SP, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 08/11/2018, DJe 13/11/2018) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO COMINATÓRIA. PLANO DE SAÚDE COLETIVO. FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO NÃO ATACADOS. SÚMULA 283/STF. RESCISÃO UNILATERAL. BENEFICIÁRIO EM TRATAMENTO MÉDICO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. DECISÃO MANTIDA. RECURSO DESPROVIDO. 1. A ausência de impugnação, nas razões do recurso especial, de fundamento autônomo e suficiente à manutenção do acórdão recorrido atrai o óbice da Súmula 283 do STF, segundo a qual: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles." 2. Não obstante o plano de saúde coletivo possa ser rescindido unilateralmente, mediante prévia notificação do usuário, esta Corte reconhece ser abusiva a rescisão do contrato durante o tratamento médico garantidor da sobrevivência e/ou incolumidade física, como no caso em apreço, no qual a segurada diagnosticada com câncer se encontra em tratamento oncológico. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1298878/SP, relator Ministro Raul Araújo, QUARTA TURMA, julgado em 23/10/2018, DJe 31/10/2018) Ante o exposto, nega-se provimento ao agravo interno. É como voto.