REsp 2153311 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque a recorrente apresentou fundamentação genérica que não demonstrou, de forma analítica e pormenorizada, como o acórdão recorrido teria violado dispositivos de lei federal, aplicando-se por analogia a Súmula 284/STF; além disso, a Corte ressaltou a limitação de sua...
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- Parties
- Recorrente: Elisandra Santos Souza; Tribunal a Quo: Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios; Apelado: BRB
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 September 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Deficiência De Fundamentação, Súmula 284/stf, Recurso Especial, Divergência Jurisprudencial, Empréstimos Consignados, Margem Consignável, Honorários Advocatícios
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Parties
Elisandra Santos Souza
Recorrente
Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios
Tribunal a Quo
BRB
Apelado
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade do recurso especial por fundamentação genérica conforme Súmula 284/STF
- 2 limitação da competência do STJ para examinar questões constitucionais
- 3 impossibilidade de análise da divergência jurisprudencial quando a admissibilidade é afastada por alínea 'a'
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque a recorrente apresentou fundamentação genérica que não demonstrou, de forma analítica e pormenorizada, como o acórdão recorrido teria violado dispositivos de lei federal, aplicando-se por analogia a Súmula 284/STF; além disso, a Corte ressaltou a limitação de sua competência para exame de matéria constitucional e declarou prejudicado o exame da divergência jurisprudencial quando a admissibilidade foi afastada pela alínea 'a'.
Court Disposition
recurso especial não conhecido
Orders
- Não conhecer do Recurso Especial, com fundamento no art. 255, § 4º, I, do RISTJ
- Determinar a majoração dos honorários advocatícios já fixados em desfavor da parte recorrente no importe de 10% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11º, do Código de Processo Civil
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por Elisandra Santos Souza, com fundamento no art. 105, inciso III, alíneas a e c, da Constituição Federal, contra o acórdão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, assim ementado (fls. 659/660): APELAÇÃO CÍVEL. CONSUMIDOR E PROCESSO CIVIL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. EMPRÉSTIMOS PESSOAIS. SERVIDOR PÚBLICO DO DISTRITO FEDERAL. OPERAÇÕES DE CRÉDITO COM DESCONTO EM CONTA-CORRENTE E FOLHA DE PAGAMENTO. LIBERDADE DE CONTRATAR. PACTA SUNT SERVANDA. SUSPENSÃO DOS DESCONTOS. IMPOSSIBILIDADE. LIMITAÇÃO A 40% (QUARENTA POR CENTO) DA REMUNERAÇÃO. INAPLICABILIDADE. TEMA 1.085 DO STJ. COBRANÇA DEVIDA. AUSÊNCIA DE ILICITUDE. DANO MORAL NÃO CONFIGURADO. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. 1. Se a parte contratou os empréstimos pessoais fundado na liberdade contratual, assumindo obrigações espontaneamente e anuindo com os descontos das prestações em folha de pagamento, observada a margem consignável, bem como diretamente em sua conta-corrente, nào há falar em suspensão dos descontos, mormente diante da ausência de alegação de abusividade contratual. 2. No que se refere aos empréstimos consignados, a Lei Complementar 1.015 do Distrito Federal majorou o limite da margem consignável para 40% (quarenta por cento) da remuneração, subsídio ou proventos, sendo 5% (cinco por cento) reservados para saque com cartão de crédito ou amortização de despesas contraídas nessa modalidade, e não houve inobservância da margem de 35% (trinta e cinco por cento). Além disso, tal limitação não se estende, por analogia, ao pagamento de prestações de empréstimos de outras naturezas diretamente em conta corrente, em consonância com a tese fixada pelo c. STJ em julgamento dos REsp 1.863.973/SP, 1.877.113/SP e 1.872.441/SP, sob o rito dos recursos repetitivos (Tema n. 1.085). 5. Recurso conhecido e provido. 3. Importante ressaltar que, conforme Termo de Sessão de Conciliação ao ID 52617844, realizada em 10/4/2023, a autora "não aderiu ao plano de pagamento apresentado pelo requerente e apresentou o seguinte plano de pagamento: 120 parcelas de RS 2.038,00 para os contratos com débitos em conta corrente e saldo devedor do cartão, ficando os contratos de empréstimos consignados fora da proposta apresentada". 4. Insistiu "na proposta de pagamento limitada a 30% dos vencimentos da parte autora". Por conseguinte, "o acordo NÃO se mostrou viável e conforme disciplinado no art. 104-A da Lei n. 14.181/2021". 5. Não acolhida pela autora a mencionada proposta, que claramente observava o mínimo existencial, inviável a imposição, via judicial, de novos termos para saldar a dívida com a instituição financeira. Não há parâmetro a ser adotado. A simples limitação de todos os descontos a 30% (trinta por cento), como pretende a autora, não se compagina com o espírito das normas que regem a matéria, mormente porque os empréstimos foram realizados livremente pela correntista, que admite estar "superendividada por imprudência". 6. Ressalta-se, ainda, que a ação revisional foi ajuizada em 27/10/2021, e a informação atualizada nos autos, de maio/2023, conforme manifestação do BRB ao ID 52617852, é no sentido de que a autora mantém o mínimo existencial definido no art. 3º do Decreto n. 11.150/22 c/c art. 54-A, § Iº, do CDC. Segundo o referido ato normativo, considera-se mínimo existencial a renda mensal do consumidor pessoa natural equivalente a 25% (vinte e cinco por cento) do salário mínimo vigente na data de publicação do Decreto (27/7/2022), ou seja, R$303,00 (trezentos e três reais). 7. Se constada a regularidade dos negócios jurídicos celebrados entre as panes e o inadimplernento da autora apelante, ao anotar o seu nome em cadastro de inadimplentes, o credor/apelado agiu no exercício regular de seu direito e, portanto, não configura dano moral passível de indenização. Dito de outro modo, ante a inexistência de ato ilícito, não há pressuposto necessário para amparar a pretensão indenizatória, conforme art. 186 do Código Civil. 8. Recurso conhecido e desprovido. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 702/719). Em sua razões, a parte recorrente alega, além da divergência jurisprudencial, a violação ao art. 1º, III, da CF, art. 6º, III, IV, V, VIII, XI e XII, do CDC, art. 833, IV, do CPC, arts. 421, 317, 478, 113, 187 e 422 do CC, arts. 46 e 51, IV, do CDC e art. 54-A do CDC. Contrarrazões apresentadas às fls. 757/761. O recurso foi admitido na origem às fls. 764/766. É o relatório. O recurso especial não deve ser conhecido. De pronto, verifica-se a deficiência da fundamentação quanto à alegada violação ao art. 6º, III, IV, V, VIII, XI e XII, do CDC, art. 833, IV, do CPC, arts. 421, 317, 478, 113, 187 e 422 do CC, arts. 46 e 51, IV, do CDC e art. 54-A do CDC, visto que a argumentação foi apresentada de forma genérica no recurso especial, sem demonstrar, de maneira clara e direta, como o acórdão teria contrariado os referidos preceitos legais. Dessa forma, aplica-se ao caso, por analogia, a Súmula n. 284/STF, que dispõe: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que: "É deficiente o recurso especial quanto a tese veiculada mediante razões genéricas, sem que se faça a descrição de como ocorrera a violação a determinado preceito de lei federal. Aplicação da Súmula 284/STF" (AREsp n. 2.047.077/DF, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 23/8/2022, DJe de 31/8/2022). Confiram-se, ainda, dentre muitos, os seguintes precedentes do Superior Tribunal de Justiça: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REGRESSIVA. SERVIDOR PÚBLICO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO ANALÍTICA DA VIOLAÇÃO LEGAL. SÚMULA 284 DO STF. NECESSIDADE DE REEXAME DE PROVAS. SÚMULA 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. É inadmissível o recurso especial que, embora indique dispositivos legais supostamente violados, não demonstra, de forma pormenorizada, de que modo se deu a contrariedade ou a negativa de vigência, incidindo, por analogia, a Súmula 284 do STF. (..) 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.640.356/DF, relator Ministro Afrânio Vilela, Segunda Turma, julgado em 30/4/2025, DJEN de 7/5/2025.) PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. ANISTIA POLÍTICA. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INCIDÊNCIA, POR ANALOGIA, DA SÚMULA N. 284/STF. PERSEGUIÇÃO POLÍTICA NÃO COMPROVADA. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. INCIDÊNCIA. ARSENAL DE MARINHA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. NATUREZA JURÍDICA DE ÓRGÃO PÚBLICO DA ADMINISTRAÇÃO DIRETA. SUBORDINAÇÃO AO MINISTÉRIO DA MARINHA. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. DESCABIMENTO. I - A jurisprudência desta Corte considera que quando a arguição de ofensa ao dispositivo de lei federal é genérica, sem demonstração efetiva da contrariedade, aplica-se, por analogia, o entendimento da Súmula 284, do Supremo Tribunal Federal. (..) VII - Agravo Interno improvido. (AgInt no REsp n. 2.172.202/RJ, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 24/3/2025, DJEN de 28/3/2025.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CORREÇÃO. SÚMULA 284/STF. NÃO DEMONSTRAÇÃO DA VIOLAÇÃO DA LEI FEDERAL. SÚMULA 14/STJ. CABIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. ALEGAÇÃO DE ERRO NA FIXAÇÃO DOS HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS. SÚMULA 7/STJ. INCIDÊNCIA. PROVIMENTO NEGADO. 1. Não se pode conhecer do recurso especial quando sua argumentação não demonstra de que modo a violação à lei federal se materializou. Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal (STF). (..) 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.314.471/RN, rel. Min. Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJe de 26/6/2024) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTAÇÃO. DEFICIÊNCIA. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. INVIABILIDADE. 1.Não é possível conhecer do recurso especial quando as razões recursais não explicam de que forma os dispositivos legais invocados foram violados pelo entendimento adotado no acórdão recorrido, atraindo a aplicação da Súmula 284/STF. 2. A conclusão adotada pela Corte a quo relativa à quantificação dos danos morais decorre da análise das provas dos autos, cuja inversão demandaria necessária incursão nos elementos de convicção postos no processo, inviável em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 7 do STJ: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial." 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.396.425/RJ, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 11/12/2023, DJe de 14/12/2023.) Além disso, como cediço, a "competência desta Corte Superior de Justiça restringe-se à interpretação e uniformização do direito infraconstitucional federal, não sendo cabível o exame de eventual ofensa a dispositivos e princípios constitucionais, sob pena de usurpação da competência atribuída ao Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 102 da Constituição Federal" (AgInt no REsp n. 1.760.699/CE, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, julgado em 27/5/2024, DJe de 3/6/2024.). Por fim, fica prejudicada a análise da divergência jurisprudencial quando a tese defendida já foi afastada no exame do Recurso Especial pela alínea "a" do permissivo constitucional. Ante o exposto, com fundamento no art. 255, § 4º, I, do RISTJ, não conheço do Recurso Especial. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino sua majoração em desfavor da parte recorrente no importe de 10% sobre o valor já arbitrado, nos termos do artigo 85, § 11º, do Código de Processo Civil, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça. Publique-se. Intime-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AO ART. 6º, III, IV, V, VIII, XI E XII, DO CDC, ART. 833, IV, DO CPC, ARTS. 421, 317, 478, 113, 187 E 422 DO CC, ARTS. 46 E 51, IV, DO CDC E ART. 54-A DO CDC. ARGUMENTAÇÃO RECURSAL GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. OFENSA A DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. EXAME PREJUDICADO. RECURSO NÃO CONHECIDO.