REsp 2129944 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque a revisão pretendida exigiria o reexame do conjunto fático-probatório (vedado pela Súmula 7 do STJ) e demandaria interpretação de legislação municipal aplicável à causa, o que impede o conhecimento do recurso por analogia à Súmula 280 do STF; ademais, o relator fundamentou...
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- Parties
- Recorrente: JOAQUIM MARTINS; Recorrido: MUNICIPALIDADE DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS; Custos Iuris: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 March 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento (monocrática)
- Outcome
- Recurso Especial não conhecido
- Legal Topics
- Demolição, Parcelamento Irregular Do Solo, Regularização Fundiária, Admissibilidade Recursal, Súmula 7/stj, Súmula 280/stf (aplicada Por Analogia)
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Parties
JOAQUIM MARTINS
Recorrente
MUNICIPALIDADE DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
Recorrido
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Custos Iuris
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento (monocrática)
Legal Issues
- 1 Possibilidade de regularização de núcleo informal versus demolição de obra erigida em parcelamento irregular
- 2 Incidência de norma municipal (Lei Complementar nº 428/2010) na solução da lide
- 3 Vedação ao reexame de matéria fático-probatória em recurso especial (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque a revisão pretendida exigiria o reexame do conjunto fático-probatório (vedado pela Súmula 7 do STJ) e demandaria interpretação de legislação municipal aplicável à causa, o que impede o conhecimento do recurso por analogia à Súmula 280 do STF; ademais, o relator fundamentou a decisão no art. 932, III, CPC/2015 e nas normas regimentais que autorizam não conhecer recursos inadmissíveis.
Court Disposition
Recurso Especial não conhecido
Orders
- Não conhecer do Recurso Especial.
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Vistos. Trata-se de Recurso Especial interposto por JOAQUIM MARTINS contra acórdão prolatado, por unanimidade, pela 8ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo no julgamento de Apelação, assim ementado (fls. 1.295/1.296e): APELAÇÃO AÇÃO CIVIL PÚBLICA CONSTRUÇÃO EM LOTEAMENTO CLANDESTINO DEMOLIÇÃO SÃO JOSÉ DOS CAMPOS CHÁCARA OLIVEIRA. Pleito da Municipalidade de São José dos Campos para que se proceda a desocupação e demolição de imóvel residencial erigido em parcelamento clandestino do solo, sem licença e sem observância dos padrões urbanísticos legais. Sentença de improcedência. MÉRITO Constitui regra no ordenamento jurídico a liberdade de construir, configurando as restrições e limitações ao direito de construir exceções, as quais apenas são admitidas se expressamente previstas em legislação Incontroverso nos autos ter sido a obra erguida sem licença e em parcelamento irregular do solo urbano, fazendo parte de um núcleo denominado "Chácara Oliveira" Construção se deu em tempo posterior (08/11/2018) ao Termo de Ajustamento de Conduta entre o Ministério Público e o Município de São José dos Campos para, o qual determinou o congelamento do núcleo, celebrado em 02/06/2015. Regularização fundiária pretende, para além de organizar a ocupação e planejamento do município, à devida distribuição de serviços públicos básicos e essenciais, além de estabelecer programas e ações políticas voltadas à assegurar o direito à moradia Logo, se a construção deixou de obedecer às regras de Direito Administrativo, encontrando-se em local ilegal e diante da impossibilidade de regularização do vício, se mostra necessária sua demolição Nesse sentido, julgados deste E. Tribunal de Justiça. Sentença de improcedência reformada. Recurso provido. Com amparo no art. 105, III, a e c, da Constituição da República, além de divergência jurisprudencial, aponta-se ofensa aos dispositivos a seguir relacionados, alegando-se, em síntese: Art. 9º, caput e § 1º, da Lei n. 13.465/2017 - " .. é totalmente viável a manutenção da moradia no caso concreto, diante da cristalina possibilidade de regularização do núcleo informal" (fl. 1.317e); e Art. 2º da Lei n. 10.257/2001 - a necessidade de determinar a manutenção da construção, porquanto " .. incumbe ao município não somente a repressão à indevida ocupação do solo, prevenindo que se consolidem novos loteamentos irregulares, como também implementar uma política de habitação de interesse social" (fl. 1.318e).Com contrarrazões (fls. 1.349/1.353e), o recurso foi inadmitido (fls. 1.361/1.362e), tendo sido interposto Agravo, posteriormente convertido em Recurso Especial (fl. 1.408e). O Ministério Público Federal manifestou-se, na qualidade de custos iuris, às fls. 1.401/1.405e. Feito breve relato, decido. Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. Nos termos do art. 932, III, do estatuto processual, combinado com os arts. 34, XVIII, a, e 255, I, ambos do Regimento Interno desta Corte, o Relator está autorizado, mediante decisão monocrática, a não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida. Por primeiro, o tribunal de origem, após minucioso exame dos elementos fáticos contidos nos autos, consignou a necessidade da demolição da construção em análise, porquanto esta deixou de obedecer às regras de Direito Administrativo e se encontra em local ilegal, sendo impossível a regularização do vício, nos seguintes termos (fls. 1.298/1.303e): Nesta toada, a LC Municipal nº 428/2010 assim dispõe: Art. 120. Os infratores das disposições desta Lei Complementar ficam sujeitos à aplicação das multas e sanções previstas no Anexo 3 desta Lei Complementar. § 1º As multas serão aplicadas em moeda corrente nacional, e seus valores serão atualizados anualmente pelo INPC/IBGE, conforme disposto nas Leis Municipais nºs 5.784, de 19 de dezembro de 2000 e 5.831, de 09 de março de 2001. § 2º O auto de infração será precedido de Notificação Preliminar, podendo ser lavrado de imediato, se o caráter da infração o indicar. § 3º As multas serão impostas pelo órgão municipal competente. Art. 121. Os infratores das disposições desta Lei Complementar ficam sujeitos às seguintes penalidades, sem prejuízo de outras eventualmente cabíveis: I - notificação, determinando a regularização da situação em prazo fixado pela autoridade competente; II - interdição imediata; III - embargo sumário do parcelamento, obra ou edificação iniciada sem aprovação prévia da autoridade competente ou em desacordo com os termos do projeto aprovado ou com as disposições desta Lei Complementar; IV - demolição de obra ou construção que contrarie os preceitos desta Lei Complementar. .. Assim, para a aplicação de tais penalidades e exercício de seu poder de polícia, a administração municipal deve analisar projetos de construção e de loteamentos urbanos, aprovando-os ou rejeitando-os por meio de processo administrativo, cujo resultado constitui ato administrativo vinculado. Observando o caso em tela, tem-se que a MUNICIPALIDADE instaurou processo administrativo, determinando a paralisação e demolição da obra (fls. 05/07). Como constou da própria sentença, é fato indiscutível ser a obra erguida sem licença e em parcelamento irregular do solo urbano é indiscutível, fazendo parte de um núcleo denominado "Chácaras Oliveira", e que a construção se deu em tempo posterior 08/11/2018 Termo de Ajustamento de Conduta entre o Ministério Público e o Município de São José dos Campos para o congelamento do núcleo, o qual foi celebrado em 02/06/2015. É preciso lembrar que essas ações voltadas à constituição de óbices intransponíveis à ocupação irregular do solo, como a verificada através da ação civil pública, jamais pretendem restringir os mais sagrados direitos constitucionais do cidadão, com especial relevo nestes autos para o direito à moradia. Longe disso, visam impor ao poder público uma atuação mais efetiva e eficiente no sentido de estabelecer programas e ações políticas voltados à asseguração desses direitos. Desta feita, não há que se falar em desproporcionalidade da medida, uma vez que a regularização fundiária pretende, para além de organizar a ocupação e planejamento do município, a devida distribuição de serviços públicos básicos e essenciais, além de estabelecer programas e ações políticas voltadas à assegurar o direito à moradia. Portanto, se a construção deixou de obedecer às regras de Direito Administrativo, encontrando-se em local ilegal e diante da impossibilidade de regularização do vício, se mostra necessária sua demolição. .. Diante do exposto, voto para dar provimento ao recurso com a finalidade de determinar a desocupação e demolição da construção, nos termos da legislação municipal (destaques meus). In casu, rever tal entendimento, com o objetivo de acolher a pretensão recursal, qual seja, de reconhecer a possibilidade de regularização do núcleo informal (fl. 1.317e) e de sua manutenção (fl. 1.318e), demandaria necessário revolvimento de matéria fática, o que é inviável em sede de recurso especial, à luz do óbice contido na Súmula n. 7 desta Corte, assim enunciada: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL E AMBIENTAL. EDIFICAÇÕES ERGUIDAS EM ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DEMOLIÇÃO E REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA. REVOLVIMENTO DO ACERVO FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA 7 DO STJ. INCIDÊNCIA. 1. O Plenário do STJ decidiu que "aos recursos interpostos com fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões publicadas até 17 de março de 2016) devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele prevista, com as interpretações dadas até então pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça" (Enunciado Administrativo n. 2). 2. Ação civil pública, na qual o Parquet pleiteia a demolição da edificação e a reparação integral dos danos ambientais decorrentes da construção de imóvel em área de preservação permanente (menos de 500 metros do Rio Paraná). 3. A Corte Regional, ancorada no princípio da proporcionalidade, manteve a rejeição do pleito demolitório por considerar que o conjunto probatório não evidenciava "a relação de causalidade entre eventuais alterações ambientais" na área e a edificação "de uma única unidade imobiliária", usada para moradia, há anos, pelos ora agravados, haja vista a falta de "comprovação de efetivo dano ambiental decorrente da presença da casa e dos moradores na localidade". 4. Dissentir das conclusões alvitradas na origem, inclusive no tocante ao não preenchimento das condições legais para a regularização fundiária por interesse social, exige reexame do acervo fático-probatório dos autos, o que esbarra no óbice estampado na Súmula 7 desta Corte. 5. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp n. 1.640.532/PR, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 13/12/2018, DJe de 20/2/2019 - destaque meu). PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. PARCELAMENTO IRREGULAR DO SOLO. DEMOLIÇÃO DE MURO. ÁREA NÃO PASSÍVEL DE REGULARIZAÇÃO. DESAPROPRIAÇÃO. CONDOMÍNIO. FRAÇÕES IDEAIS. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA N. 284/STF. ANÁLISE DE LEI LOCAL. SÚMULA N. 280/STF. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULA N. 7/STJ. INTERPOSIÇÃO DE RECURSO ESPECIAL FUNDADO NA OFENSA A PRINCÍPIOS. NÃO CABIMENTO. NÃO SE ENQUADRAM NO CONCEITO DE LEI FEDERAL. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. I - Na origem, trata-se de ação objetivando indenização por dano material e moral. A sentença acolheu parcialmente os pedidos formulados na ação. No Tribunal a quo, a sentença foi reformada II - Evidencia-se a deficiência na fundamentação recursal quando o recorrente não indica qual dispositivo de lei federal teria sido violado, bem como não desenvolve argumentação a fim de demonstrar em que consiste a ofensa aos dispositivos tidos por violados. III - .. . IV - Dessarte, verifica-se, que a questão controvertida nos autos foi solucionada, pelo Tribunal de origem, com fundamento em leis locais. Logo, torna-se inviável, em recurso especial, o exame da matéria nele inserida, diante da incidência, por analogia, do enunciado n. 280 da Súmula do STF, que dispõe: "Por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário." Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.304.409/DF, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 31/8/2020, DJe 4/9/2020; AgInt no REsp 1.184.981/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 22/6/2020, DJe 30/6/2020; EDcl no AgInt no AREsp 1.506.044/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 24/8/2020, DJe 9/9/2020. V - Ademais, esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. VI - Lado outro, não é cabível a interposição de recurso especial fundado na ofensa a princípios, tendo em vista que não se enquadram no conceito de lei federal. VII - A Corte a quo analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa, seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". VIII - .. . (AgInt no AREsp n. 2.088.544/DF, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 28/11/2022, DJe de 1/12/2022 -destaque meu). Ademais, da leitura desse mesmo excerto transcrito (fls. 1.298/1.303e), depreende-se ter sido a lide julgada à luz de interpretação de legislação local, qual seja, a Lei Complementar Municipal n. 428/2010. Com efeito, da forma como definido pelo tribunal de origem, imprescindível seria a análise da lei local para o deslinde da controvérsia, providência vedada em sede de recurso especial. Desse modo, aplicável à espécie, por analogia, o enunciado da Súmula n. 280 do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual "por ofensa ao direito local não cabe recurso extraordinário", ensejando o não conhecimento do recurso especial, consoante os julgados a seguir: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. LEI LOCAL. Se a reforma do julgado demanda a interpretação de lei local, o recurso especial é inviável (STF, Súmula nº 280). Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 325.430/PE, Rel. Ministro ARI PARGENDLER, PRIMEIRA TURMA, julgado em 27/05/2014, DJe 03/06/2014) IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ). SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. PRODEC. LEI LOCAL. SÚMULA 280/STF. 1. Verifica-se que a demanda foi dirimida com base em Direito local, in casu, na legislação estadual catarinense (Lei 3.342/05 e no Decreto 704/07). Logo, é inviável sua apreciação em Recurso Especial, em face da incidência, por analogia, da Súmula 280 do STF: "por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário." 2. Agravo Regimental não provido. (AgRg no REsp 1.433.745/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 08/04/2014, DJe 22/04/2014). Por fim, o recurso especial também não pode ser conhecido com fundamento em divergência jurisprudencial, porquanto prejudicado dada a impossibilidade de análise da mesma tese desenvolvida pela alínea a do permissivo constitucional pela incidência de óbices de admissibilidade. Sobre o tema, os seguintes precedentes das Turmas componentes da 1ª Seção: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. ART. 535 DO CPC. OMISSÃO. EXISTÊNCIA. EFEITOS INFRINGENTES. CARÁTER EXCEPCIONAL. RECURSO QUE NÃO ATACOU FUNDAMENTO BASILAR QUE AMPARA O ACÓRDÃO RECORRIDO. APLICAÇÃO DA SÚMULA 283/STF. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS COM EFEITOS MODIFICATIVOS. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. 1. De acordo com a norma prevista no art. 535 do CPC, são cabíveis embargos de declaração nas hipóteses de obscuridade, contradição ou omissão da decisão recorrida. Ademais, os segundos embargos de declaração devem versar sobre vício existente no julgamento dos primeiros embargos de declaração e não no do acórdão principal (EDcl nos EDcl nos EREsp 636248/RS, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, DJe 05/05/2008). Verificada a existência de omissão em ambos os julgados, dos primeiros embargos de declaração e do acórdão que julgou o recurso especial, relativamente ao fundamento basilar do acórdão do Tribunal de origem para afastar a prescrição intercorrente, devem ser acolhidos estes segundos embargos de declaração. 2. A jurisprudência desta Corte Superior é firme no sentido de que, em caráter excepcional, pode-se atribuir efeitos infringentes aos embargos de declaração, para correção de premissa equivocada, sobre a qual tenha se fundado o julgado embargado, quando tal for decisivo para o resultado do julgamento (EDcl no AgRg no AREsp 151.216/SP, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Terceira Turma, DJe 20/09/2013; EDcl no AgRg no REsp 730.190/PR, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 02/06/2010). 3. O recurso especial não impugnou fundamento basilar que ampara o acórdão recorrido, qual seja, a circunstância de que não houve o transcurso do prazo prescricional quinquenal em virtude da suspensão da execução fiscal para apreciação dos embargos à execução, esbarrando, pois, no óbice da Súmula 283/STF, que assim dispõe: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles.". A respeito do tema: AgRg no REsp 1.326.913/MG, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 4/2/2013; EDcl no AREsp 36.318/PA, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 9/3/2012. 4. Resta prejudicada a análise da divergência jurisprudencial se a tese sustentada esbarra em óbice sumular quando do exame do recurso especial pela alínea a do permissivo constitucional. 5. Embargos de declaração acolhidos com efeitos modificativos, com o consequente não conhecimento do recurso especial. (EDcl nos EDcl no REsp 1.065.691/SP, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 09/06/2015, DJe 18/06/2015 - destaquei). PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 3/STJ. LICITAÇÃO. CREDENCIAMENTO. SERVIÇOS ADVOCATÍCIOS. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 1.022 DO CPC/2015. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL NÃO CONFIGURADA. JULGAMENTO CONTRÁRIO AOS INTERESSES DA PARTE. PREVISÃO EDITALÍCIA. VINCULAÇÃO AO INSTRUMENTO CONVOCATÓRIO. SUPOSTA VIOLAÇÃO A DISPOSITIVOS DA LEI Nº 8.666/1993 E DO CÓDIGO CIVIL. RAZÕES RECURSAIS INAPTAS DE INFIRMAR OS FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO. SÚMULAS 284 E 283/STF. REEXAME DE FATOS E PROVAS E INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. EXAME PREJUDICADO. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Inicialmente é necessário consignar que o presente recurso atrai a incidência do Enunciado Administrativo n. 3/STJ: "Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC". 2. O mero julgamento da causa em sentido contrário aos interesses e à pretensão das partes não caracteriza a ausência de prestação jurisdicional, tampouco viola o art. 1.022 do CPC/2015. Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. 3. Não se conhece do recurso especial por deficiência na sua fundamentação, estando as razões do recurso genéricas e dissociadas do que decidido no acórdão recorrido, bem como quando não impugnam fundamento autônomo, suficiente por si só à manutenção do julgado (Súmulas 284 e 283/STF). 4. O recurso especial não é, em razão das Súmulas 05 e 07/STJ, via processual adequada para questionar julgado que se afirmou explicitamente em contexto fático-probatório próprio da causa, tampouco de interpretação de cláusulas contratuais. 5. "Resta prejudicada a análise da divergência jurisprudencial se a tese sustentada esbarra em óbice sumular quando do exame do recurso especial pela alínea "a" do permissivo constitucional" (EDcl nos EDcl no REsp 1.065.691/SP, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 18/6/2015). 6. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1.343.289/AP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/12/2018, DJe 14/12/2018 - destaques meus). Posto isso, com fundamento nos arts. 932, III, do Código de Processo Civil de 2015 e 34, XVIII, a, e 255, I, ambos do RISTJ, NÃO CONHEÇO do Recurso Especial. Publique-se e intimem-se. EMENTA