AREsp 2725290 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal de origem decidiu em consonância com a orientação jurisprudencial do STJ, que reconhece a inaplicabilidade da denúncia espontânea às infrações do art.107 do Decreto-Lei 37/1966 relativas à prestação intempestiva ou omissão de...
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- Parties
- Agravante: MAC CARGO DO BRASIL LTDA - EMPRESA DE PEQUENO PORTE
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Inadmissão Do Recurso Especial (juízo De Admissibilidade)
- Outcome
- Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Denúncia Espontânea Aduaneira, Inadmissão De Recurso Especial, Multas Administrativas, Prestação De Informações Sobre Cargas
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Parties
MAC CARGO DO BRASIL LTDA - EMPRESA DE PEQUENO PORTE
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Inadmissão Do Recurso Especial (juízo De Admissibilidade)
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade da denúncia espontânea (art.102, §2º do Decreto-Lei 37/66 e art.138 do CTN) às infrações do art.107 do DL 37/66
- 2 Incidência da Súmula 83/STJ na inadmissão do recurso especial
- 3 Natureza administrativa aduaneira da obrigação prevista no art.107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei 37/66
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal de origem decidiu em consonância com a orientação jurisprudencial do STJ, que reconhece a inaplicabilidade da denúncia espontânea às infrações do art.107 do Decreto-Lei 37/1966 relativas à prestação intempestiva ou omissão de informações sobre cargas.
Court Disposition
Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo, para negar provimento ao recurso especial.
- Majoro os honorários advocatícios em 2% (dois por cento), com fundamento no art. 85, § 11, do CPC, observados os limites percentuais previstos no § 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Em análise, agravo em recurso especial contra decisão que inadmitiu o recurso especial interposto por MAC CARGO DO BRASIL LTDA - EMPRESA DE PEQUENO PORTE, com fundamento na incidência da Súmula 83 deste STJ. Em suas razões recursais, a parte agravante sustenta que não haveria jurisprudência pacífica neste Tribunal que justificasse a incidência da Súmula 83/STJ, em especial diante dos pressupostos criados no acórdão proferido nos autos do REsp 1.999.532/RJ, de modo que, se a obrigação imposta no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei 37/1966 tem natureza administrativa aduaneira, seria inaplicável, in casu, a interpretação e alcance dados ao art. 138 do CTN. Contraminuta apresentada. É o relatório. Passo a decidir. A irresignação não merece acolhida. A Segunda Turma do STJ, em caso semelhante, deixou assentado que: Quando a redação dada ao art. 102, § 2º, do Decreto-Lei 37/66, pela Medida Provisória 497, de 27-7-2010 (convertida na Lei 12.350/2010), incluiu a expressão "ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento", manteve a inaplicabilidade da denúncia espontânea para as situações de penas de perdimento dos arts. 104 e 105, do DL 37/66, e para todas as multas administrativas incompatíveis com o próprio instituto, a exemplo das infrações previstas no art. 107, do DL 37/66, cujo fato gerador seja a própria prestação de informações a destempo ou a não prestação de informações (REsp 1.860.115/SP, relator p/acórdão Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 9/5/2023, DJe de 27/6/2023). Eis a íntegra da ementa do supracitado julgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. JULGAMENTO MONOCRÁTICO. AGRAVO INTERNO INTERPOSTO POR APENAS UMA DAS PARTES. JUÍZO DE RETRATAÇÃO QUE SE LIMITA A TORNAR SEM EFEITO A DECISÃO UNIPESSOAL, SEM RESTRIÇÃO DE QUALQUER NATUREZA, PARA SUBMETER O APELO NOBRE AO JULGAMENTO ORIGINÁRIO PELO ÓRGÃO COLEGIADO. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA NON REFORMATIO IN PEJUS. ADUANEIRO. ART. 106 DO CTN. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. INFORMAÇÃO DE CARGAS. PRAZO. MULTA PREVISTA NO ART. 107, IV, "E", DO DECRETO-LEI 37/66. "AGENTE DE CARGAS" OU "TRANSPORTADOR". EQUIPARAÇÃO. APLICAÇÃO IMEDIATA DO PRAZO PREVISTO NO ART. 22, DA IN-RFB 800/2007. DENÚNCIA ESPONTÂNEA ADUANEIRA. ART. 102, §2º, DO DECRETO-LEI 37/66. REDAÇÃO DADA PELA LEI 12.350/2010. INAPLICABILIDADE PARA AS SITUAÇÕES DE PENA DE PERDIMENTO DOS ARTS. 104 E 105, DO DL 37/66 E PARA AS MULTAS DO ART. 107, DO DL 37/66 QUE SEJAM LOGICAMENTE INCOMPATÍVEIS COM O INSTITUTO, A EXEMPLO DA INFRAÇÃO PREVISTA NO ART. 107, IV, "E", DO DL 37/66. 1. A decisão que, em juízo de reconsideração, torna sem efeito julgamento monocrático anterior, para permitir que o feito seja julgado no órgão colegiado, devolve a este o conhecimento integral da pretensão veiculada no Recurso a ser apreciado. 2. "Não há falar em reformatio in pejus quando a decisão anterior foi tornada sem efeito" (AgInt no REsp 1.543.995/RR, Rel. Min. Nancy Andrighi, DJe de 22/3/2019.). 3. É inadmissível Recurso Especial quanto a questão (art. 106 do CTN) que, a despeito da oposição de Embargos Declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal de origem. Incidência da Súmula 211/STJ. 4. Tanto o "agente de carga" como o "transportador" encontram-se obrigados a prestar informações sobre as cargas transportadas, antes da atracação, mesmo anteriormente a 1º.4.2009, diante do disposto no art. 5º e no art. 50, parágrafo único, da IN RFB 800/2007. 5. Em razão do princípio da especialidade, a denúncia espontânea aduaneira deve ser examinada à luz do art. 102 do Decreto-lei 37/1966. Não obstante, assim como a denúncia espontânea do art. 138 do CTN, tal instituto não se aplica em caso de descumprimento de obrigação tributária acessória autônoma. Precedentes do STJ. 6. Quando a redação dada ao art. 102, § 2º, do Decreto-Lei 37/66, pela Medida Provisória 497, de 27-7-2010 (convertida na Lei 12.350/2010), incluiu a expressão "ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento", manteve a inaplicabilidade da denúncia espontânea para as situações de penas de perdimento dos arts. 104 e 105, do DL 37/66, e para todas as multas administrativas incompatíveis com o próprio instituto, a exemplo das infrações previstas no art. 107, do DL 37/66, cujo fato gerador seja a própria prestação de informações a destempo ou a não prestação de informações. 7. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, não provido (REsp 1.860.115/SP, relator p/acórdão Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 9/5/2023, DJe de 27/6/2023). A orientação jurisprudencial acima encontra-se consolidada no âmbito das Turmas da Primeira Seção deste STJ, mesmo para as situações ocorridas após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei 37/1966, dada pela Medida Provisória 497/2010, convertida na Lei 12.350/2010, consoante ilustram os seguintes julgados: REsp 1.817.679/RS, relator ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 5/9/2019, DJe de 11/10/2019; AgInt no AREsp 1.418.993/RJ, relator ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 4/2/2020, DJe de 10/2/2020; AgInt no AREsp 1.582.988/SP, relator ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 29/4/2020, DJe de 7/5/2020; AgInt no REsp 1.867.756/SP, relator ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 19/10/2020, DJe de 23/10/2020; AgInt no AREsp 1.624.666/SP, relator ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 15/9/2020, DJe de 5/10/2020; AgInt no AREsp 1.706.512/PR, relator ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 24/2/2021, DJe de 26/2/2021; AgInt no REsp 1.973.805/SP, relatora ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 9/5/2022, DJe de 12/5/2022; AgInt no REsp 1.875.174/SP, relator ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 29/8/2022, DJe de 1/9/2022; AgInt no REsp 1.698.159/SP, relator ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 22/5/2023, DJe de 6/6/2023. No mesmo sentido enuncia a Súmula 126 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), in verbis: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei 12.350, de 2010. No caso, ao entender que não é cabível a aplicação do instituto da denúncia espontânea, em se tratando de prestação intempestiva de informações sobre cargas transportadas, o Tribunal de origem não violou o art. 102, § 2º, do Decreto-lei 37/1966, com a redação dada pela Medida Provisória 497/2010, convertida na Lei 12.350/2010. Ao contrário, decidiu a causa em consonância com a orientação jurisprudencial firmada pelo STJ. Isso posto, com fundamento no art. 253, parágrafo único, II, b, do RISTJ, conheço do agravo, para negar provimento ao recurso especial. Majoro os honorários advocatícios em 2% (dois por cento), com fundamento no art. 85, § 11, do CPC, observados os limites percentuais previstos no § 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça. Intimem-se. EMENTA