HC 684547 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus porque a impetração originária pretendia substituição de recurso ordinário e abordava matérias não apreciadas pelo Tribunal a quo; a apreciação direta por esta Corte implicaria supressão de instância, motivo pelo qual a via recursal própria deve ser respeitada.
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- Parties
- Paciente: JOÃO VIRGÍLIO TEIXEIRA SARDINHA PINTO; Órgão Recorrido: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 August 2021
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- habeas corpus não conhecido
- Legal Topics
- Denunciação Caluniosa, Habeas Corpus Originário Vs Recurso Ordinário, Substituição De Pena Por Restritiva De Direitos, Regime Inicial, Custódia Processual, Supressão De Instância
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Parties
JOÃO VIRGÍLIO TEIXEIRA SARDINHA PINTO
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Órgão Recorrido
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 possibilidade de substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos
- 2 uso do habeas corpus originário como substituto do recurso ordinário
- 3 necessidade de evitar supressão de instância ao apreciar questões não decididas pelo tribunal a quo
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus porque a impetração originária pretendia substituição de recurso ordinário e abordava matérias não apreciadas pelo Tribunal a quo; a apreciação direta por esta Corte implicaria supressão de instância, motivo pelo qual a via recursal própria deve ser respeitada.
Court Disposition
habeas corpus não conhecido
Orders
- Publique-se.
- Intimações necessárias.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, substitutivo de recurso próprio, impetrado em favor de JOÃO VIRGÍLIO TEIXEIRA SARDINHA PINTO, condenado a 3 anos de reclusão, em regime semiaberto, como incurso no artigo 339 do Código Penal (denunciação caluniosa). O impetrante impugna acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado: "APELAÇÃO. PENAL E PROCESSUAL PENAL. Crime de denunciação caluniosa. Recurso exclusivo da defesa. Preliminar de nulidade da sentença. Alegação de suspeição da juíza. Via inadequada. Ausência de demonstração de qualquer indício de vínculo subjetivo do juiz com o resultado do processo. Autoria e materialidade plenamente comprovadas. Prova documental e testemunhal. Versão do acusado que se encontra isolada nos autos. Prova oral substanciosa. Dosimetria. Processo em andamento que não serve para exasperar a pena- base. Conduta social corretamente valorada como desfavorável, com base, notadamente, nas declarações prestadas pela mãe do réu. Redução da pena-base. Reincidência específica. Inaplicabilidade do artigo 339, parágrafo 2º, do Código Penal, uma vez que houve imputação falsa de crime, e não de contravenção penal. Parcial provimento do recurso" (fl. 11). Busca a substituição da pena por restritiva de direitos. Acontece que o Tribunal a quo não se manifestou sobre esse tema. Assim, a sua análise, diretamente por esta Corte, acarreta indevida supressão de instância. Nesse sentido: HABEAS CORPUS. IMPETRAÇÃO ORIGINÁRIA. SUBSTITUIÇÃO AO RECURSO ORDINÁRIO CABÍVEL. IMPOSSIBILIDADE. TRÁFICO DE ENTORPECENTES. PRISÃO EM FLAGRANTE CONVERTIDA EM PREVENTIVA. SENTENÇA. REGIME INICIAL MENOS GRAVOSO. FRAÇÃO DO REDUTOR DO ART. 33, § 4º, DA LEI 11.343/06. SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR RESTRITIVA DE DIREITOS. MATÉRIAS NÃO APRECIADAS PELA CORTE DE ORIGEM NO ACÓRDÃO COMBATIDO. RECURSO DE APELAÇÃO CRIMINAL PENDENTE DE APRECIAÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. NEGATIVA DO DIREITO DE RECORRER EM LIBERDADE. SEGREGAÇÃO FUNDADA NO ART. 312 DO CPP. NATUREZA DA SUBSTÂNCIA TÓXICA ENCONTRADA. CIRCUNSTÂNCIAS DO DELITO. EXERCÍCIO DO COMÉRCIO NEFASTO EM SUA RESIDÊNCIA E COM O AUXILIO DAS FILHAS MENORES. ACUSADA QUE SE ENCONTRAVA EM LIBERDADE PROVISÓRIA QUANDO DA PRÁTICA DO PRESENTE CRIME. REITERAÇÃO DELITIVA. PROBABILIDADE CONCRETA. GARANTIA DA ORDEM E SAÚDE PÚBLICA. RÉ QUE PERMANECEU PRESA DURANTE TODO O PROCESSO. CUSTÓDIA JUSTIFICADA E DEVIDA. CONDIÇÕES PESSOAIS FAVORÁVEIS. IRRELEVÂNCIA. MEDIDAS CAUTELARES ALTERNATIVAS. INSUFICIÊNCIA. NECESSIDADE DE ADEQUAÇÃO DA EXECUÇÃO PROVISÓRIA AO REGIME SEMIABERTO IMPOSTO EM SENTENÇA. COAÇÃO ILEGAL, EM PARTE, DEMONSTRADA. WRIT NÃO CONHECIDO. ORDEM CONCEDIDA DE OFÍCIO. 1. O STF passou a não mais admitir o manejo do habeas corpus originário em substituição ao recurso ordinário cabível, entendimento que foi aqui adotado, ressalvados os casos de flagrante ilegalidade, quando a ordem poderá ser concedida de ofício. 2. Inviável a apreciação, diretamente por esta Corte Superior de Justiça, dada sua incompetência para tanto e sob pena de incidir-se em indevida supressão de instância, das alegações de possibilidade de aplicação do redutor de pena na fração máxima, de substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos ou até mesmo de fixação de regime inicial menos gravoso, tendo em vista que tais questões não foram analisadas pelo Tribunal impetrado no aresto combatido, que destacou a pendência de apelação interposta. 3. Prescreve o art. 387, § 1º, do CPP, que o Juiz deve decidir, por ocasião da prolação da sentença, de maneira fundamentada, acerca da manutenção ou, se for o caso, da imposição de prisão preventiva ou de outra medida cautelar, sem prejuízo do conhecimento da apelação interposta. 4. Conforme reiterada jurisprudência desta Corte Superior de Justiça, a preservação da custódia processual imposta antes do trânsito em julgado de sentença penal condenatória exige a indicação de elementos concretos a justificar a sua necessidade, à luz do art. 312 do CPP. .. 12. Habeas corpus não conhecido, concedendo-se, contudo, a ordem de ofício, para determinar que a paciente aguarde o julgamento da apelação em estabelecimento adequado ao regime prisional fixado - o semiaberto. (HC 373.686/SC, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, DJe 23/3/2017). Ante o exposto, não conheço do habeas corpus. Publique-se. Intimações necessárias.