REsp 1749273 - DECISAO
Não conhecer do Recurso Especial, por tratar-se de controvérsia que envolve matéria eminentemente constitucional abrangida pelo Tema 503/STF e por ausência de impugnação específica a fundamento suficiente do acórdão recorrido (aplicação, por analogia, da Súmula 283/STF), sendo autorizada a decisão monocrática nos...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 August 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão Monocrática De Relator Não Conhecimento
- Outcome
- Não conheço do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Desaposentação, Tema 503/stf, Regime Geral Da Previdência Social (rgps) Vs Regime Estatutário, Súmula 283/stf, Competência Para Exame De Matéria Constitucional
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão Monocrática De Relator Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 incidência do Tema 503/STF sobre desaposentação no RGPS
- 2 distinção entre desaposentação no RGPS e pedido de renúncia para fins de benefício estatutário
- 3 inadmissibilidade do recurso por falta de impugnação de fundamento suficiente (Súmula 283/STF)
Ratio Decidendi
Não conhecer do Recurso Especial, por tratar-se de controvérsia que envolve matéria eminentemente constitucional abrangida pelo Tema 503/STF e por ausência de impugnação específica a fundamento suficiente do acórdão recorrido (aplicação, por analogia, da Súmula 283/STF), sendo autorizada a decisão monocrática nos termos do art. 932, III, CPC/2015 e do Regimento Interno do STJ.
Court Disposition
Não conheço do Recurso Especial.
Orders
- NÃO CONHEÇO do Recurso Especial.
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Vistos. Trata-se de Recurso Especial interposto peloINSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIALcontra acórdão prolatado, por unanimidade, pela 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região no julgamento de apelação, assim ementado (fls. 377/378e): PREVIDENCIÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AGRAVO INTERNO. DESAPOSENTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE NO ÂMBITODO RGPS. REGIME ESTATUTÁRIO. POSSIBILIDADE. I- Com efeito, o E. STF, em 26.10.2016, no julgamento doRecursoExtraordinário661256,comrepercussãogeralreconhecida, na forma prevista no art.1.036 do CPC de 2015(artigo 543-B, do CPC de 1973), assentou o entendimento de que "No âmbito do Regime Geral de Previdência Social(RGPS),somente lei pode criar benefícios e vantagens previdenciárias, não havendo, por ora, previsão legal do direito à desaposentação sendo constitucional a regra do artigo 18, parágrafo 2º, da Lei 8.213/1991". II - A tese firmada pelo E. STF afeta, tão somente, a questão da "desaposentação" ocorrida no âmbito do Regime Geral da Previdência Social, ou seja, situação na qual o beneficio objeto de renúncia e o novo beneficio almejado encontram lugar na LBPS, oque não ocorre no caso vertente, porquanto o autor pretende o reconhecimento do direito à renúncia de seu beneficio derivado doRGPS, para fins de acréscimo de tempo de serviço em beneficio de natureza estatutária. III - Evidente a distinção entre a questão decidida no processo e aquela julgada no Recurso Extraordinário afetado, razão pela qual não se mostra cabível, no presente caso, o juízo de retratação, na forma prevista no art. 1.040, II, do CPC/2015. IV - Agravo retido interposto pela parte autora provido. Embargos de declaração opostos pelo INSS prejudicados. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados (fls. 270/271e). Com amparo no art. 105, III, a, da Constituição da República, aponta-se ofensa aos arts.11, parág. 3º e 18, parág.2º da Lei n. 8.213/1991, 12, parág. 4º da Lei n. 8.213/1991e 884 a 886 do Código Civil, alegando-se, em síntese, que a pretensão de renúncia à aposentadorianão encontra amparo na legislação que rege a matéria, além do que, desatende às diretrizes constitucionais traçadas para a seguridade social, que tem como base o princípio da solidariedade, não sendo possível, nem mesmo com devolução integral dos valores auferidos quando em gozo do beneficio anterior. Sem contrarrazões, o recurso foi admitido (fls. 388/389e). Feito breve relato, decido. Por primeiro, consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. Nos termos do art. 932, III, do Código de Processo Civil de 2015, combinado com os arts. 34, XVIII, a, e 255, I, ambos do Regimento Interno desta Corte, o Relator está autorizado, por meio de decisão monocrática, a não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida. Observo que o tribunal de origem afastou a aplicabilidade do Tema 503/STF, aos seguintes fundamentos: Assim sendo, verifica-se que a tese firmada pelo E. STF afeta, tão somente, a questão da "desaposentação" ocorrida no âmbito do Regime Geral da Previdência Social, ou seja, situação na qual o beneficio objeto de renúncia e o novo beneficio almejado encontram lugar na LBPS, o que não ocorre no caso vertente, porquanto o autor pretende o reconhecimento do direito à renúncia de seu beneficio derivado do RGPS, para fins de acréscimo de tempo de serviço em beneficio de natureza estatutária. Em síntese, resta evidente a distinção entre a questão decidida no processo e aquela julgada no Recurso Extraordinário afetado, razão pela qual não se mostra cabível, no presente caso, o juízo de retratação, na forma prevista no art. 1.040, II, do CPC/2015. Nas razões do Recurso Especial, tal fundamentação não foi refutada, repercutindo na inadmissibilidade do recurso, visto que esta Corte tem firme posicionamento segundo o qual a falta de combate a fundamento suficiente para manter o acórdão recorrido justifica a aplicação, por analogia, da Súmula n. 283 do Colendo Supremo Tribunal Federal: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". Nessa linha, destaco os seguintes julgados de ambas as Turmas que compõem a 1ª Seção desta Corte: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL.IPI. CREDITAMENTO. ENERGIA ELÉTRICA. INSUMO NO PROCESSO INDUSTRIAL.VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC/1973. NÃO OCORRÊNCIA. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. FUNDAMENTO INATACADO. SÚMULA 283/STF. 1. Não procede a suscitada contrariedade ao art. 535, II, do CPC/1973, tendo em vista que o Tribunal de origem decidiu, fundamentadamente, as questões essenciais à solução da controvérsia, concluindo de forma contrária à defendida pela parte recorrente, o que não configura omissão nem outra causa passível de exame mediante a oposição de embargos de declaração. 2. O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento no sentido de que a energia elétrica utilizada nos processos industriais bem como os combustíveis consumidos em tais processos não podem ser considerados insumos ou matéria-prima para os pretendidos fins de creditamento do IPI. 3. A parte agravante não impugnou o fundamento adotado pelo acórdão combatido concernente ao registro de que, apesar de devida, em tese, a correção monetária dos créditos escriturais pela Taxa Selic, no caso dos autos não houve a comprovação da demora do fisco em apreciar os pedidos administrativos de ressarcimento. Incidência da Súmula 283/STF, em razão da inobservância do princípio da dialeticidade. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1516185/DF, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/06/2021, DJe 29/06/2021) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.OFENSA AO ARTIGO 1.022 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. REVISÃO DO ARCABOUÇO FÁTICO E PROBATÓRIO DOS AUTOS.IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO A FUNDAMENTO CONTIDO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. SÚMULA 283/STF. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA FIXADA EM LEI ESTADUAL. INVASÃO DE COMPETÊNCIA DO LEGISLADOR COMPLEMENTAR FEDERAL. COMPETÊNCIA DO STF. 1. Não há violação aos artigos 489 e 1.022 do CPC/2015, quando o órgão julgador, de forma clara e coerente, externa fundamentação adequada e suficiente à conclusão do acórdão, abordando todos os pontos essenciais à solução da controvérsia apresentada. 2. A Corte a quo firmou que a solidariedade no caso concreto decorreu tanto do interesse comum (124, I, CTN), quanto da existência de grupo econômico, conluio e participação da transportadora e do seu sócio nas infrações apuradas (arts. 135 e 137 do CTN) e, ainda, da sua concorrência para a sonegação do imposto (art. 9º da Lei Estadual 6.374/89), mediante conluio e atos ilícitos. 3. As questões foram decididas com base no suporte fático-probatório dos autos, de modo que concluir de forma diversa é inviável no âmbito do Recurso Especial, ante o óbice da Súmula 7 do STJ. 4. A ausência de impugnação a fundamento que, por si só, respalda o resultado do julgamento proferido pela Corte de origem ("subsunção do caso concreto à hipótese descrita no art. 137, I, CTN") impede a admissão do recurso especial. Súmula 283/STF. 5. O recurso especial não se revela via adequada para discutir a constitucionalidade da atribuição de responsabilidade tributária solidária pelo legislador estadual, referente aos tributos locais. 6. Agravo interno não provido. (AgInt nos EDcl no AREsp 1427033/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 28/06/2021, DJe 30/06/2021) Ademais, no que diz respeito ao mérito da controvérsia, o INSS defende a impossibilidade de reconhecimento de direito à renúncia de aposentadoria, calcado no art. 18 da Lei n. 8.213/1991 e na orientação firmada pelo Supremo Tribunal Federal quanto ao tema. De fato,o acórdão impugnado possui como fundamento matéria eminentemente constitucional, porquanto o deslinde da controvérsia envolve o alcance da tese fixada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Tema 503/STF. O recurso especial possui fundamentação vinculada, destinando-se a garantir a autoridade da lei federal e a sua aplicação uniforme, não constituindo, portanto, instrumento processual destinado a examinar a questão constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal, conforme dispõe o art. 102, III, da Carta Magna. Nesse sentido, confiram-se: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IPTU. ISENÇÃO. ÁREA DESAPROPRIADA. MATÉRIA DECIDIDA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM SOB O ENFOQUE EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. 1. Na hipótese, o Tribunal de origem decidiu a controvérsia com base em fundamentos eminentemente constitucionais, escapando sua revisão, assim, à competência desta Corte em sede de recurso especial. 2. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no AREsp 537.171/MG, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 09/09/2014, DJe 16/09/2014 - destaques meus). REAJUSTE CONCEDIDO. VANTAGEM PECUNIÁRIA INDIVIDUAL. NATUREZA DIVERSA. CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DA SUPREMA CORTE. 1. A Corte local concluiu pela diversidade da natureza jurídica da VPNI, instituída pela Lei 10.698/2003 em relação à Revisão Geral Anual, prevista no art. 37, X, da CF/1988. 2. Verifica-se que o acórdão recorrido contém fundamento exclusivamente constitucional, sendo defeso ao STJ o exame da pretensão deduzida no recurso especial, sob pena de usurpação da competência do STF. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no AREsp 467.850/RO, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/04/2014, DJe 22/04/2014 - destaques meus). Posto isso, com fundamento nos arts. 932, III, do Código de Processo Civil de 2015 e 34, XVIII, a, e 255, I, ambos do RISTJ, NÃO CONHEÇO do Recurso Especial. Publique-se e intimem-se.