AREsp 1838001 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e decidiu-se não conhecer do recurso especial porque a matéria atacada (fixação da verba honorária nos parâmetros do art. 27, §1º do Decreto-lei 3.365/1941) envolve juízo de equidade e valoração de circunstâncias fático-probatórias, cuja reanálise é vedada em recurso especial pela Súmula 7/STJ.
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- Parties
- Expropriante/autor: Município de Itaguaí/RJ; Expropriado/réu: Sociedade Itaguaí de Produtos Agrícolas Ltda; Expropriado/réu: Antonio Feolla; Recorrente/representante Dos Expropriados: Curadoria Especial da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 June 2021
- Procedural Posture
- Ação De Desapropriação / Agravo Interposto Contra Não Admissão De Recurso Especial; Decisão: Conheço Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Desapropriação, Honorários Advocatícios, Recurso Especial, Súmula 7/stj, Juros Compensatórios
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Parties
Município de Itaguaí/RJ
Expropriante/autor
Sociedade Itaguaí de Produtos Agrícolas Ltda
Expropriado/réu
Antonio Feolla
Expropriado/réu
Curadoria Especial da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro
Recorrente/representante Dos Expropriados
Procedural Posture
Ação De Desapropriação / Agravo Interposto Contra Não Admissão De Recurso Especial; Decisão: Conheço Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 fixação dos honorários advocatícios em ação de desapropriação
- 2 possibilidade de reexame da fixação dos honorários em recurso especial diante da Súmula 7/STJ
- 3 aplicação do art. 27, §1º, do Decreto-lei 3.365/1941
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e decidiu-se não conhecer do recurso especial porque a matéria atacada (fixação da verba honorária nos parâmetros do art. 27, §1º do Decreto-lei 3.365/1941) envolve juízo de equidade e valoração de circunstâncias fático-probatórias, cuja reanálise é vedada em recurso especial pela Súmula 7/STJ.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Município de Itaguaí/RJ ajuizou ação de desapropriação, com pedido de imissão provisória na posse, contra a Sociedade Itaguaí de Produtos Agrícolas Ltda e o particular Antonio Feollaobjetivando a expropriação do imóvel situado no Lote 03 da Quadra 05 do loteamento denominado Jardim Itaguaí - Mar, encravado no 1º Distrito do Município, declarado de utilidade pública pelo Decreto n. 3.362 de 09/05/2008, tendo ofertado o valor de R$ 5.184,00 (cinco mil e cento e oitenta e quatro reais), apurado administrativamente. Na primeira instânciaa ação foi julgada procedente, com o arbitramento da indenização expropriatória no importe R$ 42.500,00 (quarenta e dois mil e quinhentos reais), mais as devidas cominações legais - fls. 150-153. O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, em grau recursal, deu provimento ao recurso de apelação do Município de Itaguaí expropriante, reduzindo o percentual da condenação da verba honorária para 0,5% (meio por cento), bem assim para excluí-lo do pagamento das custas processuais, nos termos da seguinte ementa (fl. 199): APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE DESAPROPRIAÇÃO. HONORÁRIOS FIXADOS EM PATAMAR ELEVADO, CONSIDERANDO A ATUAÇÃO DA PARTE RÉ NOS AUTOS. ENTE MUNICIPAL QUE É ISENTO DO PAGAMENTO DAS CUSTAS PROCESSUAIS, INCLUSIVE TAXA JUDICIÁRIA. RECURSO A QUE SE DÁ PROVIMENTO. Opostos embargos de declaração pela Curadoria Especial representando os interesses dos expropriados, foram eles rejeitados (fls. 236-241). Curadoria Especial da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro,representante dos interesses do expropriados, interpôs recurso especial, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea a, da Constituição da República, no qual aponta violação do art. 27, §1º, do Decreto n. 3.365 de 1941 c/c art. 20, §§ 3º e 4º, do CPC de 1973, e do art. 85, §3º, do CPC de 2015, visto que, em suma, teria a Corte Estadual analisado a questão dos honorários somente pela ótica da primeira metade do §1º do art. 27 do mencionado Decreto-Lei, ignorando a parte que estabeleceque os valores percentuais devemobservar os critérios do §4º do art. 20 do CPC revogado, especificamente o grau de zelo do profissional, o lugar de prestação do serviço, a natureza e importância da causa e o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço. Ofertadas contrarrazões às fls. 265-272, o recurso especial não foi admitido pelo Tribunal a quo (fls. 278-279), tendo sido interposto o presente agravo. É o relatório. Decido. A controvérsia está centrada na fixação da verba honorária em 0,5% (meio por cento) sobre a diferença entre o preço ofertado e o valor indenizatório arbitrado judicialmente, o que seria irrisório no entendimento do recorrente. A respeito da alegação violação do art. 27, §1º, do Decreto n. 3.365/1941 c/c art. 20, §§ 3º e 4º, do CPC/1973, e do art. 85, §3º, do CPC/2015, é forçoso esclarecer que, de forma geral, a fixação da verba honorária de sucumbência cabe às instâncias ordinárias, porquanto resulta da apreciação equitativa e da avaliação subjetiva do julgador diante das circunstâncias fáticas presentes nos autos, sendo assim insuscetível de revisão em recurso especial, a teor da Súmula n. 7/STJ. Em sede de representativo da controvérsia, esta Corte firmou o seguinte entendimento acerca dos honorários em ações de desapropriação: ADMINISTRATIVO. DESAPROPRIAÇÃO. JUROS COMPENSATÓRIOS. TAXA. SÚMULA 618/STF. MP 1.577/97. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ART. 27, § 1º, DO DECRETO-LEI 3.365/41. SÚMULA 389/STF. 1. Segundo a jurisprudência assentada no STJ, a Medida Provisória 1.577/97, que reduziu a taxa dos juros compensatórios em desapropriação de 12% para 6% ao ano, é aplicável no período compreendido entre 11.06.1997, quando foi editada, até 13.09.2001, quando foi publicada a decisão liminar do STF na ADIn 2.332/DF, suspendendo a eficácia da expressão "de até seis por cento ao ano", do caput do art. 15-A do Decreto-lei 3.365/41, introduzida pela referida MP. Nos demais períodos, a taxa dos juros compensatórios é de 12% (doze por cento) ao ano, como prevê a súmula 618/STF. 2. Os honorários advocatícios, em desapropriação direta, subordinam-se aos critérios estabelecidos no § 1º do art. 27 do Decreto-lei 3.365/41 (redação dada pela MP 1.997-37/2000). O juízo sobre a adequada aplicação dos critérios de eqüidade previstos no art. 20, §§ 3º e 4º do CPC impõe exame das circunstâncias da causa e das peculiaridades do processo, o que não se comporta no âmbito do recurso especial (Súmula 07/STJ). Aplicação, por analogia, da súmula 389/STF. Precedentes dos diversos órgãos julgadores do STJ. 3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543-C do CPC. (REsp 1111829/SP, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, DJe 25/05/2009) A partir de tal tese firmada, a jurisprudência da Corte passou a considerar quenas ações ajuizadas posteriormente à MP 1997/2000, fixados os honorários nos parâmetros de 0,5 a 5% estabelecidos peloart. 27, §1º, do Decreto-Lei n. 3.365/1941,não seria cabível sua rediscussão em sede de recurso especial, esbarrando a pretensão no óbice sumular n. 7/STJ. Posteriormente ao decido pelo STF na ADI 2.332/DF, esta Corte procedeu à revisão de teses a respeito dos temas relativos a ações expropriatórias, assim o fazendo: PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. DESAPROPRIAÇÃO. JUROS COMPENSATÓRIOS, MORATÓRIOS E HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS EM AÇÕES EXPROPRIATÓRIAS. DECRETO-LEI N. 3.365/1945, ARTS. 15-A E 15-B. ADI 2.332/STF. PROPOSTA DE REVISÃO DE TESES REPETITIVAS. COMPETÊNCIA.NATUREZA JURÍDICA DAS TESES ANTERIORES À EMENDA 26/2016. CARÁTER ADMINISTRATIVO E INDEXANTE. TESES 126, 184, 280, 281, 282, 283 E SÚMULAS 12, 70, 102, 141 E 408 TODAS DO STJ. REVISÃO EM PARTE.MANUTENÇÃO EM PARTE. CANCELAMENTO EM PARTE. EDIÇÃO DE NOVAS TESES.ACOLHIMENTO EM PARTE DA PROPOSTA. MOD ULAÇÃO. AFASTAMENTO. 1. Preliminares: i) a Corte instituidora dos precedentes qualificados possui competência para sua revisão, sendo afastada do ordenamento nacional a doutrina do stare decisis em sentido estrito (autovinculação absoluta aos próprios precedentes); e ii) não há que se falar em necessidade de sobrestamento da presente revisão à eventual modulação de efeitos no julgamento de controle de constitucionalidade, discussão que compete unicamente à Corte Suprema. 2. Há inafastável contradição entre parcela das teses repetitivas e enunciados de súmula submetidos à revisão e o julgado de mérito do STF na ADI 2332, sendo forçosa a conciliação dos entendimentos. 3. No período anterior à Emenda Regimental 26/2016 (DJe 15/12/2016), as teses repetitivas desta Corte configuravam providência de teor estritamente indexante do julgamento qualificado, porquanto elaboradas por unidade administrativa independente após o exaurimento da atividade jurisdicional. Faz-se necessário considerar o conteúdo efetivo dos julgados para seu manejo como precedente vinculante, prevalecendo a ratio decidendi extraída do inteiro teor em caso de contradição, incompletude ou qualquer forma de inconsistência com a tese então formulada. Hipótese incidente nas teses sob revisão, cuja redação pela unidade administrativa destoou em parte do teor dos julgamentos em recursos especiais repetitivos. 4. Descabe a esta Corte interpretar o teor de julgado do Supremo Tribunal Federal, seja em cautelar ou de mérito, sendo indevida a edição de tese repetitiva com pretensão de regular seus efeitos, principalmente com caráter condicional. 5. Cancelamento da Súmula 408/STJ ("Nas ações de desapropriação, os juros compensatórios incidentes após a Medida Provisória n. 1.577, de 11/06/1997, devem ser fixados em 6% ao ano até 13/09/2001 e, a partir de então, em 12% ao ano, na forma da Súmula n. 618 do Supremo Tribunal Federal."), por despicienda a convivência do enunciado com tese repetitiva dispondo sobre a mesma questão (Tese 126/STJ).Providência de simplificação da prestação jurisdicional. 6. Adequação da Tese 126/STJ ("Nas ações de desapropriação, os juros compensatórios incidentes após a Medida Provisória n. 1.577, de 11/06/1997, devem ser fixados em 6% ao ano até 13/09/2001 e, a partir de então, em 12% ao ano, na forma da Súmula n. 618 do Supremo Tribunal Federal.") para a seguinte redação: "O índice de juros compensatórios na desapropriação direta ou indireta é de 12% até 11.6.97, data anterior à publicação da MP 1577/97.". Falece competência a esta Corte para discutir acerca dos efeitos da cautelar na ADI 2.332, sem prejuízo da consolidação da jurisprudência preexistente sobre a matéria infraconstitucional. 7. Manutenção da Tese 184/STJ ("O valor dos honorários advocatícios em sede de desapropriação deve respeitar os limites impostos pelo artigo 27, § 1º, do Decreto-lei 3.365/41 qual seja: entre 0,5% e 5% da diferença entre o valor proposto inicialmente pelo imóvel e a indenização imposta judicialmente."). O debate fixado por esta Corte versa unicamente sobre interpretação infraconstitucional acerca da especialidade da norma expropriatória ante o Código de Processo Civil. .. 15. Manutenção da Súmula 141/STJ ("Os honorários de advogado em desapropriação direta são calculados sobre a diferença entre a indenização e a oferta, corrigidas monetariamente."). .. 17. Proposta de revisão de teses repetitivas acolhida em parte. (Pet 12.344/DF, Rel. Ministro OG FERNANDES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2020, DJe 13/11/2020, g.n.) Como se percebe, não houve alteração no tocante à questão do entendimento que até então se firmou acerca dos honorários, sendo a pacífica a jurisprudência da Corte sobre a impossibilidade de se revisar, em sede de recurso especial, a verba honorária em autos expropriatórios que foi regularmente estabelecida nos respectivos patamares de 0,5 a 5% da diferença entre o valor proposto e fixado judicialmente. No sentido, confiram-se: ADMINISTRATIVO. DESAPROPRIAÇÃO PARA UTILIDADE PÚBLICA. PERÍCIA JUDICIAL. VALOR INDENIZATÓRIO. AVALIAÇÃO DA PERÍCIA JUDICIAL.INCONFORMISMO. ALEGAÇÃO DE INCONSISTÊNCIA E IRREGULARIDADES PERICIAL. AFASTAMENTO ART. 26 DO DECRETO-LEI 3.365/41.JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE DO STJ. CONTROVÉRSIA RESOLVIDA, PELO TRIBUNAL DE ORIGEM, À LUZ DAS PROVAS DOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO. SÚMULA 7/STJ. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ART. 27, § 1º, DO DECRETO-LEI 3.365/41: 5% (CINCO POR CENTO) DA DIFERENÇA ENTRE O VALOR OFERTADO ADMINISTRATIVAMENTE E O APURADO JUDICIALMENTE.FIXAÇÃO POSTERIOR À EDIÇÃO DA MP N. 1997/2000. CONFORMIDADE.EQUIDADE. ART. 85 DO CPC/2015. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE ANÁLISE MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 7/STJ. I - Na origem cuida-se de ação de desapropriação de imóvel declarado de utilidade pública, ajuizada por concessionária de rodovias, com vistas à ampliação de trecho rodoviário. II - Ação julgada procedente, fixando-se verba indenizatória de acordo com laudo pericial produzido em juízo, em valor superior ao ofertado administrativamente, cuja revisão, nos termos em que pretendido pela recorrente, não é possível no bojo do recurso especial, por demandar reexame do conjunto fático-probatório dos autos, fundado em laudos periciais e exame imobiliário, situação que enseja a incidência da Súmula 7/STJ. III - Considerando que a decisão é posterior à MP 1997/2000, a fixação da verba honorária no percentual de 5% (cinco por cento) sobre a diferença do valor ofertado e a indenização fixada, está dentro dos limites do art. 27, §1º, do Decreto-Lei n. 3.365/41, no que a pretensão de sua redução, ainda que sob o enfoque da equidade - art. 85 do CPC/2015, também esbarra na referida Súmula. IV - Recurso especial não conhecido. (REsp 1859067/SP, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 25/05/2021, DJe 31/05/2021) PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. DESAPROPRIAÇÃO DIRETA. ART. 1.022 DO CPC/2015. VIOLAÇÃO. ALEGAÇÃO GENÉRICA. LAUDO PERICIAL. EXAME DE MATÉRIA FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE. VALORIZAÇÃO DO IMÓVEL. SOBREPREÇO.PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. ÁREA NON AEDIFICANDI. INDENIZAÇÃO.DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. ÔNUS SUCUMBENCIAIS E VALOR DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ANÁLISE. INVIABILIDADE. 1. Conforme estabelecido pelo Plenário do STJ, "aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC" (Enunciado Administrativo n. 3). 2. A alegação de afronta ao art. 1.022 do CPC/2015 deve estar acompanhada de causa de pedir suficiente à compreensão da controvérsia, com indicação precisa dos vícios de que padeceria o acórdão impugnado, bem assim sua relevância para o deslinde da controvérsia, sob pena de incidência da Súmula 284 do STF. .. 7. Fixado o percentual dos honorários advocatícios dentro dos limites impostos pelo art. 27, § 1º, do Decreto-Lei n. 3.365/1941 (entre 0,5% e 5% do valor da diferença entre o valor proposto inicialmente e a indenização fixada pelo juízo), a análise do acerto em relação ao quantum determinado na instância de origem encontra óbice da Súmula 7 do STJ. 8. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp 1905029/SP, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/05/2021, DJe 25/05/2021) Ante o exposto, com fundamento no art. 253, parágrafo único, II, a, do RISTJ, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se.