AREsp 976113 - DECISAO
Devolver os autos ao tribunal de origem para que, em observância às teses repetitivas vinculantes fixadas pelo STJ e à disciplina dos arts. 1.039 e 1.040 do CPC/15, o juízo de origem negue seguimento ao recurso se coincidente com a tese ou proceda ao juízo de retratação se divergir, evitando decisões divergentes e...
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- Parties
- Agravante: INSTITUTO NACIONAL DE COLONIZAÇÃO E REFORMA AGRÁRIA; Agravado: TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 1ª REGIÃO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 September 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Determinação De Devolução Ao Tribunal De Origem
- Outcome
- Devolução dos autos ao Tribunal de origem para observância das teses vinculantes e da disciplina dos arts. 1.039 e 1.040 do CPC/15
- Legal Topics
- Desapropriação, Juros Compensatórios, Juros Moratórios, Honorários Advocatícios, Correção Monetária, Teses Repetitivas, Devolução Ao Tribunal De Origem
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Parties
INSTITUTO NACIONAL DE COLONIZAÇÃO E REFORMA AGRÁRIA
Agravante
TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 1ª REGIÃO
Agravado
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Determinação De Devolução Ao Tribunal De Origem
Legal Issues
- 1 incidência e percentual dos juros compensatórios em desapropriações
- 2 limites dos honorários advocatícios em desapropriação
- 3 incidência de juros em imóveis improdutivos ou com produtividade zero
Ratio Decidendi
Devolver os autos ao tribunal de origem para que, em observância às teses repetitivas vinculantes fixadas pelo STJ e à disciplina dos arts. 1.039 e 1.040 do CPC/15, o juízo de origem negue seguimento ao recurso se coincidente com a tese ou proceda ao juízo de retratação se divergir, evitando decisões divergentes e permitindo uniformidade na aplicação do precedente qualificado.
Court Disposition
Devolução dos autos ao Tribunal de origem para observância das teses vinculantes e da disciplina dos arts. 1.039 e 1.040 do CPC/15
Orders
- Determina a devolução dos autos ao Tribunal de origem
- Negue seguimento ao recurso se o acórdão recorrido coincidir com a tese vinculante do STJ
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Vistos, etc. Trata-se de agravo em recurso especialmanejado peloINSTITUTO NACIONAL DE COLONIZAÇÃO E REFORMA AGRÁRIAcontra acórdão do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 1ª REGIÃOassim ementado: ADMINISTRATIVO. DESAPROPRIAÇÃO. IMÓVEL RURAL. REFORMA AGRÁRIA. VALOR DA TERRA NUA. CORREÇÃO MONETARIA PELA TAXA REFERENCIAL - TR. DECRETO 578/94. JUROS COMPENSATÓRIOS. JUROS MORATÓRIOS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Às e-STJ fls. 819-822, decidi pelo não conhecimento do recurso quanto à matéria não repetitiva e, no que tange aos juros, determinei o retorno do feito à origem. Diante de agravo interno subsequente (e-STJfls. 828-842), alusivo unicamente à matéria de devolução à origem, reconsiderei a decisão anterior apenas para determinar o sobrestamento do feito até a revisão das teses. É o relatório. O agravo interno se volta apenas quanto à superação das teses repetitivas anteriormente adotadas por esta Corte à luz da ADI 2332, não sobre seu enquadramento. Nesse passo, aquestão jurídica referente aos juros compensatórios nas desapropriações foi submetida a revisão no regime dos precedentes qualificados vinculantes pelo Superior Tribunal de Justiça nos seguintes termos: Tese 126/STJ:O índice de juros compensatórios na desapropriação direta ou indireta é de 12% até 11/6/1997, data anterior à vigência da MP 1577/97. Tese 184/STJ:O valor dos honorários advocatícios em sede de desapropriação deve respeitar os limites impostos pelo artigo 27, § 1º, do Decreto-lei 3.365/41 - qual seja: entre 0,5% e 5% da diferença entre o valor proposto inicialmente pelo imóvel e a indenização imposta judicialmente. Tese 280/STJ:Até 26.9.99, data anterior à edição da MP 1901- 30/99, são devidos juros compensatórios nas desapropriações de imóveis improdutivos. Tese 281/STJ:Mesmo antes da MP 1901-30/99, são indevidos juros compensatórios quando a propriedade se mostrar impassível de qualquer espécie de exploração econômica atual ou futura, em decorrência de limitações legais ou fáticas. Tese 282/STJ: i) A partir de 27.9.99, data de edição da MP 1901- 30/99, exige-se a prova pelo expropriado da efetiva perda de renda para incidência de juros compensatórios (art. 15-A, § 1º, do Decreto-Lei 3365/41); ii) Desde 5.5.2000, data de edição da MP 2027-38/00, veda-se a incidência dos juros em imóveis com índice de produtividade zero (art. 15-A, § 2º, do Decreto-Lei 3365/41). Tese 283/STJ: cancelada. Tese 1071/STJ:A discussão acerca da eficácia e efeitos da medida cautelar ou do julgamento de mérito da ADI 2332 não comporta revisão em recurso especial. Tese 1072/STJ:Os juros compensatórios observam o percentual vigente no momento de sua incidência. Tese 1073/STJ:As Súmulas 12/STJ ("Em desapropriação, são cumuláveis juros compensatórios e moratórios."), 70/STJ ("Os juros moratórios, na desapropriação direta ou indireta, contam-se desde o trânsito em julgado da sentença.") e 102/STJ ("A incidência dos juros moratórios sobre compensatórios, nas ações expropriatórias, não constitui anatocismo vedado em lei.") somente se aplicam às situações havidas até 12.01.2000, data anterior à vigência da MP 1.997/34. Note-se que mesmo a incidência da lei superveniente, nos termos defendidos pela parte agravante, é alcançada pela tese repetitiva, especificamente, a registrada sob o número 1.072/STJ. Nesse contexto, por medida de economia processual e para evitar decisões dissonantes entre Cortes integrantes do mesmo sistema de Justiça, os recursos que tratam da mesma controvérsia devem retornar à origem, para aguardar ou aplicar a solução alcançada no feito afetado, viabilizando, assim, a observação uniforme da tese vinculante. Cumpre esclarecer que, somente depois de realizada essa providência, com o exaurimento da instância ordinária, os recursos excepcionais deverão ser encaminhados para os Tribunais Superiores, a fim de que possam ser analisadas as questões jurídicas neles suscitadas, desde que não prejudicados pelo novo pronunciamento da Corte local. Ante o exposto, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem, para observação da disciplina processual dos arts. 1.039 e 1.040 do CPC/15, de modo a que se: i) negue seguimento ao recurso, se o acórdão recorrido coincidir com a tese vinculante do Tribunal Superior; ou ii) proceda ao juízo de retratação, na hipótese de ter o colegiado local divergido da interpretação fixada no precedente qualificado. Publique-se. Intimem-se.