REsp 2093200 - DECISAO
O STJ negou provimento ao recurso especial, aplicando sua jurisprudência e a interpretação do STF: a base de cálculo dos juros compensatórios é a diferença entre 80% do valor ofertado e o valor fixado em sentença, os juros compensatórios incidem sobre a parcela de 20% indisponível, o art. 1º-F da Lei 9.494/97 não é...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo - DER
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 August 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão Em Recurso Especial (julgamento Pelo Stj)
- Outcome
- nego provimento ao recurso especial
- Legal Topics
- Desapropriação, Juros Compensatórios, Juros Moratórios, Correção Monetária, Precatório, Base De Cálculo
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo - DER
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão Em Recurso Especial (julgamento Pelo Stj)
Legal Issues
- 1 base de cálculo dos juros compensatórios em desapropriação
- 2 incidência de juros moratórios sobre a condenação principal
- 3 aplicabilidade do art. 1º-F da Lei 9.494/97 nas desapropriações
Ratio Decidendi
O STJ negou provimento ao recurso especial, aplicando sua jurisprudência e a interpretação do STF: a base de cálculo dos juros compensatórios é a diferença entre 80% do valor ofertado e o valor fixado em sentença, os juros compensatórios incidem sobre a parcela de 20% indisponível, o art. 1º-F da Lei 9.494/97 não é aplicável às desapropriações e o percentual dos juros compensatórios deve ser readequado para 6% ao ano desde a imissão na posse; afastou-se a incidência de juros moratórios sobre o valor principal.
Court Disposition
nego provimento ao recurso especial
Orders
- Adequação do julgado para aplicação de juros compensatórios à razão de 6% ao ano a partir da imissão na posse do imóvel
- Determinação de que os juros compensatórios incidem sobre a parcela indisponível de 20% da indenização (diferença entre 80% da oferta administrativa e o valor fixado em sentença)
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial manejado pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo DER com fundamento no art. 105, III, a, da CF, contra acórdão proferido pelo Tribunal d e Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado (fl. 591): AÇÃO DE DESAPROPRIAÇÃO DIRETA. Incorporação de área para implantação do Rodoanel Trecho Norte. Valor indenizatório adequadamente apurado em laudo pericial. JUROS COMPENSATÓRIOS. Devidos desde a data da imissão na posse (Súmula 69 do STJ), no percentual de 12% ao ano, até a expedição do precatório. JUROS MORATÓRIOS. Inaplicabilidade sobre a condenação principal. Inexistência de mora do expropriante quanto à indenização. Sentença parcialmente reformada. Recurso parcialmente provido. Opostos os primeiros embargos declaratórios, foram parcialmente acolhidos com efeitos modificativos, decisão a qual foi mantida nos segundos (fls. 612/619 e 677/687). Nas razões do recurso especial, a parte agravante aponta violação aos seguintes dispositivos legais: (I) 15-A do Decreto-Lei nº 3.365141, afirmando que "Nos termos do artigo em epígrafe, os juros compensatórios não podem incidir, pois com a realização do depósito do valor fixado na sentença, não há como calcular qualquer diferença por não haver base de cálculo para incidência dos compensatórios, considerando também que a própria instituição bancária em que o depósito se encontra efetuará as atualizações devidas" (fl. 626); (II) 1º-F da Lei Federal nº 9494/97, na medida em que, "sobre todos e quaisquer débitos da Fazenda Pública, inclusive os decorrentes de desapropriação, a partir de 30106109, data da publicação da referida lei, serão aplicados novos índices e critérios por ela definidos, passando a set aplicada a Taxa Referencial (TR) para fins de atualização monetária e o percentual de juros de 0,5% ao mês, para fins de remuneração do capital e compensação da mora (no lugar dos juros compensatórios e moratórios até então vigentes), consoante previsão da Lei Federal 8.177191, que rege a remuneração básica e os juros aplicados à caderneta de poupança" (fl. 631). Acrescenta que, "independentemente da natureza, as condenações impostas à Fazenda seriam acrescidas somente da taxa da caderneta de poupança, houve a abrangência total da disciplina da correção monetária e juros nas condenações, inclusive, em processos expropriatórios" (fl. 631). Foram ofertadas contrarrazões às fls. 640/644. Em sede de juízo de adequação frente ao que restou decidido pelo STJ no julgamento do Tema 126, foi proferido novo acórdão, nos seguintes termos (fl. 700): JUÍZO DE RETRATAÇÃO. DESAPROPRIAÇÃO. CONSECTÁRIOS LEGAIS. JUROS COMPENSATÓRIOS. TEMA 126 (PET 12344/DF). Acórdão que determinou juros compensatórios no percentual de 12% ao ano, desde a data da imissão na posse (Súmula 69 do STJ) até a expedição do precatório. Julgado que conflita com o entendimento firmado pelo C. STF no julgamento do ADI 2.332 e pelo STJ no Tema 126. Alteração do percentual fixado dos juros compensatórios para 6% ao ano. Readequação do julgado em regime de retratação. O Ministério Público Federal, na condição de fiscal da lei, opinou pelo não conhecimento do recurso especial (fls. 729/737). É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. A irresignação não merece prosperar. Isso porque a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça trilha no sentido de que, ainda que tenha havido o depósito integral do valor da indenização antes mesmo da imissão na posse, o expropriado somente poderá levantar 80% (oitenta por cento) do referido montante, pelo que os juros compensatórios devem incidir sobre a parcela de 20% (vinte por cento) da indenização indisponível. No mesmo rumo: PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. SERVIDÃO ADMINISTRATIVA. CONSTITUIÇÃO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. DÉBITO. VALOR APRESENTADO PELO EXEQUENTE. PROCEDÊNCIA DO PEDIDO. ALEGAÇÃO DE OFENSA AOS ARTS. 489 E 1.022, AMBOS DO CPC/2015. INEXISTÊNCIA. JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA. BASE DE CÁLCULO. ACÓRDÃO ALINHADO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. I - Na origem, trata-se de agravo de instrumento interposto contra a decisão que, nos autos da ação de constituição de servidão administrativa, em fase de cumprimento de sentença, determinou à parte agravante que apresentasse memória descritiva e atualizada de cálculo do débito, conforme os termos e parâmetros destacados na decisão agravada. II - No Tribunal a quo, a decisão foi parcialmente reformada para reconhecer que os valores utilizados pelo exequente/agravante, para a incidência dos juros compensatórios, da correção monetária e dos juros moratórios, estão escorreitos, bem como para reconhecer que a forma de incidência dos juros compensatórios está de acordo com o estipulado na sentença exequenda, pois calculado à taxa de 6% ao ano, a partir da imissão na posse, calculado sobre a diferença verificada entre 80% do preço ofertado em juízo e o valor do bem fixado na sentença. Esta Corte conheceu do agravo para negar provimento ao recurso especial. III - A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme no sentido de que não há violação dos arts. 489 e 1.022, ambos do CPC/2015 quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a e apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. IV - A respeito da apontada negativa de vigência aos arts. 489, § 1º, I, IV e V, e 1.022, II e III, ambos do CPC/2015, não se vislumbra pertinência na alegação, tendo o julgador dirimido a controvérsia tal qual lhe fora apresentada, em decisão devidamente fundamentada, sendo a irresignação da recorrente evidentemente limitada ao fato de estar diante de decisão contrária a seus interesses, o que não viabiliza o referido recurso declaratório. V - Descaracterizada a alegada omissão, tem-se de rigor o afastamento da violação dos mencionados artigos processuais, conforme pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: (AgInt no REsp n. 1.643.573/RS, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 8/11/2018, DJe 16/11/2018 e AgInt no REsp n. 1.719.870/RS, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 24/9/2018, DJe 26/9/2018). VI - O aresto recorrido está em perfeita harmonia com a jurisprudência desta Corte Superior, no sentido de que a base de cálculo dos juros compensatórios nas ações de desapropriação deve ser a diferença entre os 80% do preço ofertado administrativamente e o valor do bem definido judicialmente para a indenização, na sentença. VII - Ainda que tenha havido o depósito integral do valor da indenização antes mesmo da imissão na posse, o expropriado poderá levantar somente 80% do referido valor, no que os juros compensatórios incidem sobre parcela de 20% da indenização indisponível. Confiram-se os seguintes julgados relacionados: (AgInt no AREsp n. 493.438/PB, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 13/5/2019, DJe de 20/5/2019 e REsp n. 1.397.476/PE, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 28/4/2015, DJe de 1/7/2015). VIII - A correção monetária incidente sobre o percentual de 80% não levantado pelo expropriado, por opção dele, em nada altera a base de cálculo dos juros compensatórios da indenização, a uma, por ausência de previsão legal para tanto e, a duas, porque, ainda que o recorrido tivesse realizado o levantamento de parte da indenização, provavelmente o valor correspondente estaria sendo corrigido monetariamente em outra instituição financeira. IX - Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 2.099.631/GO, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 10/10/2022, DJe de 13/10/2022.) PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. DESAPROPRIAÇÃO PARA UTILIDADE PÚBLICA. JUROS COMPENSATÓRIOS. BASE DE CÁLCULO. DIFERENÇA ENTRE 80% DO VALOR DA OFERTA INICIAL E A INDENIZAÇÃO FIXADA JUDICIALMENTE. 1. O STF, no julgamento da ADI 2.332 - 2/DF, Rel. Min. Moreira Alves, deu ao art. 15-A do Decreto-lei 3.365/1946 interpretação conforme a Constituição para que a base de cálculo dos juros compensatórios seja a diferença eventualmente apurada entre 80% (oitenta por cento) do preço ofertado e o valor do bem fixado em sentença. 2. A interpretação parte da premissa de que o desapropriado fez o levantamento de 80% (oitenta por cento) do valor da oferta, devendo os juros incidir sobre os 20% (vinte por cento) restantes e o que a mais for fixado pela sentença. Precedentes do STJ: REsp 1.455.588/SC, Rel. Min. Og Fernandes, Segunda Turma, DJe 26/2/2018; AgInt no REsp 1.494.690/AL, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe 12/3/2018. 3. Agravo Interno não provido. (AgInt no REsp n. 1.996.315/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 26/9/2022, DJe de 30/9/2022.) Quanto ao mais, este Sodalício fixou entendimento no julgamento do REsp n. 1.495.144/RS, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe de 20/3/2018, Tema 905, sob a sistemática dos recurso especiais repetitivos, de que "No âmbito das condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas existem regras específicas, no que concerne aos juros moratórios e compensatórios, razão pela qual não se justifica a incidência do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), nem para compensação da mora nem para remuneração do capital". Ora, das referidas orientações não dissentiu a Instância ordinária. A propósito, confira-se o seguinte excerto do acórdão recorrido (fls. 599/600): Pelo exposto, pelo meu voto, dou parcial provimento ao recurso voluntário do DER para; (i) afastar a incidência de juros moratórios sobre o valor principal da indenização; (iii) determinar a incidência dos juros compensatórios apenas sobre a parcela cujo levantamento não pode ser autorizado judicialmente Art. 33, §20, Decreto-Lei 3.365/41, e até a data da expedição de precatório. Outrossim, em juízo de conformação ao que decidido no julgamento do Tema 126/STJ, o Órgão colegiado local asseverou (fls. 700/705): Após sentença de procedência, o acórdão de origem (integrado pelo acórdão de fls. 578/581v) proveu em parte o recurso interposto pela parte desapropriante, (i) determinado a incidência dos juros compensatórios desde a data da imissão na posse até a expedição do precatório, no percentual de 12% sobre a parcela cujo levantamento não pôde ser autorizado judicialmente - art. 33, § 2º, Decreto-Lei 3.365/41; (ii) afastando a incidência dos juros moratórios sobre o valor principal da indenização, bem como vedando a cumulação dos juros moratórios e compensatórios no mesmo período, e, por fim, (iii) estabelecendo como índice de correção monetária o IPCA/IBGE. .. E, nesta oportunidade, tornam os autos a esta Turma Julgadora, em cumprimento ao disposto no art. 1.040, I1, do Código de Processo Civil à vista das teses fixadas no Tema nº 126 do C. Superior Tribunal de Justiça - Petição nº 12.344-DF (fls. 642/643). .. Conforme relatado acima, o acórdão de origem merece reparo em parte mínima à vista do entendimento formulado pelo Tema 126 do E. STJ. .. Nessa medida, cabe readequação quanto ao percentual de juros compensatórios a ser aplicado, nos termos do julgamento da ADI 2332 do E. Supremo Tribunal Federal e da tese 126 fixada pelo C. STJ. Assim, altera-se o entendimento do acórdão para que os juros compensatórios passem a ser à razão de 6% ao ano a partir da imissão na posse do imóvel. Assim, pelo meu voto, ADEQUA-SE O JULGADO, em parte mínima, para determinar a aplicação dos juros compensatórios no percentual de 6% ao ano a partir da imissão na posse do imóvel, tudo na forma da fundamentação, Mantido, no mais, o julgado. ANTE O EXPOSTO, nego provimento ao recurso especial. Levando-se em conta o trabalho adicional realizado em grau recursal, impõe-se à parte recorrente o pagamento de honorários advocatícios equivalentes a 20% (vinte por cento) do valor a esse título já fixado no processo (art. 85, § 11, do CPC). Publique-se. EMENTA