AREsp 2624882 - DECISAO
Negou-se provimento ao agravo porque o acórdão recorrido está em conformidade com a jurisprudência do STJ de que, em desapropriação direta, o prazo prescricional para execução não se inicia enquanto não houver o pagamento integral da indenização, afastando assim a alegação de prescrição suscitada com fundamento no...
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- Parties
- Agravante: Município de Jardinópolis
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo De Instrumento / Agravo Interposto Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial; Agravo Negado No STJ
- Outcome
- Nego provimento ao agravo.
- Legal Topics
- Desapropriação, Prescrição Da Pretensão Executória, Execução De Título Judicial, Indenização, Pagamento Integral Da Indenização, Direito Fundamental À Propriedade
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Parties
Município de Jardinópolis
Agravante
Procedural Posture
Agravo De Instrumento / Agravo Interposto Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial; Agravo Negado No STJ
Legal Issues
- 1 Início do prazo prescricional para execução em desapropriação direta
- 2 Aplicação do art. 1º do Decreto n. 20.910/1930
- 3 Se a desapropriação se consuma apenas com o pagamento integral da indenização
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo porque o acórdão recorrido está em conformidade com a jurisprudência do STJ de que, em desapropriação direta, o prazo prescricional para execução não se inicia enquanto não houver o pagamento integral da indenização, afastando assim a alegação de prescrição suscitada com fundamento no art. 1º do Decreto n. 20.910/32.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo.
Orders
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo manejado pelo Município de Jardinópolis contra decisão que não admitiu recurso especial, este interposto com fundamento no art. 105, III, a, da CF, desafiando acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado (fl. 115): AGRAVO DE INSTRUMENTO Ação de desapropriação Cumprimento de sentença Incorrência de prescrição Descabe discutir sobre eventual inércia dos demais herdeiros A desapropriação somente se consuma com o pagamento total da justa indenização, sob pena de configurar o confisco e violar o direito fundamental à propriedade Entendimento do C. STJ Manutenção da r. decisão Recurso desprovido. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados. Nas razões do recurso especial, a parte agravante aponta ofensa ao art. 1º do Decreto n. 20.910/32. Para tanto, sustenta que "uma execução de título judicial de desapropriação direta não deve aguardar mais 21 anos e 10 meses para ser intentada, ou seja, permanecendo seus titulares omissos ad eternum" (fl. 92). O MPF emitiu parecer (fls. 190/198), em que opinou pelo não conhecimento do agravo. É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. Ao solucionar a controvérsia, o Tribunal a quo asseverou (fl. 65): Com efeito, o v. aresto expressamente afastou a possibilidade de ocorrência de prescrição, uma vez que a desapropriação somente se consuma quando houver o integral pagamento da indenização, sob pena de configuração do confisco e, por consequência, violação do direito fundamental à propriedade. Portanto, não há que se falar em prescrição, seja com fundamento do artigo 1º, do Decreto nº 20.910/1930, ou com base em qualquer outro diploma legal, considerando que o pagamento integral da indenização é uma condição constitucional para efetivação do ato expropriatório. A respeito do tema, este Superior Tribunal de Justiça trilha o entendimento de que "Enquanto não efetuado o pagamento integral do justo preço do imóvel expropriado, fixado em sentença com trânsito em julgado, a desapropriação não se consuma e o prazo prescricional de cinco anos para a execução não tem início" (REsp n. 961.413/SC, relator Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 15/8/2013, DJe de 8/10/2014.) Nesse mesmo sentido, destacam-se os seguintes arestos: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC/2015. DESAPROPRIAÇÃO DIRETA. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO EXECUTÓRIA NÃO CONFIGURADA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO INTEGRAL. 1. Não há ofensa ao art. 1.022 do Código de Processo Civil, porque o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia, observando as questões relevantes e imprescindíveis à sua resolução. 2. O acórdão recorrido decidiu em conformidade com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça de que, em desapropriação direta, o prazo prescricional não tem início enquanto não pago integralmente o preço. Precedentes: REsp 1.387.665/PA, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe 3.8.2021; REsp 1.661.884/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 30.06.2017; AgInt no REsp 1.691.043/RJ, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe 15.12.2017 e REsp 961.413/SC, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8.10.2014 3. Agravo Interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.742.702/GO, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 11/10/2021, DJe de 4/11/2021.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. EXECUÇÃO DE TÍTULO JUDICIAL. DESAPROPRIAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DA INDENIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO EXECUTÓRIA. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. II - Enquanto não consumada a desapropriação, o que ocorre com o pagamento da indenização, não ocorre a prescrição da pretensão executória. III - Não apresentação de argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. IV - Em regra, descabe a imposição da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015 em razão do mero desprovimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. V - Agravo Interno improvido. (AgInt no REsp n. 1.691.043/RJ, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 12/12/2017, DJe de 15/12/2017.) Dessarte, o acórdão recorrido está em conformidade com a jurisprudência desta Corte Superior, razão pela qual merece subsistir. ANTE O EXPOSTO, nego provimento ao agravo. Publique-se. EMENTA