AREsp 2526981 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque as razões recursais apresentaram deficiência de fundamentação (Súmula 284/STF) e a pretensão exigiria reexame do conjunto fático-probatório (Súmula 7/STJ), além de o recorrente não ter demonstrado, de forma específica, a violação dos dispositivos...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: MUNICÍPIO DE NOSSA SENHORA DO SOCORRO; Recorrido: AUTORA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo / Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial (conheço Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial)
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Desapropriação Indireta, Usucapião, Bens Públicos, Posse Vs Detenção, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 284/stf, Súmula 7/stj, Honorários Advocatícios
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
MUNICÍPIO DE NOSSA SENHORA DO SOCORRO
Recorrente
AUTORA
Recorrido
Procedural Posture
Agravo / Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial (conheço Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 Se o imóvel era bem público de propriedade do Município
- 2 Se a autora era possuidora ou mera detentora
- 3 Aplicabilidade da usucapião a bens públicos
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque as razões recursais apresentaram deficiência de fundamentação (Súmula 284/STF) e a pretensão exigiria reexame do conjunto fático-probatório (Súmula 7/STJ), além de o recorrente não ter demonstrado, de forma específica, a violação dos dispositivos federais invocados; aplicou-se o art. 21-E, V, do Regimento Interno do STJ e majoraram-se honorários em 15% nos termos do art. 85, §11, do CPC.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado pelo MUNICÍPIO DE NOSSA SENHORA DO SOCORRO contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SERGIPE, assim resumido: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA. MUNICÍPIO QUE ALEGA QUE O IMÓVEL EM QUESTÃO ESTAVA CONSTITUÍDO EM ÁREA PÚBLICA E A AUTORA ERA MERA DETENTORA. AUSÊNCIA DE PROVA. NÃO SE É PLAUSÍVEL PRESUMIR QUE O IMÓVEL DA AUTORA SERIA BEM PÚBLICO. O MUNICÍPIO NÃO FEZ PROVA CONCRETAA. O FATO DE O IMÓVEL NÃO ESTAR REGISTRADO EM NOME DA AUTORA, E O OFÍCIO ANEXADO, NÃO PERMITE A CONCLUSÃO DE QUE SE TRATA DE BEM PÚBLICO E, AUSENTE ESTA PROVA, DEVE SER MANTIDA A SENTENÇA, VISTO QUE O REQUERIDO NÃO SE DESINCUMBIU DE SEU ÔNUS, NOS TERMOS DO ART. 373, II, DO CPC. INDENIZAÇÃO ARBITRADA. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO - DECISÃO UNÂNIME. Quanto à controvérsia, a parte recorrente alega violação dos arts. 102, 1.196, 1.198, 1.204, 1.208 e 1. 210 do Código Civil, no que concerne à impossibilidade de aplicação do instituto da desapropriação indireta tendo em vista que a área objeto da ação já é de propriedade do município, trazendo a seguinte argumentação: 1 o presente caso não se trata de desapropriação, uma vez que só é possível falar nesse instituto quando o Ente Público desapropria uma área de propriedade privada, o que não representa o caso concreto, tendo em vista que a área desocupada pertencia ao Município; 2 para o correto deslinde da causa não se pode fazer a análise sob a égide do instituto civilista da responsabilidade civil ; mas sim, do instituto de direitos reais , porque a origem da controvérsia judicial remete a um conflito de direito de propriedade e não a uma demanda indenizatória, simples, pura, em sentido estrito. Ao analisar o Acórdão é incontroverso que houve ofensa a Lei Federal, no que concerne a desconsiderar que a área era de propriedade do Município, e portanto, não passível de usucapião e nem desapropriação. A propriedade em questão pertencia ao Município, pois doada em 2010 pela Companhia de Desenvolvimento Industrial e Recursos Minerais de Sergipe ao Município de Nossa Senhora do Socorro - SE. Dessa forma a apelada tinha apenas a mera detenção do imóvel, não era possuidora e o imóvel sequer poderia ser usucapido, tudo com base nos artigos 102, 1.196, 1.198, 1.204, 1.208 e 1.210 do Código Civil. Temos no art. 102, CC, que os bens públicos não estão sujeitos a usucapião. E no art. 1.208 que não induzem posse os atos de mera permissão ou tolerância assim como não autorizam a sua aquisição os atos violentos, ou clandestinos, senão depois de cessar a violência ou a clandestinidade. Dessa forma, como a área era de propriedade do Município, portanto, bem público, a Autora não era possuidora; pelo contrário era uma mera detentora. Não podendo assim, pleitear os direitos inerentes a posse. .. Ao analisar a jurisprudência é incontroverso que o mero detentor não se confunde com o possuidor, e portanto, não pode exercer os direitos inerentes a posse/propriedade. Assim, deve ocorrer a reforma do Acórdão, de modo a não condenar o Município em indenização por desapropriação indireta referente a região do Marcos Freire III Loteamento Novo Horizonte, Nossa Senhora do Socorro - SE, uma vez que a área era de propriedade do Município e dessa forma a recorrida tinha tão somente a detenção do imóvel. (fls. 185-188). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, o acórdão recorrido assim decidiu: Contempla que o apelante alega que o imóvel da autora se encontrava em uma invasão. Contudo, não conseguiu comprovar a sua alegação. Depreende-se dos autos que não é plausível presumir que o imóvel da autora/apelada seria bem público por estar "supostamente" mesmo com a juntada de ofício de fls. 45 dos autos materializados de origem. Ou seja, o município deveria fazer prova de que o imóvel da autora, de fato, se encontrava dentro de área pública. Desta forma, o fato de o imóvel não estar registrado em nome da autora, e mesmo diante do Ofício aduzido da Secretaria de Infraestrutura, estes, por si só, não permitem a conclusão de que se trata de bem público. Assim, ausente esta prova, deve ser mantida a sentença, visto que o requerido não se desincumbiu de seu ônus, nos termos do Art. 373, II, do CPC. A esse despeito coube a autora apresentar através de termo de compromisso de fls. 25/26 do processo de origem materializado o mínimo de requisito de que o Município apelante reconheceu como compromissária a mesma. (fls. 177, grifos meus). Aplicável, portanto, o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que as razões recursais delineadas no especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, tendo em vista que a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "não atacado o fundamento do aresto recorrido, evidente deficiência nas razões do apelo nobre, o que inviabiliza a sua análise por este Sodalício, ante o óbice do Enunciado n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal". (AgRg no AREsp n. 1.200.796/PE, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 24/8/2018.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 1.811.491/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 19/11/2019; AgInt no AREsp n. 1.637.445/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.647.046/PR, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 27/8/2020; e AgRg nos EDcl no REsp n. 1.477.669/SC, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 2/5/2018. Ademais, da leitura do excerto do acórdão supra transcrito, verifica-se que incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: "O recurso especial não será cabível quando a análise da pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-probatório, sendo vedada a modificação das premissas fáticas firmadas nas instâncias ordinárias na via eleita (Súmula n. 7/STJ)". (AgRg no REsp n. 1.773.075/SP, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 7/3/2019.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 1.679.153/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1/9/2020; AgInt no REsp n. 1.846.908/RJ, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 31/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.581.363/RN, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; e AgInt nos EDcl no REsp n. 1.848.786/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 3/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.311.173/MS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 16/10/2020. Por fim, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente não demonstrou, de forma clara, direta e particularizada, como o acórdão recorrido violou os dispositivos de lei federal (arts. 1.196, 1.198, 1.204 e 1.210 do Código Civil), delimitando as razões de sua insurgência, o que atrai, por conseguinte, a aplicação do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "Nos pontos em que o recorrente deixa de apontar, com precisão e clareza, o modo como o aresto atacado teria violado os dispositivos apontados, incide a Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal, por deficiência na fundamentação recursal, "na hipótese de alegação genérica de ofensa à lei federal, sem demonstração da efetiva ocorrência de violação dos dispositivos legais apontados como malferidos." (AgRg no REsp 1466056/SP, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 23/09/2014, DJe 09/10/2014)." - AgRg no REsp n. 1.872.939/RS, relator Ministro Olindo Menezes (Desembargador Convocado do TRF 1ª Região), Sexta Turma, DJe de 17/12/2021. De igual sorte: "Com relação à aventada ofensa aos arts. 59 e 68 do Código Penal, alegou-se, genericamente, no apelo nobre, que a pena-base teria sido exasperada sem a adequada motivação. Entretanto, não se indicou, de modo preciso, em que consistiria o erro de direito na valoração das circunstâncias judiciais. Por isso, e, no que toca a esse tópico, correto o reconhecimento da deficiência de fundamentação no apelo especial, razão pela qual incide à espécie a Súmula 284/STF." (AgRg no REsp n. 1.478.259/PR, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, julgado em 6/3/2018, DJe de 14/3/2018.) Ainda nesse sentido: "As postulações genéricas de reconhecimento da forma tentada do crime e de afastamento da majorante relativa à restrição da liberdade da vítima não devem ser conhecidas com base na Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de explicitar os argumentos para respaldar os pedidos, não logrando delimitar de forma específica as razões de sua insurgência."(AgRg no REsp n. 1.890.479/SP, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 16/6/2021.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp n. 1.678.050/SP, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 21/11/2017; AgRg no AREsp n. 237.445/RS, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 29/11/2017; AgRg no REsp n. 1.690.449/MG, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 5/12/2019; AgRg no AREsp n. 1.562.482/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 28/11/2019; AgRg no REsp n. 1.866.966/AC, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 25/10/2021; REsp n. 1.896.832/AC, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma; AgRg no AREsp n. 1.509.839/SC, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 18/6/2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se. EMENTA