REsp 2118661 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque o acórdão recorrido aplicou o entendimento consolidado no Tema 1019/STJ, considerando o Decreto de criação do Parque Nacional como ato desapossador datado de 4/6/2004 e reconhecendo a incidência do prazo prescricional decenal, de modo que a ação proposta em 17/8/2015...
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- Parties
- Recorrido: Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA; Recorrido: União; Interessado (manifestou Parecer): Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 May 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conhecido
- Outcome
- Recurso Especial não conhecido
- Legal Topics
- Desapropriação Indireta, Prescrição Decenal, Parque Nacional, Prequestionamento, Indenização
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Parties
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA
Recorrido
União
Recorrido
Ministério Público Federal
Interessado (manifestou Parecer)
Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conhecido
Legal Issues
- 1 Prazo prescricional aplicável à desapropriação indireta
- 2 Se a criação de Parque Nacional configura ato desapossador e enseja desapropriação indireta
- 3 Prequestionamento de dispositivos legais para efeito de recurso especial
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque o acórdão recorrido aplicou o entendimento consolidado no Tema 1019/STJ, considerando o Decreto de criação do Parque Nacional como ato desapossador datado de 4/6/2004 e reconhecendo a incidência do prazo prescricional decenal, de modo que a ação proposta em 17/8/2015 estava prescrita; adicionalmente, várias matérias suscitadas pelo recorrente não estavam prequestionadas, incidindo óbice ao conhecimento do recurso.
Court Disposition
Recurso Especial não conhecido
Orders
- Não conheço do Recurso Especial.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Recurso Especial (art. 105, III, "a" e "c", da Constituição Federal de 1988) interposto contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região assim ementado: DIREITO ADMINISTRATIVO. DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA. PRESCRIÇÃO. PARQUE NACIONAL DA SERRA DO ITAJAÍ, CRIADO PELA UNIÃO POR DECRETO DATADO DE 4 DE JUNHO DE 2004. AÇÃO AJUIZADA MAIS DE DEZ ANOS DEPOIS DA CRIAÇÃO DO DECRETO. 1. O prazo prescricional para a ação que busca declarar a desapropriação indireta é de 10anos. No Tema 1019, o Superior Tribunal de Justiça firmou a seguinte tese: "O prazo prescricional aplicável à desapropriação indireta, na hipótese em que o poder público tenha realizado obras no localou atribuído natureza de utilidade pública ou de interesse social ao imóvel, é de dez anos, conforme parágrafo único do artigo 1238 do Código Civil".2. O Parque Nacional da Serra do Itajaí foi criado pela União por meio de decreto datado de4 de junho de 2004, que deve ser considerado o ato administrativo desapossador.3. O simples fato de a área ser elevada a status de parque nacional passa a gerar restrições de utilização da terra tão severas que, na prática, anula a possibilidade de exploração econômica do imóvel, de modo que não é possível se entender que o desapossamento se deu somente após dois anos em razão da incidência do artigo 7º do decreto. Assim, quando do ajuizamento da ação, em 17 de agosto de 2015, já havia transcorrido o lapso temporal de dez anos contados desde a edição do decreto, de modo que o direito sobre o qual se funda a ação encontra-se prescrito. Os Embargos de Declaração foram rejeitados . Na origem, cuida-se de Ação de Desapropriação Indireta proposta pela empresa ora recorrente, em razão do desapossamento ensejado pela criação do Parque Nacional da Serra do Itajaí. O recorrente, além do dissídio jurisprudencial, argui as seguintes violações (fls. 925-926): a) art. 7º do Decreto-Lei s/n de 04/06/2004 que criou o Parque Nacional Serra do Itajaí; b) Art. 952, art. 1.210, art. 1.212, art. 1.223 e art. 1.224, todos inseridos do Código Civil; c) Artigo 1.238, § Único do Código Civil; d) Artigo 11 §§ 1º e 2º da Lei nº 9.985/00; e) Art. 8º, do Decreto-Lei nº 3.365/41, que trata sobre o procedimento executivo de desapropriação da propriedade privada com fins de utilidade pública; f) Art. 199, I e 202, VI, do Código Civil de 2002, que dispõe sobre as causas suspensivas e interruptivas da prescrição; g) Art. 1.238, § Único e artigo 205, do Código Civil de 2002 que estabeleceu prazo decenal para a desapropriação indireta. h) art. 2º, XVII, da Lei 9.985/2000, estabelece o conceito do plano de manejo; i) Art. 196 e art. 884, ambos do Código Civil, que dispõe sobre o enriquecimento ilícito. j) Art. 27, §2, do Decreto 84017/79, ensina que as residências inseridas no Parque Nacional devem ser reguladas após aprovação de seu plano de manejo; k) Artigo 6º e 7º do Decreto 84017/79 O Ministério Público Federal emitiu parecer às fls. 1.278-1.282. É o relatório. Decido. Os autos foram recebidos neste Gabinete em 5.4.2024. A irresignação não merece acolhimento. De plano, afirmo que, com exceção do art. 7º do Decreto-Lei s/n, de 4/6/2004; do art. 11 da Lei 9.985/2000; e do art. 1.238 do Código Civil, os dispositivos de lei federal indicados pelo recorrente não estão prequestionados, uma vez que não houve debate judicial acerca de tal conteúdo. Não houve manifestação do órgão a quo quanto à alegada suspensão do ato de criação do Parque Nacional da Serra do Itajaí; à necessidade de plano de manejo; ao lapso de possibilidade de exploração das espécies exóticas; ou ao dies a quo de contagem do prazo prescricional. Anoto que não se poderia reconhecer eventual prequestionamento ficto, em vista da oposição de EDcl, uma vez que não se arguiu a possível ofensa ao art. 1.022 do CPC (AgInt no AREsp n. 1.424.350/RJ, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 15/4/2024, DJe de 19/4/2024). Quanto à ofensa dos demais dispositivos, prequestionados, incide a Súmula 83/STJ. O acórdão recorrido está em sintonia com o atual entendimento do STJ, no sentido de que, como regra, a criação de Parque Nacional (arts. 8º e 11 da Lei 9.985/2000) importa desapropriação indireta, considerando a transferência da propriedade do imóvel para o expropriante, sendo reconhecido o direito à justa indenização. Trata-se de espécie que, uma vez estabelecida, admite apenas o uso indireto dos recursos naturais, importando em severa restrição à propriedade, com escopo no § 1º do art. 1º da Lei n. 9.985/2000, que dispõe: "O Parque Nacional é de posse e domínio públicos, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas, de acordo com o que dispõe a lei". A propósito: PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. PROPRIEDADE RURAL. DESAPROPRIAÇÃO. INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. CUSTAS PROCESSUAIS. PAGAMENTO. AUSÊNCIA. EXTINÇÃO DO FEITO. ALEGAÇÃO DE OFENSA AO ART. 1.022 DO CPC/2015. INEXISTÊNCIA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. PRETENSÃO DE REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. APLICAÇÃO DA SÚMULA N. 7 DO STJ. RESERVA EXTRATIVISTA. CRIAÇÃO. DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA. CARACTERIZAÇÃO. PRESCRIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. QUANTUM INDENIZATÓRIO . FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 282 DO STF. I- Na origem, trata-se de ação ajuizada contra o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA e a União objetivando indenização por danos morais e materiais, em razão da desapropriação de imóveis rurais no Município de Baião/Pará de propriedade do autor para transformação em reserva extrativista e a sua divisão em glebas. II - Na sentença extinguiu-se o feito, por falta de pagamento das custas. No Tribunal a quo a sentença foi reformada para continuidade da ação. Esta Corte conheceu do agravo para negar provimento ao recurso especial. III - A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme no sentido de que não há violação do art. 1.022 do CPC/2015 quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a fundamentadamente e apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. IV - Descaracterizada a alegada omissão, tem-se de rigor o afastamento da violação dos mencionados artigos processuais, conforme pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: (AgInt no REsp 1.643.573/RS, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 8/11/2018, DJe 16/11/2018 e AgInt no REsp 1.719.870/RS, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 24/9/2018, DJe 26/9/2018). V - No que trata da alegada violação dos arts. 17 e 485, VI, do CPC/2015, do art. 6º da Lei n. 6.938/1981, e do art. 1º da Lei n. 11.516/2007, suscitada pela União, questionando sua ilegitimidade para figurar no polo passivo da lide, a Corte Regional, à fl. 590, destacou, expressamente, que "em caso de desapropriação, a área passa a pertencer à União, devendo a mesma figurar no polo passivo da lide". Nesse passo, modificar as conclusões do Tribunal a quo, para acolher a tese de ilegitimidade passiva, demandaria, necessariamente, o reexame do mesmo acervo fáticoprobatório já analisado, providência impossível em sede de recurso especial, ante a incidência do óbice da Súmula 7/STJ. Confira-se os julgados a seguir: (AgInt no AREsp n. 2.025.931/GO, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 22/11/2022, DJe de 29/11/2022 e AgInt no AREsp n. 1.984.304/RJ, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 16/8/2022, DJe de 31/8/2022). VI - O acórdão recorrido adotou entendimento consolidado nesta Corte Superior, segundo o qual, como regra, a criação de Reserva Extrativista e Parque Nacional (arts. 8º, 11 e 18, da Lei n. 9.985/2000), importa desapropriação indireta, considerando a transferência da propriedade do imóvel para o expropriante. VII - Tratando-se a hipótese dos autos de criação de reserva extrativista, de forma a não caracterizar limitação administrativa, dado o grande impacto no direito de propriedade do recorrido, o ajuizamento da ação não se submete ao prazo prescricional quinquenal, mas, sim, ao prazo decenário, por se tratar, na verdade, de desapropriação indireta. Confira-se os julgados relacionados: (AgInt no REsp n. 2.018.026/AC, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 22/11/2022, DJe de 24/11/2022 e AgInt no AgInt no AREsp n. 1.245.657/GO, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 30/5/2022, DJe de 2/6/2022). VIII - Este Superior Tribunal de Justiça adota a tese do Supremo Tribunal Federal de que "tem direito à indenização não só o titular do domínio do bem expropriado, mas, também, o que tenha sobre ele direito real limitado, bem como direito de posse" (STF, RE 70.338, Rel. Antonio Nader). IX - O óbice quanto ao levantamento do valor da indenização da desapropriação, previsto no art. 34 do Decreto n. 3.365/1941, apenas se impõe quando há dúvida sobre o domínio decorrente da disputa quanto à titularidade do bem, o que não é o caso dos autos. Vejamos os julgados relacionados: (REsp n. 1.717.208/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 24/4/2018, DJe de 19/11/2018 e AgRg no AREsp n. 761.207/RJ, relator Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 19/4/2016, DJe de 29/4/2016). X - Com relação à alegação de violação do art. 15 e 26, caput e parágrafos, do Decreto n. 3.365/1941, relacionada à necessidade de fixação do preço da indenização com base na avaliação do imóvel no momento da criação da reserva extrativista (declaração de interesse público), em 14/06/2005, verifica-se que, no acórdão recorrido, não foi analisado o conteúdo desses dispositivos legais, pelo que carece o recurso do indispensável requisito do prequestionamento, fundamental para a interpretação normativa exigida. Incide na hipótese o óbice constante da Súmula n. 282 do STF, in verbis: XI - Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 2.197.370/PA, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 17/5/2023.) PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DO ART. 1.197 DO CÓDIGO CIVIL. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 211/STJ. CRIAÇÃO DE RESERVA EXTRATIVISTA E PARQUE NACIONAL. DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA. INDENIZAÇÃO. POSSIBILIDADE. LAUDO PERICIAL. CADEIA DOMINIAL. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 07/STJ. INCIDÊNCIA. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. II - A ausência de enfrentamento da questão objeto da controvérsia pelo tribunal a quo, não obstante oposição de Embargos de Declaração, impede o acesso à instância especial, porquanto não preenchido o requisito constitucional do prequestionamento, nos termos da Súmula n. 211/STJ. III - Em relação à questão do exercício da posse pelo Recorrido, verifico que a insurgência carece de prequestionamento, uma vez que não foi analisada pelo tribunal de origem. IV - No caso, malgrado a oposição de embargos declaratórios, o tribunal de origem não analisou, ainda que implicitamente, a aplicação do suscitado art. 1.197 do Código Civil. V - O acórdão recorrido adotou entendimento consolidado nesta Corte segundo o qual, como regra, a criação de Reserva Extrativista e Parque Nacional (arts. 8º, 11 e 18, da Lei 9.985/2000), importa desapropriação indireta, considerando a transferência da propriedade do imóvel para o expropriante. VI - In casu, rever o entendimento do Tribunal de origem, que consignou que o imóvel objeto da ação é de propriedade do Recorrido, demandaria necessário revolvimento de matéria fática, o que é inviável em sede de recurso especial, à luz do óbice contido na Súmula n. 7/STJ. VII - Não apresentação de argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. VIII - Em regra, descabe a imposição da multa, prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015, em razão do mero improvimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. IX - Agravo Interno improvido. (AgInt no REsp n. 2.018.026/AC, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 22/11/2022, DJe de 24/11/2022.) Nesse caso, o decisum atacado, que aplicou a tese firmada para o Tema 1.019 do STJ, está adequado, dada a indicação da utilidade pública da área para a criação de Parque Nacional (AgInt no REsp n. 2.018.290/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 13/3/2023, DJe de 16/3/2023). Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA