AREsp 1977584 - DECISAO
Houve negativa de provimento ao agravo em razão da ausência de prequestionamento sobre a questão de fundo trazida pelo agravante: o acórdão recorrido não se manifestou sobre a alegação de que o recorrido não aceitou a indicação de novo polo passivo nem emendou a inicial, impondo, assim, o óbice da Súmula 282/STF à...
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- Parties
- Agravante: Município de Cuiabá
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Em Agravo No Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- Nego provimento ao agravo.
- Legal Topics
- Desapropriação Indireta, Ilegitimidade Passiva, Emenda Da Inicial, Sentença Sem Resolução Do Mérito
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Parties
Município de Cuiabá
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Decisão Em Agravo No Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 Se o juízo de primeiro grau agiu corretamente ao extinguir o processo com fundamento no art. 485, inciso VI, do CPC sem oportunizar a substituição do réu prevista nos arts. 338 e 339 do CPC
- 2 Se houve prequestionamento suficiente para admissão do recurso especial diante da ausência de manifestação do recorrido sobre a indicação de novo polo passivo pelo réu
- 3 Aplicação da Súmula 282/STF por ausência de prequestionamento
Ratio Decidendi
Houve negativa de provimento ao agravo em razão da ausência de prequestionamento sobre a questão de fundo trazida pelo agravante: o acórdão recorrido não se manifestou sobre a alegação de que o recorrido não aceitou a indicação de novo polo passivo nem emendou a inicial, impondo, assim, o óbice da Súmula 282/STF à admissibilidade do recurso especial.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo.
Orders
- Nego provimento ao agravo.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo manejado pelo Município de Cuiabá contra decisão que não admitiu recurso especial, este interposto com fundamento no art. 105, III, a, da CF, desafiando acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso, assim ementado (fl. 146): APELAÇÃO - AÇÃO DE DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA MOVIDA EM DESFAVOR DO MUNICIPIO - INDENIZAÇÃO PELO APOSSAMENTO INDEVIDO DE ÁREA PRIVADA - OCUPAÇÃO ABUSIVA OU IRREGULAR ATRIBUÍDA AO ESTADO DE MATO GROSSO - ILEGITIMIDADE PASSIVA - INDENIZAÇÃO - RESPONSABILIDADE DO MUNICÍPIO - EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM ANÁLISE DO MÉRITO COM FUNDAMENTO NO ARTIGO 485, INCISO VI, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - PERMANÊNCIA DA OMISSAO - INOBSERVÂNCIA DO ART. 338 e art. 339 DO NCPC - SENTENÇA PREMATURA - NULIDADE DA SENTENÇA - PREQUESTIONAMENTO - DESNECESSIDADE DE MANIFESTAÇÃO EXPRESSA - PONTOS COMBATIDOS NO DECISUM - RECURSO PROVIDO. Nas razões do recurso especial, a parte agravante aponta violação ao artigo 339, §§ 1º e 2º, do CPC. Sustenta, em síntese, que o "Artigo 339, Par. 1º e 2º, do CPC preconiza que uma vez alegada pelo Réu sua ilegitimidade passiva, deve o mesmo indicar o sujeito de direito que seria, em seu entender, a parte legítima para figurar no polo passivo - e, nesse ponto, não há qualquer mácula no processo em questão, pois em sua Contestação o Município de Cuiabá, ora Recorrente, explicou as razões que sustentam a tese de sua ilegitimidade passiva, bem como apontou a SINFRA (pertencente ao ao Estado de Mato Grosso), e esse próprio, para figurar no polo passivo da demanda. Vejamos que o Artigo 339, Par. 1º e 2º, FACULTA (e não impõe) ao autor da ação, ora Recorrido, a possibilidade de, a seu critério, emendar a inicial para incluir o ente indicado pelo primeiro réu no polo passivo da ação, sob pena de, em não o fazendo (isto é, em não aceitando a indicação realizada), ter de arcar com as consequências de um possível acatamento, pelo juízo, da tese de ilegitimidade passiva do 1º réu" (fl. 172). Aduz que "no silêncio do autor, ora Recorrido, quanto à aceitação da indicação de um novo polo passivo e na inércia em emendar a inicial, NÃO errou o juízo de 1º grau ao sentenciar o processo de acordo com seu livre convencimento motivado, pois o autor teve plena oportunidade de manifestar-se a respeito já na impugnação à contestação. Ou seja: o V. Acórdão merece reforma, pois ao anular a sentença e determinar que o juízo de 1º grau se manifeste acerca dos pontos controvertidos" (fl. 173). É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. A irresignação não pode ser acolhida. Destaca-se da fundamentação do aresto hostilizado os seguintes excertos: Ao extinguir o processo sem julgamento de mrérito, sem oportunizar aos recorrentes efetuarem a substituição do réu, acarretou por parte do Magistrado a quo a prolação de sentença prematura, visto que é licito permitir aos mesmos a aplicação da regra prevista nos artigos 338 e 339, do CPC, ou seja, face a alegação do Município de Cuiabá de que não é o responsável que seja incluído no polo passivo, mas a SINFRA - Estado de Mato Grosso, para integrar a lide." .. Portanto, o caso reclama a retomada do processo em primeiro grau, não poderia o Juízo singular, como fez, proferir decisão, sem antes sopesar prudentemente as alegações e o conteúdo probatório dos autos, sob pena de ferir o princípio constitucional da segurança jurídica, da legalidade, da efetividade da prestação jurisdicional e do devido processo legal" (fl. 160/161). Assim, contata-se que o acórdão recorrido não se manifestou sobre a alegação de que "mesmo ciente da indicação, até mesmo por ter sido oportunizada a Impugnação à Contestação, o ora Recorrido NÃO ACEITOU A INDICAÇÃO REALIZADA e/ou DEIXOU DE emendar a inicial para incluir o Estado de MT no polo passivo da demanda", tampouco foram opostos embargos declaratórios para suprir eventual omissão. Portanto, à falta do necessário prequestionamento, incide o óbice da Súmula 282/STF. ANTE O EXPOSTO, nego provimento ao agravo. Publique-se. EMENTA