AREsp 2717217 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque o Tribunal de origem corretamente concluiu que não houve ato positivo do Poder Público capaz de configurar desapropriação indireta; a ocupação por terceiros e a prestação de serviços públicos não bastam para expropriação sem desforço estatal; a pretensão demandaria reexame...
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- Parties
- Autor: autores; Réu: Município de Florianópolis
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 November 2024
- Procedural Posture
- Ação De Desapropriação / Recurso Especial Não Conhecido Pelo STJ
- Outcome
- recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Desapropriação Indireta, Serviços Públicos, Regularização Fundiária, Prequestionamento, Súmula 7 Do STJ, Divergência Jurisprudencial, Honorários Advocatícios
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Parties
autores
Autor
Município de Florianópolis
Réu
Procedural Posture
Ação De Desapropriação / Recurso Especial Não Conhecido Pelo STJ
Legal Issues
- 1 Se a atuação do Município (prestação de serviços e tolerância de ocupação) caracteriza desapropriação indireta
- 2 Se houve violação ao art. 1.022 do CPC/2015 quanto à omissão do Tribunal a quo
- 3 Se é admissível o reexame fático-probatório no recurso especial (Súmula 7 do STJ)
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque o Tribunal de origem corretamente concluiu que não houve ato positivo do Poder Público capaz de configurar desapropriação indireta; a ocupação por terceiros e a prestação de serviços públicos não bastam para expropriação sem desforço estatal; a pretensão demandaria reexame fático-probatório vedado pela Súmula 7 do STJ; e outros pontos de violação não foram prequestionados ou demonstrada divergência jurisprudencial nos termos exigidos.
Court Disposition
recurso especial não conhecido
Orders
- Conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo e não conheço do recurso especial.
- Majoro, se houve prévia fixação, os honorários advocatícios em desfavor da parte recorrente em 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, observados os limites e a gratuidade, se aplicáveis.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Na origem, trata-se de ação de desapropriação. Na sentença, julgou-se o pedido improcedente. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. O valor da causa foi fixado em R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais). O recurso especial foi interposto no TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA contra acórdão com o seguinte resumo de ementa: ADMINISTRATIVO. AÇÃO DE DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA. REJEIÇÃO DO PEDIDO. SOLUÇÃO ACERTADA. INVASÃO DO IMÓVEL DOS AUTORES POR FAMÍLIAS DE BAIXA RENDA. INEXISTÊNCIA DE ATO MATERIAL, CONCRETO, EFETIVO E POSITIVO DO MUNICÍPIO DE FLORIANÓPOLIS NESSE SENTIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PÚBLICOS A ELAS QUE NÃO CARACTERIZA DESAPOSSAMENTO. EXPROPRIAÇÃO NÃO CARACTERIZADA. APELAÇÃO CONHECIDA E DESPROVIDA. 1. A desapropriação indireta requer atos materiais, positivos, concretos e substanciais do Poder Público, mediante o desapossamento do imóvel particular e a perda efetiva da propriedade privada. A perda do imóvel por invasão de famílias de baixa renda não caracteriza desapropriação à míngua do imprescindível desforço estatal. 2. "Não se imputa ao Poder Público a responsabilidade integral por alegada desapropriação indireta quando, em gleba cuja ocupação por terceiros apresenta situação consolidada e irreversível, limita-se a realizar serviços públicos de infraestrutura, sem que tenha concorrido para o esbulho ocasionado exclusivamente por particulares. Assim, na medida em que o Poder Público não pratica o ato ilícito denominado "apossamento administrativo" nem, portanto, toma a propriedade do bem para si, não deve responder pela perda da propriedade em desfavor do particular, ainda que realize obras e serviços públicos essenciais para a comunidade instalada no local" (STJ, R Esp. n.º 1.770.001/AM, rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, j. 05.11.19). Após interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Decido. O recurso especial não deve ser conhecido. A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: O que se verifica dos autos, desde logo in status assertionis, é que terceiros se estabeleceram na propriedade particular dos autores. Disso não decorre nenhum ato positivo, material, concreto, efetivo e substancial de desapossamento por parte da Municipalidade, não se cogitando, nem em tese, de desapropriação indireta pelo Poder Público. Nesse passo, a prestação de serviços públicos às famílias de baixa renda ou mesmo a regularização fundiária em trâmite em favor delas não consubstancia expropriação, pois as áreas por elas ocupadas ou o imóvel como um todo não se converteram em bens públicos e nem passaram a integrar o patrimônio público. (..) a tolerância da Administração Pública com os atos de ocupação dos famílias de baixa renda também não caracteriza desapropriação indireta. O Poder Público não tinha, por lei, o dever de proteger o imóvel dos autores. Não há violação do art. 1.022 do CPC/2015 (antigo art. 535 do CPC/1973) quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 165 do CPC/73 e do art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. Conforme entendimento pacífico desta Corte, "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. Quanto à matéria de fundo, verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". Relativamente às demais alegações de violação (artigos 371, 369, 926, 330, § 7º, 374, III, 555, I do CPC , esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. Conforme entendimento desta Corte, não há incompatibilidade entre a inexistência de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e a ausência de prequestionamento, com a incidência do enunciado n. 211 da Súmula do STJ, quanto às teses invocadas pela parte recorrente, que, entretanto, não são debatidas pelo tribunal local, por entender suficientes para a solução da controvérsia outros argumentos utilizados pelo colegiado. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.234.093/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 24/4/2018, DJe 3/5/2018; AgInt no AREsp 1.173.531/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 20/3/2018, DJe 26/3/2018. O dissídio jurisprudencial viabilizador do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional não foi demonstrado nos moldes legais, pois, além da ausência do cotejo analítico e de não ter apontado qual dispositivo legal recebeu tratamento diverso na jurisprudência pátria, não ficou evidenciada a similitude fática e jurídica entre os casos colacionados que teriam recebido interpretação divergente pela jurisprudência pátria. Ressalte-se ainda que a incidência do enunciado n. 7, quanto à interposição pela alínea a, impede o conhecimento da divergência jurisprudencial, diante da patente impossibilidade de similitude fática entre acórdãos. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.044.194/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 19/10/2017, DJe 27/10/2017. Para a caracterização da divergência, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ, exige-se, além da transcrição de acórdãos tidos por discordantes, a indicação de dispositivo legal supostamente violado, a realização do cotejo analítico do dissídio jurisprudencial invocado, com a necessária demonstração de similitude fática entre o aresto impugnado e os acórdãos paradigmas, assim como a presença de soluções jurídicas diversas para a situação, sendo insuficiente, para tanto, a simples transcrição de ementas, como no caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.235.867/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 17/5/2018, DJe 24/5/2018; AgInt no AREsp 1.109.608/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 13/3/2018, DJe 19/3/2018; REsp 1.717.512/AL, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/4/2018, DJe 23/5/2018. Ademais, verifica-se que o Tribunal de origem decidiu a matéria em conformidade com a jurisprudência desta Corte. Incide, portanto, o disposto no enunciado n. 83 da Súmula do STJ, segundo o qual: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, observados, se aplicáveis: i. os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do já citado dispositivo legal; ii. a concessão de gratuidade judiciária. Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA