AREsp 1846710 - DECISAO
Conhecer do agravo em recurso especial e dar-lhe provimento para reduzir o percentual dos honorários advocatícios para 5%, em observância ao art. 27, § 1º, do Decreto-Lei n.º 3.365/41 e à jurisprudência consolidada do STJ (Tese 184/STJ), que impõe o limite de 0,5% a 5% sobre a diferença entre o valor ofertado e a...
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- Parties
- Agravante: Departamento de Estradas de Rodagem do Estado do Paraná
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 July 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Julgamento De Agravo Em Recurso Especial
- Outcome
- Agravo em recurso especial conhecido e provido em parte.
- Legal Topics
- Desapropriação Indireta, Honorários Advocatícios, Juros Compensatórios, Correção Monetária, Perícia Judicial, Súmulas E Teses Repetitivas
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Parties
Departamento de Estradas de Rodagem do Estado do Paraná
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Julgamento De Agravo Em Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade do art. 27, § 1º, do Decreto-Lei n.º 3.365/41 para fixação dos honorários advocatícios em ações de desapropriação
- 2 Critérios de fixação dos honorários (limites do Decreto-Lei versus critérios do CPC)
- 3 Incidência e termo dos juros compensatórios e moratórios em desapropriação
Ratio Decidendi
Conhecer do agravo em recurso especial e dar-lhe provimento para reduzir o percentual dos honorários advocatícios para 5%, em observância ao art. 27, § 1º, do Decreto-Lei n.º 3.365/41 e à jurisprudência consolidada do STJ (Tese 184/STJ), que impõe o limite de 0,5% a 5% sobre a diferença entre o valor ofertado e a indenização judicial em desapropriação.
Court Disposition
Agravo em recurso especial conhecido e provido em parte.
Orders
- Conhecer do agravo em recurso especial.
- Dar provimento ao agravo para reduzir o percentual dos honorários advocatícios para 5%.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto peloDepartamento de Estradas de Rodagem do Estado do Paraná,contra decisão que não admitiu recurso especial, este interposto com fundamento no art. 105, III, a, da CF, desafiando acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, assim ementado (fl. 266): DIREITO ADMINISTRATIVO. AÇÃO DE DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA. APELAÇÃO CÍVEL. MONTANTE INDENIZATÓRIO. PREVALÊNCIA DA PERÍCIA JUDICIAL, EQUIDISTANTE DAS PARTES. TERMO INICIAL DOS JUROS COMPENSATÓRIOS. SÚMULA N.º 114 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DATA DA OCUPAÇÃO, CONFORME RESTOU APURADO PELO PERITO. TERMO FINAL. INCIDÊNCIA ATÉ A DATA DA EXPEDIÇÃO DO PRECATÓRIO REQUISITÓRIO. REFORMA DA SENTENÇA NESTE ASPECTO. 1NAPLICABILIDADE DO ARTIGO 1º-F DA LEI 9.494/97 (COM A REDAÇÃO DA LEI 11.960/09) QUANTO AOS JUROS COMPENSATÓRIOS, MORATÓRIOS E À CORREÇÃO MONETÁRIA. LEI ESPECIAL QUE PREVALECE SOBRE A NORMA GERAL. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA INCIDENTE DESDE O LAUDO PERICIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. Nas razões do recurso especial, a parte agravante aponta violação aoart. 27, § 1º, do Decreto-Lei 3.365/41.Sustenta, em resumo, que a verba honorária deve ser fixada no percentual entre 0,5% e 5%, uma vez que "prolatada a sentença quando já em vigor a MP nº 1.577/97, que introduziu no Decreto-Lei nº3.365/41 o limite de 5% para fixação da verba honorária" (fls. 415/416). O MinistérioPúblico Federal, na condição de fiscal da lei, opinou pelo não conhecimento do agravo (fls. 581/583). É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. De início, verifica-se que a insurgência merece prosperar. Com efeito, a questão trazida à discussão restou assim decidida no acórdão recorrido (fls. 276/278): 8. No que concerne à verba honorária, a matéria é regulada pelo artigo 27, §1º. do Decreto Lei n.º 3.365/41, cuja redação dispõe: .. Inobstante o teor do preceito legal invocado, a norma não pode ter aplicação no caso sob apreciação. Diz-se isso porque o legislador, ao prever que os honorários devem ser fixados entre meio e cinco por cento do valor da diferença entre o valor oferecido e o da condenação, teve por objetivo evitar o pagamento de uma quantia exorbitante a título de honorários, e não de fixá-la em valores módicos e aviltantes, não condizentes com o trabalho realizado pelo causídico que patrocinou a causa. Assim, como a incidência do artigo 27, §1º. do Decreto-lei n.º 3.365/41 conduziria ao pagamento de um quantumirrisório, é de rigor a aplicação dos critérios previstos na lei processual civil. conforme, aliás, é pacífico o entendimento do colendo Superior Tribunal de Justiça: .. Por outro lado, o valor fixado, correspondente a 10% (dez por cento) sobre a condenação, perfaz um quantum capaz de remunerar o procurador do apelado, atendendo-se ao grau de zelo do profissional, ao lugar de prestação do serviço, à natureza e importância da causa, ao trabalho realizado pelo advogado e ao tempo exigido para o seu serviço. Anote-se que, por mais que a causa não seja complexa, a ação está em trâmite desde outubro de 2011 e exigiu constante esforço do advogado, devendo-se ponderar, ainda, que houve dilação probatória, pelo que a fixação em montante menor do que 10% (dez por cento) sobre a condenação implicaria em desprestigiar o zelo profissional. Note-se que, ao assim decidir, o Tribunal a quo dissentiu da jurisprudência deste Sodalício sobre o tema, a qual se firmou sob a sistemática dosrecursos especiais repetitivos (Tese 184/STJ), no sentido de que"O valor dos honorários advocatícios em sede de desapropriação deve respeitar os limites impostos pelo artigo 27, § 1º, do Decreto-lei 3.365/41 -qual seja: entre 0,5% e 5% da diferença entre o valor proposto inicialmente pelo imóvel e a indenização imposta judicialmente". Cabe destacar que, recentemente, a Primeira Seção deste Sodalício revisitou referido entendimento, para mantê-lo, conforme se verifica da ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. DESAPROPRIAÇÃO. JUROS COMPENSATÓRIOS, MORATÓRIOS E HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS EM AÇÕES EXPROPRIATÓRIAS. DECRETO-LEI N. 3.365/1945, ARTS. 15-A E 15-B. ADI 2.332/STF. PROPOSTA DE REVISÃO DE TESES REPETITIVAS. COMPETÊNCIA.NATUREZA JURÍDICA DAS TESES ANTERIORES À EMENDA 26/2016. CARÁTER ADMINISTRATIVO E INDEXANTE. TESES 126, 184, 280, 281, 282, 283 E SÚMULAS 12, 70, 102, 141 E 408 TODAS DO STJ. REVISÃO EM PARTE.MANUTENÇÃO EM PARTE. CANCELAMENTO EM PARTE. EDIÇÃO DE NOVAS TESES.ACOLHIMENTO EM PARTE DA PROPOSTA. MOD ULAÇÃO. AFASTAMENTO. 1. Preliminares: i) a Corte instituidora dos precedentes qualificados possui competência para sua revisão, sendo afastada do ordenamento nacional a doutrina do stare decisis em sentido estrito (autovinculação absoluta aos próprios precedentes); e ii) não há que se falar em necessidade de sobrestamento da presente revisão à eventual modulação de efeitos no julgamento de controle de constitucionalidade, discussão que compete unicamente à Corte Suprema. 2. Há inafastável contradição entre parcela das teses repetitivas e enunciados de súmula submetidos à revisão e o julgado de mérito do STF na ADI 2332, sendo forçosa a conciliação dos entendimentos. 3. No período anterior à Emenda Regimental 26/2016 (DJe 15/12/2016), as teses repetitivas desta Corte configuravam providência de teor estritamente indexante do julgamento qualificado, porquanto elaboradas por unidade administrativa independente após o exaurimento da atividade jurisdicional. Faz-se necessário considerar o conteúdo efetivo dos julgados para seu manejo como precedente vinculante, prevalecendo a ratio decidendi extraída do inteiro teor em caso de contradição, incompletude ou qualquer forma de inconsistência com a tese então formulada. Hipótese incidente nas teses sob revisão, cuja redação pela unidade administrativa destoou em parte do teor dos julgamentos em recursos especiais repetitivos. 4. Descabe a esta Corte interpretar o teor de julgado do Supremo Tribunal Federal, seja em cautelar ou de mérito, sendo indevida a edição de tese repetitiva com pretensão de regular seus efeitos, principalmente com caráter condicional. 5. Cancelamento da Súmula 408/STJ ("Nas ações de desapropriação, os juros compensatórios incidentes após a Medida Provisória n. 1.577, de 11/06/1997, devem ser fixados em 6% ao ano até 13/09/2001 e, a partir de então, em 12% ao ano, na forma da Súmula n. 618 do Supremo Tribunal Federal."), por despicienda a convivência do enunciado com tese repetitiva dispondo sobre a mesma questão (Tese 126/STJ).Providência de simplificação da prestação jurisdicional. 6. Adequação da Tese 126/STJ ("Nas ações de desapropriação, os juros compensatórios incidentes após a Medida Provisória n. 1.577, de 11/06/1997, devem ser fixados em 6% ao ano até 13/09/2001 e, a partir de então, em 12% ao ano, na forma da Súmula n. 618 do Supremo Tribunal Federal.") para a seguinte redação: "O índice de juros compensatórios na desapropriação direta ou indireta é de 12% até 11.6.97, data anterior à publicação da MP 1577/97.". Falece competência a esta Corte para discutir acerca dos efeitos da cautelar na ADI 2.332, sem prejuízo da consolidação da jurisprudência preexistente sobre a matéria infraconstitucional. 7. Manutenção da Tese 184/STJ ("O valor dos honorários advocatícios em sede de desapropriação deve respeitar os limites impostos pelo artigo 27, § 1º, do Decreto-lei 3.365/41 -qual seja: entre 0,5% e 5% da diferença entre o valor proposto inicialmente pelo imóvel e a indenização imposta judicialmente."). O debate fixado por esta Corte versa unicamente sobre interpretação infraconstitucional acerca da especialidade da norma expropriatória ante o Código de Processo Civil. 8. Adequação da Tese 280/STJ ("A eventual improdutividade do imóvel não afasta o direito aos juros compensatórios, pois esses restituem não só o que o expropriado deixou de ganhar com a perda antecipada, mas também a expectativa de renda, considerando a possibilidade do imóvel ser aproveitado a qualquer momento de forma racional e adequada, ou até ser vendido com o recebimento do seu valor à vista.") à seguinte redação: "Até 26.9.99, data anterior à publicação da MP 1901-30/99, são devidos juros compensatórios nas desapropriações de imóveis improdutivos.". Também aqui afasta-se a discussão dos efeitos da cautelar da ADI 2332, mantendo-se a jurisprudência consagrada desta Corte ante a norma anteriormente existente. 9. Adequação da Tese 281/STJ ("São indevidos juros compensatórios quando a propriedade se mostrar impassível de qualquer espécie de exploração econômica seja atual ou futura, em decorrência de limitações legais ou da situação geográfica ou topográfica do local onde se situa a propriedade.") ao seguinte teor: "Mesmo antes da MP 1901-30/99, são indevidos juros compensatórios quando a propriedade se mostrar impassível de qualquer espécie de exploração econômica atual ou futura, em decorrência de limitações legais ou fáticas.".De igual modo, mantém-se a jurisprudência anterior sem avançar sobre os efeitos da cautelar ou do mérito da ADI 2.332. 10. Adequação da Tese 282/STJ ("Para aferir a incidência dos juros compensatórios em imóvel improdutivo, deve ser observado o princípio do tempus regit actum, assim como acontece na fixação do percentual desses juros. As restrições contidas nos §§ 1º e 2º do art. 15-A, inseridas pelas MP"s n. 1.901-30/99 e 2.027-38/00 e reedições, as quais vedam a incidência de juros compensatórios em propriedade improdutiva, serão aplicáveis, tão somente, às situações ocorridas após a sua vigência.") à seguinte redação: "i) A partir de 27.9.99, data de publicação da MP 1901-30/99, exige-se a prova pelo expropriado da efetiva perda de renda para incidência de juros compensatórios (art. 15-A, § 1º, do Decreto-Lei 3365/41); e ii) Desde 5.5.2000, data de publicação da MP 2027-38/00, veda-se a incidência dos juros em imóveis com índice de produtividade zero (art. 15-A, § 2º, do Decreto-Lei 3365/41).". Dispõe-se sobre a validade das normas supervenientes a partir de sua edição.Ressalva-se que a discussão dos efeitos da ADI 2332 compete, unicamente, à Corte Suprema, nos termos da nova tese proposta adiante. 11. Cancelamento da Tese 283/STJ ("Para aferir a incidência dos juros compensatórios em imóvel improdutivo, deve ser observado o princípio do tempus regit actum, assim como acontece na fixação do percentual desses juros. Publicada a medida liminar concedida na ADI 2.332/DF (DJU de 13.09.2001), deve ser suspensa a aplicabilidade dos §§ 1º e 2º do artigo 15-A do Decreto-lei n. 3.365/41 até que haja o julgamento de mérito da demanda."), ante o caráter condicional do julgado e sua superação pelo juízo de mérito na ADI 2332, em sentido contrário ao da medida cautelar anteriormente deferida. 12. Edição de nova tese: "A discussão acerca da eficácia e efeitos da medida cautelar ou do julgamento de mérito da ADI 2332 não comporta revisão em recurso especial.". A providência esclarece o descabimento de provocação desta Corte para discutir efeitos de julgados de controle de constitucionalidade do Supremo Tribunal Federal. 13. Edição de nova tese: "Os juros compensatórios observam o percentual vigente no momento de sua incidência.". Evidencia-se a interpretação deste Tribunal sobre a matéria, já constante nos julgados repetitivos, mas não enunciada como tese vinculante própria. 14. Edição de nova tese: "As Súmulas 12/STJ (Em desapropriação, são cumuláveis juros compensatórios e moratórios), 70/STJ (Os juros moratórios, na desapropriação direta ou indireta, contam-se desde o trânsito em julgado da sentença) e 102/STJ (A incidência dos juros moratórios sobre compensatórios, nas ações expropriatórias, não constitui anatocismo vedado em lei) somente se aplicam às situações havidas até 12.01.2000, data anterior à vigência da MP 1.997-34.".Explicita-se simultaneamente a validade dos enunciados à luz das normas então vigentes e sua derrogação pelas supervenientes.Providência de simplificação normativa que, ademais, consolida em tese indexada teor de julgamento repetitivo já proferido por esta Corte. 15. Manutenção da Súmula 141/STJ ("Os honorários de advogado em desapropriação direta são calculados sobre a diferença entre a indenização e a oferta, corrigidas monetariamente."). 16. Cabe enfrentar, de imediato, a questão da modulação dos efeitos da presente decisão, na medida em que a controvérsia é bastante antiga, prolongando-se há mais de 17 (dezessete) anos pelos tribunais do país. Afasta-se a modulação de efeitos do presente julgado, tanto porque as revisões limitam-se a explicitar o teor dos julgamentos anteriores, quanto por ser descabido a esta Corte modular, a pretexto de controle de efeitos de seus julgados, disposições que, a rigor, são de competência exclusiva do Supremo Tribunal Federal, por versarem sobre consequências do julgamento de mérito de ADI em disparidade com cautelar anteriormente concedida. 17. Proposta de revisão de teses repetitivas acolhida em parte. (Pet 12.344/DF, Rel. Ministro OG FERNANDES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2020, DJe 13/11/2020) ANTE O EXPOSTO, conheço do agravo em recurso especial para dar provimento ao próprio apelo nobre, a fim de reduzir o percentual dos honorários advocatícios fixados no feito, para5% (cinco por cento). Publique-se.