REsp 1431633 - DECISAO
Como a imissão na posse pela autarquia ocorreu após 2002 e não houve comprovação de perda efetiva de renda do proprietário nem demonstração de produtividade nula do imóvel, aplica-se a jurisprudência do STF (ADI 2332) que afasta a incidência de juros compensatórios; por isso deu-se provimento ao recurso especial...
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- Parties
- Recorrente: INSTITUTO NACIONAL DE COLONIZAÇÃO E REFORMA AGRÁRIA; Recorrido: FAZENDA NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 April 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão
- Outcome
- Dou provimento ao recurso especial para afastar a incidência dos juros compensatórios fixados pela origem.
- Legal Topics
- Desapropriação Por Interesse Social, Juros Compensatórios, Imissão Na Posse, Indenização, Base De Cálculo, Produtividade Da Propriedade
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Parties
INSTITUTO NACIONAL DE COLONIZAÇÃO E REFORMA AGRÁRIA
Recorrente
FAZENDA NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão
Legal Issues
- 1 Incidência de juros compensatórios na desapropriação para reforma agrária
- 2 Limitação dos juros compensatórios a 6% ao ano (art. 15-A do Decreto-lei n. 3.365/1941)
- 3 Necessidade de comprovação de perda efetiva de renda para concessão de juros compensatórios
Ratio Decidendi
Como a imissão na posse pela autarquia ocorreu após 2002 e não houve comprovação de perda efetiva de renda do proprietário nem demonstração de produtividade nula do imóvel, aplica-se a jurisprudência do STF (ADI 2332) que afasta a incidência de juros compensatórios; por isso deu-se provimento ao recurso especial para afastar os juros compensatórios fixados na origem.
Court Disposition
Dou provimento ao recurso especial para afastar a incidência dos juros compensatórios fixados pela origem.
Orders
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Em análise, RECURSO ESPECIAL interposto por INSTITUTO NACIONAL DE COLONIZAÇÃO E REFORMA AGRÁRIA contra acórdão do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO assim ementado: ADMINISTRATIVO CONSTITUCIONAL INCRA PROVAS NECESSÁRIAS ART 130 DO CPC FAZENDA NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO PERDA DA FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE DESAPROPRIAÇÃO POR INTERESSE SOCIAL PARA FINS DE REFORMA AGRÁRIA INDENIZAÇÃO VALOR FIXADO PELO INCRA MANUTENÇÃO LEVANTAMENTO DE 80% DO VALOR OFERTADO JUROS MORATÓRIOS NÃO-CABIMENTO JUROS COMPENSATÓRIOS REFORMA PARCIAL CONSECTÁRIOS SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA Os embargos de declaração foram acolhidos em parte, apenas para afirmar o prequestionamento explícito das normas discutidas. A parte recorrente sustenta, em síntese, o descabimento de juros compensatórios na expropriação para reforma agrária, bem como sua eventual limitação ao patamar de 6% ao ano (art. 15-A do Decreto-Lei n. 3.365/1941). Contrarrazões apresentadas. O Ministério Público Federal (MPF) opina pelo provimento do recurso. No caso dos autos, a imissão da autarquia na posse do imóvel ocorreu após 2002. Assim, não se enquadra nos termos do Tema n. 280/STJ (Até 26.9.99, data anterior à publicação da MP 1901-30/99, são devidos juros compensatórios nas desapropriações de imóveis improdutivos). Nesse cenário, o Supremo Tribunal Federal decidiu que somente incidem juros compensatórios se houver comprovação da efetiva perda de renda pelo proprietário com a imissão na posse ou se o imóvel tiver graus de utilização da terra e de eficiência iguais a zero. Transcrevo a ementa do julgamento de controle concentrado, no ponto: Administrativo. Ação Direta de Inconstitucionalidade. Regime Jurídico dos Juros Compensatórios e dos Honorários Advocatícios na Desapropriação. Procedência Parcial. .. 4. Constitucionalidade dos §§ 1º, 2º e 4º, do art. 15-A, do Decreto-lei nº 3.365/1941, ao determinarem a não incidência dos juros compensatórios nas hipóteses em que (i) não haja comprovação de efetiva perda de renda pelo proprietário com a imissão provisória na posse (§ 1º), (ii) o imóvel tenha "graus de utilização da terra e de eficiência na exploração iguais a zero" (§ 2º) .. Fixação das seguintes teses: "(i) É constitucional o percentual de juros compensatórios de 6% (seis por cento) ao ano para a remuneração pela imissão provisória na posse de bem objeto de desapropriação; (ii) A base de cálculo dos juros compensatórios em desapropriações corresponde à diferença entre 80% do preço ofertado pelo ente público e o valor fixado na sentença; (iii) São constitucionais as normas que condicionam a incidência de juros compensatórios à produtividade da propriedade; (iv) É constitucional a estipulação de parâmetros mínimo e máximo para a concessão de honorários advocatícios em desapropriações, sendo, contudo, vedada a fixação de um valor nominal máximo de honorários." (ADI 2332, Relator(a): ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 17-05-2018, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-080 DIVULG 15-04-2019 PUBLIC 16-04-2019) Desse modo, portanto, deve ser afastada a incidência dos juros compensatórios no caso dos autos, ante a ausência de qualquer fundamento acerca da perda efetiva de renda do proprietário pela imissão da autarquia na posse do bem. Isso posto, dou provimento ao recurso especial, para afastar a incidência dos juros compensatórios fixados pela origem. Intimem-se. EMENTA